Daily Archives: 2009/04/11

Réplica a “el gordo” sobre Portugal, o Brasil e o Futuro

“Bom, pelo que tenho lido o Thomas é o “manda-chuva” deste fórum. Thomas , referir a Portugal como pais irmão e depois começar a falar mal dos Portugas não me parece coisa de irmão ; Depois , realmente o Brasil não precisa de Portugal e Portugal é um pequeno pais da U.E. mas nós também não precisamos do Brasil , e se Portugal é assim tão fraca pq razão existem tantos brasileiros a emigrar para aqui ?De qualquer modo não é esta a ideia de conflito que quero imprimir nos meus comentários.”

Ainda que não seja comum, também não é raro encontrar este tipo de atitude levemente racista e profundamente arrogante e ignorante nos dois lados do Oceano. Existe em alguns portugueses um mal disfarçado racismo e em alguns brasileiros um sentimento idêntico. É certo que é possível que Portugal e o Brasil continuem de costas voltas para a Historia, para a língua comum e para um sentimento que é muito mais profundo que a dupla suspeição a que me referia acima e que atravessa toda a Lusofonia.

“Eu , Portuga , olho para o Brasil , como pais irmão, vejo os brasileiros como meus primos afastados , partilhamos tanta coisa que é ridículo andarmos a fazer um esforço enorme a descobrir o que nos separa , mas enfim … O Brasil já é uma grande potência mas tem problemas para resolver e tecnologia é um deles , outro será tornar-se em potência militar . Para isto o Brasil , quer queira quer não , tem de encontrar um parceiro á altura , tanto para desenvolvimentos tecnológicos e parcerias nesta área como para comercio externo. Existem várias escolhas , EUA , Rússia , China e Europa .”

Em termos estratégicos a escolha tem que ser criteriosa, para poder vir a ser realmente bem sucedida. Não se pode limitar a um economicismo de curto prazo mas terá que ser uma escolha de largo espectro e de maior ambição temporal. Necessariamente. A lista é curiosa, porque consiste precisamente nas escolhas mais óbvias. Os EUA são aparentemente o aliado mais natural, não só pelas razoes geográficas evidentes, como também pelo temperamento que não deixa de ser semelhante, porque são os herdeiros contemporâneos de antigas grandes potências coloniais europeias, como e sobretudo, comungam também nas matrizes étnicas e culturais que lhes servem de fundamentam e que assentam em múltiplas e sucessivas vagas migratórias europeias, de varias origens. O alinhamento do Brasil com a Rússia seria perigoso e pouco frutuoso… Em primeiro lugar porque a Rússia “putinizada” da atualidade esta apostada numa estratégia de afrontamento com o Ocidente, usando e abusando da “arma energética” e utilizando políticas internas de repressão da oposição e da liberdade de expressão. Em muitos aspectos, a Rússia moderna comporta-se hoje como a Rússia dos Czares, com a terrível e temível Techka e um autoritarismo apenas teoricamente subordinado ao sufrágio popular. A China é desta lista provavelmente a pior escolha estratégica: a sua rede de alianças internacionais conta com os reprováveis e tirânicos regime zimbabueano, sudanês, birmanês e norte coreano. E não interessa ao Brasil, país que sempre se pautou no plano internacional pelo apoio ao humanismo, ao respeito pela vida humana e pelo pacifismo surgir lado a lado com tamanho “quadro de desonra”.

