2. Agostinho da Silva, Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I

Página 29

“de cada vez que as tais circunstâncias históricas, quem sabe por obediência a que leis internas do mundo, precisaram de espanhol sob pressão, fabricaram-lhe recipientes de grossíssimas paredes; prenderam o espanhol; prenderam-no com os romanos, prenderam-no com os visigodos, prenderam-no com Carlos V, prenderam-no com o breve parlamentarismo e com outros sistemas mais modernos; e talvez outras prisões o esperem, se os fados lhe não correrem favoráveis. Acho que o único recipiente elástico que lhe fabricaram foi o do Califado de Córdova e um pouco o dos reinos de taifas; talvez uma rápida Idade Média, com seus “Comuneros”. Depois, cilindro e válvula; exígua válvula.
O grande instrumento de todas estas prisões sempre foi o castelhano, pagando com os seus defeitos as suas qualidades, pagando com a sua violência a sua paixão”

E agora querem prender o “espanhol” – entendido aqui como o habitante da Península Ibérica, no mais lato sentido – sob as tramas da burocracia, das normativas e dos regulamentos europeus… Mas entretanto, Castela e Madrid – a sua criatura – continua a exercer sobre os povos peninsulares o seu “império”, hoje mais largo e discreto do que nunca, mas presente, ainda assim. Apesar das “autonomias”, Espanha continua a ser um Estado centralista, sem as essências descentralistas de uns Estados Unidos ou até da Alemanha. As “autonomias” sentem esse jugo, e dai as recentes declarações de Rovira, na Catalunha, a adopção do português como terceira língua na Extremadura e as energias centrípedas bem vivas na Galiza.

A Península não precisa de impérios. Não precisa da autoridade de Madrid estendida sobre todas as suas parcelas, como advogam iberistas como José Saramago e precisa ainda menos dos ditames germânicos dos senhores louros do norte da Europa. A Península precisa de reencontrar as suas raízes de liberdade municipal e regional pré-romana e islâmica e sacudir o jugo de todos os centralismos com que a tentam prender. Comecemos por descentralizar, municipalizando, Portugal e depois, aproximemos Portugal à Galiza e aos concelhos lusófonos de Olivença… Por arrasto descentralizemos e esvaziemos as tiranias de Lisboa e Madrid, sem esquecer a sofreguidão federalista de Bruxelas, depois ouçamos os apelos da Catalunha e da Extremadura, assim como a fera autonomia basca e aí… Talvez encontremos em solo peninsular a verdadeira e perdida Ibéria que tantos labores e esforços mereceu a Roma para domesticar.

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