Daily Archives: 2009/05/14

5. Agostinho da Silva, Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I: “Portugal é, de todos os cantos da Península, o único que tem verdadeiramente génio político, talvez, de todas as gentes que falam latim pelo mundo, o único real herdeiro do povo romano”

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“Portugal é, de todos os cantos da Península, o único que tem verdadeiramente génio político, talvez, de todas as gentes que falam latim pelo mundo, o único real herdeiro do povo romano.”

De facto, em nenhum outra província, alem da Ibéria houve uma adesão mais profunda e completa à cultura romana. Vários imperadores tinham alias raízes hispânicas e a Hispânia foi das derradeiras províncias a tombarem sob as inclementes espadas germânicas. Foi esta matriz romana que sobreviveu algures dentro da alma dos portugueses de quinhentos e que hoje subsiste numa esquecida centelha presente ainda hoje no coração dos povos da lusofonia. Não que os portugueses tenham a obsessão pelo detalhe, o fascínio pelo aspecto utilitário das coisas e o instinto organizacional dos romanos… Preferimos o esboço de planos grandiosos e enfastiamo-nos com os detalhes e as minúcias organizativas que levavam os romanos ao nirvana… O português é o génio do improviso e da criatividade, e nisso está a léguas do sentimento romano. Mas tem como ele o gosto pelos grandes – e aparentemente impossíveis – projetos. Duarte Pacheco defendendo Diu contra centenas de milhares de naires é o herdeiro do legionário que erguia a sua lança curta contra as hostes ululantes de alanos… Como o romano, também o português despreza o pensamento abstrato, especulativo e estérilmente “filosófico” do grego e hoje, do anglosaxónico ou germânico. Como o romano, o português fala ainda hoje uma variante próxima do… Latim. E é bem conhecida a importância que uma língua tem na formação das matrizes culturais das civilizações.

“Só que, por fatalidade, e logo desde o começo, faltou a Portugal, para uma plena ação, a companhia e a integração de seu complemento natural para os lados do Norte. A ação de Portugal no Brasil não teria sido o que foi, apesar de toda a actuação do minhoto nas Gerais, garantindo um Brasil interior, ou do transmontano sobre o Prata, garantindo afinal a fronteira de Oeste, se não tivesse havido o bandeirantismo dos seus alentejanos e, indiretamente, as suas guarnições algarvias para o sul; a gente mais ou menos mourisca para o sul do Tejo, a gente já de falar crioulo, os que vinham do deserto e de seu gosto aventureiro e livre, serviram de complemento aos de Entre-Minho-e-Tejo, verdadeira base de Portugal, o Portugal da gente que finca o pé na terra e obriga a terra a dar tudo o que tem, metal ou seiva, ou isso mesmo, base a conto de lança (sic). Mas para o norte, a Galiza não estava.”

Este aspeto feminino de Portugal, ou melhor dizendo, da Portugaliza, a entidade composta e completa que reúne a terna e feminina Galiza com o duro e sonhador Portugal é a primeira das prioridades a cumprir se alguma vez se formar algum protótipo de “União Lusófona”.  A União lusófona poderá efetivamente começar de varias formas:
1. Pela união entre Cabo Verde e/ou São Tome e Príncipe e Portugal
2. Pela união entre Portugal e o Brasil, como sonhava Agostinho durante os seus tempos de exílio no Brasil
3. Pela união entre Portugal e a Galiza
4. Pela união – simultânea – de todos os países da CPLP

Entre estas quatro possibilidades aquela que porventura seria mais fácil, assim houve a visão estratégica que rareia na classe política contemporânea, seria a primeira. Se esta possibilidade fosse referendada pelos povos cabo-verdiano, sãotomense e português, temos a certeza que em todos estes países a votação favorável à constituição de uma federação ou confederação comum seria arrasadora. Não há aqui as energias negativas, nem os recalcamentos históricos ou os anticorpos de mentalidade que são ainda comuns nos países africanos lusófonos em cujos territórios se travaram as batalhas da Guerra Colonial. São também países que desde há muito enviam os seus melhores filhos para Portugal, em busca de uma vida melhor, e estão aqui geralmente bem integrados e entrelaçados com famílias e gentes portuguesas. Não receamos uma corrente migratória avassaladora, como porventura temerão alguns… Simplesmente, o mercado laboral acaba sempre por se autoregular, e só existem vagas migratórias consistentes quando há emprego nos locais de destino. Se este não houver em Portugal esses “temidos” emigrantes não virão, se houver, então que venham porque precisamos deles, especialmente devido aos nossos crónicos problemas demográficos…

A tese da união entre Portugal e o Brasil tem a sedução natural aos grandes projetos e compreende-se bem o fascínio de Agostinho pela mesma… O Brasil é hoje o berço maior da língua portuguesa, uma potência económica emergente, uma autentica “superpotência” regional mercê da sua forca militar, económica e demográfica, e de todos os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) é aquele que pela sua independência em hidrocarbonetos, pelo bioalcóol e sobretudo pela natureza alimentar das suas exportações, será o que melhor resistira à atual recessão mundial. Compreende-se bem assim as vantagens que um país como Portugal pode obter pela unificação com um gigante continental como o Brasil. Num dos seus escritos, Agostinho chega mesmo a defender a simples integração de Portugal na federação brasileira, mantendo a sede em Brasília ou mudando esta para Nova Lisboa (Huambo), já que na época Angola era ainda uma província ultramarina portuguesa.

