4. Agostinho da Silva, Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I

Página 30
(…) “numa prefiguração da Commonwealth, haver uma companhia de republicas unificadas por uma Coroa; uma Península que tivesse conservado aquele gosto de conversação, de “vida conversável”, como diria mais tarde um navegador, para cristãos, judeus e árabes, essa Península, para lá de todas as contingências económicas, teria dado modelo a mundo.”

Ainda que possa parecer contraditória, esta visão agostiniana de uma federação de repúblicas encabeçada por um rei, esta fusão de republicanismo com monarquismo, ainda que profundamente original, bebe diretamente na capacidade sincrética que caracteriza a maneira lusófona de estar perante o mundo. As “repúblicas” de Agostinho da Silva são não somente as nações ibéricas como Portugal, Galiza ou a Catalunha e o Pais Basco, mas também os municípios que compõem estes Estados e que o professor sonhava constituírem “repúblicas livres e autónomas”, unidas pela reunião periódica em “cortes” e pela figura um tanto simbólica, mas plenamente unificadora de um rei eletivo.

Desta forma, podemos até dizer que o professor Agostinho era um “iberista”, no sentido em que desejava ver um dia toda a Ibéria reunida sob a tutela de um rei único, respeitador das liberdades e diferenças culturais e linguisticas de todos os povos peninsulares. Seria esta Península unificada, não mais sobre a tutela mais ou menos imperialista de Madrid ou castelhana que melhor seria capaz de manter o respeito pelas idiossincrasias religiosas e culturais que caracterizaram os melhores anos da Península, no dinâmico período pré-romano ou sob o califado de Córdova ou no período das taifas, e, mais tarde na Idade Media. Esta capacidade para a as convivência e para o frutuoso dialogo de culturas é o melhor traço da forma mediterrânea de estar e um dos pontos onde a portugalidade melhor se manifesta, sendo também o aspecto essencial do Culto do Espírito Santo.

Anúncios
Categories: Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia | Etiquetas: | 12 comentários

Navegação de artigos

12 thoughts on “4. Agostinho da Silva, Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I

  1. ENSAIO SOBRE UMA IBEROFONIA …
    A proposta da Fundação Geolíngua, desde 1-1-1992, é:
    Ressuscitar a mais antiga Comunidade linguística do mundo (1494), naturalmente bilingue:
    UI – União Iberófona (CPLPE – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola)
    Esta é a receita para a CPLP evoluir, ou seja, regredir 500 anos no seu conceito original, o diálogo popular …

    A Fundação Geolíngua irá organizar, no futuro, uma Petição Iberófona.
    Este é o modelo, provisório:
    PETIÇÃO PARA O BILINGUISMO NAS 30 NAÇÕES UNIDAS IBEROFONAS.

    A Fundação Geolíngua fundamenta as razões para uma proposta de promoção de um bilinguismo natural para todos aqueles que são cidadãos do mundo, nascidos na Comunidade Iberófona.

    – Considerando que, cerca de 700 milhões de pessoas se expressam nos idiomas português e espanhol, com importante presença sócio-cultural, geopolítica e econômica em várias nações de todos os continentes, sendo as duas línguas, entre si, com maior poder de compreensão entre todas as faladas no mundo (no seu aspecto quantitativo, qualitativo, geopolítico e económico, entre outros) as primeiras entre as consideradas línguas universais de cultura e as mais faladas nos seis continentes;

    – Considerando que, uma língua, além de meio de comunicação, expressa conteúdo existencial, modos de sentir, de pensar e de viver de agrupamentos humanos, constituindo, através dos séculos, uma identidade cultural, com peculiar criatividade, valores ético-sociais e sentimentos coletivos, refletidos no idioma que são intraduzíveis e que necessitam continuar vivendo e revelando culturas;

    – Considerando que, a Iberofonia vem se situando de forma crescente em várias partes do mundo, pelos seus escritores, poetas, inventores, cientistas, artistas, somando-se desde os navegadores e descobridores que fizeram sua história, com significativa presença nos meios de comunicação de massa através de telenovelas, noticiários, reportagens, etc, projectando-se na literatura, música, esportes e artes em geral;

