Daily Archives: 2009/02/05

A Solução para a Recessão Mundial passa por uma mudança de paradigma: Localização em lugar de Globalização

A presente recessão mundial está para durar. Não é uma simples descida conjuntural resultante de uma  inexistente subida dos preços da energia ou dos combustíveis nem sequer de problemas graves no sector financeiro que reduzem a liquidez de Capital na economia. Pelo contrário, a situação atual tem uma raiz estrutural e como tal, não será sanada rapidamente.

A depressão atual radica nos problemas daquele modelo de Desenvolvimento económico que os economistas do “pensamento único” Neoliberal e globalista nos venderam como única solução e que durante quase vinte anos pareceu funcionar bem, trazendo prosperidade aos países fornecedores de matérias-primas e de produtos manufacturados e mantendo elevados padrões de vida nos países consumidores, algures no Ocidente. Mas algo estava literalmente “quebrado” no sistema: ainda que fosse possível ir transferindo discreta mas paulatinamente todas as indústrias para o Oriente durante algum tempo, este ermamento industrial haveria de se sentir, mais cedo ou mais tarde, nos países que assim iam evaporando a sua tessitura industrial. É que com as fabricas que partiam, partiam também milhões de empregos e com eles milhões de consumidores. No Oriente, a economia ía crescendo à custa de mão-de-obra abundante e barata, no Ocidente, o consumo ía sendo sustentado por níveis de vida mantidos artificialmente altos por elevados níveis de endividamento. Um dia este recurso sistemático ao crédito iria tornar-se impossível alto para continuar a crescer e as primeiras a sentir esta reversão de fluxo seriam precisamente as empresas do sector financeiro. E foi isso precisamente que aconteceu, em meados de 2008…

O problema maior reside portanto num sistema de Globalização que depende de enormes transferencias de bens e equipamentos de um canto para o outro do mundo. Depois de séculos em que o comercio internacional foi considerado acessório e complementar, a partir da década de 90, este tornou-se essencial em quase todo o tipo de produtos. Colheres, facas, cereais, brinquedos, computadores, etc, tudo é fabricado algures no exterior e nada é fabricado localmente. Esse é o paradigma que tem que desaparecer. E enquanto assim não fôr, esta recessão não irá parar de se agravar até criar convulsões sociais e níveis de criminalidade insustentáveis e destrutivas para qualquer sociedade no mundo. No oriente, haverá revoltas sociais porque as fabricas deixaram de fabricar para a exportação ao nível anterior, no ocidente, no ocidente porque os níveis de desemprego serão insustentáveis. Os Bancos que emprestaram desregradamente têm que falir e dar lugar a novas formas de gestão de Capital mais responsáveis e mais locais. Os empregos e as empresas devem refocar-se nos mercados locais, os padrões de endividamento devem reduzir-se dramaticamente, não pela falência dos endividados (empresas ou famílias), mas pela falência dos Bancos que emprestaram sem critério ou razoabilidade. Toda a economia deve abandonar esta obsessão pelo “Global” e reorientar-se para o “Local”, porque ao fim e ao cabo è “localmente” que estão as pessoas, os seus empregos e as suas necessidades! Todos devemos parar de consumir compulsivamente e os economistas e gestores devem esquecer esta obsessão doentia por taxas de crescimento exponenciais e ecologicamente insustentáveis. Esqueçamos aquilo que não podemos ter e concentremo-nos no consumo de bens culturais e na sua produção, já que estes garantem níveis de satisfação muito maiores e mais duradouros do que a última televisão de plasma ou uma viagem à Tailândia. Reformemos uma classe política que se apressou a socorrer os banqueiros que contribuíram generosamente para as suas campanhas eleitorais, mas que deixou metade dos desempregados sem qualquer protecção social. Mudemos o mundo, hoje. Ou iremos acabar com ele. Agora.

