Dominique Moisi, a Europa e a capacidade de recuperação dos EUA

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(Dominique Moisi)

Segundo Dominique Moisi, um dos mais reputados especialistas franceses em Relações Internacionais, a “A América tem uma capacidade de recuperar muito superior à da Europa”. Na sua entrevista à Euronews, o especialista admite que os EUA estão atualmente em nítido declínio, mas que ainda detém um incontestado estatuto de superpotência mundial, sem contestação. Havendo já sinais de que o mundo caminha para uma salutar, mas mais imprevisível multipolaridade.

Moisi no seu último livro “A Geopolítica da emoção” descreve três emoções que podem condicionar as relações internacionais: o Medo, a Humilhação e a Esperança. Moisi interroga-se se Obama será capaz de fazer esse sentimento que dominou a sua Campanha espalhar-se pelo Ocidente ou se, pelo contrário será o Medo que predominará, estendendo-se da América do Norte e da Europa – onde já se impôs – até África e à Ásia.

Questionado pelo Euronews sobre a sua opinião acerca do pacote de estímulo económico de Obama que assenta primariamente em investimentos na área ecológica, da redução da dependência do petróleo e da eficiência energética, Moisi defende a sua imperativa necessidade, mas reconhece o seu aspecto contraditório: como fazer com que o Estado lidere este processo de mudança se a Dívida dos EUA atinge já hoje valores astronómicos? Se nos melhores anos do Boom a Administração Bush nada fez para estabilizar a Dívida e pelo contrário, a deixou crescer descontroladamente, agora que margem de manobra tem Obama, especialmente porque terá também que cumprir a promessa de reduzir a carga fiscal sobre as famílias americanas e logo… Contrair ainda mais as disponibilidades orçamentais da Federação.

O ensaísta francês reconhece não propriamente em Obama, mas nos próprios norte-americanos uma enorme capacidade recuperar a partir de crises profundas. Reconhece também que existe atualmente uma rara comunhão de sentimentos e uma identificação entre o povo norte-americano e o novo presidente. Esta capacidade de recuperação, as múltiplas singularidades de Obama e o sentimento de identidade entre a Nação e o seu Presidente poderão alavancar uma rápida recuperação da confiança na economia e sociedade dos EUA. Este poder regenerativo é muito superior ao da envelhecida e estagnada Europa, que, além do mais, tem no lugar de Obama o cinzento e incompetente Barroso…

Obama poderá dedicar uma atenção inédita ao continente esquecido dos últimos decénios: África, continente onde tem laços paternos. Quanto ao Iraque e Afeganistão, já deixou claro que defende retirada no primeiro e o reforço de meios, no segundo. Será também de esperar que procure desenlace o verdadeiro “nó górdio” do conflito do Médio Oriente que é a Questão Palestiniana. Por tudo isto, na visão de Moisi, se Bush não se interessou pela Europa, então nada indica que Obama seja muito diferente… E isto para grande pesar da Ucrânia e Geórgia que contavam com o apoio dos EUA na sua adesão à OTAN.

Fonte:

Euronews – 2009

Categories: Economia, Política Internacional, Sociedade | Etiquetas: | 6 comentários

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6 thoughts on “Dominique Moisi, a Europa e a capacidade de recuperação dos EUA

  1. Por alguma coisa eles sao a maior potencia mundial!…

  2. pedronunesnomundo

    “Obama será capaz de fazer [a esperança] que dominou a sua Campanha espalhar-se pelo Ocidente ou pelo contrário será o Medo que predominará, estendendo-se da América do Norte e da Europa – onde já se impôs – até África e à Ásia?”;

    “O [pacote de estímulo económico de Obama] [é de imperativa necessidade mas] contraditório: como fazer com que o Estado lidere este processo de mudança se a Dívida dos EUA atinge já hoje valores astronómicos […] especialmente porque terá também que cumprir a promessa de reduzir a carga fiscal sobre as famílias americanas e logo;”

    “Os norte-americanos [têm] uma enorme capacidade recuperar a partir de crises profundas. […] Poder regenerativo muito superior ao da envelhecida e estagnada Europa!;”

    “Se Bush não se interessou pela Europa, então nada indica que Obama seja muito diferente.”

    Adoro estes “reputados especialistas em Relações Internacionais”, CP…

  3. Edomundo

    Poucas pessoas compreenderam a previsão feito por Panarin, os EUA não vai se dividir em estados independentes, na verdade, as zonas de influencia indicado no mapa indica o poder dominante das sociedades secretas estrangeiras (maçonaria, mafia, sociedades secretas) nestas regiões.

  4. Edomundo

    Os EUA vai ser dividido e demarcado por zonas de influencia estrogeira. Em cada zona de influencia indicado no mapa de Panarin, o governo fantoche destas regioes sera governado por sociedades secretas estrangeiras.

    a Russia vai se apropriar do Alaska, Canada e norte dos estates. Os chinas com a costa oeste dos EUA, os latinos no sul, a uniao europeia no atlantico.

    Uma recolonização dos EUA….

  5. Edmundo

    achava q panarin era um bebum q estava de palhaçada, só agora que ui entender..

  6. Edomundo…. sendo a véspera desse dia… ainda não perto do dia de amanhã…
    a hegemonia dos EUA tem os dias contados, mas ainda se passarão muitas décadas em que será a potencia dominante, em todos os aspectos, mas sobretudo no militar.
    Nem mesmo Roma caiu num dia… mas ao longo de 200 anos…

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