A quarta possibilidade é a união política entre Portugal e a Galiza. Existe hoje um pequeno, mas muito ativo grupo de galegos reintegracionistas e existe uma familiariedade do sentir e da fala que comove e arrepia quando encontramos uma fala galega… Erupte então uma amarga sensação de perda, de incompletitude, como se tivéssemos perdido algo, quando Afonso Henriques pelas frias razoes da estratégia diplomática e militar optou por deixar a Galiza entregue ao império de Leão e marchar para sul, para as desunidas taifas muçulmanas. Em termos de desenvolvimento social, económico e cultural, Portugal e a Galiza são sem duvida os membros mais semelhantes da lusofonia, e essas semelhanças facilitariam tal aproximação… Mas há ainda Espanha e diminuído, mas nítido, “império de Madrid”… Nunca a Espanha, toleraria uma saída da Galiza a caminho de Portugal, especialmente porque recearia que depois esse movimento de desagregação se repetisse na Catalunha, em Olivença e no Pais Basco. Mas Madrid não será sempre Madrid. A Europa quer reduzir o poder e as funções dos Estados, e quando o lograr fazer em Espanha… Talvez tenha chegado o momento de unir essas duas metades que a Historia separou: Portugal e a Galiza.

A quinta tese é aquela que se nos afigura mais improvável… Dificilmente assistiremos à união espontânea dos atuais membros da CPLP. É nossa convicção que tal aproximação começará sempre por via de um exemplo, de uma antecipação que demonstre aos demais e mais hesitantes países a possibilidade e as vantagens desse sonho. E esta oportunidade há de surgir… No por vir, o momento em que as profecias se cumprirão e Portugal se fará Portugal, deixando fisicamente de o ser e diluindo-se no seio de uma União lusófona para a qual foi fadado desde o princípio dos tempos.

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Amanhã, à Galiza regressas…

Amanhã, à Galiza regressas
Uma vez mais, de novo
É sempre bom regressar

À Galiza, a Norte do Norte
À Noite, onde amanhecemos
Na madrugada da nossa memória

Aí, onde o Sol renasce, da Raiz
Aí, bem ao Centro, bem no Cerne
Bem no Fundo, bem na Fonte, bem de Frente

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Brasil: bibliotecas públicas para todos?

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http://a-informacao.blogspot.com/2009/05/brasil-bibliotecas-publicas-para-todos.html

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Sobre o desaparecimento de línguas no mundo, segundo um estudo da UNESCO

UNESCO

UNESCO

Segundo um estudo patrocinado pela agência UNESCO em 2008 o mundo teria perdido três línguas: O Manx da Ilha de Man, o Ubykh na Turquia e o Eyak, no Alasca, com a morte dos últimos indivíduos que ainda eram capazes de falar estas línguas. Segundo a UNESCO, das 6900 línguas ainda vivas no planeta, pelo menos 2500 estão em riscos de desaparecimento. Este número representa um aumento preocupante em relação ao anterior relatório publicado em 2001, o qual contava “apenas” com 900 línguas em vias de extinção. Destas 2500 línguas, 199 são faladas por grupos inferiores a 12 pessoas ou ainda menos, como o Karaim na Ucrânia ou Wichita, uma língua índia do Oklahoma que é falada apenas por uma dezena de nativos americanos. Um segundo grupo de línguas, contendo 178 línguas está um pouco mais confortável, já que inclui línguas faladas por mais de 10 pessoas e menos de 150.

Em termos mundiais, o país onde existem mais línguas à beira da extinção é a Índia, que alberga 196 línguas ameaçadas destas 2500, seguida pouco depois pelos EUA, com 192 e pela Indonésia com 147… Ou seja, um dos países mais desenvolvidos do mundo, os EUA, é também tristemente um dos que menos apoio tem dado à sua própria riqueza linguística, fonte essencial de cultura, desenvolvimento e sustentáculo fundamental de qualquer sociedade humana verdadeiramente diversa e multicultural. Ironicamente, o país linguísticamente mais rico, a Papua Nova Guiné… onde se falam mais de 800 línguas é um dos menos ameaçados, com apenas 88 nesta lista de línguas em risco.

Nem tudo é mau, felizmente… Algumas línguas ameaçadas, como o Cornich, uma língua céltica falada na Cornualha (sul de Inglaterra) e o Sishee, na Nova Caledónia (Pacífico sul) saíram do grupo de risco. E o mesmo sucedeu noutros locais onde os governos deram o apoio necessário à sobrevivência de varias línguas ameaçadas. Este foi o caso do Peru e da Nova Zelândia, por exemplo, países que compreenderam a tempo que o processo descaracterizante e anulador da Globalização é também cultural e que somente pela resistência à imposição do inglês como “língua única”, os povos locais podem preservar a sua independência cultural, económica e política, porque sem uma língua nacional, não há nação e sem nação não poderá jamais haver uma Pátria com a qual as pessoas se possam identificar e com que possam partilhar sentimentos de pertença, abstraindo assim da sua mera existência quotidiana e banal.

