Resposta a Renato Epifânio em “SOBRE O PENSAMENTO POLÍTICO DE AGOSTINHO DA SILVA”

“SOBRE O PENSAMENTO POLÍTICO DE AGOSTINHO DA SILVA
Para o Clavis, em jeito de comentário geral à última série de textos que ele aqui publicou. E em homenagem ao seu grande empenhamento neste projecto.”

Obrigado, Renato, mas o meu maior empenhamento será sempre uma fração daquele que lanças sobre os projetos da Nova Águia e do MIL.

“1. Que Agostinho da Silva teve um pensamento político, isso é inegável. Esse pensamento político decorre, muito simplesmente, da sua visão de Portugal, da Comunidade Lusófona e do Mundo. Ora, como sabemos, Agostinho da Silva foi um homem coerente e consequente – logo, não poderia ficar apenas no plano “cultural” e “espiritual”. Para mais, porque ele foi tanto um homem de pensamento quanto um homem de acção. E o melhor contra-exemplo para quem acha que há alguma incompatibilidade entre esses dois planos…”

Sejamos claros: existem varias interpretações e visões para aquilo que o MIL é ou pode ser. Para mim é uma forma de procurar realizar a visão política de Agostinho que sumariamente comentei nestes dez artigos. Agostinho agiu, em Portugal e, sobretudo no Brasil. Não teve uma interpretação do Pensamento como sendo algo que esterilmente se move apenas nos domínios do intelecto ou das abstracções, trabalhando no terreno no Brasil, entre as populações locais e aconselhando políticos e até o presidente do Brasil.

“2. Tendo tido um pensamento político, esse pensamento não se encaixa nos mais vulgares quadros mentais – que tudo dividem entre “esquerda” e “direita”. E, por isso, de facto, Agostinho foi olhado com profunda desconfiança e suspeição quer pela “direita” quer pela “esquerda”. Porque, em última instância, estava para além de uma e de outra. Porque, desde logo, conseguia ser simultaneamente de esquerda – sobretudo, no plano social – e de direita – sobretudo, no plano cultural…”

Por isso não vejo o movimento consubstanciado no MIL como um movimento ou “protopartido” de Direita ou de Esquerda. Se é o pensamento de Agostinho da Silva que lhe serve de propulsor essencial e este não pode ser facilmente encapsulado nesta clássica mas anacrónica estratificação política então não podemos encaixar o MIL em qualquer um destes locais virtuais do espectro político. Talvez resulte daqui alguma da ira que pela blogoesfera mais ligada à Extrema Direita se sente em relação ao MIL e à Nova Águia: a frustração por não terem aqui

“3. Desde logo por isso, o seu comprometimento com o jogo político nunca foi muito efectivo. Mas também não exageremos – no Brasil, Agostinho da Silva foi assessor do Presidente Jânio Quadros, tendo antes apoiado um concorrente deste. Em Portugal, é certo que nunca apoiou expressamente nenhum candidato e/ ou partido. Mas o próprio explicou porquê: tinha regressado a Portugal depois de 25 anos fora; não se queria indispor com ninguém (há uma “Conversa Vadia” em que ele diz isso claramente). E por isso também chegou a recusar uma candidatura própria à Presidência da República…”

O Professor era um arquitecto, no sentido de que sempre se preocupou mais com estabelecer alicerces, lançar ideias e conceitos novos ou adormecidos, do que em correr a alistar-se a qualquer partido ou em alinhar em qualquer disputa por qualquer cargo de poder. Verdadeiro filosofo, sempre optou por terçar no plano das ideias e não dos diretos – e tantas vezes sujos ou promíscuos – combate estritamente políticos. Preferiu plantar a colher e se hoje podemos encarar o seu pensamento político como uma alternativa ao obsoleto, decadente e cada vez menos representativo sistema partidário português, tal deve-se também ao facto de o Professor ter sabido manter-se distante de um simples alinhamento político.

