Daily Archives: 2009/01/03

Texto para o terceiro número da NOVA ÁGUIA…

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António Braz Teixeira
BREVE NOTA SOBRE AGOSTINHO DA SILVA E A “ESCOLA DE SÃO PAULO”

Quanto, em 1944, Agostinho da Silva decide deixar Portugal e transferir-se para o Brasil, a sua concepção do mundo e o seu pensamento filosófico e religioso vão ser confrontados com uma realidade indesmentivelmente nova, que irá ampliar o seu horizonte espiritual e revelar-lhe a verdadeira dimensão da história e do destino de Portugal, o significado do culto popular do Espírito Santo, o sentido metafísico e escatológico da ideia de Quinto Império e o valor profético da obra de António Vieira e de Fernando Pessoa.
Depois de ter vivido em Buenos Aires e Montevideu e ter trabalhado no Rio de Janeiro e em Brasília, o pensador português, ou já luso-brasileiro, transferiu-se para São Paulo, no preciso momento em que acabava de ser criado o Instituto Brasileiro de Filosofia, que seria a directa origem da “Escola de São Paulo”.
Porque pensava que o movimento literário e artístico desencadeado pela Semana de Arte Moderna de 1922 havia esquecido a filosofia e que o ensino nas universidades brasileiras não promovia, adequadamente, o pensamento criador, livre e independente, e ignorava ou menosprezava o passado da meditação filosófica nacional, de Silvestre Pinheiro Ferreira e Gonçalves de Magalhães a Tobias Barreto e Farias de Brito, Miguel Reale, Vicente Ferreira da Silva, Heraldo Barbuy, acompanhados por outros intelectuais mais jovens, como Luís Washington Vita, Renato Cirell Czerna e Gilberto de Mello Kujawski, em 1949, decidiu criar, em São Paulo, uma nova instituição cultural, o Instituto Brasileiro de Filosofia, cuja vocação e projecto eram o de favorecer a reflexão filosófica livre, a partir da concreta situação espiritual do Brasil e o estudo do seu esquecido passado filosófico.
Devido, sobretudo, à acção de Reale e Vicente, nos anos imediatos à sua criação, o Instituto depressa se tornou o centro informal de uma verdadeira e fecunda Escola Filosófica, onde, aos fundadores, vieram juntar-se o filósofo das ciências e da estética Milton Vargas, o jovem discípulo de Vicente Adolpho Crippa, seduzido pelo problema do mito e suas relações com a cultura, João de Scantimburgo, pensador tomista como o belga Leonardo Van Acker, os portugueses Agostinho da Silva e Eudoro de Sousa, o jurisfilósofo italiano Luigi Bagolini e, alguns anos depois, um pensador checo, Vilém Flusser.
A obra e o pensamento de Agostinho da Silva, no período do seu contacto mais intenso com os outros membros da “Escola de São Paulo”, revela uma maior proximidade com a direcção filosófica de Vicente e Dora Ferreira da Silva e Eudoro de Sousa do que com a de Reale e os seus mais próximos discípulos, Renato Czerna e Luís W. Vita.
A participação do filósofo português no momento fundador da “Escola” paulista coincide com o interesse cada vez maior que vai atribuir ao Brasil como um novo Portugal em via de realizar um destino cuja plena realização fora suspensa ou interrompida no final do século XVI, após o desastre de Alcácer-Quibir, destino e missão ecuménicos teorizados na vierina História do Futuro e poeticamente expressa na Mensagem pessoana.
Se Agostinho pensa diversos temas e problemas fundamentais da “Escola”, como o sentido fundador do mito, o significado cósmico do barroco luso-brasileiro, o valor libertador da técnica para o homem, a importância da noção de cultura como expressão mais profunda da alma dos povos, se, como Vicente, Czerna, Barbuy e Kujawski, acolhe um conceito de razão em radical e fecundo diálogo com o sentimento, a intuição e a imaginação e outras formas de irracional ou não-racional de que depende e se nutre em seu processo, se, como a maioria dos pensadores agrupados em torno do Instituto Brasileiro de Filosofia, compreende o espírito como liberdade criadora, é, contudo, o futuro da cultura e da civilização de língua portuguesa e o papel do Brasil e de Portugal que vão constituir o centro das suas preocupações, intelectuais e existenciais, como o revelam, de modo muito expressivo, os livros Reflexão à margem da literatura portuguesa (1957) e Um Fernando Pessoa (1959) ou os ensaios Considerando o V Império (1960), Ecúmena (1964), Quinze Princípios Portugueses (1965), Esboço de uma Teoria do Brasil (1966) ou Algumas Considerações sobre o Culto Popular do Espírito Santo (1967), escritos em Santa Catarina e no Brasil, após ter deixado São Paulo, em companhia do seu grande amigo Eudoro de Sousa.
Todos estes ensaios, bem como os reunidos em As Aproximações (1960) e Só Ajustamentos (1962), constituem a plena realização das virtualidades do pensamento do filósofo luso-brasileiro e assinalaram a viragem definitiva da sua metafísica religiosa, a mais de um título próxima ou convergente com certos aspectos fundamentais da filosofia religiosa russa do século XX, em especial com Chestov, Berdiaev e Bulgakov.
Se se afigura que Vicente Ferreira da Silva, pelo seu neo-paganismo (em muitos aspectos próximo do de Fernando Pessoa), pelo seu politeísmo e pelas suas ideias teológicas de que a Natureza é sagrada e nela os deuses ainda habitam, é o mais brasileiro dos filósofos brasileiros, como, cada um à sua maneira, Mário de Andrade e Guimarães Rosa são os mais brasileiros dos ramancistas do Brasil e Jorge de Lima o mais brasileiro dos seus poetas, Agostinho da Silva é o mais luso-brasileiro dos filósofos de língua portuguesa do século XX, aquele que coube compreender e dizer o mais profundo sentido da história espiritual de Portugal e do Brasil, de uma história que, como a de Vieira, mais do que uma história morta do passado, é uma história profética do futuro, uma história das possibilidades imprevisíveis da liberdade do homem, a única capaz de tornar possível a Idade e o Reino do Espírito Santo, Reino de que Agostinho da Silva se quis um precursor, um construtor e um profeta, e no qual não haverá pobres nem prisões e em que todos, com o seu Imperador-Menino, terão a livre e lêda inocência dos poetas e dos santos.

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Uma expedição australiana e timorense descobre uma das zonas mais ricas em biodiversidade do mundo ao largo de Timor

Um grupo de investigadores australianos e timorenses a bordo do navio oceanográfico “Timor Tiger” encontrou aquela que é uma das maiores concentrações de baleias e golfinhos jamais registadas. Num único dia, os investigadores descobriram mais de mil animais numa área com não mais do que 50 km de extensão.

O navio “Timor Tiger”, é um navio tradicional timorense com 20 metros de comprimento especialmente adaptado para as atividades oceanográficas. E é o único navio registado em Timor deste tipo.

A expedição confirmou a importância das aguas de Timor como região de passagem de espécies marinhas, entre os oceanos Indico e Pacifico. A coordenação da expedição foi feita pelo “Instituto australiano para a Ciência Marinha” e recebeu o financiamento do ministério timorense da Agricultura e Pescas.

A região pode revelar-se muito importante para a promoção do turismo em Timor, um dos sectores económicos que parecia mais promissor até há pouco tempo e onde menos se fez… A descoberta poderá também atrair a atividade de baleeiros japoneses ou de frotas de pesca industrial chinesas ou indonésias, já que a marinha timorense é pouco mais que simbólica e incapaz de qualquer patrulhamento regular nas suas relativamente extensas águas territoriais.

É uma boa notícia para o pobre Timor e mais uma promessa para o seu desenvolvimento social e económico futuro. Contudo, reflecte de novo (como na recente noticia sobre a descoberta da floresta virgem do Monte Mabu, em Moçambique) onde foi igualmente gritante a ausência de qualquer universidade portuguesa agindo instituições lusófonas locais… Aliás, neste caso, Celestino Barreto de Cunha, diretor das Pescas no Ministério das Agricultura e Pescas afirmou: “Estamos comprometidos em garantir a protecção desta biodiversidade marinha e vamos continuar a procurar aconselhamento científico da Austrália sobre o desenvolvimento sustentável da indústria do ecoturismo”, deixando bem claro que ainda que Portugal seja o maior contribuinte em Cooperação para o jovem Estado, as prioridades do atual governo de Xanana Gusmão se encontram bem mais perto do país da sua esposa do que em qualquer eixo lusófono. O episódio é também mais uma prova da ausência de qualquer política e de recursos para a cooperação cientifica entre universidades portuguesas e entidades lusófonas similares, algo que muito tem a ver com o sistemático estrangulamento financeiro das universidades nos últimos cinco anos…

Fonte:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1354825&idCanal=13

Categories: Ciência e Tecnologia, Educação, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | 4 comentários

Sobre os “ventos da História”

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Há, à partida, duas posições antitéticas: a dos que, por oportunismo, estão sempre a favor dos “ventos da História” e a dos que, por feitio, estão sempre contra…

Se abomino os primeiros (que costumo nomear como “cata-ventos”), também não sacralizo os segundos. Para mim, qualquer pessoa deve, simplesmente, ser coerente e consequente com as suas convicções – quer os ventos da História estejam a favor, quer estejam contra…

Sabemos como, em particular nas “revoluções”, muita gente muda, de um dia para o outro, de “convicções”. E como se estigmatiza quem prefere cair de pé, resistindo no “lado errado”. Antes cair de pé, do que passar a vida a dar cambalhotas…

Chegados aqui, perguntar-se-á: e o MIL, está a favor ou contra os “ventos da História”? Neste momento, ainda contra. Mas, cada vez mais, segundo o que me parece, já a favor. Os “ventos da História” estão a mudar…

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Sobre a eventualidade de uma operação terrestre em Gaza e do Hamas

Israel terá perto de 9000 homens, incluindo MBTs Merkava, APCs e peças de artilharia junto à fronteira com Gaza. Existem vários valores para a quantidade de forças que o Hamas terá em armas. Supõe-se que terá 15 mil homens de “élite” e outros 10 mil civis armados no seu ramo armado designado de “Brigadas Izz ad-Din al-Qassam”.

