Daily Archives: 2009/04/19

Sobre a resistência da economia indiana à atual recessão mundial

A Índia está a revelar-se como um dos países que no mundo melhor está a resistir à presente recessão mundial… Quem o admite é o próprio FMI cujo diretor admitiu que ainda que se espere uma desaceleração do crescimento registado nos últimos anos esta nunca será tão grave como a registada na maioria dos países do mundo. O PIB deverá crescer em 2009, uns sólidos 6,9%, menos que os 9,3% de 2007, mas ainda assim muito acima da maioria dos Países em Desenvolvimento ou como outros BRIC, como a Rússia (2.4%) e o Brasil (3,5%)

E existem também condições para crescer ainda mais depressa – e melhor – quando a maré da Recessão mundial passar… lá para finais de 2009, começos de 2010, como parece vir a suceder hoje: é que a economia indiana ao contrário de outros países que fizeram depender excessivamente o seu crescimento de Exportações vorazes que destruíam tudo à sua passagem, criando anticorpos virulentos nos países cujas industrias destruíam e criando autênticos monstros imprevisíveis, como o défice da balança comercial dos EUA (hoje em 36 biliões de dólares!), a Índia preferiu outro modelo de desenvolvimento menos agressivo e menos exportador. No auge da globalização neoliberal, isso levava alguns neoliberais a dá-la como “caso falhado” da Globalização porque comparavam o seu crescimento modesto do PIB ao da China, mas agora que esta se ressente da quebra da procura dos seus produtos, a opção indiana afinal não parece assim tão má… Com efeito, se mais de 40% do PIB chinês depende das exportações, na Índia essa dependência é de apenas 15%, o que garante uma maior resistência ao atual declínio. O modelo de desenvolvimento indiano é muito mais orientado para a fabricação local e para o consumo interno do que o de qualquer outro país asiático. Em suma, quando toda a Ásia embarcava numa febre globalista e orientava toda a sua economia para as exportações, a Índia optava pelo desenvolvimento local e auto-sustentado. Por opção, registou índices de crescimento inferiores aos dos tigres asiáticos, mas a correção da escolha é agora – em maré de recessão global – evidente.

O grande factor de estabilização da economia indiana é o seu consumo interno, alimentado por uma classe média com perto de 300 milhões de pessoas e cujo poder de compra ronda o de um europeu médio. Mas até no sector exportador, a Índia está bem posicionada: ou exporta serviços de valor elevado, como outsourcing tecnológico ou exporta produtos manufacturados para países em desenvolvimento. Neste ultimo âmbito, as suas exportações conheceram um declínio sensível, sofrendo especialmente com o declínio do sector internacional da Banca e dos Seguros. Mas mais de 50% das exportações são em serviços informáticos e em software e este sector deverá continuar a subir, dada a conhecida excelência das universidades indianas e o facto de como resposta à crise, muitas empresas ocidentais virem a reduzir ainda mais o seu pessoal e aumentarem o outsourcing para a Índia.

O sistema financeiro indiano tem, também, sabido resistir ao turbilhão que tem varrido muitas praças asiáticas. Estima-se que, na Índia, os ativos tóxicos sejam inferiores a 2%. O crédito às empresas e aos particulares permanece robusto, com um crescimento de 20% nos últimos meses.

O grande problema indiano é ainda hoje as infraestruturas, que ainda são no essencial as mesmas do período colonial. A Bolsa indiana também sofreu a sua quota parte, com uma queda das ações aí cotadas superior a 60%, o sector imobiliário também caiu e a própria moeda indiana, a rupia, perdeu valor nos mercados internacionais. Mas a situação não foi tão profunda como na maioria dos países do mundo e a queda parece agora travada.

