Resposta a comentário deixado por “el gordo” sobre Portugal e o Brasil

Resposta a comentário deixado AQUI por “el gordo” em 11 de Novembro:

“Estando à procura de informação sobre o projecto FX2 sobre o rearmamento da força aérea Brazileira vi alguns comentários e dúvidas sobre o relacionamento entre Portugueses e Brasileiros .

Como português quero deixar o seguinte testemunho :
-Portugal e os portugueses não olham para o Brazil como alguma ex-colónia nem tão pouco com alguma superioridade.”

> Essa é a grande vantagem do tempo… A memória coletiva da colonização portuguesa no Brasil, dois séculos e meio volvidos é já ténue… E sobretudo se tivermos em conta que não se tratou de uma verdadeira “colonização”, não ao modelo aplicado pelas potencias europeias em África e até por Portugal até 1974, mas de uma verdadeira transferência da portugalidade, de milhões de emigrantes e de uma fusão efetiva que durante grande parte da presença de Portugal no Brasil, tornou a “colónia” mais num “reino duplo”, do que numa mera colónia… Só assim se explica a única (na História europeia) transferência de capital para o Rio de Janeiro e as propostas vieirinas de retirada de Portugal continental para o “Portugal brasileiro”, em troca de uma paz com a Holanda.
“-A grande maioria dos portugueses considera o Brazil como Pais irmão e a história o confirma.”

> Não havendo nenhum outra antiga potencia colonial que tenha hoje uma relação emocional tão profunda, tão destituída de traumas e complexos como aquela que une hoje Portugal e o Brasil. Isto deve-se em grande medida à relativamente grande distância temporal e geográfica entre os dois países. A primeira eliminou os derradeiros recalcamentos de um processo imperial e a segunda reduziu ao mínimo os contactos económicos e demográficos durante muitos dos últimos decénios. Só recentemente, mercê da utilização da Internet e da Globalização é que os dois países se tornaram a reencontrar e esta reaproximação é provavelmente um dos fenómenos sociais mais interessantes da atualidade.

“-O facto é que Portugal aderiu á EU e está fisicamente mais perto desta realidade pelo que a atenção imediata dos portugueses se reflete nesta realidade.”

> Fisicamente e pela nossa extensa fronteira com Espanha, e até pela grande densidade das relações económicas atuais, Portugal é, em primeiro lugar um país europeu. Sem dúvida. Mas sempre faltou à Euriopa “alma” no sentido em que as uniões políticas e económicas se têm que fundar primeiro no terreno das mentalidades e da comunhão de sentimentos, de pertença, enfinm, a uma “coisa única”. A Europa não conseguiu forjar esse sentimento, porque nunca soube (ou pôde) sair do campo dos interesses económicos de curto prazo… Uma coisa será assim a “realidade física” outra – bem mais forte e duradoura – será a “realidade mental”.  E esta é hoje bem mais forte entre os diversos povos da lusofonia, do que entre por exemplo letões, finlandeses e… espanhóis ou portugueses.

“-Portugal , com os seus 10 milhões de hab. não tem nem orçamento nem dimensão para se “meter” em projectos militares só por simpatia , se bem que gostaria que a comunidade PALOP e a união lusofona fosse um facto isto é uma realidade dificil e Portugal tem de olhar a custos na suas aquisições , talv. por isso vá decidir-se pelo A-400M da airbus”

> Nunca tal deve ser feito. Qualquer projeto militar deve seguir critérios fundamentais como: a utilidade efetiva para o tipo de missões a cumprir; a transferência de tecnologia e a existência de contrapartidas industriais concretas e mensuráveis. No caso do C390, da Embraer, estas podem existir. A empresa brasileira já detém parte das OGMA e vai construir fábricas de componentes aeronáuticos em Évora. Cumpre assim, o terceiro requisito. O segundo pode provir através da concepção de alguns sistemas deste avião – ainda em desenvolvimento – por universidades portuguesas, ou nas OGMA. Quanto ao primeiro critério, o da utilidade, ninguém pode deixar de admitir que os C-130H da FAP não poderão manter-se em serviço muitos mais anos… E que os recentemente adquiridos CN295 espanhóis não podem cumprir o mesmo tipo de missões. Falta então um transportador médio. O A400M se conseguir mesmo realizar as suas promessas por um preço razoável (o que não acontece atualmente) poderia ser essa solução, mas o seu preço unitário torna-o um “avião dos ricos”, o que não é manifestamente o caso de Portugal… Daí a necessidade de olhar para outras alternativas, onde se encontra facilmente esta nova opção brasileira, oriunda da empresa que já é a quarta maior construtora aeronáutica do mundo, a Embraer.


