O futuro dos EUA no Espaço: Cooperação com empresas privadas? (SpaceX e Orbital)

A “Estação Espacial Internacional” (ISS) depende de abastecimentos regulares em ar, água e comida para os seus tripulantes, além de combustível para se manter em órbita estável. Por isso, com a retirada de circulação dos últimos 3 Shuttles em 2010 os EUA deixarão de poder participar nesses vitais abastecimentos. Na altura, os astronautas norte-americanos a bordo da Estação vão depender dos russos para chegar e sair da ISS, mas também do ar, água e da comida trazida pelos cargueiros Progress russos… Suprema humilhação.

Os atrasos do novo lançador dos EUA, o duo Ares-Orion, fazem com que este esteja apenas disponível a partir de 2015 e com o Shuttle fora de serviço em 2010 isso implica cinco anos sem capacidade de lançamentos tripulados. De facto, a coisa é ainda mais grave, porque em abril do ano passado, a NASA informou o Congresso dos EUA que deixaria de comprar espaço nos cargueiros russos Progress a partir de 2011. Assim, e com a NASA fora da equação, restam a ESA europeia com os seus ATVs e o Japão. Ou então, opções privadas de empresas norte-americanas. A NASA em 2006 tinha aberto a possibilidade de empresas particulares desenvolverem um sistema próprio para enviar abastecimentos para a ISS. Em dezembro de 2008, a NASA seleccionou duas empresas, a SpaceX e a Orbital Sciences Corporation para essa tarefa, algo que terão que começar a fazer a partir de 2016.

Elon Musk da SpaceX afirmou que “mesmo quando o Ares-Orion estiver pronto, é desperdício usá-lo para abastecer a Estação. Será incrivelmente dispendioso. Assim a NASA olhou para o sector privado para resolver o problema.”

A SpaceX vai abastecer a ISS com uma versão do seu foguetão Falcon 9, um lançador capaz de colocar quase 10 toneladas de carga útil em órbitas baixas.

//www.skyrocket.de)

(O Taurus 2 in http://www.skyrocket.de)

O Falcon 9 será capaz de colocar em órbita a cápsula Dragon, com três metros e meio de diâmetro, transportando até 2500 kg de carga ou uma tripulação de até sete astronautas. A Dragon regressará à Terra recorrendo a paraquedas para refrear a sua queda até uma amaragem, usando o mesmo método que as cápsulas Apollo. O foguetão Falcon 9 colocará o Dragon em órbita após o que este manobrará de forma autónoma até chegar à ISS. A cápsula estará equipada com uma torre de fuga, de garantirá a ejecção da Dragon em caso de anomalia séria com o foguetão lançador.

O primeiro teste real com o par Falcon 9-Dragon terá lugar em 2010, com uma missão real ainda no mesmo ano, de acordo com os planos da SpaceX.

Além da SpaceX, também a Orbital Sciences Corporation tem uma solução para o envio de abastecimentos para a ISS. A sua solução consiste no foguetão Taurus 2 e da cápsula Cygnus. Contudo, a Cygnus será muito mais limitada do que a Dragon da SpaceX, já que não foi concebida para transportar astronautas para o Espaço, apenas carga útil. A capsula da Orbital poderá transportar até duas toneladas, com módulos pressurizados e despressurizados, como o ATV europeu. Como a SpaceX, a empresa espera realizar o seu primeiro teste na última parte de 2010. O Taurus 2 encontra as suas origens no reputado e fiável foguetão Delta 2, que deixará de ser usado por volta de 2010 e substituído pelos Atlas 5 e pelo Delta 4.

Estas duas soluções, que são perfeitamente compatíveis entre si poderão conceder à NASA os meios suficientes para manter a sua presença autónoma no Espaço e garantir a transição a partir do Shuttle… Poderão até constituir uma alternativa viável mas mais ligeira e menos onerosa aos sistemas atuais da NASA…

Fonte:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/7800721.stm

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