Anúncios
Categories: E. F. Schumacher Society, Economia, Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia, Política Nacional, Portugal, Sociedade | 30 comentários

A Solução para a Recessão Mundial passa por uma mudança de paradigma: Localização em lugar de Globalização

A presente recessão mundial está para durar. Não é uma simples descida conjuntural resultante de uma inexistente subida dos preços da energia ou dos combustíveis nem sequer de problemas graves no sector financeiro que reduzem a liquidez de Capital na economia. Pelo contrário, a situação atual tem uma raiz estrutural e como tal, não será sanada rapidamente.

A depressão atual radica nos problemas daquele modelo de Desenvolvimento económico que os economistas do “pensamento único” Neoliberal e globalista nos venderam como única solução e que durante quase vinte anos pareceu funcionar bem, trazendo prosperidade aos países fornecedores de matérias-primas e de produtos manufacturados e mantendo elevados padrões de vida nos países consumidores, algures no Ocidente. Mas algo estava literalmente “quebrado” no sistema: ainda que fosse possível ir transferindo discreta mas paulatinamente todas as indústrias para o Oriente durante algum tempo, este ermamento industrial haveria de se sentir, mais cedo ou mais tarde, nos países que assim iam evaporando a sua tessitura industrial. É que com as fabricas que partiam, partiam também milhões de empregos e com eles milhões de consumidores. No Oriente, a economia ía crescendo à custa de mão-de-obra abundante e barata, no Ocidente, o consumo ía sendo sustentado por níveis de vida mantidos artificialmente altos por elevados níveis de endividamento. Um dia este recurso sistemático ao crédito iria tornar-se impossível alto para continuar a crescer e as primeiras a sentir esta reversão de fluxo seriam precisamente as empresas do sector financeiro. E foi isso precisamente que aconteceu, em meados de 2008…

O problema maior reside portanto num sistema de Globalização que depende de enormes transferencias de bens e equipamentos de um canto para o outro do mundo. Depois de séculos em que o comercio internacional foi considerado acessório e complementar, a partir da década de 90, este tornou-se essencial em quase todo o tipo de produtos. Colheres, facas, cereais, brinquedos, computadores, etc, tudo é fabricado algures no exterior e nada é fabricado localmente. Esse é o paradigma que tem que desaparecer. E enquanto assim não fôr, esta recessão não irá parar de se agravar até criar convulsões sociais e níveis de criminalidade insustentáveis e destrutivas para qualquer sociedade no mundo. No oriente, haverá revoltas sociais porque as fabricas deixaram de fabricar para a exportação ao nível anterior, no ocidente, no ocidente porque os níveis de desemprego serão insustentáveis. Os Bancos que emprestaram desregradamente têm que falir e dar lugar a novas formas de gestão de Capital mais responsáveis e mais locais. Os empregos e as empresas devem refocar-se nos mercados locais, os padrões de endividamento devem reduzir-se dramaticamente, não pela falência dos endividados (empresas ou famílias), mas pela falência dos Bancos que emprestaram sem critério ou razoabilidade. Toda a economia deve abandonar esta obsessão pelo “Global” e reorientar-se para o “Local”, porque ao fim e ao cabo è “localmente” que estão as pessoas, os seus empregos e as suas necessidades! Todos devemos parar de consumir compulsivamente e os economistas e gestores devem esquecer esta obsessão doentia por taxas de crescimento exponenciais e ecologicamente insustentáveis. Esqueçamos aquilo que não podemos ter e concentremo-nos no consumo de bens culturais e na sua produção, já que estes garantem níveis de satisfação muito maiores e mais duradouros do que a última televisão de plasma ou uma viagem à Tailândia. Reformemos uma classe política que se apressou a socorrer os banqueiros que contribuíram generosamente para as suas campanhas eleitorais, mas que deixou metade dos desempregados sem qualquer protecção social. Mudemos o mundo, hoje. Ou iremos acabar com ele. Agora.

Categories: Economia | Deixe um comentário

Quids S15: Que veículo é este?

dddd3

1. Todos os quids valem um ponto.

2. Os Quids são lançados pela manhã. Entre as 6:00 e as 10:00 (Hora de Lisboa)

3. As pistas só serão dadas à hora de almoço (12:30-14:30). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, desde que pedidas por um (qualquer) dos participantes.

