Sobre os mini reactores nucleares que estão agora em desenvolvimento

//www.euronuclear.org)

(Os nódulos de urânio do Pebble Reactor in http://www.euronuclear.org)

Desde a construção dos primeiros reactores nucleares civis, na década de 50, que a sua potência média subiu desde os 60 MWe para mais de 1600 MWe. Simultaneamente, a necessidade de construir pequenas unidades para alimentação de energia a unidades navais como submarinos e porta-aviões fez aumentar o conhecimento sobre a forma de construir reactores nucleares compactos e de manutenção simples ou semi-automática.

Existe hoje um impulso para parar de construir grandes centrais nucleares, não só porque é particularmente difícil reunir o tipo de capital necessário, mas também porque o apoio popular a estas grandes instalações é muito escasso. Assim, assiste-se um pouco por todo o mundo a renovar do interesse pelos pequenos reactores nucleares com potencias inferiores aos 4 GWe. A possibilidade de montar vários pequenos reactores em série, construindo uma unidade maior, também é apelativa, dada a sua maior simplicidade de manutenção e um menor custo operacional do que um grande reactor.

Entre os diversos projetos hoje em curso, talvez o mais notável de todos seja o do consórcio sul africano “Pebble Bed” que trabalha sobre o “Pebble Bed Modular Reactor”, agrupando vários pequenos reactores com uma capacidade total de 170 MWe. Estes pequenos reactores são moderados por grafite e arrefecidos a gás (Hélio, Azoto ou Dióxido de Carbono) e alimentados por partículas de combustível TRISO um conjunto de solução que permite assegurar ao sistema um elevado nível de segurança. Aliás, a designação “Pebble” (seixo) vem precisamente das partículas de combustível, que se assemelham a pequenos seixos de material físsil, como o U235 envolvidos numa camada de cerâmica para manter a coesão estrutural do “Pebble”. O reactor é arrefecido pela circulação interna dos gases e sobrevive a situações de acidente grave, devido ao seu desenho autónomo e funcional.

A tecnologia foi desenvolvida inicialmente na Alemanha, mas atualmente a África do Sul e a China são líderes neste campo, sendo que o reactor chinês HTR-10 é o único atualmente em operação em todo o mundo.

Existe um impulso para produzir e comercializar esta nova geração de mini-reactores nucleares, EUA, Japão e África do Sul, lideram neste domínio e irão colocar no mercado dezenas se não mesmo centenas destes reactores. Grandes empresas, como refinarias e grandes unidades industriais terão interesse em libertar-se da dependência da rede publica. E o mesmo tipo de interesses terão por exemplo bases militares no Estrangeiro ou até reactores a manter em reserva e passíveis de serem transportados até locais onde ocorram emergências humanitárias que interrompam a distribuição de eletricidade. Existe é claro o sempre latente risco de estes reactores serem violados e de os materiais radioactivos no seu interior serem usados para construir “bombas sujas”… Sim, estes reactores podem dispensar manutenção e serem seguros, mas serão totalmente seguros contra operações terroristas que busquem o seu conteúdo em urânio enriquecido? E havendo esta reserva, deveremos mesmo multiplicar a instalação deste tipo de unidades nucleares?

Fontes:
http://www.world-nuclear.org/info/inf33.html
http://www.pbmr.co.za/
http://en.wikipedia.org/wiki/Pebble_bed_reactor

Categories: Ciência e Tecnologia, Economia, Sociedade | Etiquetas: | 19 comentários

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19 thoughts on “Sobre os mini reactores nucleares que estão agora em desenvolvimento

  1. São deveras auspiciosas a possibilidades, até como bomba atômica dos pobres..um missil e dois reatores devidamente preparado …bum…o bom mesmo são os benefícios que os mesmos traram, o BRASIL está tbm neste ciclo, em breve termos os nossos mde in Brasuca.

  2. é verdade, a tecnologia é idêntica à do reator nuclear do futuro SNA… não há projetos brasileiros nesta área, que se saiba… mas há as bases tecnológicas.

  3. Pegasus

    Essa tecnologia é vital, aqui no Brasil teremos que deter essa tecnologia, ela se mostrara indispensavel como forma pratica e flexivel, essa evolução ja era de se esperar.
    É porem de se ter um total controle sobre quem as produz e quem as mantem, não nos esqueçamos que alem do que foi relatado acima sobre bombas sujas, uma empresa que tiver algo que lhe de alto potencial energetico podera utiliza-lo para fazer qualquer coisa, com eletricidade para alimentar suas maquinas, acelerando a produção do quer que queiram produzir. A mentalidade humana sempre podera transformar uma benção numa maldição.

  4. Que se saiba…+ temos sim,é de vital importância até como “arma”.. sem contar as facilidades para produzir energia, limpa e barata , localizada…Ñ ter pesquisa nesse setor…sem comentário.

  5. FRED

    Mas o Brasil tem um programa destes, vem sendo feito no CTA em São José dos Campos, é denominado projeto TERRA, a diferença é que será um reator rápido porém também isolado a grafite e refrigerado a gás.

