Os livros eletrónicos de plástico da “Plastic Logic”

Uma empresa alemã, a Plastic Logic prepara-se para revolucionar o mundo da… imprensa escrita. Recorrendo a uma tecnologia desenvolvida no Reino Unido, a empresa está a produzir um equipamento muito portátil, semelhante a uma revista em pele, e tão leve com uma… Atualmente, todos os dias são consumidas em Portugal muitos milhares de toneladas de papel, sendo que cada tonelada de papel requer o abate de 2 a 3,5 toneladas de árvores! O impacto ecológico e até o custo económico, do abate, transformação, transporte e até (nos melhores casos) reciclagem é tremendo e compreende-se bem as vantagens de um modelo de negócio que dispensasse a celulose e poupa-se a vida a esses preciosos “devoradores” de CO2 que podem contribuir para o combate ao Aquecimento Global, que são as árvores…

Se esta tecnologia vingar, serão poupadas milhões de toneladas de papel por dia, pelo mundo. E as mesmas empresas que hoje consomem uma fatia de leão dos seus custos em impressão e distribuição, poderão reduzir os seus custos vendendo as suas edições por forma de assinatura e enviando-as por forma eletrónica, emulando o mesmo modo que já usa o eBook da Amazon, o Kindle (que, infelizmente, é feio como o raio…).

O exemplo do Kindle demonstra que a abordagem conceptual da Plastic Logic não é nova… Não é de facto a primeira vez que se tenta fabricar uma “revista eletrónica” ou um “leitor de livros eletrónicos”, mas este equipamento da empresa alemã é o primeiro a apresentar um elevado nível de robustez, uma característica que resulta de tudo nele, desde o écran à eletrónica ser completamente feito de plástico. Daí a leveza e a robustez! Os processadores e componentes eletrónicos em plástico são fabricados numa fábrica em Dresden e resultam do trabalho de investigação desenvolvido na Universidade de Cambridge.

A empresa vai começar a comercializar o seu “Plastic Logic Reader” já na primeira metade de 2009 e será capaz de exibir documentos em Microsoft Word, Excel e Powerpoint, para além do ubíquo Adobe PDF. A empresa espera também ter nessa data já uma série de protocolos com diversos jornais e revistas alemães de forma a que estes conteúdos estejam disponíveis na forma de assinatura nestes equipamentos, logo desde o momento do seu lançamento.

Se este projeto começou numa universidade britânica e daqui passou a uma aplicação industrial na Alemanha, será que podemos sonhar com idêntica transição (idealmente para uma fábrica portuguesa) daquele projeto universitário português em que um grupo de investigadores conseguiu fazer um processador a partir de celulose? A robustez, leveza e custo destes processadores seria certamente ainda inferior a estes processadores de plástico da “Plastic Logic”… mas tem faltado aqui a transição entre o mundo académico e a indústria, crónica dificuldade do mundo académico português.

Fontes:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/7670371.stm

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Categories: Ciência e Tecnologia | 8 comentários

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8 thoughts on “Os livros eletrónicos de plástico da “Plastic Logic”

  1. Daniel

    Cadê o ODF?

  2. espera, claro:
    http://en.wikipedia.org/wiki/OpenDocument
    não estou familiarizado com a sigla…
    o ODF não responde ao problema… é um formato, não um meio físico para ler livros…
    neste campo, a eink é crucial e esta solução da plastic logic pode ser um bom passo nessa direção.

  3. Fenix

    bismarke afunda magalhaes

  4. gaitero

    É interessante mas já ultrapassado…..

    Materiais Avançados
    Papel de plástico reciclado é criado no Brasil

    21/01/2009

    Um papel sintético fabricado com plástico descartado pós-consumo foi desenvolvido na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e testado em uma planta piloto da empresa Vitopel, fabricante de filmes flexíveis com fábrica em Votorantim, no interior paulista.

    Papel de plástico

    Produzido em forma de filmes, o material feito a partir de garrafas de água, potes de alimentos e embalagens de material de limpeza pode ser empregado em rótulos de garrafas, outdoors, tabuleiros de jogos, etiquetas, livros escolares e cédulas de dinheiro.

    “Ele é indicado para aplicações que necessitam de propriedades como barreira à umidade e água, além de ser bastante resistente”, diz a professora Sati Manrich, do Departamento de Engenharia de Materiais da universidade e coordenadora do projeto que teve financiamento da FAPESP para o desenvolvimento da pesquisa e o depósito de patente.

    Papel sintético

    O papel sintético comercializado atualmente é produzido com derivados de petróleo. “Existem várias patentes e produtos comercializados com matéria-prima virgem, mas não encontramos nenhuma patente ou papel sintético feito a partir de material plástico reciclado”, diz Sati.

    Os testes na planta piloto, também chamada de escala semi-industrial, foram conduzidos por Lorenzo Giacomazzi, coordenador de tecnologia de processos da Vitopel, que tem a cotitularidade da patente. “O grande diferencial desse processo é fabricar um papel sintético com material totalmente reciclado”, diz Giacomazzi.

    Foram usadas várias composições e misturas de plásticos da classe das poliolefinas. “O aspecto final é o mesmo do produto feito a partir da resina virgem, com a vantagem que se aproveita o material que iria para o aterro sanitário ou lixões.”

  5. falta é o salto para a indústria… que estes alemães já deram.

  6. daniel

    Toda essa historia da plastic logica é bobogem eles estão a anos oferecendo esse produto ” maravilhoso “mas nunca lançâo no mercado , estão sempre adiando. Para mim isso não passa de embuste para pegar dinheiro dos investidores.

  7. sim, estou a ver… provavelmente um discurso de marketing para cativar investidores… obrigado pela informação, Daniel!

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