Em suma, devido ao seu modelo de desenvolvimento, que privilegia o Local em desprimor do Global, a Índia não só está a resistir no campo da “economia real”, como a “economia virtual” (financeiro, imobiliário, bolsa, etc) está a sofrer menos que a maioria dos países do mundo. Não terá as reservas em divisas estrangeiras que a China acumulou nas últimas décadas (retirando-as ao resto do planeta, desindustrializando-o), mas tem algo ainda mais importante: tem o capital humano altamente instruído, um sistema democrático com uma série de “semáforos” instalados e um modelo de desenvolvimento que se baseia muito mais no desenvolvimento das suas populações do que na sua exploração por uma elite empresarial e política, altamente corrupta e alérgica a qualquer semente de democracia ou de livre expressão que essas massas produtoras possam querer transpirar. Assim, a Índia tem melhores condições para atravessar este turbulento período da economia mundial do que a Rússia (demasiado monodependente e em evaporação demográfica acelerada) e do que a China, com a sua massa populacional reprimida e que ao primeiro sinal de depressão económica vai exigir reformas democráticas. De todos os BRIC, apenas o Brasil talvez se lhe assemelhe, já que embora tenha um forte sector exportador (agro-pecuário), fez também assentar no consumo interno o desenvolvimento da sua economia nos últimos anos.

Fontes:
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/503238
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u480673.shtml
http://www.papodeempreendedor.com.br/empreendedorismo/qual-o-pib-do-brasil-e-do-mundo-para-2008-e-2009-e-o-dolar/
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u534049.shtml

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Israel e os seus pedidos pelo F-22A Raptor

Desde 2007 que se conhecem pedidos israelitas para a venda de aviões F-22A. O pedido israelita baseava-se na ameaça balística iraniana e na eminente actualização da força aérea síria, factores que desde então não esmoreceram. Desde então, a estas pressões os EUA têm respondido com ofertas do largamente inferior F-35… E esse de facto é o plano israelita que contempla a substituição de todos os atuais F-16 por F-35. Israel está a usar a seu favor o seu extenso e influente lobby, assim como os atrasos do F-35 e o disparar dos custos (200 milhões de dólares por avião) para reviver o negado pedido por aviões F-22. Assim, Israel junta-se à exclusiva lista de países que reclamam junto dos EUA por aquele que é ainda hoje o único aparelho de 5a geração do mundo.

Atualmente, os países que reclamam o F-22 parecem ter acordado em torno do acesso a uma versão de exportação – limitada – do avião, designada nalguns locais como F-22EX (“Ex” de “Exported”). A Administração Obama pode estar mais aberta a exportar o aparelho do que a autista Administração Bush, e sobretudo a imperativa necessidade de encerrar a linha de produção do Raptor em 2009 pode abrir novas possibilidades para os pedidos israelitas, japoneses, australianos e até (segundo algumas fontes) britânicos e sul coreanos. A haver entregas de aparelhos “EX”, estes seriam totalmente construídos nos EUA, reduzindo assim os riscos de perda de informação sensível e, sobretudo, essa decisão permitiria manter as linhas de produção dos aparelhos abertas durante pelo menos mais 3 anos.

A decisão de exportar os aviões para o Japão, a Austrália e Israel reforçaria os laços com aliados que constam na primeira linha contra a Coreia do Norte (Japão), em todas as guerras que os EUA travam no mundo (Austrália) e num apoio fundamental para os interesses dos EUA no Médio Oriente (Israel). O problema da venda do F-22 é que Israel manteve sempre relações demasiado estreitas com o regime comunista chinês. Partes dos Patriot foram-lhe vendidas, assim como planos do F-16, que foram rapidamente incorporados em novas armas chinesas que agora são re-exportadas e que estão na linha da frente em qualquer eventual conflito global contra os EUA. Esta relação tem irritado muita gente nos EUA, ao ponto de haver hoje quem defenda inclusivamente a exclusão de Israel do programa F-35!

Fonte:
http://www.defenseindustrydaily.com/israel-requesting-f22ex-fighters-03257/

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