Daily Archives: 2009/01/11

Barack Obama e uma Estratégia para o Espaço: Algumas especulações

Como se irá portar a nova Administração Obama no campo da Exploração do Espaço? Na sua campanha eleitoral, este tema não foi praticamente abordado, o que é compreensível tendo em conta a escala dos problemas com a Economia e com a Guerra contra o Terrorismo no Iraque e no Afeganistão.

Os atuais problemas orçamentais norte-americanos e a dimensão astronómica (um termo aqui empregue bem em contexto) de mais de 10,6 triliões de dólares  significam que a NASA não pode contar com dotações generosas nos próximos anos… Isto quer dizer que o “regresso à Lua”, anunciado pelo antigo e muito impopular presidente Bush em 2004. Ou seja, o então descrito plano de reforçar a política espacial dos EUA do par Shuttle-ISS para o novo sistema Ares em dez anos e para um regresso à Lua em dezasseis poderá agora ser posto em causa. É que os 12 biliões a gastar entre 2008 e 2013 poderão simplesmente não existir, já que apenas 1 bilião vem diretamente no orçamento da NASA, o que significa que 11 biliões teriam que ser transferidos do orçamento federal (o orçamento da NASA representa hoje apenas 1% do orçamento dos EUA). Parece muito, mas logo em 2004, muitos colocaram em dúvida o realismo desta estimativa, avaliando o projeto como subavaliado. Não parece credível que os EUA se retirem do Espaço, nem que abdiquem de manter meios de lançamento de missões tripuladas autónomas. Portanto, o projeto Constellation deve sobreviver… Ainda que desprovido das verbas necessárias para o seu bom andamento. É contudo provável que a presença dos EUA na ISS seja reavaliada a partir de 2010. A ISS é um projeto muito devorador, é certo. Em 2000 estimava-se que tinha custado aos EUA já mais de 100 biliões de dólares, assim repartidos:
Concepção inicial: 10 biliões
Equipamento: 25 biliões
Lançamentos do Shuttle: 20 biliões
Manutenção: 41 biliões

Ou seja, há muito para reavaliar… O custo da ISS deveria ser reavaliado e comparado com os benefícios que dela se retiram. Por exemplo, enquanto os russos conseguiam fazer com que a Mir custasse apenas 4,3 biliões de dólares, mantendo os mesmos três tripulantes que hoje ocupam a ISS!

A anterior Administração Bush reduziu o orçamento da NASA e abriu a porta à participação de empresas privadas como a SpaceX e a Orbital em projetos federais. Havia desperdícios e anacrónicos métodos de gestão herdados dos tempos da corrida ao Espaço com os soviéticos e a abertura para a participação de empresas privadas e a necessidade de reorganização da NASA em função da redução do seu orçamento teve aspectos de racionalização que foram positivos… Assim como a definição de uma estratégia clara, de regresso à Lua e de preparação para uma viagem a Marte, foram dos aspectos de uma das mais positivas (e raras) políticas de Bush.

Ainda que tivesse definido uma estratégia – algo que falhou em Clinton – Bush contudo, embaraçado com um gigantesco défice e com despesas astronómicas com a Guerra no Iraque, Bush não alocou ao projeto Lua-Marte os fundos necessários. Desenvolver o par Ares-Orion parece impossível com os recursos atuais. Obama terá que enfrentar este problema: ou cancela o projeto Lua-Marte e os seus lançadores e veículos e optar por soluções ainda mais económicas ou reforça claramente o orçamento da Agencia para que os programas saiam do atoleiro atual. Obama poderá usar este programa federal para estimular a economia e assim manter dezenas de milhar de empregos qualificados e um vitalmente estratégico sector aeroespacial. Obama pode também optar por manter o atual baixo nível de financiamento e atrasar assim todo o plano… Optando por alimentar a ISS com cargueiros e naves tripuladas de empresas americanas no entretanto, essa opção também é provável, especialmente porque assim a NASA poderia alimentar programas científicos de maior calibre e com interesse na área do Aquecimento Global, área de especial interesse para o presidente norte-americano. Outro factor a ponderar por Obama serão os agressivos planos indianos e, sobretudo, chineses para o Espaço… Os EUA não podem tolerar que a China coloque um astronauta na Lua antes do seu próprio regresso ao satélite natural da Terra e se o atraso atual do Ares-Orion continuar, será isso mesmo que vai acontecer. Ora sendo isto algo absolutamente intolerável e tendo Obama a necessidade de criar programas ambiciosos, polarizadores e que motivem toda a nação e reinstaurem o perdido orgulho nacional eu apostaria num reforço intenso de toda a atividade espacial dos EUA por parte da nova Administração Obama. Esse é assim o meu palpite.

Fontes:
http://www.spacedaily.com/reports/Space_And_The_Obama_Administration_999.html
http://en.wikipedia.org/wiki/United_States_public_debt
http://edition.cnn.com/2004/TECH/space/01/14/bush.space/index.html
http://www.spaceprojects.com/iss/

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Resposta a comentário deixado por “el gordo” sobre Portugal e o Brasil

Resposta a comentário deixado AQUI por “el gordo” em 11 de Novembro:

“Estando à procura de informação sobre o projecto FX2 sobre o rearmamento da força aérea Brazileira vi alguns comentários e dúvidas sobre o relacionamento entre Portugueses e Brasileiros .

Como português quero deixar o seguinte testemunho :
-Portugal e os portugueses não olham para o Brazil como alguma ex-colónia nem tão pouco com alguma superioridade.”

