Daily Archives: 2008/12/27

Lima de Freitas: "somos mais civilizados do que os outros povos na medida em que respeitamos o estrangeiro, o outro, abrimos-lhe os braços…

“De facto, e apesar de tudo, somos mais civilizados do que os outros povos na medida em que respeitamos o estrangeiro, o outro, abrimos-lhe os braços, envolvendo-o na nossa hospitalidade ímpar.
Donde, Portugal não tem razão para se envergonhar perante as restantes nações da Europa. Pelo contrário, temos muito para ensinar-lhes, para dar-lhes.
Isso é um pouco o Império do Espírito Santo.”
“Porto do Graal”, Lima de Freitas, Ésquilo.

Esta especial característica da portugalidade, presente também nas matrizes culturais de outras nações lusófonas é aquela generosidade que nos marca e que torna os portugueses especialmente solidários e da qual a grandeza da mobilização por Timor foi especial exemplo. Esta hospitalidade a que alude Lima de Freitas, que por vezes pode ser injustamente confundida com subserviência é, afinal, marca da diferença de temperamento e de mentalidade entre o português e o germânico. Se o último prioritiza critérios de eficiência e de geometria, o português prefere a convivialidade, a confraria e a humanidade. É a fraternidade humana e a universalidade que marcam toda a História de Portugal e que esteve por detrás do impulso do movimento dos Descobrimentos e Expansão. Neste contexto, a sanha canina da Inquisição e os desvios da Escravatura correspondem a uma doença mental de que sofreu a portugalidade e que resultou da infeção pelos princípios mercantilistas e desumanos importados a partir do norte da Europa.

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Poema que nos chegou…

AGOSTINHO DA SILVA

Eu, Agostinho, a quem dizem sábio,
Devagar ao fim da minha vida chegado,
De conluio entre o cadáver e o menino,
Por herança vos deixo a pomba e a espada.
Cada um somos o monge e o cavaleiro –
Os mansos fazem a guerra; o fogo, a paz.
O erro acerta, a verdade é ilusão.

Com pátios e palmares, ilhas e terraços
Abram o meu sudário toalha em mesa posta.
Esperem-me na última alba, por vir,
Toda luz estendida de filigrana de asas,
Azul pura como no mundo dos azulejos.
Vosso, servidor, nunca servo, livre.

Jesus Carlos

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Outro mail que nos chegou…

.
No domínio das estratégias económicas para consolidar o espaço lusófono, permito-me aconselhar a leitura e o estudo dos trabalhos do grupo de economistas, políticos e altos funcionários que aconselham actualmente o Presidente Sarkozy e o governo francês, e que lançaram o movimento «Patriotismo e Inteligência Económica». Os chefes de fila desse movimento são : o deputado UMP Bernard Carayon, o Prof. Eric Delbecque, o Prof. Olivier Pastré, F. Jakobiak e outros. Já publicaram um grande número de livros e artigos sobre o assunto e as suas opiniões são extremamente escutadas pelo governo francês, que, nas suas decisões concretas e na realidade das decisões administrativas, não aplica o credo liberal europeísta, ao contrário do que pensam os nossos ingénuos e provincianos responsáveis políticos de todos os quadrantes.

Podem obter uma primeira informação sobre estes trabalhos por internet e mesmo na Wikipedia.

Com os cumprimentos
Sequeira Carvalho

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Hoax: O foguetão brasileiro VLS-1 foi lançado em segredo em 23 de outubro de 2008

(O verdadeiro VLS-1 lançado em Outubro)

(O verdadeiro "VLS-1" lançado em Outubro)

O nosso comentador “Revoltado” chamou-nos a atenção para aquela que seria verdadeiramente uma grande notícia: o primeiro lançamento (em segredo) do novo VLS-1 em 23 de Outubro de 2008.

A “notícia” pode ser encontrada em várias fontes, sendo uma das mais extensas:

http://defesabr.com/blog/index.php/26/12/2008/brasil-lancou-em-segredo-novo-vls-1-em-outubro-de-2008
http://port.pravda.ru/cplp/brasil/23-12-2008/25666-foguetevls-0
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=510FDS012

de onde decorreriam vários “ecos”, em fóruns de discussão:

http://www.alide.com.br/wforum/viewtopic.php?f=3&t=1922

Contudo, o cerne da notícia é constante nas diversas fontes, o que faz suspeitar da existência de uma fonte comum e primária.

