Sobre o desaparecimento de línguas no mundo, segundo um estudo da UNESCO

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Segundo um estudo patrocinado pela agência UNESCO em 2008 o mundo teria perdido três línguas: O Manx da Ilha de Man, o Ubykh na Turquia e o Eyak, no Alasca, com a morte dos últimos indivíduos que ainda eram capazes de falar estas línguas. Segundo a UNESCO, das 6900 línguas ainda vivas no planeta, pelo menos 2500 estão em riscos de desaparecimento. Este número representa um aumento preocupante em relação ao anterior relatório publicado em 2001, o qual contava “apenas” com 900 línguas em vias de extinção. Destas 2500 línguas, 199 são faladas por grupos inferiores a 12 pessoas ou ainda menos, como o Karaim na Ucrânia ou Wichita, uma língua índia do Oklahoma que é falada apenas por uma dezena de nativos americanos. Um segundo grupo de línguas, contendo 178 línguas está um pouco mais confortável, já que inclui línguas faladas por mais de 10 pessoas e menos de 150.

Em termos mundiais, o país onde existem mais línguas à beira da extinção é a Índia, que alberga 196 línguas ameaçadas destas 2500, seguida pouco depois pelos EUA, com 192 e pela Indonésia com 147… Ou seja, um dos países mais desenvolvidos do mundo, os EUA, é também tristemente um dos que menos apoio tem dado à sua própria riqueza linguística, fonte essencial de cultura, desenvolvimento e sustentáculo fundamental de qualquer sociedade humana verdadeiramente diversa e multicultural. Ironicamente, o país linguísticamente mais rico, a Papua Nova Guiné… onde se falam mais de 800 línguas é um dos menos ameaçados, com apenas 88 nesta lista de línguas em risco.

Nem tudo é mau, felizmente… Algumas línguas ameaçadas, como o Cornich, uma língua céltica falada na Cornualha (sul de Inglaterra) e o Sishee, na Nova Caledónia (Pacífico sul) saíram do grupo de risco. E o mesmo sucedeu noutros locais onde os governos deram o apoio necessário à sobrevivência de varias línguas ameaçadas. Este foi o caso do Peru e da Nova Zelândia, por exemplo, países que compreenderam a tempo que o processo descaracterizante e anulador da Globalização é também cultural e que somente pela resistência à imposição do inglês como “língua única”, os povos locais podem preservar a sua independência cultural, económica e política, porque sem uma língua nacional, não há nação e sem nação não poderá jamais haver uma Pátria com a qual as pessoas se possam identificar e com que possam partilhar sentimentos de pertença, abstraindo assim da sua mera existência quotidiana e banal.

Fonte:
http://english.cnnb.com.cn/system/2009/02/20/005997370.shtml

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Categories: Ciência e Tecnologia, Educação, Política Internacional, Sociedade | 2 comentários

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2 thoughts on “Sobre o desaparecimento de línguas no mundo, segundo um estudo da UNESCO

  1. pedronunesnomundo

    esta questão é-me muito cara

    considero – igualmente – que uma língua é o património cultural mais importante de um indivíduo

    pode não desenvolver os ritos dos seus maiores
    pode perder a pátria que o deu à vida
    pode ver-se só, sem família, nem próximos, nem povo
    pode não ter como partilhar o resto da bagagem que transporta consigo
    …mas sempre que a sua cabeça pensar, fá-lo-á na sua língua, com as palavras que sabe, que usa para nomear o mundo e a sua própria vida, que a sua cultura lhe facultou. e não estará sozinho nem nada se terá perdido para sempre

    a Babel de hoje será a do unanimismo que perderá os Homens e as suas maiúsculas

    quando vestirmos o mesmo
    quando comermos o mesmo
    quando dissermos o mesmo porque pensamos o mesmo numa língua única com que lemos o mundo

    um verdadeiro susto que urge combater como o descreves…

  2. ainda hoje tive, numa reunião entre o MIL e Roberto Moreno, da Fundação Geolíngua http://sol.sapo.pt/blogs/geolingua/default.aspx uma longa e profunda conversa sobre as espantosas virtualidades do português e da possibilidade deste servir como motor de uma verdadeira “União Iberofona”, entre os 30 países da iberofonia (castelhano e português).
    É esta proposta, com mais de 700 milhões de falantes que se pode opor ao imperialismo cultural anglo-saxão, mas primeiro alavancando esta união linguística e cultural, numa aproximação dos povos e países da CPLP…
    e a massificação linguística e cultural só pode produzir boçalização em massa.
    O que é aliás o que os “senhores do mundo”, querem acima de tudo…

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