Sobre o grave problema de natalidade europeia

A Europa tem um sério problema de natalidade, já todos o sabíamos. Mas um estudo do Instituto Max Planck de Rostock (Alemanha) expôs que o problema assume hoje uma escala ainda maior do que muitos pensavam… A Alemanha, por exemplo, tem uma taxa de natalidade inferior a 1,5 filhos por casal, o mesmo valor que abrange 3/4 de todos os europeus. Mas de facto, nem o quarto remanescente esteja nos níveis necessários para repor a mortalidade da população… Ou seja, todos os países europeus estão bem abaixo do chamado “índice de substituição” de 2,1 filhos por mulher, que para os demógrafos significa que um país tem a capacidade de substituir os seus mortos com nascimentos. Os países com maiores natalidades são a Franca – que alias alcançou um valor recorde em 2008 – e o Reino Unido, em grande medida devido aos fluxos migratórios que recebem todos os anos. Os piores são os de língua germânica, com taxas rondando os 1,3.

O estudo encontra nos elevados níveis de qualificação académica e profissional os maiores responsáveis pela crise demográfica europeia, já que os europeus estudam mais anos e adiam consequentemente o estabelecimento de famílias. Perdem assim entre cinco a dez anos de fertilidade e isto tem um impacto estatístico muito significativo. Outros factores existem, contudo, como o aumento da taxa de empregabilidade feminina.

A Europa não está contudo condenada necessariamente à extinção. O exemplo dos países escandinavos demonstra que através de políticas consequentes e temporalmente extensas é possível reverter o fenómeno. Aqui, as infra-estruturas de apoio à Educação são mais desenvolvidas do que no resto da Europa e existe uma tradição longamente estabelecida de os homens participarem mais na educação dos seus filhos do que no resto do continente. Por esta razão, a Escandinávia logrou chegar ao nível de substituição ainda na década de sessenta. Os países do sul, como Portugal, têm uma situação demográfica igualmente preocupante, mas não tão grave como os do norte. De qualquer forma todos precisam de um novo enfoque nas políticas de incentivo demográfico, de forma continuada e sistemática e transversal a todos os rotativismos governamentais que possam ir acontecendo nos próximos anos. E de permeio, a imigração deve ser acalentada e protegida como a derradeira salvaguarda contra este ermamento demográfico que assola presentemente o continente europeu.

Fonte:
www.dw-world.de

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Categories: Política Internacional, Política Nacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Portuguesa | 11 comentários

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11 thoughts on “Sobre o grave problema de natalidade europeia

  1. pedronunesnomundo

    Meu caro, quanto à viabilidade demográfica da Europa, tenho as maiores dúvidas.
    (E quem diz “da Europa”, diz “do Ocidente”…)
    E podemos ficar apenas pela…”viabilidade”. Ponto.

    O paradigma de sociedade que hoje vivemos (e viveremos bons anos) é o do deslumbre Moderno, transformado em hedonismo Contemporâneo.

    Desde que no século XIX a indústria – e depois a tecnologia – prometeu às sociedades “democráticas” ocidentais que o que a ciência alcançasse estava garantido ao universo dos Homens – o que até então era socialmente proibitivo – que o homem (com minúscula) vive centrado em si mesmo.

    Falo em sociedades “democráticas” com aspas porque o Ocidente não teve tempo de amadurecer uma vivência democrática moderna, tão depressa chegaram períodos de guerras, reconstruções, guerras, reconstruções, numa espiral de depressões e refloresceres económicos que colocaram o bem-estar material na mão de povos democráticos-adolescentes.

    …Que o que queriam (e querem) era comer e gozar a vida com saúde, tal como lho prometera o maravilhoso progresso universal.

    Por isso – mais nuns casos que noutros – os povos ocidentais ainda estão numa onda de “curtir” a paz e a abundância – casamento?!?!, filhos?!?!, família?!?!, não me dão nada que eu já não tenha e impedem-me de viver o que me apetece!