Não sendo certo, a fonte primária parece ser o jornal russo, com edição portuguesa Pravda.ru. Isto só por si é mau, já que este jornal é conhecido por não verificar as suas fontes e ter critérios editoriais muito duvidosos… Aliás, já falámos aqui dele por várias vezes por essas mesmas razões (VER P.EX AQUI).

Esta parece ser a notícia verdadeira, a fonte remota da primeira:

“Culminando com as festividades alusivas ao Dia do Aviador, comemorado no dia 23 de outubro, data magna da Força Aérea Brasileira, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno lançou com sucesso o foguete Orion, exatamente às 04h 04min 08seg do dia 27 de outubro, alcançando todos os objetivos da Opereção Parelhas, após quatro tentativas de lançamento, impedidas pelas condições dos ventos.
Apesar da região onde está localizado o CLBI reunir diversos fatores, inclusive meteorológico, favoráveis estrategicamente para lançamento de foguetes. Contrariamente, os valores nominais do vento, nos últimos dias, não foram propícios para garantir a segurança no lançamento do foguete Orion, que por razões técnicas, deve ser inferior a 7,3m/s, ou 26 km/h.
O foguete Improved Orion, que mede 5,7m, é um foguete de treinamento, mono-estágio, não-guiado, estabilizado por empenas e lançado a partir de trilho. Consiste de um propulsor de 419 kg, propelente sólido (combustível sólido) e atinge uma velocidade de 4.700 km/h (quatro vezes a velocidade do som). Possui espaço para embarcar experimentos científicos ou tecnológicos, da ordem de 80 kg. Nesta ocasião, o foguete Orion foi ocupado com equipamentos e instrumentos alemães, voltados para a trajetografia durante a realização do vôo.
O motor-foguete propicia uma fase de decolagem de 5 segundos, e outra tipo cruzeiro, com 21 segundos, totalizando 26 segundos de fase propulsada, o que permiti chegar uma altura entre 95 e 105 km, caindo em alto mar a, aproximadamente, 70 km da costa
A Operação, denominada de PARELHAS, em homenagem a uma das cidades do Rio grande do Norte, alcançou o seu objetivo principal, ou seja o treinar as equipes técnicas do CLBI e da Unidade Móvel de Lançamento de Foguetes do Centro Espacial Alemão, nas atividades de preparação, lançamento e rastreio de engenhos aeroespaciais.
Várias Organizações Militares do Comando da Aeronáutica participaram da Operação, entre elas o Centro de Lançamento de Alcântara e o Instituto de Aeronáutica e Espaço, além do Apoio da Agência Espacial Brasileira.
Com o sucesso do lançamento do foguete Orion, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno cumpre mais uma etapa do desenvolvimento da tecnologia nacional para a independência do Brasil na área de tecnologia aeroespacial.”

http://www.cta.br/noticias27.htm

Que se encontra no CTA, um sítio absolutamente insuspeito e que refere que nesse dia foi lançado um foguetão, sim… Mas não um VLS-1, um “Improved Orion“. Assim se explica o diferente local de lançamento e o “secretismo” do lançamento. Algures alguem leu esta notícia e com boa ou má fé… Fez a ligação.

A notícia original do Pravda:

“Excessivamente preocupados com a crise financeira, os órgãos de informação brasileiros não informaram o sucesso do lançamento do míssil espacial VLS-1, feito com sucesso no dia 20 de outubro de 2008, partindo da base de São José dos Campos, e não de Alcântara, como era costume.


DESTAQUE
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Mais…

A última experiência foi desastrosa. Com problemas de pré-ignição, o lançamento fracassou dando causa a incêndio que destruiu grande parte da base maranhense, além de matar 21 pessoas. Grande lástima, sem dúvida. O sucesso é auspicioso. Vai permitir o lançamento de satélite geoestacionário, proporcionando ao país facilidade nas comunicações, principalmente.


O lançamento foi assistido pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim e pelo Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juni Saito. Não se entende a causa da notícia não ter sido divulgada na imprensa. Pode acreditar-se que para muitos países não interessava o Brasil ser capaz de colocar satélites em órbita, o que significa também o seu notável desenvolvimento bélico, pois mísseis de muito longo alcance não são bem vistos pelas nações que não os possui. Mesmo as poderosas potências, que além do vetor têm a ogiva nuclear, não ficam muito satisfeitas quando um fato desta natureza é atingido.

É sabido pela comunidade mundial que o Brasil não desenvolve corrida armamentícia, e não possui artefatos nucleares agressivos, mas pode construir em pouco tempo, já que a tecnologia permite com folga que eles sejam construídos em pouco tempo.

Talvez tenha sido esta a razão do fato não ter sido divulgado com alardes. Vizinho nossos podem interpretar o sucesso como uma ameaça, quando na realidade o fato não é este. Quem acompanha o lançamento dos “Sacis”, sempre com fracasso, sabe disto.

Foi um feito respeitável, sem dúvida. São muito poucos países capazes de operações de tamanha envergadura, e é uma consolidação dos velhos so nhos dos cientistas brasileiros, que estão de parabéns.

O Brasil, apesar dos pesares do mundo e dele mesmo, caminha fácil para um futuro de brilho. Todo este trabalho vem sendo desenvolvido com auxilio da tecnologia russa, de acordo com um protocolo firmado entre Brasil e Rússia. Segundo este acordo, os russos auxiliam na transferência de tecnologia de ponta, e o governo brasileiro compromete-se a emprestar a base de Alcântara, para o lançamento de mísseis russos. A base está próxima a linha do equador, o que facilita os lançamentos e diminui os gastos.

Jorge Cortás Sader Filho

Tendo sido este Jorge Sader Filho, o responsável primeiro pela “confusão”.


Fontes:

http://defesabr.com/blog/index.php/26/12/2008/brasil-lancou-em-segredo-novo-vls-1-em-outubro-de-2008
http://port.pravda.ru/cplp/brasil/23-12-2008/25666-foguetevls-0
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=510FDS012
http://en.wikipedia.org/wiki/Improved_Orion
http://www.cta.br/noticias27.htm

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O Japão investe num projeto do “Elevador Espacial”

Já por várias ocasiões referimos aquele que julgamos poder ser um dos mais promissores projetos de sempre: o “Elevador Espacial”. O conceito em si é o de colocar cargas e pessoas no Espaço não recorrendo aos grandes, caros e “sujos” foguetões, mas usando um cabo extremamente longo e resistente que une o solo a um satélite em órbita geoestacionária. A ideia foi apresentada pela primeira vez pelo escritor Arthur C. Clarke.

Os desafios tecnológicos envolvidos são tremendos. Os cabos têm que ser mais fortes e leves do que alguma coisa jamais concebida pelo Homem. Os próprios elevadores – que percorrem os cabos para cima e para baixo os cabos – têm que ser desenvolvidos de raiz. Estes elevadores poderiam transportar pessoas, satélites, carga para estações espaciais, etc. Tudo o que atualmente custa pelo menos cem vezes mais colocar em órbita utilizando foguetões.

Em vários países decorrem projetos de investigação semelhantes. Mas entre todos, é o Japão que está mais avançado. O custo total é avaliado não exceder os 5,5 biliões de euros e envolve o trabalho de várias disciplinas, desde a química até à física e à engenharia, todas áreas onde o domínio nipónico é bem conhecido, pelo que se esperam importantes desenvolvimentos, que depois poderão facilmente ser propagados até outras aplicações das descobertas feitas do decurso deste projeto.

O projeto japonês está a ser liderado pela “Japan Space Elevator Association”, dirigida por pelo professor Yoshio Aoki da “Nihon University”.

No projeto de desenvolver um “Elevador Espacial”, o maior obstáculo são, naturalmente, os cabos… Desde logo, pela sua extensão, já que o cabo que transporta o elevador desde o solo até ao satélite tem que ser acompanhado por uma extensão de cabo idêntica, com o contrapeso. Depois, o cabo tem que ser extraordinariamente leve, de facto, mais leve que qualquer outra coisa concebida pelo Homem, e forte… imensamente forte para suportar as gigantescas tensões (vento, pressões da deslocação orbital do satélite, peso a transportar e claro… o seu próprio peso). Estas necessidades apontam para um caminho: nanotubos de carbono. Precisamente o tipo de tecnologia onde hoje a indústria têxtil japonesa é líder destacado e onde têm surgido diversas aplicações como a utilização de células de combustível com nanotubos de carbono para alimentar… telefones móveis e oferecer-lhes 20 horas de uso ativo. Os dados conhecidos estimam que será necessário um cabo que terá que ser 4 vezes mais forte do que qualquer fibra de nanotubos de carbono atual, ou seja, 180 mais forte do que o aço… É certo que têm sido realizados enormes progressos neste campo.

