Da teimosia do Banco Central Europeu quanto às taxas de juro

“Apesar de Jean-Claude Trichet ter, nas suas últimas intervenções, dado a entender que o BCE quer evitar, depois de três cortes de taxas de juro consecutivas, a continuação de uma descida tão rápida do preço do dinheiro, os indicadores poderão obrigar o banco central a atuar mais cedo.”

Ou seja, o presidente do BCE não quer descer a taxa de juro. As circunstancias – esmagadoras pela sua evidencia – talvez o levem a desviar mais alguns milímetros da sua sacrossanta deriva dogmática e de uma defesa canina da inflação. Mas é apenas isso. Cego pelos dogmas do neoliberalismo o francês deixou que a Europa mergulhasse na recessão quando em meados do ano passado, já os EUA estavam a descer as suas taxas de juro violentamente e o BCE as mantinha em valores exageradamente altos. O erro de então não as ter descido terá agravado o risco de recessão na Europa e a Historia ainda há de cobrar ao Francês a ineptitude desta inacção.

“Por um lado, a variação homologa do credito concedido ao sector privado na Zona Euro voltou a abrandar em novembro, passando de 7,8 para 7,1, a 11a descida consecutiva. Isto mostra que as famílias e as empresas estão a sentir crescentes dificuldades em obter empréstimos.”

Isto quer dizer que apesar de massivas injecções de capitais públicos, da entrada do Estado em muitos dos maiores bancos do continente estes continuam a não colocar nos cidadãos e nas empresas os essenciais capitais. O dinheiro existe e sempre existiu, mas continua a ser dedicado maioritariamente a grandes operações especulativas de muito curto prazo nalgumas das maiores Bolsas mundiais…

“A taxa de inflação homóloga na Alemanha passou de 1,4 para 1,1 por cento em dezembro, mostrando que as pressões inflacionistas deixaram de ser, para já, um problema.”

E sendo a Alemanha a maior economia europeia, este movimento descendente da inflação será propagado por toda a economia da União Europeia. O ritmo da inflação, a escassez de dinheiro, a relutância da Banca em conceder empréstimos aos particulares e empresas apesar de todas as múltiplas injecções de capitais públicos, mas sobretudo a retração do Emprego, as falências e reduções de pessoal e até as novas dificuldades sentidas por muitas empresas de retalho que se batem inutilmente contra a quebra de confiança dos consumidores e contra a redução do consumo privado provocado pela multiplicação do número de desempregados. Todos estes factores contribuem para a descida da inflação, lideradas pela descida dos preços do petróleo. Estamos assim perante a seria possibilidade de deflação na Europa. E é preciso saber que deflação em período recessivo é a pior combinação concebível… Garantia certa de pelo menos dez anos de depressão e confirmação plena de que estamos perante a maior e mais profunda crise económica das nossas vidas.

Fonte:

Rosa Soares e Sérgio Amaral

Público de 31 de dezembro de 2009

os ára

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Categories: Economia | Etiquetas: , | 2 comentários

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2 thoughts on “Da teimosia do Banco Central Europeu quanto às taxas de juro

  1. fenix

    Os neocapitalistas mandam bce e na europa nos o povo e pobres é que temos lutar e digo lutar mesmo porque isto já não lá vai com voto´s está tudo vociado vales eurosmilhoes europeos que é so pra alguns.

  2. é a velha história: controlando o fluxo do dinheiro, controlam as sociedades.
    Quem elegeu estes senhores do BCE????

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