4. Só há quids entre 2ª e 6ª (incluindo feriados). Salvo imprevisto…

5. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

6. É vivamente desencorajado o uso de vários nicknames para o mesmo concorrente, já que desvirtua o espírito do jogo. Lembrem-se que o IP tudo revela…

Categories: Quids S15 | 40 comentários

Sobre os mini reactores nucleares que estão agora em desenvolvimento

//www.euronuclear.org)

(Os nódulos de urânio do Pebble Reactor in http://www.euronuclear.org)

Desde a construção dos primeiros reactores nucleares civis, na década de 50, que a sua potência média subiu desde os 60 MWe para mais de 1600 MWe. Simultaneamente, a necessidade de construir pequenas unidades para alimentação de energia a unidades navais como submarinos e porta-aviões fez aumentar o conhecimento sobre a forma de construir reactores nucleares compactos e de manutenção simples ou semi-automática.

Existe hoje um impulso para parar de construir grandes centrais nucleares, não só porque é particularmente difícil reunir o tipo de capital necessário, mas também porque o apoio popular a estas grandes instalações é muito escasso. Assim, assiste-se um pouco por todo o mundo a renovar do interesse pelos pequenos reactores nucleares com potencias inferiores aos 4 GWe. A possibilidade de montar vários pequenos reactores em série, construindo uma unidade maior, também é apelativa, dada a sua maior simplicidade de manutenção e um menor custo operacional do que um grande reactor.

Entre os diversos projetos hoje em curso, talvez o mais notável de todos seja o do consórcio sul africano “Pebble Bed” que trabalha sobre o “Pebble Bed Modular Reactor”, agrupando vários pequenos reactores com uma capacidade total de 170 MWe. Estes pequenos reactores são moderados por grafite e arrefecidos a gás (Hélio, Azoto ou Dióxido de Carbono) e alimentados por partículas de combustível TRISO um conjunto de solução que permite assegurar ao sistema um elevado nível de segurança. Aliás, a designação “Pebble” (seixo) vem precisamente das partículas de combustível, que se assemelham a pequenos seixos de material físsil, como o U235 envolvidos numa camada de cerâmica para manter a coesão estrutural do “Pebble”. O reactor é arrefecido pela circulação interna dos gases e sobrevive a situações de acidente grave, devido ao seu desenho autónomo e funcional.

A tecnologia foi desenvolvida inicialmente na Alemanha, mas atualmente a África do Sul e a China são líderes neste campo, sendo que o reactor chinês HTR-10 é o único atualmente em operação em todo o mundo.

Existe um impulso para produzir e comercializar esta nova geração de mini-reactores nucleares, EUA, Japão e África do Sul, lideram neste domínio e irão colocar no mercado dezenas se não mesmo centenas destes reactores. Grandes empresas, como refinarias e grandes unidades industriais terão interesse em libertar-se da dependência da rede publica. E o mesmo tipo de interesses terão por exemplo bases militares no Estrangeiro ou até reactores a manter em reserva e passíveis de serem transportados até locais onde ocorram emergências humanitárias que interrompam a distribuição de eletricidade. Existe é claro o sempre latente risco de estes reactores serem violados e de os materiais radioactivos no seu interior serem usados para construir “bombas sujas”… Sim, estes reactores podem dispensar manutenção e serem seguros, mas serão totalmente seguros contra operações terroristas que busquem o seu conteúdo em urânio enriquecido? E havendo esta reserva, deveremos mesmo multiplicar a instalação deste tipo de unidades nucleares?

Fontes:
http://www.world-nuclear.org/info/inf33.html
http://www.pbmr.co.za/
http://en.wikipedia.org/wiki/Pebble_bed_reactor

Categories: Ciência e Tecnologia, Economia, Sociedade | Etiquetas: | 19 comentários

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade