Sobre as ajudas ao sector automóvel na Europa, o colapso da GM e as dificuldades da Toyota no Japão

Fábrica alemã da Opel em http://www.hebig.org

Fábrica alemã da Opel em http://www.hebig.org

O Proteccionismo estende as suas asas paulatinamente um pouco por todo o mundo… A China reinstaurou os subsídios às exportações. Nos EUA, o governo federal injecta biliões de dólares numa indústria automóvel à beira do colapso e com passivos babilónicos. Até no Japão, país que sempre liderou neste campo, o governo nipónico se prepara para ajudar a Toyota, a empresa que ainda há pouco menos de um ano, ultrapassava a gigantesca GM como a maior construtora mundial e exigia padrões de saúde financeira invejáveis.

O Japão irá agora injectar até quatro mil milhões de euros, respondendo assim ao apelo da construtora que tem um peso tão elevado nas exportações japonesas.

Na Europa, a Opel, adquirida pela colapsante GM no passado, tenta libertar-se do peso opressivo do fracasso da casa-mãe. A GM, intensamente auxiliada pelo governo dos EUA não encara as suas operações europeias como prioritárias e ameaça encerrá-las se os governos europeus não injectarem capital na sua subsidiária Opel, à semelhança do que está acontecer nos EUA. Se a Opel estourar, leva consigo 30 mil empregos um pouco por toda a Europa… Mas não já em Portugal, já que a empresa encerrou em 2006 deixando 1200 desempregados e uma produção deslocalizada para Espanha. A GM europeia pede 3,3 mil milhões de euros ao governo alemão e também está a pressionar os governos britânico, espanhol e polaco pedindo outras verbas, mas não especificadas.

Estas ajudas governamentais são uma prova evidente do colapso dos mecanismos da sã concorrência. Se uns governos estão a injetar biliões de dólares nas suas construtoras nacionais, isso não irá colocar automaticamente em desvantagem os países que não seguem idêntica conduta e aqueles que o não podem fazer em idênticos volumes de ajuda? E onde ficará Portugal – onde esse sector tem um peso tão importante nas exportações – se o nosso Governo não fôr capaz de acompanhar as ajudas que EUA, França, Espanha, Polónia, etc estão a dar aos construtores instalados nos seus territórios? Que motivação terá a Wolkswagen, a PSA, a fábrica remanescente da Opel, etc, para manterem as suas operações em Portugal se forem cumuladas com chuvas de ajudas estatais noutros países da UE? Obviamente que estas ajudas deviam ser coordenadas internacionalmente, para não distorcerem ainda mais os mecanismos de concorrência e prejudicarem ainda mais os países cujos Estados têm menos capacidade de resposta financeira. Mas isso não está a suceder… Em França, por exemplo, Sarkozy está a vestir o fato “do nacionalismo económico” sem grandes pudores… e a Alemanha, prepara-se para fazer outro tanto com as suas construtoras. De facto, estas atitudes isoladas e desconcertadas são contra-produtivas e se a Comissão Europeia não fosse gerida por esse cherne incerto que é Fujão Barroso, já teria agido, banido essas ajudas nacionais e implementado um programa europeu, concertado, paritário e uniforme que abrangesse todas as fábricas automóveis europeias. Mas para isso… Fujão Barroso, teria que ser outro e a UE teria que ser mais do que uma mera repartição de finanças à escala europeia…

Quem parece estar a ficar para trás… enredado ainda nas ajudas ao sistema financeiro, é Portugal…
Para mal das construtoras instaladas em Portugal, dos empregos que elas mantêm e das nossas exportações.
E não me falem da linha de crédito para o sector automóvel, com os seus 200 milhões… valor ínfimo (e ainda não totalizado) das verbas que estão sobre a mesa.