    Por isso a sobrevivência cultural da Europa – e do Ocidente – está em risco. (Se os políticos não se mexerem!)

    A solução para um desaparecimento do mapa a médio prazo é a importação de população para dentro de fronteiras que já a não têm.
    População que traz a sua própria cultura.
    Que por acaso até pode ser “um bocadinho” incompatível com a do seu anfitrião.
    E que é “tolerada” e “integrada” porque o anfitrião tem uma looooooonga é profunda experiência de “democracia” – que por acaso o levou à beira da extinção.

    Até ao ponto em que o equilíbrio expectável entre “o povo que acolhe” e o “povo que é acolhido” atinge a ruptura e já não é líquido quem controla demograficamente quem.
    (Porque é normalmente a demografia que prevalece.)

    http://www.foxnews.com/story/0,2933,139614,00.html
    (Sorry pelo link…)

    …E se “por acaso” a cultura dos povos “acolhidos” for de tipo expansionista? E se “por acaso” apenas espera uma brecha deste tipo para uma rotação cultural total no terreno de implantação?

    Julgo honestamente que aí reside um perigo real.

    …Que para a Europa a demografia só representa uma porta.

  2. E o caso do Brasil que tem tres cultura integradas, Lusa, nativa e negra, sem contar outras dezenas,e esse hedonismo,também vai trazer problemas ao BRASIL nos próximos 30/40 anos, por baixa natalidade(1/2 filho a metade eu ainda vi andando por ai) O negocio é o incentico financeiro como na índia , p/ gerar mulheres..cara como é fazer “amor ” na india /china?Vai ocorrer no BRASIL e tem de ocorrer na europa…caso contrario..Veja a Rússia, tem tão baixa popúlação, que está incentivando a natalidade..é os Sinos vão bicar suas terras; questão de tempo .E o preço do bom nível de vida, o “Hedonismo “, o primeiro, eu, eu e depois eu..

  3. vejamos o maior exemplo de integração de populações exteriores à Europa que a História regista:
    as “invasões” bárbaras dos século IV e V d.C.
    Estas foram lentas (muito mais lentas do que faz presumir o uso do termo “invasões”) e geralmente pacíficas já que romanos e bárbaros se foram mesclando até um ponto em que eram praticamente indistinguíveis no final do século V.
    O processo foi geralmente pacífico e não perturbou tanto as cidades e as comunidades rurais como se acreditou até recentemente.
    É isso que irá acontecer, agora, com as “novas invasões”. Um processo lento, de assimilação, de sincretismo cultural que no final irá produzir turbulência social no pico da mesclagem mas que no fim produzirá uma nova Alta Idade Média que potenciou muito o período de crescimento a todos os níveis que hoje conhecemos como Renascimento Europeu (com os nossos Descobrimentos).

  4. Eu acredito que em + 30/50 anos seremos um povo de caracteristica moreno , no BRASIL; e com > população, vamos influênciar o resto da américa do sul..eu ainda ñ vi esse meio filho andando pelo BRASIL, + UM EU JÁ VI EM MT FAMILIAS.E a culturas prsentes vão ser assimiladas ,na europa, como foram aqui por nós, BRASUCAS.no fiNAL TD FICA BEM td acabam ganhando, sangue novo, e + crianças..e a vida com seus ciclos.

  5. há estudos que dizem que daqui a 200 ou 300 anos, não haverá raças… (os mesmos que dão como certa a extinção das “louras” daqui a 50 anos, devido aos seus genes recessivos).
    A ser assim, a atual população brasileira (das mais mescladas do mundo de hoje) poderá ser uma espécie de antevisão dessa “raça de todas as raças” do futuro…

  6. Sr. Clavis , eu pensei em abordar esse estudo, + contive- me por ser o mesmo mt ousado, + é isso mesmo, seremos uma única é só raça, outra vez, será pura monotonia de novo; .espero q seja melhor p/ todos…quem vamos eleger como “O Outro”?