    – Considerando que, o idioma espanhol é oficial na ONU, colocando-o em condições de igualdade com outros idiomas, é ato de respeito e apoio às comunidades das nações de língua espanhola, valorizando sua unidade e participação sócio-económico-cultural no contexto internacional;

    – Considerando que, o idioma português surgiu oficialmente em 1214, com o testamento de D. Afonso II, que até então era o galaico-português e que no século XVI, começou a se espalhar e enriquecer-se, tomando dos outros povos não só expressões linguísticas novas, como também formas de estar e de pensar e desta forma deu se o inicio da Globalização, via Comunicação;

    – Considerando que, de entre as línguas românicas, o português e o espanhol são as que mantém maior afinidade entre si. Tidas como irmãs da mesma família linguística, possuem um tronco comum, o latim, e uma história evolutiva paralela, a da popularização diaspórica do idioma latino na península ibérica e de lá para a América, África e Ásia. Entretanto, é bom salientar que é mais fácil para um lusófono comunicar-se em “Portunhol” do que para um hispânico em “Hispanês”;

    – Considerando que, a razão para este facto é que há algo muito especial na língua portuguesa, o elemento descodificador do espanhol, do italiano e do francês, devido ao seu sistema fonético vocálico de 12 entidades, composto de sete fonemas orais e cinco nasais e que o espanhol possui apenas cinco fonemas orais, o AEIOU, e eis o porquê de entre as cinco línguas latinas, o português ser o “Ferrari” deste comboio linguístico;

    – Considerando que, é de fundamental importância para a divulgação do bilinguismo, divulgar o quanto se pode ganhar com a língua portuguesa, e a título de exemplo pode-se dizer o seguinte: «Grande promoção da língua portuguesa, pague uma, leve duas e meia!», dado que ganhamos 90% do espanhol e 50% do italiano, e até, uns 20% do francês. É um valor acrescentado que a língua portuguesa possui e que nunca foi publicitado. Daí a importância de uma aliança entre os países Iberófonos. Que se tire partido do facto de conseguirem-se entender nas suas línguas maternas;

    – Considerando que, os países de língua portuguesa e espanhola somam 700 milhões de pessoas em metade do mundo, geograficamente falando, e que não possuem problemas de comunicação entre si, faltando-lhes apenas um Plano de Marketing Estratégico para a divulgação dos mesmos;

    – Considerando que, o trabalho da Fundação Geolingua – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola / CPLP&E, e que tem alcançado um grande sucesso desde 1996, com o apoio e reconhecimento de dezenas de empresas e instituições, em projectos de mútua-cooperação que estão dando corpo e alma aos fundamentos dessa Comunidade e que já existe desde 1214;

    – Considerando que, este congraçamento de entidades culturais é de facto uma realidade, torna-se urgente e indispensável a promoção de um processo de auto-estima do cidadão Iberófono ao bilinguismo.

    Prof. Roberto Moreno
    Fundador e presidente da Fundação Geolíngua
    Tel.: (351) 966 054 441 – geo@geolingua.org

    • vitor manuel

      senhor roberto moreno é preciso amar proteger e defender a lingua portuguesa no mundo inteiro!nisso estou de acordo.no que diz respeito a lingua castelhana(e nao espahola termo moderno ambiguo e soberbo)nao me interessa como lusofono velar por ela.nao apoio uma lingua que avassalha as outras linguas da espanha.esta “naçao é um estado colonial.fora o colonialismo.nao vejo nenhum futuro para o vosso projeto.