Fonte:
http://english.cnnb.com.cn/system/2009/02/20/005997370.shtml

Categories: Ciência e Tecnologia, Educação, Política Internacional, Sociedade | 2 comentários

Quids S16: Quem era este homem?

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1. Todos os quids valem um ponto.

2. Os Quids são lançados pela manhã. Entre as 6:00 e as 10:00 (Hora de Lisboa)

3. As pistas só serão dadas à hora de almoço (12:30-14:30). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, desde que pedidas por um (qualquer) dos participantes.

4. Só há quids entre 2ª e 6ª (incluindo feriados). Salvo imprevisto…

5. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 30 pontos.

6. É vivamente desencorajado o uso de vários nicknames para o mesmo concorrente, já que desvirtua o espírito do jogo. Lembrem-se que o IP tudo revela…

Categories: Quids S16 | 15 comentários

Sobre os foguetões ucraniano-brasileiros “Cyclone” e a “Alcântara Cyclone Space”

Foguetão Cyclone em http://www.nkau.gov.ua

Foguetão Cyclone em http://www.nkau.gov.ua

Existe uma empresa aeroespacial praticamente desconhecida no mundo intitulada “Alcântara Cyclone Space” ou simplesmente ACS. A empresa é responsável pela oferta de serviços de comercialização e de lançamento dos foguetões Cyclone-4 a partir do seu porto espacial de Alcântara, no Brasil.

A ACS é o produto de anos de negociações entre o Brasil e a Ucrânia que começaram em 1999 e que terminaram apenas em outubro de 2003 com a assinatura de um acordo de cooperação a longo prazo permitindo a utilização do foguetão Cyclone-4 a partir de Alcântara. Um acordo que foi assinado pelo ministro brasileiro da ciência e da tecnologia e pelo ministro dos negócios estrangeiros ucraniano com a presença dos presidentes dos dois países.

A ACS foi fundada em 2006 com um investimento inicial em que cada país contribuía com 4,5 milhões de dólares cada. O tratado fundador determinava também que o investimento dos dois países iria posteriormente subindo até que a ACS tivesse um capital total de 105 milhões de dólares.

A empresa está sediada em Brasília, no Brasil onde também se encontra o seu porto espacial de Alcântara.

O produto central da ACS é o Cyclone-4. O lançador está a ser desenvolvido pelo gabinete de engenharia espacial ucraniano “Yuzhnoye”, sendo os membros anteriores da família dos mais fiáveis jamais construídos registando um impressionante recorde apenas 6 falhas em 226 lançamentos.

As operações de pré-lançamento dos Cyclones são completamente automáticas, o que aumenta a segurança da operação e reduz os custos.

O primeiro membro da família Cyclone, foi o Cyclone-2, concebido também pelo gabinete Yuzhnoye a partir do míssil balístico intercontinental SS-9. O projeto do míssil datava da década de sessenta, por isso tinha sido amplamente testado e recorria a tecnologia e materiais bem conhecidos e melhor testados, limitando-se o gabinete a remover elementos militares e a atualizar equipamentos mais antigos.

O Cyclone-2 era composto por dois estádios, ambos com motores de propelente líquido e conseguia injetar em órbitas baixas (LEO) tendo sido lançados 105 Cyclone-2, sem uma única falha tendo sido o último lançado em maio de 2004.

O projeto do Cyclone-3 data de finais da década de setenta recorrendo conhecido e amplamente testado Cyclone-2 para os dois primeiros estádios, colocando sobre estes um terceiro, propulsado também a combustível líquido. Até aos dias de hoje foram lançados 120 Cyclone-3, com apenas 6 falhas. O lançador que ainda está ativo consegue colocar até 4000 kg em órbitas baixas.

O último membro desta família será o Cyclone-4. Como o seu imediato antecessor, utilizará também o Cyclone-2 nos dois primeiros estádios, mas o terceiro terá mais capacidade para combustível que no Cyclone-3 e um novo motor, capaz de múltiplas ignições, o que permitirá um aumento da precisão de colocação em orbita de satélites. A carga útil será também maior, de um máximo de 5300 kg em órbitas baixas, ou 1600 kg em órbitas geoestacionárias. O Cyclone-4 terá também uma nova unidade de transporte de carga útil climatizada e garantindo a limpeza do conteúdo.

A ACS está agora ocupada a construir as infraestruturas de suporte aos Cyclone-4 em Alcântara. Devendo o primeiro lançamento ocorrer em breve, mas em data ainda não especificada.

Fonte:
http://www.alcantaracyclonespace.com

Categories: Brasil, SpaceNewsPt | 11 comentários

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