  7. alguém dentro de nós próprios, suponho…. ou alguém da mesma raça (multiraça), mas na fronteira ao lado ou de uma outra religião…
    infelizmente haverá sempre “outros”, receio bem…

  8. pedronunesnomundo

    “O maior exemplo de integração de populações exteriores à Europa que a História regista:
    as “invasões” bárbaras[…]. Estas foram lentas […] e geralmente pacíficas já que romanos e bárbaros se foram mesclando até um ponto em que eram praticamente indistinguíveis no final do século V.
    […] É isso que irá acontecer, agora, com as “novas invasões”.

    Permito-me discordar, CP.
    Acho que não é mesmo nada disso que vai acontecer.

    Essa “mescla” costuma ser argumento para as mais permissivas propostas de escancaramento de fronteiras e se calhar, do ponto de vista da pura sobrevivência do Homem sobre a Terra, pode ser um bom princípio.
    “Falta aqui, tira-se de acolá. Distribui. Sem dramas.”

    Só que a Europa, como todo, não é um Portugal – que mesmo esse já terá acabado – autêntico tubo de ensaio para esse cruzamento de raças, culturas, destinos… como o meu amigo tenazmente defende: LUSÓFONOS.
    E não nos demos durante muito tempo assim muito mal.

    O que acontece é que se os bárbaros (com a sua bagagem) foram assimilados no vastíssimo Império Romano, não resta dúvida que da mescla sempre sobressaiu até aos dias de hoje a herança clássica.

    Hoje:
    1º ao ritmo a que a “mescla” se produz, a matriz de cultura europeia não vai sobreviver à injecção torrencial e convulsa das culturas contraditórias que a ocupam pacificamente, arriscando a não prevalecer como o “latim”, como o “Direito”, etc, conseguiram prevalecer desde Roma;
    2º os bárbaros que infiltraram o IR tinham a pretensão humana clássica de expansão territorial – o que já não é nada mau – hoje, muitos dos povos que se deslocam em massa para a Europa transportam consigo uma filosofia de vida que se OPÕE à da própria Europa, mais, que tem como objectivo derrubar os princípios em que a Europa se funda, não querendo ser “indistintos de nós” – e falo objectivamente de povos muçulmanos.

    A comparação, por isso, que mais me ocorre perante as “novas invasões” a que assistimos e seu desenlace é a sã “mescla” entre cristãos e muçulmanos que observámos para aí entre os séculos V e XV…

    …Infelizmente.

  9. embora admita algumas reticências quanto à capacidade (e vontade) da civilização islâmica (religião e cultura) ser capaz de se integrar em qualquer meio exógeno, incluindo o da matriz judaico-cristão da “Europa” e indiretamente de Portugal, o certo é que me refiro neste contexto a outras matrizes culturais, como a africana e a do leste europeu.
    Ou seja, a mesclagem com povos africanos (que comungam das mesmas línguas, religiões e valores) tem sido fácil na generalidade dos casos e dos países. E o mesmo diria dos povos eslavos que têm afluído em número crescente à Europa, com as suas matrizes ortodoxas e com laços económicos próximos da Alemanha Central e religiosos próximos da Grécia.

    Em suma, concordo com as tuas reticências quanto aos migrantes islâmicos do RU e de França (p.ex.), mas discordo da extensão destas reservas quanto às demais populações.

    O segredo essencial será o de deixar que se produzam multiculturalismos e interações entre civilizações no seio da Europa. E de facto, quer num quer no outro aspecto, o Islão não é particularmente receptivo.

  10. Srs. possívelmente , estamos sendo um pouco medrosos, pela presença do “outro”, I.E.os islamitas; a história registra a sua presença por + 600 anos na peninsula Íberica, é ñ foi tão nefasta assim,e+ ,e uma invasão em que , se os pais mantem suas tradições, seus filhos às mantem de maneira próforma. E com certeza vai enriquecer a cultura local, nativa. A história diz que todos ganham , ao final.

  11. 1232

    a tanto fas

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