Hackers chineses e russos invadem a rede elétrica dos EUA

Segundo vários responsáveis por organizações de segurança do governo dos EUA a rede elétrica do país foi invadida por espiões de países estrangeiros que poderão ter instalado programas que a afectem ou que a cheguem mesmo a desligar se esse for o comando enviado a partir dos seus centros de comando.

Os registos que estes espiões deixaram atrás de si apontam para a China e para a Rússia, mas também para outros países que não foram especificados. A missão destes ciberespiões parece ter sido de reconhecimento, elaborando relatórios de vulnerabilidades e planos de ação para futuras ações ofensivas. Não foram detectados danos na rede elétrica, decorrentes destas atividades de espionagem, mas sabe-se agora que a China e a Rússia têm agora diagramas detalhados da rede elétrica dos EUA, assim como uma rede subterrânea de programas clandestinos prontos a serem ativados em caso de conflito com os Estados Unidos.

Não tenhamos dúvidas: se tais atividades tiveram lugar nos EUA, é porque idênticas atividades decorrem contra outros países desenvolvidos, especialmente contra países da OTAN e, possivelmente, contra a Índia, velho rival chinês. É certo que o facto de a rede eléctrica dos EUA estar em particular mau estado, obsoleta e privatizada segundo critérios que não privilegiaram a sua robustez e manutenção (como os recentes problemas na Califórnia demonstraram) pode torná-la mais exposta que as de outros países desenvolvidos.

Outro factor perturbador nesta história está em que estas intrusões não foram detectadas pelas empresas que exploram a rede elétrica, mas por agências de informação governamentais. Esta incapacidade para impedirem ou até mesmo para detectarem atividades que invadem a suas redes, instalam programas maliciosos que preparam o shutdown da rede sob comando de potências estrangeiras, expõe um tremendo nível de incompetência e desleixo que só pode resultar de décadas da aplicação cega e desregrada do paradigma do “outsourcing” massivo das funções de segurança informática e de desinvestimento numa área tão crítica para a economia de um país como a sua rede elétrica.

Uma das primeiras medidas de Obama quando assumiu a presidência dos EUA foi a de encetar a transformação da obsoleta rede elétrica do país numa “rede inteligente”, capaz de reduzir as perdas por ineficiência e desperdício que alguns estimam serem nos EUA, superiores a 30% de todo o consumo. A aplicação deste plano, se for devidamente enquadrado num reforço sistemático da segurança informática da rede, poderá reduzir o nível desta ameaça crítica para a segurança nacional dos EUA.

Na verdade, com a utilização de sistemas informáticos em praticamente toda as atividades humanas, isso quer dizer que todas estão permeáveis a ataques cibernéticos de consequências imprevisíveis, mas potencialmente muito graves. Em 2000, na Austrália, um empregado descontente desligou um sistema de tratamento de águas residuais lançando centenas de milhar de litros de esgotos no grande jardim do Hotel Hyatt. Em 2008, soube-se que um ataque cibernético tinha desligado a energia elétrica em países que não foram especificados pelo denunciante, o agente Tom Donahue, da CIA. Segundo este, os atacantes teriam exigido resgates, que foram pagos para devolverem o controlo das redes.

Obviamente, russos e chineses, já negaram categoricamente estar por detrás destas atividades. Mas a Rússia esteve por detrás da última e até agora única ciberguerra contra a Lituânia em 2007 e a China tem deixado abundantes traços da sua passagem para que a intenção de espionar e minar as estruturas fundamentais dos países ocidentais possa ser negada.

Obviamente, uma parte do problema está também na excessiva interdependência e ligação entre as redes eléctricas mundiais. Conforme a coisa está atualmente, por exemplo na Europa, se um ciberterrorista derrubar a rede elétrica de um pequeno país, digamos Portugal, como a sua rede está ligada à espanhola, esta à francesa e daqui a quase todos os países do continente, isso quer dizer que o desligamento e consequentemente sobrecarga local poderá propagar-se rapidamente aos países vizinhos e levar ao blackout também nestes países. A solução será assim relocalizar e autonomizar estas redes, criando sistemas de geração de energia dispersos e locais (mini hídricas e pequenas centrais eólicas) capazes de fornecer o essencial do consumo local, protegendo sempre estas redes eléctricas locais (idealmente municipais) com sistemas de segurança próprios e não dependentes de outsourcings baratos e ineficientes que coloquem em risco aquela que é verdadeiramente a maior dependência da forma de civilização atual: a energia elétrica.

Fonte:
http://online.wsj.com/article/SB123914805204099085.html

Categories: China, DefenseNewsPt, Informática | Etiquetas: , , | 9 comentários

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9 thoughts on “Hackers chineses e russos invadem a rede elétrica dos EUA

  1. Petição – Desigualdades do Tratado de Bolonha – in IDEIASFIXAS2

  2. Os caras são mt bons….essa força de invasão cibernética deles são deveras efeciêntes . É puro treinamento de guerra, vide a georgia…ficou fora do ar..até o momento que eles , os Rússos, quiseram, os seus sitema de defesa computadorizados…´Os iankse Isaraelenses que os digam, eles vão e volta… São autênticos guerreiros do Cyberespaço.

  3. eles estão é a colocar aqui uma imensa quantidade de meios, e como não têm barreiras legais nem morais para agir, fazem tudo o que podem.

  4. gaitero

    Hackers invadem site do Pentágono e roubam projeto de avião de US$ 300 bi

    Piratas levaram dados sobre construção do caça F-35 Lightning II.
    Segundo ‘Wall Street Journal’, ataques podem ter sido feitos da China.

    Do G1, em São Paulo

    F-35 Lightning II, máquina de guerra mais cara já projetada pelo Pentágono, foi alvo de roubo por hackers.

    Um grupo de hackers invadiu os sistemas de computação do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e copiou informações sobre a construção do caça F-35 Lightning II, o mais caro projeto já conduzido pelo Pentágono.

    De acordo com o “Wall Street Journal”, os piratas copiaram informações que, em teoria, poderiam ensinar militares de outros países a se defender do avião, também conhecido como Joint Strike Fighter, cujo projeto está orçado em US$ 300 bilhões (cerca de R$ 672 bilhões, pela cotação do dólar comercial do dia 20 de abril).

    Ex-oficiais do governo americano ouvidos pelo “Wall Street Journal” afirmam que os ataques aparentemente foram feitos a partir da China, embora não seja possível afirmar com precisão a identidade dos hackers. Também não é possível estimar, por enquanto, os danos ao projeto e o provável risco de segurança criado pelo roubo de informações.

    Segundo o jornal americano, os invasores conseguiram baixar um grande volume de dados sobre o avião, mas as informações mais críticas não foram atingidas. Partes mais importantes do projeto são armazenadas em computadores que não estão ligados em rede.

    O F-35 Lightning II, construído por um consórcio liderado pela Lockheed Martin, é dotado de um software composto por mais de 7,5 milhões de linhas de código-fonte. O programa é três vezes mais complexo do que o utilizado em outros aviões de combate modernos.

    No dia 8, o “Wall Street Journal” já havia revelado que espiões entraram na rede elétrica dos Estados Unidos e deixaram nela alguns softwares que poderiam ser usados para prejudicar o sistema.

    Os hackers vieram da China, Rússia e outros países. Acredita-se que sua missão fosse investigar o sistema elétrico dos EUA e seus controles, informou o jornal, citando antigos e atuais dirigentes dos serviços de segurança norte-americanos.

    Os intrusos não tentaram danificar a rede elétrica ou outros elementos cruciais de infraestrutura, mas os funcionários disseram que poderiam fazê-lo durante uma crise ou guerra. “Os chineses tentaram mapear a nossa infraestrutura, como a rede elétrica. Os russos também”, disse um funcion

  5. sim, estive para escrever sobre este ataque, também.
    e o móbil aponta claramente para a China, com o seu mais ou menos encravado projeto de avião de 5ª geração.
    Aparentemente, tornaram a seguir o método do J-10, copiar um avião ocidental (o Laavi/F-16) em vez de o desenvolverem internamente:

  6. Em uma conversa de barzinho, um cara mt inteligente falou-nos que se pegou de F.35 com certeza pegou tbm o do F.22 , pq o f.35 e bem + complexo .É que os Rússos e Chineses entram e saem a vontade de computadores do mundo todo..invadem os centros de defesa do Sionistas e dos ianks…Essas forças foram criadas com esse objetivo..violar centro de defesas integrados de “N” países. São ferozes.

  7. não tenho a certeza, Carlos… o F-35 é uma espécie de versão “Lite” do F-22, quase sem furtividade, que é o aspeto central do F-22.

  8. Novos tempo, novas armas, novas guerras.

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