3. Agostinho da Silva, Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I

Página 29

“E aqui, ao que me parece, se insere a grande façanha de Portugal. O que Portugal fez de maior no mundo não foi nem o descobrimento, nem a conquista, nem a formação de nações ultramarinas: foi o ter resistido a Castela. O ter mantido, através do sangue e fogo, o principio da independência dos territórios periféricos.”

Se Portugal não houvesse logrado sobreviver às agruras e pântanos da historia, não se falaria hoje de Península Ibérica, mas de Espanha. Será apenas pela independência presente do nosso pais que se prova a possibilidade da existência de Estados independentes no seio do espaço geográfico peninsular. Portugal é assim a prova provada de que é possível resistir ao poder agregador e devorador de nações de Castela e Madrid e o horizonte para onde olham todos aqueles que na Península acalentam ainda sonhos de liberdade e independência… Enquanto houver Portugal, Galiza, Catalunha e demais partes divergentes do corpo peninsular poderão continuar a sonhar com a libertação a partir do centro castelhano e castelhanizante… Por isso, é tão importante para Portugal manter vivo o seu exemplo de independência política e económica, por isso a crescente integração económica de Portugal na Espanha e a integração política de Portugal na Europa (regida pelos “senhores louros” do norte) é tal importante, porque exemplar.

No mundo atual, onde a pressão esmagadora da globalização faz sentir o seu peso sobre todos os aspectos da vida humana, iremos assistir a um numero crescente de reações a esta pressão, exterior e asfixiante… Exterior, porque sendo propulsada por restritos interesses económicos e financeiros é alheia ao Homem; asfixiante, porque na sua ânsia de tudo formatar, de aculturar massivamente tudo em nome da bitola da anglofonia, acaba por se exprimir como um tumor que cresce sem fim, ocupado todo o espaço mental e social, e pela via do domínio imperialista dos meios de comunicação se torna incortornável e “pensamento único”.

Uma das reações possíveis a esta pressão globalizadora poderá ser a “localização”. Ou seja, o regresso a um tipo de sociedade e de economia onde a prioridade não será mais produzir para exportar, nem hiper-especializar a produção, mas produzir localmente (no âmbito do município ou da região) o maior numero de produtos possível. Recentrar, localizando é também a melhor de re-humanizar as desumanas e frias sociedades da atualidade e a mais solida e duradoura forma de garantir a liberdade individual e a independência das nações e culturas do mundo perante o poderoso e ávido monstro da globalização neoliberal.

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