Daily Archives: 2009/02/27

Ainda sobre a Pátria: duas citações…

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Uma Pátria é uma escolha ou é um escolho.
Casimiro Ceivães

Para a grande maioria dos homens, se apresenta a pátria apenas como um acidente ou um acaso físico: são de onde nascem, e, a pouco e pouco, a convivência dos pais, de seus conterrâneos, mais tarde a escola e o Estado, os dois grandes organismos encarregados essencialmente de não deixar esca­par ninguém das malhas do exército social, os vão gradual e real­mente convencendo de que não poderiam ter nascido noutro lugar e de que uma escolha futura que livremente pudessem fazer represen­taria sempre e de qualquer modo uma diminuição ou uma traição. A outros, no entanto, e porque são amados dos deuses, se apresenta o caso de modo diferente: a vida, mostrando à superfície, como circunstância, o que é meditado e deliberado propósito de quem rege a História, os encaminha à escolha que decidirá de seus destinos: o de resplandecer num véu de glória, que é quase sempre, visto por dentro, um véu de lágrimas, ou o de ser jogado fora como um vaso de oleiro que mentiu, pela má qualidade do bairro, à diligente regulari­dade da roda e à inventiva agilidade do gesto. Quem pode, em raro jogo, escolher o seu país, por aí mesmo está escolhendo a sua vida: uma vida que dele mesmo se vai alimentar.
Agostinho da Silva

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Fernando Pessoa: Os factores determinantes da decadência portuguesa

No manifesto “O Interregno: defesa e justificação da Ditadura Militar em Portugal” (Lisboa, 1928), Fernando Pessoa enunciara os factores determinantes da decadência portuguesa:
1. A Nação está internamente muito dividida:
“Porque não temos uma ideia portuguesa, um ideal nacional, um conceito missional de nós mesmos”

Embora o poeta tenha aderido filosoficamente ao golpe de Estado que mais tarde haveria de levar Oliveira Salazar ao poder, mais tarde exprimiria varias posições que deixavam bem clara a sua oposição a esse regime. Esta adesão inicial resultava da constatação da existência de um confuso e degradado estado a que a primeira República havia levado o país. Os governos sucediam-se uns após os outros, durando por vezes apenas alguns meses. A situação financeira era terrível e o divórcio entre o interior rural, católico e subdesenvolvido e o litoral, laico e urbano cavava um fosso que o regime republicano se revelava incapaz de transpor.

Quando Pessoa criticava o regime republicano por não ter uma “ideia portuguesa”, referia-se à importação cega e ao transplante forçado e antinatural das doutrinas liberais e republicanas de França, naquilo a que Teixeira de Pascoaes chamaria das influências perniciosas de “Paris”. Victor Hugo diria até que os republicanos portugueses tinham feito em dez anos o que os republicanos franceses tinham demorado duas gerações a fazer. Toda esta pressa em levar Portugal a aproximar-se a passo de trote de uma Europa onde nunca pertencera de alma e coração haveria de criar um país ingovernável, debatendo-se com guerrilhas parlamentares permanentes, com grandes clivagens entre classes e meios urbanos e rurais. O radicalismo de um anticlericanismo que destruiu sem substituir, que centralizou em excesso – marchando contra a tradição municipalista que recuava à Idade Média – e que esqueceu os valores portugueses preferindo importar acriticamente os de Paris, deu no que deu… As longas, de meio século, trevas salazaristas…

2. Portugal tornado num Estado de Transição:

“a condição de um país em que estão suspensas as actividades superiores da Nação como conjunto e elemento histórico (…), mas não está suspensa a própria Nação que tem que continuar a viver e, dentro dos limites que esse Estado lhe impõe, a orientar-se o melhor que pode. (…) os governantes de um país em um período destes, têm pois que limitar a sua ação ao mínimo, ao indispensável”

Se assim era no tempo de Pessoa, então que diremos dos dias de hoje? Portugal vive dormente entre as regiões de uma Europa onde o querem agregar e a elite europeia, muito eficiente em congregar uma fiel casta de seguidores nas poucas centenas de famílias que partilham entre si os Meios de Comunicação, a Política e o poder económico. À avidez normalizadora da eurocracia de Bruxelas interessa sumamente suprimir qualquer identidade nacional, recrutando seguidores com “programas Erasmus”, generosos subsídios para abandonar a agricultura e financiando a pavimentação das estradas que levam até nós os produtos manufacturados no norte, deixando a Portugal – Nação esvaziada de gentes e de economia – a mera função periférica e acessória de “solarenga praia dos germanos”. Este é o “Estado mínimo” onde hoje nos querem fazer viver e onde a Primeira República nos levou, no seu cego afã de introduzir “Paris” à viva força em Portugal, esvaziando sem hesitação a essência sóbria, rural e espartana do dito “Complexo Viriatino” de Miguel Real e substituindo por um liberalismo parlamentar confuso e impopular, cujos desmandos haveriam de redundar na longa noite salazarenta.

3. As elites da Nação encontram-se desnacionalizadas:


“Estamos hoje sem vida provincial definida, com a religião convertida em superstição e moda, com a família em plena dissolução . (…) Ora um país em que isto se dá, um país onde (…) não pode (…) haver opinião pública em que elas se fundem ou com que se regulem, nesse país todos os indivíduos e todas as correntes de consenso, apelam instintivamente ou para a fraude ou para a força, pois, onde não pode haver lei, tem a fraude, que é a substituição da lei, ou a força, que é a abolição dela, necessariamente que imperar.”