“- O Brazil é feito de uma parte do corpo de Portugal , quem decretou a sua independencia foram filhos de Portugal e até um principe português , a guerra de independencia foi não mais que uma guerra interna , entre irmãos . Claro que agora o Brazil é mt mais , a imigração , o fim da escravatura e outras condicionantes levaram a que a pop. brazileira seja hoje uma mescla de entidades mas o mais engraçado é que são unidas sobre uma cultura única , em parte herdada da cultura portuguesa e da capacidade portuguesa de receber e integrar .
Na verdade , nós Portugueses só não torcemos pelo Brazil qd Portugal joga …eheh.

De qq modo , espero que o vosso programa de desenvolvimento militar avance , não páre mas uma x e espero que daqui a 10 anos o Brazil esteja a desenvolver os seus própios projectos de caças aeronáuticos , a enviar naves ao espaço , a patrulhar as suas águas territoriais e rotas comerciais com equip. por si desenvolvido . Existe capacidade e know-How , á q aproveitar …”
> A independência do Brasil tem uma certa de idiossincrasias que não se encontram em mais nenhuma história do colonialismo europeu… São essas diferenças a grande força que ainda hoje subsiste da ligação entre Portugal e o Brasil. É a natureza destes relacionamento especial – descomplexado de pudores pós-coloniais – que urge aproveitar para fazer saltar esta relação única até um novo patamar… O professor Agostinho da Silva, na década de 60, quando estava exilado em Brasília, escrevia interrogando-se sobre porque é que Portugal não poderia integrar-se na federação brasileira… Talvez não fossemos hoje tão longe… Mas porque não sonhar com uma confederação entre Portugal e o Brasil, capaz de dar a Portugal os largos horizontes que são um seu traço histórico e ao Brasil a plataforma de entrada na Europa que lhe falta para poder finalmente ombrear lado a lado com os grandes deste mundo?

Categories: Brasil, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 15 comentários

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15 thoughts on “Resposta a comentário deixado por “el gordo” sobre Portugal e o Brasil

  1. Pegasus

    Se eu fosse colocar aqui os pros e contras da colonização portuguesa, poderia ofender alguns patricios, vamos manter o pensamento no mundo atual que é melhor, existem certas feridas que é melhor que continuem com suas cascas, ser evoluido significa muitas vezes passar por cima de algumas coisas, nao gostaria de ir a fundo nisso.

  2. Somo donos de nossas vidas quer como nação ou pessoal, e graçlas aos luzitanos, “Somos esse povo micigenado” é um dos mais alegres e concientes das américas…deixe p/ a história , valeu sr.Pegasus.

  3. Rogério Loureiro

    Brazil e Portugal.

    Somente as águas dos Oceanos nos separam.

    Em nossas almas, temos o sentimento unificado de que podemos superar todos os outros pontos em nome de nossos povos irmãos, sejam estes pontos do passado ou do presente.

    OBS. Isso não vale para o Futebol.
    Rsrsr…..

    Abraços aos irmãos Portuguêses.
    Rogério Loureiro – São Paulo – Brazil.

  4. Lêia-se miscigenados…isso e BRASILeiros, eu , meus filhos todos de alhos azul e verdes e castanhso claros e bisavó ashinca….meu país.

  5. fenix

    Nós filhos de Portugal pedimos desculpas a todos os povos lusofonos pela da colonisação portuguesa ouve muitos erros que fazem parte do passado.Hojé o mundo é feito de encontros entre irmãos de encontros de familias separadas pelos nacionalismos que no dividiram ou que nos quiseram dividir.Mas no nosso coração lusofono esse nunca foi dividido nos somos algo maior que qualquer nacionalismo somos a união de irmãos por algo comum somos uma familia.

  6. el magro

    A corrupção e descaso da elite brasileira é uma herança da colonização portuguesa. Se fossemos colonizados pelos italianos, alemães, espanhóis etc, estariamos financeira, tecnológica, educacional e culturalmente muito melhor hoje.

    Há quem diga que os portugueses são amigáveis,…discordo plenamente, a elite portuguesa foram equivalentes aos espanhóis em termos de genocídio e racissmo praticados contra indios, negros e alguns emigrantes. Uma reaproximação, pra que? Portugal não tem condições de sobreviver sozinho e necessitam do Brasil por causa das nossas riquezas. Mesmo assim nunca senti rancor do Portugal.