    Outra grande diferença são os estudos para utilização de tório como combustivel em vez de urânio.

  6. FRED

    sabia que tinha escrito algo sobre isso 🙂

    http://piratininga.wordpress.com/2008/02/11/sobre-os-reatores-rapidos/

  7. ora bem.
    não me lembrava, ainda que de facto já tivesse lido esse teu post!
    é da idade! 🙂

  8. Pegasus

    Bom, eu quero que seja terminado esse desenvolvimento e principalmente, seja aplicado, o Brasil tem um pessimo habito de realizar grandes estudos e desenvolvimentos e levar uma pressão externa e abandonar tudo.
    Posso citar o desenvolvimento por universidades do brasil (mais precisamente de Pernambuco) de vitroceramicas para aparelhos oticos de visão noturna baseados em terras raras, que tornariam eses produtos bem mais baratos e com potencial para desenvolver grande exportação desses produtos…bom, cade, vai saber!!!
    O nosso nordeste com um potencial eolico incrivel e com meia duzia de cataventos so pra enganar, ou mesmo no mesmo nordeste, no interior a colocação de celulas foto-voltaicas, que teriam alto rendimento por estarem bem na linha do Equador.
    Em termos energeticos o Brasil tem um potencial incrivel, tanto de conhecimento quanto da materia -prima, mas carecemos de visão dos nossos politicos…ah, sempre eles.

  9. Fred

    Pegasus, o nordeste não tem uma grande capacidade de geração eólica assim não, isso é meio lenda urbana, as regiões do Brasil mais favoraveis ficam entre Fortaleza e Natal, uma outra região entre MG, RJ e ES e por fim a mais rentável fica no RS.
    Não é que não tenha vento no restante mas o índice e constância de ventos para permitir a exploração comercial, com a tecnologia atual, só nesses lugares que citei.

    Salvo engano a ANEEL outorgou mais que 2.500 MW em usinas eólicas para os próximos anos sendo a maioria no Rio grande do sul e no Ceará.

    E em produção hoje cerca de 350 MW são oriundos de geradores eólicos no Brasil. algo como 2,5% da produção de energia elétrica nacional

  10. Fenix

    Não sou muito a favor da utização de energia nuclear para fins civis e mesmo militares.È demasiada perigosa mesmo com novos reatores 3 geração.Pode haver fugas de radiação assim como os residos demoram demasido tempo até ficarem livres de radiação. O uranio também não é muito abundade na terra. Temos primeiro pensar em energias renovaveis como onda do mar ,sol, vento e biomassa tronando também as nossas casas mais eficentes energeticamente.Temos tb o helio que ainda é blaf..mas no futuro, não produzido apartir do gás natural mas de água mesmo do mar pode ser interessante para todos.

  11. a iminente crise petrolífera (que foi apenas disfarçada pela atual recessão mundial) está a fazer muitos países requacionarem o uso do Nuclear… A Suécia, p.ex. é um deles.
    Embora acredite que os reatores de 3ª geração e estes minireatores são efetivamente tão seguros como dizem os peritos, há sempre o perigo de serem desviados para a fabricação de “bombas radioativas” por grupos terroristas ou por Estados.
    Esse é atualmente (com essas tecnologias) o maior problema…

    além da questão dos resíduos, claro…

  12. Fenix

    Penso que li alguma coisa sobre uma empresa francesa que estavão ter problemas no desolvimento no capitulo de segurança dos novos reatores para uma central filandesa. Por isso o por estado françes tb ainda não renovou os seus reatores mais antigos por esses como era pervisto.Porque será?

  13. Pegasus

    Fred
    Aprecio sua contribuição ao mencionar esses dados, mas então acho que estamos com erros de informação ou foi um aumento da imprensa ontem ao divulgar por representante da Universidade de Pernambuco que se poderia aumentar e muito a utilização de energia eolica no nordeste, principalmente na epoca de baixa do rio São Francisco que é quando os ventos aumentão de intensidade podendo suprir uma boa parte da demanda, poupando assim o rio.
    Quanto ao meu RS, fico feliz em saber que podem aumentar a energia eolica sendo que o local mais propicio seria na area de Torres, acredito que o Brasil pode e deve aumentar seus estudos e aplicações em energia renovaveis, poderemos ser uma nova luz no mundo e não so pelo etanol.

  14. Que venha + livros em DVD ,Cd é td que for moderno e multimidia…

  15. Eu tinha lido algo a respeito , só ñ lembrava-me onde…estamos bem nesta área de pequisa…

  16. sendo atualmente o nuclear uma das áreas onde mais se investe… eu pessoalmente espero muito da fusão, e estou em crer que é aqui que se farão os maiores avançados das próximas décadas.

  17. Fred

    Pegasus, a fonte onde obtive as informações são da ANEEL, no BIG (banco de informações sobre geração) provavelmente esses estudos no vale do são francisco ainda não estão outorgados pela agência para produção de energia.

    http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/capacidadebrasil/capacidadebrasil.asp

  18. o modo “SOL” ainda é meio vestigial…

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