Pessoa reconhecia aqui o destrutivo centralista do regime da Primeira Republica. Na sua ânsia de “modernizar” o país, os republicanos confiavam apenas em Lisboa e nas suas elites urbanas e esvaziavam de competências os municípios. Paralelamente reconheciam no ensino jesuíta e na influência pró-monárquica da Igreja católico, o seu mais forte adversário, especialmente forte no interior rural português. A decorrente descristianização implicava também uma dessacralização da sociedade que anulava a alma portuguesa e que estaria na base de uma apatia moral e cívica que ainda hoje se sente na sociedade portuguesa e que radica nos primeiros anos do regime republicano em Portugal. Um excesso que haveria de criar uma contra-resposta igualmente excessiva de apelo aos valores tradicionais e católicos sob o regime do Estado Novo de Sidónio Pais, Carmona e Salazar.

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Portugal torna-se o o país da União Europeia com a maior taxa de homicídios

Emily Procter: se tivessemos polícias assim... em www.cbs.com

Emily Procter: se tivessemos polícias assim... em http://www.cbs.com

A tradição que dava Portugal como sendo um país de “brandos costumes” parece que já não é aquilo que era… Segundo uma notícia do Jornal SOL, Portugal é o país da União Europeia que tem atualmente a maior taxa de homicídios por mil habitantes. Noutra notícia, desta feita do Diário Digital indicava que 40% dos homicidas seriam de origem estrangeira. A media atual aponta para a ocorrência de 15 assassinatos por mês, ou melhor dizendo, um homicídio de dois em dois dias.

Estes números tornam Portugal acima de países com elevadas taxas de criminalidade, como o Reino Unido e a Suécia e deviam levar a um intenso, sistemático e produtivo pensamento sobre este fenómeno. A crise económica será um factor, assim como a chegada nos últimos dois anos de muitos “falsos emigrantes” dos países de leste e do Brasil que, ao contrario, daquilo que era tradição nestas comunidades estrangeiras em Portugal pretendem apenas montar células criminosas e não exercer profissões legais. Aqui, importa agir criminalmente, com a rapidez e eficiência que não caracteriza o nosso sistema judicial, mas importa também, no quadro da CPLP, encontrar mecanismos lestos e eficazes de partilha de informações e de colaboração judicial e policial que permitam aumentar a eficácia do combate a este novo fenómeno da “criminalidade migratória”. É, sobretudo, sumamente importante agir agora, de forma a cortar pela base qualquer erupção de epifenómenos generalizados de racismo contra estas geralmente pacificas e trabalhadoras comunidades migratórias, é que se nada for feito rapidamente estaremos a deitar palha para o fogo onde ardem os movimentos de extrema direita e nada poderia convir menos à democracia portuguesa se este fenómeno do aumento da criminalidade fosse aproveitado por fins políticos.

Fontes:
Jornal SOL
Diário Digital

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Quids S15: Que trágico acontecimento foi este?

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1. Todos os quids valem um ponto.

2. Os Quids são lançados pela manhã. Entre as 6:00 e as 10:00 (Hora de Lisboa)

3. As pistas só serão dadas à hora de almoço (12:30-14:30). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, desde que pedidas por um (qualquer) dos participantes.

4. Só há quids entre 2ª e 6ª (incluindo feriados). Salvo imprevisto…

5. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

6. É vivamente desencorajado o uso de vários nicknames para o mesmo concorrente, já que desvirtua o espírito do jogo. Lembrem-se que o IP tudo revela…

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Alan Greespan, o Papa negro do neoliberalismo defende a nacionalização dos Bancos dos EUA…

Tyra BANKS (por isso aparece neste artigo) em http://wallpapers.in-world.info

Tyra BANKS (por isso aparece neste artigo) em http://wallpapers.in-world.info

As dificuldades do sistema financeiro norte-americano persistem. Embora comecem a surgir sinais de uma recuperação tímida da economia mundial, a situação grave em que más políticas de gestão, desregulação quase absoluta, e investimento massivo em fundos especulativos ainda não deixaram de provocar os seus danos no sistema financeiro…

A situação do Bank of América e do City Group decorre assim desta situação. Embora os seus Executivos se tenham cumulado de prémios e de remunerações faraónicas a situação em que deixaram os dois maiores bancos norte-americanos não foi concordante com estes generosos prémios auto-atribuídos e agora, até Alan Greenspan, o responsável pelo FED, durante as Administrações Clinton e Bush, onde precisamente mais se destruíram os mecanismos de regulação do sistema financeiro vem agora dizer que é preciso nacionalizar “temporariamente” estes dois grandes Bancos. Greenspan diz que só assim e poderá reanimar o ainda congelado sistema financeiro norte-americano e começar a sair da crise que a sua atividade inepta e incompetente à frente do FED provocou nos EUA e no resto do mundo que a colapso do subprime arrastou consigo.

Por “temporário” Greenspan quer dizer, nacionalizemos agora para depois vender ao desbarato o Banco que o Estado e os fundos públicos sanearem ao primeiro especulador “berardiano” que aparecer. Em vez de pensar em “nacionalizar temporariamente”, Greenspan se lhe resta alguma sabedoria nesse oceano de senilidade que caracterizou a sua carreira no setor financeiro, devia estar a defender o fim das perigosas fusões e concentrações bancárias e a promover a divisão destes dois mega-bancos – produto de décadas de fusões e aquisições mais ou menos selvagens – em pequenos bancos locais, autónomos e diretamente interessados na promoção dos interesses das economias locais das regiões onde estão inseridos, não nos abstractos e egóticos interesses de accionistas instalados em sofás algures nos emiratos ou em Pequim.

Fonte:
Jornal SOL

Categories: Economia, Política Internacional | Etiquetas: | 5 comentários

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