  7. el magro

    se existe algo que me deixa muito irritado é o fato de Portugal ter saqueado muito do Brasil, apesar disoo permanece pobre e insignificante…penso como é possível ser tão incompetente? Com toda essa riqueza conquistado, Portugal deveria ser uma potência……

  8. Pegasus

    Caro El Magro
    Acho que temos aqui um problema de complexo de colonização, voce tem que entender que o que portugal fez era o corrente para a epoca, todas as potencias colonizadoras fizeram o mesmo e se ser colonizado por outros paises é melhor, porque a Guiana francesa não se emancipa e vira uma potencia ou outras nações do terceiro mundo que foram colonizadas pelos Holandeses ou outras culturas ditas refinadas não se desenvolveram???
    Quem levou uma quantidade de ouro absurda das americas foram os Espanhois e nem por isso são uma potencia dominante hoje.
    O progresso do Brasil teveria ter começado com sua independencia no seculo 19 pois ainda dispunha e ainda dispõe de vastos recursos agricolas e minerais.
    Se ha alguem a culpar, é nossa cupula politica que mantem nosso pais de joelhos para assim poderem roubarem mais e passarem o podem para os seus por gerações.
    Portugal talvez, tenha sido o menos lesivo ao nosso pais, por não o ter sugado ate a exaustão e ter sido uma das independencias mais faceis das americas.
    Se o Brasil esta nessa situação a mais de um seculo é porque a elite assim o fez, e não é uma herança portuguesa, pois os que comandaram e comandam tiveram educação no exterior e podereriam ter mudado sua visão de desenvolvimento a muito tempo.

  9. Fenix

    Eu sou a Favor de uma união lusofona não para esplorar os outros paises lusofonos mas para nos ajudarmos mutomente com economia locais podenmos transformar a pobreza em riqueza transformando mentalidades nacionalistas em coperativas locais pequenas mas que no sei conjunto estão mais perto dos sei “das pessoas”e criando um global de paz de riqueza para todos de ser o quisermos sem esqueser os outros.Criar pontes para o quinto imperio aquele que não é portugues mas de todos os lusofonos.Mudando politicas relegioes descentralizar. Portugal também podia viver sozinho no sei canto como até aqui ou na comunidade europea mas não seria completo não teria alma e alma não é riqueza que alguns tem mas que outros não são os sonhos das ilhas dos amores de camões que brazil é exemplo mas não completo do orizonte africanos bembimca de timor das pessoas de tantas cores que falam portugues esses dos cinco continentes dos imegrantes lusofonos que saiem da sua terra á procura de uma vida melhor porque na sua terra passam fome.Do ser universal e ao mesmo tempo local. Do portugues lingua que presisa ser defendida como um tesouro lusofono.

  10. Fenix

    Concordo com com o Pegasus.Culturalmente, o reinado de D. João V tem aspectos de interesse. O barroco manifesta-se na arquitectura, mobiliário, talha, azulejo e ourivesaria, com grande riqueza. No campo filosófico surge Luís António Verney com o Verdadeiro Método de Estudar e, no campo literário, António José da Silva.

    Foi fundada a Real Academia Portuguesa de História e a ópera italiana introduzida em Portugal.

    O nome do rei está ligado ao do Aqueduto das Águas Livres, para o regular abastecimento de água de Lisboa, que trouxe água de Belas. Teve início em 1731 mas só mostraria sua completa imagem sob D. José I de Portugal. Assim como, foi responsável pela construção do Real Convento de Mafra Palácio Nacional de Mafra palacio_Nacional_de_Mafra). Tornou-se no mais importante monumento do barroco português, cuja direcção da obra coube a João Frederico Ludovice, ourives alemão, com formação de arquitectura em Itália. As obras iniciaram-se em 1717. A 22 de Outubro de 1730, dia do 41º aniversário do rei, procedeu-se à sagração da basílica.Foi para onde foi o uro do brazil.

  11. É isso aíh, “pela UNIÃO Lusofóna”…+ as normas internas da UE permitiram tal coisa?Já verificaram? Portugal é , na prática, um estado europeu , desta união…certo!? É válido tal pensamento, ñ custa tentar.

  12. A UE que se dane. Mas não há normas internas explícitas que impeçam uma união política de um dos seus membros com uma nação terceira, ainda que isso provocasse certamente alguma celeuma.
    De qualquer forma isso não importa: a UE está esgotada e nunca teve a “alma” que precisa para sobreviver a um crescimento tão grande, sem a devida sustentação nacional (não há ainda nenhuma “nação ou pátria” europeia, e nunca havera, apenas um feixe transitório e economicista de interesses de curta duração)

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  14. vladimir de souza melo

    longa vida ao Brasil e a Portugal! Nunca nos separaremos!

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