“OS EUA verão sempre o Brasil como potencial oponente no território americano e não querem que este pais se torne totalmente imune ao seu poderio por isso não querem que o Brasil se torne militarmente forte mesmo porque pode começar a influenciar toda a América do sul , perdendo os EUA o seu domínio no seu “quintal” . A China , uma potência em crescimento e a superpotência dos prox. 50 anos , coloca-se na posição de colaboradora só para “sacar” tecnologia e depois quebra os contractos , ela está lá para ganhar e nunca para partilhar . A Rússia , possuidora de tecnologia , tem apenas 140 milhões de habitantes e está com problemas tanto sociais como financeiros no seu próprio território . É evidente que a Rússia está a fazer um esforço enorme para se rearmar . De qq modo este pais tende a aproximar-se da União Europeia pla simples razão que esta á a sua principal cliente e quer este continente estável . Se fosse pelos EUA a Europa já estava em guerra por causa da Geórgia e da Ucrânia , mas a Alemanha e França , cientes da importância da Rússia na estabilização e nos mercados europeus , “travaram” as ambições dos EUA. A meu ver (e mesmo porque gostaria de ver essa situação , não minto) a melhor opção de colaboração para o Brasil é a Europa . A Europa tem tudo a ganhar com um Brasil forte e afirmador na cena internacional , que consiga rivalizar com os EUA na disputa do mercado sul -americano. Por outro lado a Europa também tem tecnologia tanto espacial como de aviação e pode , no presente , ajudar o Brasil a chegar a esse patamar . A França já está a ajudar o Brasil a produzir o seu submarino nuclear , e isto , Thomas , não é bazófia europeia , está a acontecer porque no Brasil ainda não havia know-how para isso . França provavelmente não voltará a fazer mais nenhum caça de combate sozinha , o rafale já lhe saiu muito caro e foi só mais uma questão de afirmação de um Pais que sempre foi independente em ter mos de defesa . O Brasil e a Europa não são concorrentes nem sequer têm interesses sobrepostos na maioria das regiões , á Europa interessa que o Brasil se desenvolva , que aumente a extracção de crude , que diminua a pobreza , que aumente o comercio sul-americano . Partiu da Europa a ideia do Brasil encabeçar o projecto do merco-sul , um mercado sul-americano similar ao europeu . Único pais que não tem interesse nisso será os EUA pelos motivos óbvios. O Brasil , ao participar e produzir caças rafale , ficará mais próximo da tecnologia europeia e poderá em breve participar em outros projectos com a U.E., tanto militares como civis. Relembro neste caso o sistema de localização Galileu , etc … Sem dúvida que o Brasil terá todo o interesse em ter uma porta aberta e preferencial com a Europa , um mercado dito rico e tecnologicamente avançado . Tem também todo o interesse em , juntamente com Portugal , manter e incrementar a Lusofonia , neste sentido a cooperação entre os nossos países tem resultado na estabilização dos países africanos de língua portuguesa e , Deus queira , este será um mercado com taxas de crescimento de 2 dígitos , que se vai abrir tanto a Portugal como principalmente , ao Brasil. O Brasil já está no mercado da aviação civil e poderá também ter uma palavra a dizer no mercado da aviação militar , tanto em meios de transporte como , espero eu , na participação do futuro caça e , quiçá , também no desenvolvimento de carros de combate ( no qual o Brasil já tem bastantes conhecimentos).A meu ver o Brasil faria bem em adquirir os caças rafale , mas principalmente , em olhar para a Europa como um forte parceiro para o futuro . EU QUERO que o Brasil seja um potência económica , social e militar nos próximos 20 anos , é importante para o mundo e para a América do sul.”

O Brasil carrega em si o peso de uma enorme responsabilidade: a de servir de farol da Lusofonia e de, finalmente, começar a sacudir o jugo da secundarização que o Ocidente (e nele, sobretudo, os EUA) quiseram que cumprisse durante praticamente toda a sua existência enquanto país independente. Não há hoje nenhuma razão efectiva para que esse gigante sul-americano continue a comportar-se na cena diplomática internacional como um tímido anão, receoso de afrontar os interesses dos “grandes”. Países com um económico, demográfico e cultural muito mais insignificante como a Venezuela, a África do Sul ou o Irão ocupam hoje uma posição muito mais determinante. De facto, até o comparativamente muito menor Portugal, consegue ser mais influente nomeando vários dos seus para alguns dos cargos internacionais. É esta situação de “menoridade diplomática” que é incompreensível. Para assumir o seu justo e devido estatuto de potência mundial, o Brasil devia não repetir os erros e condutas das velhas potências do passado, como a Inglaterra ou a Alemanha, e usar em vez da batida e esgotada “política da canhoneira”, uma rede de parcerias estratégicas, económicas e culturais com os países que lhe são mais chegados – os países lusófonos – e alavancar aqui, nestes, uma projecção de um novo tipo de poder mundial: mais fraterno, justo e ético. Não mais fundado nas soezes manipulações subterrâneas de governos mais ou menos autoritários, nem pela multiplicação de bases militares e de super porta-aviões, mas pelo exemplo da conduta democrática e respeitadora dos Direitos Humanos.

Mais do que na Europa, como advoga “el gordo”, o Brasil deve apoiar-se na Lusofonia, e nesta, nos seus dois eixos maiores: Portugal e Angola, para formar um triângulo internacional, tricontinental que aprofunde as relações económicas e políticas entre estes três Estados, formando primeiro uma Confederação que, só pelo simples peso da sua existência, se torne numa potência mundial. Ligando e estabelecendo as “pontes” que os portugueses de Quinhentos souberam tão bem estabelecer nos Descobrimentos entre a Europa, efectivamente o grande esteio mundial do Humanismo, da Democracia e do Desenvolvimento (aqui concordo com “el Gordo”), com África e todo o seu extraordinário mas ainda latente capacidade de desenvolvimento e, o Brasil esse imenso país-continente, milagre maior da História portuguesa que ainda não cumpriu toda a sua promessa por mercê da existência de enormes hiatos de desenvolvimento e de repartição da riqueza, por níveis de corrupção r criminalidade ainda inaceitáveis. Estes bloqueios têm sido parcialmente corrigidos nos últimos anos, mas há ainda um longo caminho a percorrer… Um caminho que a constituição deste triângulo estratégico Brasil-Portugal-Angola poderia potenciar.