As Brigadas têm dado provas de serem extremamente resiliente, sendo capaz de resistir a várias mudanças de liderança mantendo sempre elevados graus de eficiência, devido à sua estrutura de comando altamente autónoma e descentralizada. Isto permite também uma rápida regeneração da liderança, e permitiu ao movimento resistir eficazmente a várias incursões israelitas. As suas ligações com o Irão e com o Hezbollah libanês são evidentes, tendo recolhido do segundo muitos ensinamentos da derrota israelita no Líbano e encontrado no Irão o seu principal financiador e fornecedor de armamento, entre os quais se contam os conhecidos foguetes artesanais Al Qassam, assim como foguetes de médio alcance convencionais, além de mísseis anti-tanque e anti-aéreos. Os bombardeamentos dos últimos dias terão destruído perto de um terço do stock de armamento do Hamas, mas este terá ainda perto de 2000 foguetes e mísseis, ou seja, o bastante para alimentar uma resposta pelo menos durante duas semanas…

Além das Brigadas, o Hamas pode ainda alinhar uma força de polícia, formada a partir de Maio de 2006, com alguns milhares de homens, que enfrentou com sucesso as milícias da Fatah, em Gaza, expulsando-as para a Cisjordânia.

Perante tal força, no terreno mais densamente povoado do mundo (Gaza) e contando com forças numericamente inferiores, mas tendo retirado as devidas lições do fracasso da ofensiva contra o hezbollah libanês, não acreditamos que as IDF tenham nos seus planos uma reocupação da Faixa de Gaza. Para tal precisariam de mobilizar pelo menos dez vezes os recursos que têm agora na fronteira. Tudo indica que estas forças estão aqui para cumprir um quadro múltiplo de missões muito mais limitadas que a simples reocupação do território:

1. Servir de tampão contra as previsíveis incursões de comandos do Hamas para o interior de Israel.

2. Dar cobertura a operações “relâmpago” de forças especiais como aquelas que o Hamas diz ter repelido ontem em Shijaiyah pelas 23:00, avançando com meios pesados (blindados) se estas forças ligeiras se virem encurraladas.

3. Ocupações temporárias de pequenas regiões fronteiriças a partir de onde sejam lançados ataques e foguetes.

É de esperar que estas operações – principalmente aéreas – das IDF prossigam até à tomada de posse de Barack Obama a 20 de janeiro. Por isso, e tendo em conta que a lista de perto de 50 alvos estratégicos elaborada pelos serviços secretos israelitas está praticamente esgotada, haverá daqui em diante os chamados “ataques de oportunidade” a líderes do Hamas e a depósitos de armamento ou concentrações de forças armadas até dia 20, intercalados por operações de forças especiais, reservadas para operações que sejam impossíveis de realizar exclusivamente com meios aéreos. É também do interesse de Israel terminar rapidamente com estas operações… Quanto mais tempo elas durarem, mais vítimas civis haverá e mais difícil será para a a Fatah, na Cisjordânia, aparecer como opositora do Hamas e mais apoios locais ganhará entre uma população onde começava a perder o apoio (menos de 20% da população de Gaza apoiaria em novembro o Hamas, segundo uma sondagem da Fundação Fredrich Ebert).

Fontes:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1354815&idCanal=11

http://en.wikipedia.org/wiki/Hamas

http://en.wikipedia.org/wiki/Izz_ad-Din_al-Qassam_Brigades

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Da greve da TAP e da intervenção “eleitoralista” de Mário Lino

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A recente ameaça de greve da TAP e a intervenção direta do inefável ministro Mário Lino logrou suspender a dita, numa altura em que a nossa companhia aérea atravessa um momento difícil e numa altura do ano onde tal paralisação teria consequências para muitos dos seus utentes. Até aqui tudo bem. O problema está em que o dito ministro terá dado razão aos sindicatos e a algumas das suas exigências e isto vai diretamente contra uma das regras que Fernando Pinto traçou quando aceitou gerir a TAP, quando ela não passava de um paquiderme prestes a morrer de fome no deserto da ma gestão. A intervenção direta do ministro, assim como uma intervenção que tem muito mais de político e eleitoralista vai assim levar à inevitável demissão do presidente brasileiro que salvou a empresa.

Esperemos que esta leitura – feita pelo diretor do Público, José Manuel Fernandes, não esteja correta e que a última intervenção do segundo ministro mais desastroso de Sócrates – logo após Manuel Pinho neste campeonato governamental de idiotia – não leve à saída do mais brilhante gestor português (paradoxalmente brasileiro) e à consequente extinção da transportadora aérea portuguesa.

Fontes:

Público de 23 de dezembro de 2008 (edição impressa)

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1353957&idCanal=57

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: , | Deixe um comentário

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