> Essa é a grande vantagem do tempo… A memória coletiva da colonização portuguesa no Brasil, dois séculos e meio volvidos é já ténue… E sobretudo se tivermos em conta que não se tratou de uma verdadeira “colonização”, não ao modelo aplicado pelas potencias europeias em África e até por Portugal até 1974, mas de uma verdadeira transferência da portugalidade, de milhões de emigrantes e de uma fusão efetiva que durante grande parte da presença de Portugal no Brasil, tornou a “colónia” mais num “reino duplo”, do que numa mera colónia… Só assim se explica a única (na História europeia) transferência de capital para o Rio de Janeiro e as propostas vieirinas de retirada de Portugal continental para o “Portugal brasileiro”, em troca de uma paz com a Holanda.
“-A grande maioria dos portugueses considera o Brazil como Pais irmão e a história o confirma.”

> Não havendo nenhum outra antiga potencia colonial que tenha hoje uma relação emocional tão profunda, tão destituída de traumas e complexos como aquela que une hoje Portugal e o Brasil. Isto deve-se em grande medida à relativamente grande distância temporal e geográfica entre os dois países. A primeira eliminou os derradeiros recalcamentos de um processo imperial e a segunda reduziu ao mínimo os contactos económicos e demográficos durante muitos dos últimos decénios. Só recentemente, mercê da utilização da Internet e da Globalização é que os dois países se tornaram a reencontrar e esta reaproximação é provavelmente um dos fenómenos sociais mais interessantes da atualidade.

“-O facto é que Portugal aderiu á EU e está fisicamente mais perto desta realidade pelo que a atenção imediata dos portugueses se reflete nesta realidade.”

> Fisicamente e pela nossa extensa fronteira com Espanha, e até pela grande densidade das relações económicas atuais, Portugal é, em primeiro lugar um país europeu. Sem dúvida. Mas sempre faltou à Euriopa “alma” no sentido em que as uniões políticas e económicas se têm que fundar primeiro no terreno das mentalidades e da comunhão de sentimentos, de pertença, enfinm, a uma “coisa única”. A Europa não conseguiu forjar esse sentimento, porque nunca soube (ou pôde) sair do campo dos interesses económicos de curto prazo… Uma coisa será assim a “realidade física” outra – bem mais forte e duradoura – será a “realidade mental”.  E esta é hoje bem mais forte entre os diversos povos da lusofonia, do que entre por exemplo letões, finlandeses e… espanhóis ou portugueses.

“-Portugal , com os seus 10 milhões de hab. não tem nem orçamento nem dimensão para se “meter” em projectos militares só por simpatia , se bem que gostaria que a comunidade PALOP e a união lusofona fosse um facto isto é uma realidade dificil e Portugal tem de olhar a custos na suas aquisições , talv. por isso vá decidir-se pelo A-400M da airbus”

> Nunca tal deve ser feito. Qualquer projeto militar deve seguir critérios fundamentais como: a utilidade efetiva para o tipo de missões a cumprir; a transferência de tecnologia e a existência de contrapartidas industriais concretas e mensuráveis. No caso do C390, da Embraer, estas podem existir. A empresa brasileira já detém parte das OGMA e vai construir fábricas de componentes aeronáuticos em Évora. Cumpre assim, o terceiro requisito. O segundo pode provir através da concepção de alguns sistemas deste avião – ainda em desenvolvimento – por universidades portuguesas, ou nas OGMA. Quanto ao primeiro critério, o da utilidade, ninguém pode deixar de admitir que os C-130H da FAP não poderão manter-se em serviço muitos mais anos… E que os recentemente adquiridos CN295 espanhóis não podem cumprir o mesmo tipo de missões. Falta então um transportador médio. O A400M se conseguir mesmo realizar as suas promessas por um preço razoável (o que não acontece atualmente) poderia ser essa solução, mas o seu preço unitário torna-o um “avião dos ricos”, o que não é manifestamente o caso de Portugal… Daí a necessidade de olhar para outras alternativas, onde se encontra facilmente esta nova opção brasileira, oriunda da empresa que já é a quarta maior construtora aeronáutica do mundo, a Embraer.


“- O Brazil é feito de uma parte do corpo de Portugal , quem decretou a sua independencia foram filhos de Portugal e até um principe português , a guerra de independencia foi não mais que uma guerra interna , entre irmãos . Claro que agora o Brazil é mt mais , a imigração , o fim da escravatura e outras condicionantes levaram a que a pop. brazileira seja hoje uma mescla de entidades mas o mais engraçado é que são unidas sobre uma cultura única , em parte herdada da cultura portuguesa e da capacidade portuguesa de receber e integrar .
Na verdade , nós Portugueses só não torcemos pelo Brazil qd Portugal joga …eheh.

De qq modo , espero que o vosso programa de desenvolvimento militar avance , não páre mas uma x e espero que daqui a 10 anos o Brazil esteja a desenvolver os seus própios projectos de caças aeronáuticos , a enviar naves ao espaço , a patrulhar as suas águas territoriais e rotas comerciais com equip. por si desenvolvido . Existe capacidade e know-How , á q aproveitar …”
> A independência do Brasil tem uma certa de idiossincrasias que não se encontram em mais nenhuma história do colonialismo europeu… São essas diferenças a grande força que ainda hoje subsiste da ligação entre Portugal e o Brasil. É a natureza destes relacionamento especial – descomplexado de pudores pós-coloniais – que urge aproveitar para fazer saltar esta relação única até um novo patamar… O professor Agostinho da Silva, na década de 60, quando estava exilado em Brasília, escrevia interrogando-se sobre porque é que Portugal não poderia integrar-se na federação brasileira… Talvez não fossemos hoje tão longe… Mas porque não sonhar com uma confederação entre Portugal e o Brasil, capaz de dar a Portugal os largos horizontes que são um seu traço histórico e ao Brasil a plataforma de entrada na Europa que lhe falta para poder finalmente ombrear lado a lado com os grandes deste mundo?

Categories: Brasil, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 15 comentários

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