Daily Archives: 2009/01/23

O destino de Portugal e a visão profética de Joaquim de Flora

(Joaquim de Flora)

(Joaquim de Flora)

Joaquim de Flora (1135-1202) dividiu em três partes a História do Homem, decalcando-as das três pessoas divinas: Idade do Pai, Idade do Filho e Idade do Espírito Santo. Foi precisamente a convicção do abade cisterciense de que a última Idade ainda não tinha chegado que o tornou herético aos olhos da Igreja. Esta acreditava que após a vinda do tempo da “Lei”, que se interpretava como sendo a Idade do Pai, a Idade do Filho, a época da presença de Cristo entre os Homens e a Era atual, o “tempo da Graça” regido pela Santa Igreja. Flora previa que o ano de 1260 fosse o ano do fim da Idade do Filho, começando a Idade do Espírito Santo imediatamente a seguir.

A inspiração do abade provinha diretamente do Antigo Testamento, nomeadamente de Isaías e na leitura que Daniel fez do sonho do rei Nabucodonossor, sobre a visão da estátua, composta por quatro metais diferentes, em níveis diferentes e representando cada um deles um diferente império mundial. A estátua seria destruída pela “pedra”, entendida aqui com um… “Quinto Império”, origem primeira do termo, aliás. Seria este o império que “nunca seria destruído e cuja soberania jamais passará para outro povo, pois submeterá e aniquilará todos os outros, e subsistirá eternamente” (Daniel, II, 44).

A leitura literal da profecia é anacrónica, pelo que a devemos colocar em contexto, naturalmente. Ou seja se Daniel as encarava como sendo uma antecipação na vitoria de Israel sobre os Estados vizinhos, e se depois Flora a interpretou como uma consagração da vitória do Cristianismo sobre os não-crentes. Depois dele, António Vieira buscaria aqui talvez inspiração para os seus impulsos milenaristas e, certamente – porque o claramente disse e escreveu várias vezes – também Agostinho da Silva encontraria em Flora o fundamento para o movimento religioso, social e até político que surgiu em Portugal no reinado de Dom Dinis, cruzando influencias joaquimitas, com o legado trazido de Aragão pela rainha Isabel com um fundo local de fraternidade e humanidade que estava ainda muito vivo no interior português e que em última instância era até mais antigo em Portugal que o próprio Cristianismo.

A segunda parte, que começa com D. Dinis, é a História do mito do Quinto Império, enquanto a História dos Descobrimentos é, em boa medida, a historia da Demanda do Preste João; nos tempos recentes, a História da nossa Restauração é a Historia do reavivar do mito sebástico e do mito do Quinto Império, como a prova a obra do Padre António Vieira na “História do Futuro”.

Portugal confundir-se-ía assim com os propósitos que levaram Bernardo de Claraval a criar a Ordem do Templo. E assim, os destinos, caminhos e objetivos de Portugal e da Ordem do Templo confundir-se-iam. Portugal seria uma criação para a Ordem do Templo, um “reino templário”, um conceito bem compatível com a defesa insistente feita em Portugal contra o mandato papal que exigia a extinção da Ordem. O projeto templário confundia-se com o projeto português e o grande motor da portugalidade que foi o processo dos Descobrimentos e da Expansão portuguesa. O mito do “Quinto Império” que hoje ainda sobrevive com tanta energia na cultura lusófona é uma persistência desse perdido projeto templário, que se tentou concretizar em Portugal e na sua Expansão e que ainda verá a luz do dia, é nossa convicção e crença firmes.

Fonte:

Lima de Freitas; “Porto do Graal”; Ésquilo

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Categories: História, Mitos e Mistérios, Movimento Internacional Lusófono, Padre António Vieira, Portugal | 5 comentários

O Paquistão confirma a aquisição de 36 aviões chineses J-10

//www.chinatoday.com)

(J-10 chinês in http://www.chinatoday.com)

O Paquistão confirmou a existência de planos para adquirir 36 aviões chineses Chengdu FC-20 (J-10) à sua força aérea. Os aviões deverão começar a ser entregues a partir de 2009 e terminarão logo no ano seguinte equipando duas esquadrilhas e foram escolhidos depois de o Paquistão ter avaliado outras alternativas.

Os J-10 começarão a ser entregues praticamente ao mesmo tempo que o seu “inspirador”, os F-16 de origem norte-americana, agora na versão avançada Block 52M, começam também a ser integrados nas hostes da PAAF.

Fonte:

Air Forces Monthly, janeiro de 2009

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Resposta a M4jor sobre o Neoproteccionismo e as Economias Locais

“O artigo, apesar de muito incompleto, está satisfatório, mas há alguns aspectos que não encaixam, alguns mesmo de contradição.”