      • Geolíngua, terei muito prazer em lhe enviar um breve GEO dossier. Ou, então, caso o Vitor Manuel possa reler, com um pouquinho mais de atenção e carinho, poderá verificar que DEFENDO, ISTO SIM, A LÍNGUA PORTUGUESA, de uma forma que a mesma possa se expandir, via a aprendizagem, da mesma, pelos povos que falam o espanhol, promovendo-se, desta forma, o bilinguismo, ou seja a Iberofonía, passa a ser uma realidade, certo? – Para maiores informações, digite a palavra – IBEROFONIA – no Google e tenha mais alguma informação, útil, para abalizar futuros comentários. – Geoabraço, Roberto Moreno, 21 313 99 99 – 966 054 441 – geo@geolingua.org

  2. Caro Roberto:
    Quando decidir avançar, queira comunicar.
    Darei todo o apoio necessário para a fundação de uma CPLP&E
    ainda que considere que primeiro, temos que re-fundar e aprofundar a CPLP, para só depois, partir para outros voos, com bases mais sólidas e verdadeiramente confederais, que de “uniões” estamos todos fartos…

  3. Caro Clavis, obrigado pelo seu contacto.
    Estou a sua disposição para uma reunião ao vivo.
    Irei munido de um GEOdossier sobre este assunto.
    UI – União Iberófona, este pode ser o novo nome, para não se confundir com a CPLP.
    Por favor, diga o dia, local e horas, em Lisboa, que irei ao seu encontro.
    Geo-abraço
    Roberto Moreno – 966 054 441 – geo@geolingua.org

  4. Caro professor, por email, entrarei em contacto consigo.

  5. Fenix

    Aqui se faz historia e fui eu que lançei o bixinho.

  6. sim, obrigado pela recordação para o trabalho do professor Roberto Moreno, Fenix!

  7. Odin Borson

    Se eu tivesse tido a oportunidade de conhecer o ilustre Agostinho da Silva, a gente teria se dado muito bem. 🙂 Eu tenho uma idéia quanto a função do Chefe de Estado. Sou favoravel a meritocracia, embora isso possa vir a ser corrompido na forma de um sistema de castas. Um líder que possa ser escolhido e destituido por voto popular, porém com mandato vitalício e não vinculado a partido algum. Mas, os candidatos teriam que passar por um rígido concurso público, por diversos testes. E esse “monarca” teria o poder moderador da federação de repúblicas. Vitalício até provar que não merece permanecer, mas não hereditário. E federalismo de verdade, alto grau de autonomia aos povos, federalismo municipal mesmo. Democracia Participativa (Direta). CPLP&E? Seria uma fusão da CPLP + Cimeira Ibero-Americana? Sou favorável a Geo-Aliança entre essas nações sim, e criar uma hiperpotência mundial. Ao meu ver, a Itália devia ser convidada também, um dos motivos é, se o português*(e galego), o castelhano e o catalão são idiomas neolatinos, é porque o Latim saiu de Roma e veio até nós, então faz parte do legado cultural. A Espanha (Aragão) esteve presente na Itália nos séculos dos descobrimentos.

  8. bem podes conhecê-lo aqui um pouco melhor:
    http://www.youtube.com/user/ClavisProphetarum
    é isso: vitalício mas não hereditário como os reis dos suevos e visigodos, na península…
    CPLP6E era o passo penultimo do sonho de Agostinho… E a Itália (latina) não está muito longe do nosso sentir e alma coletiva… ao fim ao cabo falamos uma corruptela do latim, como eles!

  9. Odin Borson

    Visigodos e Suevos, os imperadores germânicos medievais do sacro-império também, monarquia eletiva mas não hereditária, um sistema de origem nórdica. Com idiomas derivados do Latim vulgar. Um sistema de cidades-estado (autonomia municipal) que lembra os antigos gregos. O renascimento do Ocidente no Quinto Império. Será que vai sair do Brasil, ou do Brasil e de Portugal-Galiza juntos, o Quinto Império? Um “império” de países que se ajudam, e não se prejudicam. Da Aliança Lusófona para a Aliança Neolatina. Será possível?

  10. em suma: sim, essa é a visão de Agostinho da Silva, formatada pelo sonho de Vieira e Pessoa… Um “regresso às origens” salutar e corretor de todos estes desiquilíbrios do mundo atual e que estão por detrás da gravissíma (e sem precedentes) crise mundial atual.
    É possível se o Homem quiser… como dizia o poeta.
    E é o essencial da agenda do MIL: http://www.movimentolusofono.org/
    e sim, será possível!
    porque aqui cada vez se fala mais de Lusofonia e das suas potencialidades. Falta prosseguir o trabalho de sapa, lento e paciente…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

%d bloggers like this: