Ainda sobre a central fotovoltaica da Amareleja e sobre o destino que devia ser dado ao dinheiro dos “grandes projetos” (TGV e novo aeroporto)

A central solar da Amareleja, no concelho de Moura (Alentejo) já tem a funcionar a totalidade da sua capacidade. Em Marco de 2008, os primeiros 2,5 MW estavam já a fornecer energia à rede pública, mas agora, em 29 de Dezembro, todos os painéis fotovoltaicos, com uma capacidade total de 93 MW estão agora a funcionar. A energia agora colocada na rede é suficiente para abastecer mais de trinta mil habitações.

Esta não será propriamente uma nova notícia, mas a confirmação de uma boa notícia do começo de 2008. Mas é exemplar no sentido em que é este tipo de investimentos que Portugal deveria fazer em vez de torrar biliões de euros num novo aeroporto e no TGV. Se a depressão que aí vem for tão intensa e duradoura como tudo indica que vai ser, então é preciso ponderar cuidadosamente todos os grandes projetos que retorno duvidoso e que dependam da injecção de grandes quantias de empréstimos. Ora nem o TGV será alguma vez rentável, assim o indicam todos os estudos, nem há verdadeiramente uma necessidade de um novo aeroporto já que a Portela poderia ser modernizada e complementada com Alverca (a chamada opção Portela+Um). A própria necessidade de obter elevados financiamentos na Banca nacional e internacional pode revelar-se profundamente gravosa para a economia portuguesa: vai aumentar o endividamento nacional ao estrangeiro e encarecer o seu custo, além de aumentar ainda mais a sua escassez e reduzir a disponibilidade de dinheiro para empréstimos às empresas portuguesas, que se batem hoje já com falta de recursos financeiros…

Assim em vez de grande obras e projetos faraónicos melhor seria se o Governo organizasse a construção por todo o pais se centrais como a da Amareleja, não uma, nem duas, mas dezenas delas que reduzissem drasticamente a dependência energética nacional, que gerassem emprego na sua construção e manutenção e que possibilitassem a construção de um sólido e tecnologicamente avançado sector nacional de fotovoltaicas. Um tal programa de construção, disperso por todo o pais, e não em torno de Lisboa e Porto, como sucederá com o aeroporto ou com o TGV, permitiria dispersar a riqueza e servir de alavanca para sair da depressão de 2009.

Fontes:
www.rtp.pt
www.publico.pt

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Categories: Ecologia, Economia, Política Nacional, Portugal | 3 comentários

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3 thoughts on “Ainda sobre a central fotovoltaica da Amareleja e sobre o destino que devia ser dado ao dinheiro dos “grandes projetos” (TGV e novo aeroporto)

  1. Bokaido

    Os 20 mil milhões de investimento para “estimular” a nossa economia são um insulto para os portugueses, com excepção daqueles que mandam (e recebem das) nas maiores empreiteiras do país.
    Nunca um ministro foi tão terrível e perversamente ridículo como o Sr. MLino!

    O aeroporto vai custar 5 mil milhões (todos sabemos que será sempre mais), vai estar pronto daqui a dez anos, na melhor das hipóteses e para quê? Alguém prevê um grande crescimento na aviação comercial nas próximas décadas?
    A solução portela mais um seria perfeitamente suficiente, com o desvio das low cost. Vale a pena lembrar que a portela está neste momento em obras de expansão.
    Mas não, como somos um país rico, vamos gastar o que não temos num mega aeroporto!

    O TGV vai distribuir, ou desbaratar, o dinheiro de forma mais dispersa, com os milhares de expropriações que se avizinham. De resto nunca, nem daqui a 300 anos com lotação esgotada será rentável. É preciso ver a vantagem do comboio no futuro, pois não depende do petróleo.
    Aliás, tal como os aviões que vão aterrar na portela em 2030. Ou não? Esperem aí, já me baralhei…

    Quanto ao sector energético, não sei quanto custará a manutenção desta nova central solar, mas a um custo de 270M euros para a sua construção, está na linha das novas barragens no Plano Nacional de Barragens com alto potencial blá blá blá.. E é preciso ver que se trata de uma tecnologia em desenvolvimento e que o normal é os custos baixarem à medida que se avança. Só é pena não ser um investimento nacional.

    E vamos lá ver, existem mais de 40 barragens em Portugal que são responsáveis por pouco mais de 10% da energia produzida. As 4 novas barragens do Alto Tâmega vão custar entre 120 a 250M euros, cada uma. E está prevista a construção de mais 6, sendo o acréscimo final no total de energia produzida de apenas 3%. E isto por 1500M euros!!
    (nota, números do governo e, por isso, sujeitos a alteração sem aviso)

    Percebo a enorme vantagem para o campeonato nacional de pesca de achigã, mas este investimento em novas barragens devia ser desviado para centrais solares, eólicas e de aproveitamento das marés.

    Só mais uma coisa, as barragens não produzem energia verde, ninguém pode negar os fortes efeitos que elas infligem à natureza.

    E o Alqueva, pensado há já 50 anos, ainda não está devidamente aproveitado. É fácil, caro mas fácil, fazer o muro e inundar os montes. Rentabilizar os projectos é que parece quase sempre impossível.

    Um abraço.

  2. Bokaido

    Uma correção,

    Segundo António Sá da Costa, o presidente da Associação Portuguesa de Energia Renovável, o consumo de electricidade representa 30% do total de energia primária usada em Portugal. De toda esta electricidade, cerca de 22% tem origem hidroeléctrica, estando previsto o valor chegar a 25% com as novas 10 barragens.

    Mantenho a opinião que a proporção dinheiro investido/nº de barragens em relação à electricidade produzida não é razoável. Somam se ainda a isto os efeitos negativos das albufeiras artificiais e da interferência nos cursos de água.

  3. é isso basicamente o que penso, Bokaido. Se bem que quanto a barragens, defendo mais uma rede numerosa e dispersa de mini-hídricas.

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