Sobre a “extrema catolicidade” portuguesa

Embora exista a convicção da “extrema catolicidade” portuguesa, na verdade nada é menos verdadeiro: Manuel Gandra exemplifica começando pela idiossincrasia do Milagre de Ourique, passando pela heterodoxia dos “Impérios do Divino”, pelo Beneplácito Régio (em vigor desde 1361 até ao século XIX) e sobretudo pela excomunhão de 19 entre 34 monarcas portugueses. Isto é, mais de metade dos nossos reis foram tão católicos, que foram expulsos do seio da Santa Madre Igreja de Roma!

A religiosidade portuguesa nunca foi tão fiel a Roma como alguns gostariam de crer. O sentimento religioso popular – de matriz matriarcal – nunca foi totalmente romano e muitos e continuados esforços foram feitos pelos priores e sacerdotes para combater esse fundo religioso popular tão solidamente radicado nas tradições pré-romanas do interior rural.
Fonte:

Página 19
O Projeto Templário e o Evangelho Português
Manuel J. Gandra
Ésquilo

Categories: História, Portugal, Sociedade Portuguesa | 9 comentários

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9 thoughts on “Sobre a “extrema catolicidade” portuguesa

  1. pedronunesnomundo

    bem, só por mim falo…
    mas, por exemplo, não sei até que ponto sou “católico”, sendo decerto cristão – e até, vê lá, tento ser um dos “bons”
    🙂

    reconheço uma dúzia de boas razões para vincar essa diferença, mas honestamente não sei onde nos levaria hoje esse exercício

    existem análises prementes a fazer do embate – real ou ficcional – das esferas do ateísmo/fé, do cristianismo/islamismo, do confessional/secular, etc.
    análises, essas sim, pertinentes e urgentes

    da análise da pureza do “catolicismo” português, não vejo muito interesse – fora algum prazer académico
    não seria mais uma questão de rótulos?…

  2. é contudo algo diverso do que nos impingiram na Escola, não?…

  3. pedronunesnomundo

    *teria de quebrar o protocolo das bloguices e perguntar-te a idade! 😉
    a mim, a única impingice escolar foi o facto de os meus paizinhos me terem posto – de passagem – em EMRC. e aí não posso queixar-me porque lá me fui eu meter…

    fora isso, não tenho nada a registar desse género…
    (uma explicação poderia ser a tal da diferença de idade entre nós, que não sei se existe…)*

  4. ainda apanhei um bocado… digamos que na 3ª classe ainda tive livros escolares com os mapas das “provincias ultramarinas” e com fotos da “índia portuguesa” (que contudo, tinha já dançado há umas décadas)
    o que é o EMRC?

  5. Luís Fernando

    O que eu acho interessante é de certo modo a fidelidade ou pelo menos a tentativa de fidelidade à fé religiosa ou ao credo católico especificamente falando. No Brasil, podem negar o quanto quiserem, uma boa parte dos católicos compartilha sua fé com outros credos simultaneamente, a maioria dessa parcela a mescla com cultros de origem africana e que absorveram elementos do catolicismo para sua preservação, como exemplos: candomblé, Umbanda, Quimbanda e assemelhados.
    Alguns compartilham com o espiritismo.
    E olha que, de olho nisto tudo, o clero católico até recentemente quis presenrvar (especialmente par si) a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas (durante o período último de visita papal a CNBB atacou firme a questão, intentando um êxito, porém os esforços foram malogrados)

  6. sem esquecer a influências dos cultos animistas africanos e da religião dos Tupis… esses cultos sincréticos são de facto, fascinantes e testemunha uma riqueza cultural rara no mundo, ainda vivo, e não tão adormecido como as influências pré-romanas na religiosidade popular portuguesa, as quais, contudo, também são evidentes se as olharmos com a devida atenção.

  7. rui santos

    Jesus foi uma mentira,ele nunca foi o messias,Jesus foi um homem normal como os outros, o cristianismo é uma mentira fabricada á dois mil anos atrás pelo imprerador constantino, deus só existe nos dez mandamentos,nas leis de moisés e as leis da tóra !!!!!
    ai se a igreja me houve ainda me lança para a fogueira !!!!

  8. agora já não… isso era dantes, quando mandavam para a fogueira todos os que não pensavam como eles.
    agora, os mais radicais, limitam-se a sonhar com esses idos tempos…

  9. pedronunesnomundo

    pois é, meus caros, mas como eu sou um moderado – genético – e não tenho medo de ser confundido, não tenho pejo de dizer que hoje é muito mais fácil encontrar discurso radical ‘anti’ que ‘pró’ igrejismo
    (a prova está na tal caricatura dos radicais religiosos a sonhar com a fogueira – o que bem ilustra o seu número e relevo)

    pelo contrário, o radicalismo ‘anti’ religioso é recorrente e até popular nos dias que correm
    aliás, nalguns círculos, é uma dessas muitas modas da ‘modernidade’, evidência de inquestionável esclarecimento e lucidez, livre-trânsito para selectos clubes de pensamento

    e acredito numa coisa – que acho certa e curiosa
    que hoje, na liga dos anacronismos, seja muito mais perigoso o radicalismo ‘anti’ que o ‘pró’ religioso (num Ocidente como o português) – porque sempre deu muito pior resultado o radicalismo da parte de quem tem influência (assim foi com a própria Igreja outrora!), do que nascido de meia-dúzia de gatos pingados que facilmente se confundem com uns taralhocos

    na sociedade de hoje o poder cultural está claramente – e cada vez mais – com o outro lado do despique religioso
    veja-se como as ‘causas fracturantes’ surgem amiúde contra posições de religião, numa corrente que a religião não sabe nem pode de forma nenhuma conter

    porque esse radicalismo-anacronismo (é tão irreal reivindicar como conceber a luta contra um poder que já não existe…) ‘anti’ religioso que vai vigorando, amiúde descamba na triagem do bom-pensamento (como outrora mas ao contrário!), na sentença da opinião, num bailar de preconceito em que por mais de uma vez já dançou de rojos este vosso pacífico amigo

    mas se calhar tudo isto é normal

    tenho para mim que a atitude religiosa é a última fronteira do entendimento dos homens, de tão profunda e complexa que é
    (e isto não são senão episódios pequeninos da História larga…)
    o ideal seria eliminar essa atitude das relações do Homem…

    …mas tal não seria possível, já que eliminá-la… seria uma flagrante atitude religiosa!

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