A “Internet Gratuita” em preparação nos EUA

Nos EUA, caminha-se a passos largos para o estabelecimento de um serviço de acesso à Internet gratuito, mas livre de pornografia (o que sempre irá defraudar alguns potenciais utentes, estou certo…). A iniciativa foi promovida pelo anterior presidente da FCC, um tal de Kevin Martin e seria um serviço wireless com tecnologia Wi-Fi de longo alcance, disponível em todo o território continental dos EUA, sem custos. A medida está a ser combatida pelas empresas norte-americanas de Internet, como a Time Warner Cable, a T-Mobile USA e a Comcast que estão a recusar transportar esses canais nas suas linhas, alegando eventuais interferências à sua rede 3G, que a FCC logo descartaria, expondo assim aquela que julgamos ser a verdadeira motivação por detrás deste receio destas empresas: o medo de perderem clientes dos segmentos de “entrada de gama”…

A proposta de um serviço de Internet gratuito, por wireless, faz parte do leilão das chamadas “white spaces” em curso. Neste contexto, o vencedor do leilão teria que reservar uma parte do espectro conquistado para esse serviço gratuito. O serviço seria mais lento que o mais lento dos serviços pagos, e a sua operação seria financiada por estes. O bloqueio do acesso a pornografia foi inicialmente contestado por algumas associações de consumidores, tendo a FCC alterado a sua proposta para um esquema de “opt out”, em que um adulto utente deste serviço poderia requerer ao operador que lhe retirasse esse bloqueio.

O presidente da FCC, Kevin Martin demitiu-se em 15 de janeiro, com a entrada em funções da nova Administração Obama e foi substituído por Julius Genachowski, um antigo colega de Obama em Harvard que como muitos dos novos homens da Administração Obama já trabalhou sob a gestão Clinton (a Mudança já não é o que era…) precisamente na FCC. Durante a Campanha, Genachowski foi o principal conselheiro tecnológico de Obama, estando na base das posições do candidato a favor da “Internet livre” e da “neutralidade na Internet”, posições adversas aquelas que a industria dos media tem defendido. A defesa de Obama por uma expansão da Banda Larga ao interior rural dos EUA é também da sua autoria.

Um dos desafios que Genachowski terá também que enfrentar é a transição para as emissões de televisão digitais. Previstas inicialmente para 17 de fevereiro, Obama não está tão decidido quanto Bush que uma estratégia de absoluta mudança, literalmente de um dia para o outro, das emissões analógicas para as digitais, com a decorrente impossibilidade por parte de todas as televisões mais antigas (não-digitais) de receberem qualquer sinal além de estática e, para os mais afortunados, no sul, canais mexicanos e cubanos… A medida poderá incentivar o consumo de televisões novas, é certo, mas é duvidoso que contribua para a recuperação da economia americana, já que os equipamentos são quase completamente importados, não havendo assim como maior resultado uma imensa confusão e chuvada de chamadas para as reclamações dos canais norte-americanos e um aumento das exportações chinesas, coreanas e japonesas para os EUA, agravando ainda mais o desequilíbrio da balança de pagamentos dos EUA.

A medida da Internet Livre esta, contudo, deve ser seguida com especial interesse… As bandas que usará permitem a penetração de paredes e muros, pelo que é possível instalar antenas nas cidades e aldeias e a partir daqui oferecer esse serviço, gratuito mas de velocidades e com tráfegos limitados a toda a gente. A decisão de barrar conteúdos já é mais discutível, e até incompatível com a politica de neutralidade também defendida, já que é impossível haver filtros de navegação inteligente, e que haverá sempre materiais pornográficos disponíveis algures, por contorno ou engenho, e que fenómenos como o barramento do artigo da Wikipédia sobre os Scorpion se irão repetir, e alguns com bem maior gravidade…

Fontes:
http://online.wsj.com/article/SB123180775460975639.html
http://online.wsj.com/article/SB122809560499668087.html
http://www.businessweek.com/technology/content/nov2008/tc2008115_197440.htm?chan=top+news_top+news+index+-+temp_news+%2B+analysis
http://gawker.com/388830/wikipedia-is-arguing-whether-this-album-cover-is-child-porn

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Categories: Ciência e Tecnologia, Informática, Política Internacional, Sociedade | Etiquetas: , | 2 comentários

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2 thoughts on “A “Internet Gratuita” em preparação nos EUA

  1. Uma boa iniciativa a ser seguida por todos os paises, até votar poderia ser possivel , e talvez ,sem fraude e com comprovante do mesmo..uma mega integração mundial e gratuita; isso ainda vai virar direito do cidadão.

  2. quando ao evoto… sou crítico…
    quanto à internet grátis (lenta e subvencionada) já penso de forma diversa.

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