Sobre a Deflação em Portugal e na Zona Euro

A recente notícia que dava conta de uma descida da taxa de inflação abaixo de zero, pode parecer positiva quando vista numa perspectiva estritamente consumista, porque quando os rendimentos sobem muito acima da inflação (caso da Função Pública, neste ano) ou estagnam (caso das maioria dos colaboradores de empresas privadas, este ano) existem mais rendimentos disponíveis para o consumo particular, mas o fenómeno da deflação é grave, muito grave mesmo, se encarado do ponto de vista global já que quando começa, pode auto-alimentar-se e levar a um duradouro período de estagnação, como aquele que se viveu em Portugal na década de Trinta e a que a apenas a Segunda Guerra Mundial veio a pôr termo.

É certo que a maioria dos economistas ainda acreditam que se trata de uma variação pontual e não estrutural, e que no final haverá haverá inflação, ainda que a uma taxa relativamente baixa. Assim, quando o INE diz que a inflação desceu a -0,4% em março de 2009 sendo a primeira vez, desde o começo da década de sessenta que tal acontece em Portugal e isto dá uma boa medida da excepcionalidade dos tempos em que vivemos… É certo que esta deflação parece por enquanto limitada e que só se poderá falar de verdadeira “deflação” se esta se prolongar durante vários meses e sobretudo, se se estender além de alguns produtos, onde parece agora confinada. A razão maior por detrás desta queda dos preços parece estar na descida do preço do petróleo, algo que se estima que possa começar a inverter-se lá para final do ano… é que ao fim ao cabo, o Pico de Produção continua aí… inevitável e insensível a qualquer Recessão mundial.

Além da queda dos preços do petróleo, também as restrições ao crédito – impostas pela Banca – estão a reduzir os padrões de consumo, e consequentemente a pressionar em baixa os preços.

O grande problema é que a médio prazo as condições não se devem alterar substancialmente. Os preços do petróleo podem estabilizar, mas continuarão baixos, e o Banco Europeu (que ainda não conheceu a devida revisão de mandato e objetivos) irá continuar a espartilhar a Economia europeia com a sua visão redutoramente financeira e monetarista da Economia, algo que levou por exemplo, à recente aplicação de um “procedimento por violação dos limites do défice” à França. Enquanto o BCE estiver obcecado com a inflação, não concentrará atenção no verdadeiro problema que é o de alavancar a recuperação da crise, reforçando o ainda inseguro sistema financeiro. É claro que se a Deflação ainda é apenas uma possibilidade, em Portugal e na Europa, tal não se deve à ação do Banco, mas dos governos nacionais que estão a injectar biliões de euros na Economia real (à custa do aumento de dívida). O BCE tem também um papel, aqui, na impressão de mais euros, mas comparativamente com a liderança no combate à crise que os governos assumiram o papel do Banco tem sido ora medíocre, ora lento (acordou tardiamente para a hipótese da deflação) ora completamente ineficaz.

Fontes:
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1374096 http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=56427273&DESTAQUESmodo=2

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Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | Deixe um comentário

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