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Categories: Brasil, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 10 comentários

Sobre a suposta (ou não…) multipolaridade do mundo atual

No começo do mês de fevereiro, o presidente do Kirguistão, foi a Moscovo pedir ajuda financeira. Na visita – para cativar a bolsa dos seus petro-anfitriões – anunciou-lhes que estava disposto a encerrar a base aérea que os EUA operam no seu país e que é muito importante no apoio das forças da NATO no Afeganistão.

Ainda que a Rússia esteja hoje a sofrer duramente com a descida do preço do petróleo e que a sua economia seja das mais afectadas pela atual Recessão global (pela sua excessiva dependência das exportações), durante anos o país acumulou centenas de biliões de reservas em dólares que agora atraem os mais desesperados… Há uns meses víamos o governo islandês a pedir dinheiro para se salvar da bancarrota (de qualquer modo, muito do dinheiro nos seus bancos era das mafias russas), já este ano era o presidente do Paquistão, Asif Ali Zaradari que visitava Moscovo, esperando levar de volta para Karachi um rechonchudo cheque russo…

Parece certo que existe um notável declínio da capacidade dos EUA para influenciarem o curso das coisas, pelo mundo. O mundo parece caminhar  para um outro tipo de divisão do poder bem diverso daquele que sucedeu à Segunda Grande Guerra, e que no essencial se caraterizava pela bipolaridade EUA vs URSS e igualmente diverso daquela anomalia histórica que foram os quase vinte anos de Superpotência única de que gozaram os EUA. O mundo futuro desenha-se cada vez mais como multipolar… Em que países em ascensão, como a Rússia, a China, a Índia e o Brasil assumem, nas respetivas esferas regionais ou, no mundo (como é o específico caso da China) uma predominância cada vez maior. Mas será que este mundo é realmente “multipolar”? Uni-polar não é… Já que a superpotência única (EUA) está em acentuada decadência militar e económica. Os EUA ainda detêm uma extraordinária capacidade militar e graças às suas bases no estrangeiro e aos seus super porta-aviões (únicos em toda a História), mas a quase-derrota iraquiana e as graves dificuldades da NATO no Afeganistão demonstram que esse poder já é uma sombra do demonstrado na primeira guerra do Iraque, por exemplo.

O mundo multipolar pressupõe uma réplica da divisão do mundo em esferas de influencia regionais como existia no mundo, nos anos anteriores à eclosão da Segunda Grande Guerra. A China, assim seria influente no Oriente, a India na sua sub-região asiática, o Irão no Médio Oriente, o Brasil na América do Sul, disputando aí a sua influência com a Venezuela bolivariana. Ora, de facto, isso não é multipolaridade mas apolaridade… Estes pólos de Poder, económico e militar não são – nem de perto – capazes de afrontar as duas grandes potencias militares do mundo: os EUA e a Europa (esta enfraquecida pela sua desunião) e, sobretudo, não têm uma verdadeira vocação global… Nem mesmo a China moderna que encara os seus satélites em África mais como fontes de matéria-prima (Zimbabué, Congo e Sudão) do que como aliados político-militares. O bolivarianismo não pretende exportar-se para além da América do Sul e o islamismo, não tem pretensões a converter ocidentais ou orientais… Apenas a expandir-se globalmente pela demografia e mesmo assim apenas até aos territórios que no passado já foram “terra muçulmana” (Bin Laden).

Se não portanto multipolaridade, haverá então na atualidade uma ascensão de uma forma de divisão de poder que o articulista do jornal El Pai intitula “apolaridade”? Ninguém parece ter hoje ambições globais, com excepção dos EUA, que rapidamente a estão a perder, por manifesta incapacidade de a manterem. Este novo equilíbrio abre todo um mundo de possibilidades. Como na época do Império Romano, em que mundo se dividia por poderes “imperiais”, que repartiam entre si regiões inteiras do globo (Roma: a Europa, o norte de África e o Próximo Oriente, a Pártia o Médio Oriente, os Gupta o subcontinente indiano, a China, o Extremo Oriente, etc) limitando ao máximo os contactos entre si. O colapso da globalização, o regresso do Proteccionismo e a divisão do globo por centros de poder concorrentes e nem sempre comunicantes vai alterar este quadro que o mundo não conhecia desde o século V d.C.

Fonte Principal:

http://www.elpais.com/articulo/opinion/Estados/Unidos/puede/decir/elppgl/20090225elpepiopi_4/Tes

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