O Proteccionismo começa a instalar-se pelo mundo…

O proteccionismo começa a instalar-se um pouco por todo o mundo… Mesmo os Estados Unidos, o país que mais promoveu a abertura dos mercados no auge da Globalização, onde o Senado foi obrigado a reduzir o acento proteccionista do pacote de estímulo económico do presidente Obama. O pacote, no valor global de 900 biliões de dólares, previa inicialmente que só bens fabricados nos EUA pudessem ser abrangidos em projetos financiados pelo dito. A medida tencionava ajudar as empresas americanas que atravessam agora a sua maior crise das últimas décadas. Agora, a sua revisão, vai incluir uma alínea indicando que serão respeitados os “tratados comerciais internacionais em vigor”.

As indústrias metalúrgicas e de materiais de construção eram as principais destinatárias da medida, mas os protestos de países como o Canadá (o maior parceiro comercial dos EUA) pressionaram e acabaram por bloquear a medida do pacote de estímulos de Barack Obama.

Naturalmente, os economistas do sistema que durante anos defenderam o desregulamento dos mercados e a evaporação da intervenção do Estado nas economias, vieram logo erguer a sua amada bandeira de que medidas “Compre Americano” poderiam fazer ricochete e virarem-se contra os Estados Unidos. Mas quantos emprego norte-americanos foram transferidos nos últimos dez anos para o México e para a China? E se este tipo de medidas acabarem por serem implementadas nos EUA (conforme é intenção de Obama) é certo que os parceiros comerciais dos EUA acabarão por tomar medidas semelhantes. Na verdade, até com Bush houve tentativas de tomadas de medidas semelhantes, quando entre 2001 e 2003 a Administração Bush impôs taxas de importação ao aço, para defender as metalúrgicas norte-americanas. Na época, a decisão conseguiu salvar esse sector industrial, mas à custa da elevação em 48% do preço do aço. Mas um sector absolutamente essencial foi salvo e conservaram-se dezenas de milhar de postos de trabalho. A abolição progressiva destas taxas fez retornar parte do problema estando hoje a indústria metalúrgica norte-americana a trabalhar a apenas 45% da sua capacidade. Se a opção é esta, compreende-se bem porque se olham de novo para medidas proteccionistas, até nos EUA, campeões da Globalização, neste momento de crise e de perda e milhões de postos de trabalho. É que a Globalização assegurou bens baratos, mas também elevados níveis de precariedade e de desemprego nos sectores industriais (de reconversão difícil) e um perigoso nível de dependência das importações nos sectores mais estratégicos da economia.

De qualquer forma, o pacote de estímulo económico de Obama, prevê que se os preços dos materiais de construção fabricados nos EUA subirem acima dos 25% então será possível recorrer a importações. Mas esta medida, assim como o renascido “nacionalismo económico” de Sarkozy e as varias medidas de apoio à exportação e os recentes subsídios à produção de cereais na China estão a fazer retornar o proteccionismo, até nos países que mais ganharam com a Globalização. E assim sendo, porque devem os restantes manter uma bandeira que está a ser abandonada até pelos seus mais fervorosos entusiastas? Porque devem a Europa e nela, Portugal, e a América do Sul, e nela o Brasil, manterem as suas fronteiras abertas a importações de países que estão a defender as suas próprios economias com medidas proteccionistas enquanto usam a liberalização do comércio mundial em seu próprio favor?

Fonte:
www.cnn.com

Categories: Economia, Política Internacional | Etiquetas: , | 7 comentários

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7 thoughts on “O Proteccionismo começa a instalar-se pelo mundo…

  1. paulo gomes

    O protecionismo deu origem á primeira guerra mundial e tambem originou á segunda guerra mundial.Muito cuidado,o mundo poderá estar a dar um passo para a sua propria vála.haja bom senso,muito cuidado !!!!

  2. Fenix

    O neo capitalismos e neo liberlismo deram origem a esta crise.Crise que não é so economica como também é a falência politica deste dois modelos politicos.Protecionismo sim em economias locais para protejer os postos de trabalho a deslocação empresas criando riqueza local divido-a pelo seu acionistas locais e ao mesmo tempo impedimos a emigração da pessoas pra outros sitios a procura de trabalho..Se localmente fizremos protecionismo estamos proteger cada economia local pelo mundo fora. Não foi o protecionismo que de origem ás guerras foi o nacionalismo centralizado a ganância do homem e mesmo loucura de um homem e seu raxismo Adolf hitle.

  3. Começou a estúpidez coletiva….assim vasmos td p/ o buraco.

  4. o proteccionismo absoluto é um erro, claro. mas abrir fronteiras e não ter em consideração dumpings fiscais, laborais.ambientais e de direitos humanos é enganar o mecanismo de formação dos preços e estabelecer falsas concorrências que a prazo (porque a terra e o seu clima são só uns) são péssimas para todos.

  5. Dumping ñ e negocio,cartel ñ é negocio…daí a regularização e normas para que ocorra a mão dupla, tem de ser assim, todos ganham..e governo inteligente investe no povo para fazer novas e melhores mão de obras;o q ñ é o caso do sul maravilhoso.

  6. Fenix

    È logico que não se pode ser protecionista em tudo porque mesmo numa economia local protecionista não se pode ser auto suficiente em tudo mas pode-se importar com etica com criterios primeiro “nacionalmente estou a falar divisão admistrativa e não etcnicas” e depois entre nações. Porque mesmo que esta crise melhore havera outras ainda com maior maginitude porque problema central esta no sistema economico e o adevento da globalização que desgovernou os mercados.fazendo com que empresas e os seus empresarios fossem a procura do lucra a qualquer preço sem raizes locais. Se não ouver empregos não á dinheiro para pagar os emprestimos nem á comsumo as seguradoras que asseguram os capitais dos bancos entram em falencia a seguir os bancos e economia pára e para as empresas não á linha de credito.Esta economia que nos livros de economia se devia chamar economia beduinas global desgorvenou os sistema bancario por todo o mundo onde havia credito Os bancos de investimento são aqueles que mais vuneraveis ao risco inerente da especolação bolsista.Porque tem um maior numero de capital especolativo caso Banco privado portugues e caso do banco americano por arrasto veio seguradora americana que era acionista principal da fortis e foi salva pelo governo belga a fortis é acionista da ocidental seguros do BCP.Como tão perto estivemos da falencia de mais banco.

  7. exato. por isso defendo uma forma (há várias) de neoproteccionismo e rejeito o antigo e batido proteccionismo que jogou um papel tão importante no agravamento da crise de 1929…
    sem dúvida que os Bancos especulativos (tipo BPP) estiveram no epicentro desta crise.
    Os bancos da Islândia (o país mais afectado) tinham p.ex. montantes (em depósitos e investimentos bolsistas) que no seu total ascendiam a 800% do PIB islandês! absurdo!

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