Já faltam menos de dois meses para a saída do terceiro número…

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Celeste Natário
AGOSTINHO DA SILVA E A SAUDADE DA “GRÉCIA DIVINA”

Professor, ensaísta, pedagogo, poeta, é Agostinho da Silva um autor português em quem O sentido histórico das civilizações clássicas teve um forte impacto – foi esse, de resto, o título da sua dissertação, com que se doutorou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em 1929 – aí tendo escrito: “O presente trabalho pretende mostrar o que há de leviandade e ligeireza nas páginas de Spengler e provar que os greco-romanos possuíam, mesmo em maior grau que os egípcios, o sentido histórico, o sentido do tempo”.
É pois evidente que se no início do percurso deste autor as literaturas e as línguas clássicas têm uma presença e influência inequívocas, é também verdade que os horizontes especulativos do filósofo luso-brasileiro se diversificaram e multiplicaram de tal modo que, a certa altura, a partir da década de 30, os temas clássicos parecem ter sido abandonados – o que de facto não acontece, como se comprova, por exemplo, pelo importante texto que publica no final da década de 40, já no Brasil: “A Comédia Latina”.
A Religião Grega, texto publicado em 1930, será porventura o escrito de maior profundidade, aquele onde já não é só o fascínio pela cultura grega que está presente, mas onde esta é motivo de prefiguração de um novo mundo a haver.
Logo no início desse texto, escreve o nosso autor: “A característica essencial do espírito grego, aquela de que provêm todas as outras e que, melhor que nenhuma, nos explica a magnífica florescência dos séculos V e IV, é, sem dúvida, o amor insaciável da Beleza, o desejo de qualquer coisa que seja sempre mais alta e mais nobre.”. Tal consideração só podia levar Agostinho a considerar os gregos como uma espécie de “povo eleito” – como igualmente veio a considerar o povo luso-brasileiro, lusófono em geral, com a ideia de Quinto Império ou Reino do Espírito Santo.
Acreditava Agostinho numa ideia de processo e progresso do mundo até um estado de plenitude final, onde a vida passaria por uma transmutação, em que se atingiria a libertação tanto pessoal como comunitária – estado que, alegadamente, os gregos haviam já realizado, de tal modo que, como escreveu a encerrar esse texto, “por todo o tempo ficará no homem a saudade, o anseio de reencon­trar essa Grécia divina onde se adoravam, sobre todos os deuses, a Beleza e a Vida.”

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