-> Um artigo, aqui, nunca pode ser muito longo… Raramente ultrapasso uma página de texto, já que os artigos que violam essa regra raramente são lidos até ao fim pelos cibernautas. Por isso, é resumido, necessariamente e a favor da sua legibilidade…


“Sublinho dois ou três:

“Os mesmos economistas que tão rotundamente falharam em antever esta crise e na fanática defesa da retirada do Estado do seu papel de regulador… Os mesmos que diziam que os mercados funcionavam melhor quando o Estado os deixava em roda livre”

Isto é uma contradição. Acho que o Sr calvis queira dizer e referir-se aos economistas que defendem que o estado seja apenas regulador e não intervencionista. Deixar a roda livre, ou por outras palavras os mercados regularem-se por si só, aniquilando o dispensável e defendendo a livre concorrência e concentração ( inevitável) de capitais, só seria possível com os que “esses” economistas defendem, i.é, o estado regulador não interventivo, directamente, e apenas fiscalizador. Eles não defendem a retirada do Estado em regular e fiscalizar (fanática defesa da retirada do Estado do seu papel de regulador…) mas sim a não intervenção deste directa, criando e desvirtuando por exemplo a livra concorrência, como é o caso por ex da Televisão e receitas de publicidade ( Só é possível à RTP sobreviver e retirar receitas de públicos aos privados, porque apresenta sempre prejuízo e ” nós” é que pagamos; Caso contrário n sobreviveria, também com tanta incompetência, ou para dar prejuízo tinha de fazer para o que foi criada: serviço público), dentre outros.”

-> Refiro.me aqueles economistas que conseguiram fazer introduzir como “pensamento único” que a qualquer regulação é sempre prejudicial ao são andamento das economias. Tempos houve (2007) em que não havia telejornal em que não aparecia alguma dessas eminências pardas proclamando as virtudes da desregulação e como o Estado e os serviços sociais asfixiavam o bom andamento das economias. Esses senhores idolatravam Milton Friedman e a sua escolha de Hong Kong como o “paraíso económico sobre-a-Terra” porque aqui o Estado mínimo (a Minarquia) era o modelo ideal de organização das sociedades. Estes senhores são os mesmos que agora culpam o excesso de desregulação (que curiosamente recua até Clinton, um presidente mais admirado do que merece) e que defendem as intervenções com dinheiros públicos para salvar o moribundo sector financeiro.

-> A roda livre só existia de forma absoluta nos mercados de derivados e em aplicações financeiras muito obscuras. No resto, sempre houve alguma regulação. O que não havia era vontade política e capacidade operativa por parte dos Governos e dos Bancos Centrais para regular, tamanha era a força e energia dos defensores da desregulação. Neste aspecto, veja-se por exemplo o caso do Banco de Vítor Constâncio: porque demorou tantos meses a analisar indícios fortes de dolo e má conduta do BPN e do BCP? Aqui a falta de vontade (ideológica) juntou-se à crassa incompetência (de Constâncio e da sua equipa mais próxima).

“A Segunda grande contradição do Sr clavis é a questão geral do proteccionismo. Ao aplicármos, o Sr clavis contradiz-se nas questões, por exemplo da agricultura de África. Se ficaríamos protegidos da entrada de produtos chineses, afundaríamos dezenas de economias africanas. No continente Americano surgira tb em relação à América do Sul e por aí fora. Há, de facto alguma veracidade no caos teórico.

A única solução, a meu ver e tb do Sr Clavis, é o consumo interno de produtos nacionais. Será impossível consumir-se 100%, ou mesmo 50%, mas ao tapar a cabeça destapa-se os pés. É impossível uma solução satisfatória para todos deste assunto, porque ele é dinheiro e dinheiro nunca foi unânime nem justo.”
-> Nesta questão admito que não tenho uma posição muito habitual. Sou adepto de uma forma nova de neoproteccionismo simultaneamente ética e local. Ética porque não reconheço “comércio livre” nos mecanismos artificiosos que a China (por exemplo) utiliza para potenciar as suas exportações, como subsídios diretos à exportação, dumping remuneratório e extensas cargas horárias, para além de uma escassa cobertura legal para os direitos laborais dos trabalhadores chineses. O mesmo estendo para a União Europeia que subsidia os seus produtos agrícolas e prefere exportar “de graça” os seus excedentes agrícolas para África, aniquilando assim as débeis agriculturas africanas. De um lado, deve impôr-se aos países que exportam o mesmo tipo de coberturas laborais, humanas e ecológicas do que os países para onde exportam. Do outro, os subsídios à produção devem ser limitados a sectores estratégicos e vitais de forma a não afogar as capacidades locais de produção autónoma. Em suma, exportar sim, mas éticamente. Em sempre de forma coadjuvada e sucedânea, mantendo sempre o grosso da produção das necessidades locais, nas economias locais e regionais. Consumir localmente, aqui que é produzido localmente, e complementar estas lacunas com exportações éticas, essa é a minha visão, a qual, aliás, não é nada original (ver AQUI). Obviamente que isso implicaria um recentramento dos padrões de consumo e das expectativas de vida que só poderia (para ser sustentável) vir de dentro dos indíviduos, das “revoluções interiores” de Agostinho e não impostas a partir de fora, por Lei ou por ditadura. O consumo, ele próprio, teria que mudar. De mera expressão de vida, para suplemento acessório para renovadas formas de vida onde a Criação, a Cultura e a vida interior assumiriam um papel que nestas sociedades consumistas e egocêntricas da atualidade já não têm lugar.
Categories: E. F. Schumacher Society, Economia | 7 comentários

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