“4. E quanto ao MIL? O MIL tem uma visão de Portugal, da Comunidade Lusófona e do Mundo. Logo, tem uma perspectiva política. Em que medida será coerente e consequente com ela, isso, depois, ver-se-á. Acho que não nos devemos precipitar a esse respeito. O MIL, enquanto tal, não tem sequer um ano de vida…”

È impossível pensar Portugal e a comunidade lusófona sem a pensar politicamente. Não advogo contudo que o MIL se deva transmutar imediatamente num puro movimento ou partido político. Para isso seria necessário refundar o próprio movimento, fazer sufragar a mudança de orientação entre todos os atuais membros do MIL e, sobretudo, seria preciso ganhar uma “massa critica” de intervenção social, cultural e cívica que ao fim de apenas um ano de existência ainda não lográmos obter. O MIL tem tomado (e tomará) varias posições políticas e/ou cívicas e nesse sentido JÁ é até um movimento político… E não poderá deixar-se encastrar no mero enclave da defesa da “cultura lusófona” ou de outros temas académicos e intelectuais. Para ser efetivo, para ser capaz de interferir nos destinos do mundo e cumprir ainda que parcialmente os sonhos de Vieira, Pessoa e Agostinho, tem que ser atuante. E esse espaço de ação tem que ser político, hoje e amanha. Em formas diferentes de acordo com as circunstancias e condicionantes de cada momento. Neste momento sob a forma de “movimento cultural e cívico”, amanha sob a forma que for mais adequada, seja ela qual for…

“5. Algo, contudo, posso desde já antecipar, com toda a certeza (porque te conheço, e porque, conhecendo-te, sei que és uma pessoa coerente e consequente). Se algum dia chegarmos a esse patamar mais declaradamente político, tu serás um daqueles que estarás a bordo…”

A coerência de pensamento não deve ter o valor de um Dogma, mas mudar de opinião quanto a questões fundamentais não é de facto a minha política… Mudo naquilo que deriva delas e sempre que os factos apontam para o erro da posição inicial, mas neste contexto da defesa da Lusofonia, da União lusófona, da primazia das Economias Locais e das moedas locais, do Municipalismo, das economias comunalistas e “gratuitas”, assim como na abolição do “Estado Central”, da Partidocracia e da saída de Portugal da União Europeia não vejo como hei de mudar, sem mudar algo de essencial em mim… Estou nesses combates e estarei sempre, ao lado do MIL, onde essas posições forem consistentes com as do Movimento e à frente ou ao lado dele quando não o forem. Nesse sentido, estarei sempre “a bordo”, ainda que possa navegar no navio do lado ou no galeão da frente…

Texto publicado original na Nova Águia

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Categories: Brasil, Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | 5 comentários

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5 thoughts on “Resposta a Renato Epifânio em “SOBRE O PENSAMENTO POLÍTICO DE AGOSTINHO DA SILVA”

  1. Fenix

    Talvez ainda seja cedo para um partido politico mas sementes desse pensamento estão lá.Tenho continuar a escrever como deitando agua pra essa sementes crexerem e se tranformarem numa bonita arvore do pensamento da mudança numa revulção epica cultural e social estando mais perto da perfeição do nosso gral do sumonismo do bem supremo o amor.

  2. é cedo sim, mas a ideia germina…

  3. Fenix

    Porque para mudar o sistema temos que em primeiro lugar fazer parte dele para assim podermos argomentar com os outros que nosso sistema é o melhor e ser eleitos para assim o podermos transformar mas não a qualquer preço termos a nossas ideias temos que nos abestrair dos lobis que corropem o meio politico.

  4. Fenix

    Partido internacional Lusofuno pela união lusofona

  5. Bem, quando chegar o momento, vou mesmo preferir a sigla MIL… Dificilmente encontraremos sigla mais sonora, expressiva e plena de significados, além de focada nos princípias objetivos da nossa Declaração de Princípios: Internacional e Lusófono… Além de “Movimento”, como algo que nos leva de um ponto, para um outro, no futuro…

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