Fontes:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1367619

http://www.businessweek.com/bwdaily/dnflash/content/oct2008/db20081028_593234.htm?campaign_id=rss_daily

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/nacional/economia/pt/desarrollo/721118.html

http://diario.iol.pt/economia/portugal-bancos-automovel-carros-industria-acap/1043185-4058.html


Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: , , | 6 comentários

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6 thoughts on “Sobre as ajudas ao sector automóvel na Europa, o colapso da GM e as dificuldades da Toyota no Japão

  1. Fred

    Clavis, em vez de ajuda financeira porque não um programa de incentivo a troca da frota? Privilegiando os automóveis económicos, pouco poluentes e os de combustíveis alternativos.

    Custa bem menos que dar dinheiro e a população e o meio ambiente agradecem. 🙂

    Por aqui, a toyota vai fazer uma planta nova para produzir 150 mil veiculos a Mistubish vai ampliar sua fábrica para trazer cerca de 10% de sua produção de veiculos do Japão para o Brasil.

    A Nissam vai trazer parte de sua produção para o Mexico.

    E o governo vai brevemente lançar um programa para renovação da frota nacional de caminhões e de automóveis.

    Ia esquecendo também vai lançar um programa para troca de geladeiras.

  2. Fenix

    Para mim era zero.

  3. ricardo afonso

    Portugal á uns bons anos atras,á cerca de 18 anos,produzia em serie um carro quase todo ele português,o nome do carro era o UMM,era um veiculo de todo o terreno,rebosto,um dos melhores vaiculos do género no mercado.Portugal inclusivé,chegou a exportár esse carro para exercitos de difrentes paises tais como o Chile,argentina,irão,portugal entre outros,era um veiculo que nada ficava a dever aos seus concorrentes estrangeiros.Era um veiculo inteiramente português,excepto o motor,um veiculo que estáva a ter um grande saida no mercado.Foi pena de os responsaveis daquela márca terem optado pelo fecho da mesma sem nenhuma razão aparente,o UMM,em ultimo recurso poderia se ter assossiado a uma marca credivel,tal como fez a marca espanhola seat que se assossiou á wolwagen, e assim o UMM tinha mantido a sua sobrvivencia e reforçado o prestigio que estava a ter,poderiamos hoje ter uma marca de automovel inteiramente lusitana,perdeu-se uma grande oportunidade.Passados mais de dezoito anos é com nostalgia que ainda vejo muitos UMM a circular na estrada,são carros que me fazem lembrar o anuncio das pilhas duracel “..e durão,e durão….”.Foi um grande carro português ( e ainda hoje o são),um carro inteiramente made in portugal.
    Quanto ao protecionismo mundial,o mundo tem que ter cuidádo,os protecionismos deram origem ás grandes guerras mundiais,e nos dias de hoje uma guerra mundial será mais mortifora do que uma qualquer outra no passado.CUIDADO,MUITO CUIDADO !!!!!

  4. tinham era um consumo danado e em termos de conforto eram, no mínimo, rústicos…
    mas poderiam (a Tramagal) ter servido de alavanca para uma industria automóvel verdadeiramente portuguesa (ainda que com motore Peugeot). faltou então o mesmo que houve em Espanha, França, RU, etc.: Apoios governamentais… em seu lugar houve apenas uma acéfala cedência aos interesses da globalização, em nome de uma total tercialiação da nossa economia que erodiu completamente o nosso tecido produtivo.

  5. Fenix

    Ajudem a renascer a UMM com peditorio lusofuno transforme essa empresa na primeira empresa multilusofuna de todos os paises lusofunos.Com uma vertente militar e outra comercial.Com os donativos de cada pessoa que queiram contribuir.Mas isto é so um exemplo solariedade que tem que haver entre nos todos os lusofunos não so naqueles que gostam da UMM como para tudo o resto e talvez para coisas muito mais importantes do que esta como combate a fome a saude a educação economias locais e muito mais…Já que os estados não dão, vamos nos sociedade civil unirmos os nosso esforços por causas dignas e naquilo que cada um acreditamos e querer tranformar com donativos vuluntarios para cplp este dinheiro é para isto este é para aquilo .

  6. Fenix

    Mas é dinheiro que com esforço de todos podemos transformar o mundo.

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