Outro problema será o de propulsar os elevadores pelo cabo… O professor Aoki sugere o uso das propriedades de condução de eletricidade dos nanotubos, pelo que a alimentação elétrica poderá ser fornecida ao elevador através de um segundo cabo.

A segurança é um aspecto que merece aqui atenção… As consequências de uma ruptura e da queda sobre a Terra de alguns cabos com centenas de quilómetros de extensão seriam tudo menos desprezíveis e tem que ser montado um sistema de segurança adequado para anular essa ameaça. Outra questão seria a necessidade de manter a tensão dos cabos, talvez recorrendo a foguetes convencionais instalados no satélite e disparados regularmente. Apesar das enormes dificuldades, as vantagens são tremendas… O Espaço ficaria aberto para usos hoje impensáveis e seria possível, por exemplo, colocar painéis solar em orbita, por custos baixos e enviar a energia assim captada, para Terra sob a forma de microondas.

Fontes:
http://www.timesonline.co.uk/tol/news/uk/science/article4799369.ece
http://www.photon.t.u-tokyo.ac.jp/~maruyama/nanotube.html
http://nanotube.msu.edu/
http://www.highbeam.com/doc/1G1-80206583.html
http://jsea.jp/en
http://en.wikipedia.org/wiki/Space_elevator

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O primeiro ano do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

“Como é sabido, o MIL é o movimento cultural e cívico prefigurado no Manifesto da NOVA ÁGUIA – o seu nome foi objecto de uma votação pública nas últimas semanas de 2007. O MIL, já assim baptizado, nasceu pois no princípio de 2008, exactamente no primeiro dia de Janeiro.

O ideário do MIL encontra-se definido na sua “Declaração de Princípios e Objectivos” (no essencial, igualmente prefigurados no Manifesto da NOVA ÁGUIA). Caso o tenham feito de forma responsável, todas as pessoas que aderiram ao MIL fizeram-no porque se reconhecem, em geral, nessa “Declaração”.

Até ao momento, aderiram já ao MIL cerca de oito centenas de pessoas, de todo o espaço lusófono – a proporção é: 3 quintos de portugueses, um quinto de brasileiros, o outro quinto de outros países (incluindo de todos os outros países da CPLP). A esse respeito, saliento, nesse último quinto, um número significativo de adesões oriundas da Galiza (ver coluna esquerda do nosso blogue, onde aparecem os diversos órgãos da NOVA ÁGUIA e do MIL).

Decerto, há várias formas de olhar para este números: é sempre possível ver o copo meio cheio ou meio vazio. Façamos, a esse respeito, mais um pouco de História.

Logo aquando da primeira leitura oficial do Manifesto da NOVA ÁGUIA, a 10 de Outubro de 2007, no Porto, durante um Congresso de Filosofia, foi visível que, precisamente por ser um Manifesto forte, ele não era aceite por todos (e estávamos, por assim dizer, perante uma assistência “amigável”). Já se sabe: quem marca uma posição, gera oposição.

Depois, enviámos convites a muita gente e houve várias recusas. Lembro-me, por exemplo, de pelo menos uma pessoa ter recusado o convite, muito amavelmente, dizendo-nos que não se revia na linguagem “proto-identitária” do Manifesto. Nada de extraordinário: há muita gente que, legitimamente, é avessa a expressões como “sentido histórico da cultura portuguesa”, “nossa vocação”, “destinação colectiva”, etc. Por isso, por exemplo, sempre olharam com desconfiança Agostinho da Silva, Pessoa, Pascoaes (o próprio Eduardo Lourenço, apesar da sua linguagem mais “suave”). Por isso, também, naturalmente, não se reconheceram no nosso Manifesto, pelo menos a ponto de aderirem a este projecto. Sempre encarei isso com naturalidade – para conseguirmos a adesão dessas pessoas, teríamos que descaracterizar de tal modo o Manifesto que este se tornaria outra coisa. E isso, pelo menos para mim, nunca foi opção.

As nossas petições também geraram bastante oposição. Se a primeira, “Por uma Força Lusófona de Manutenção do Paz” não levou ninguém a sair (mas terá, admito-o, levado alguma gente a não entrar), isso aconteceu com a segunda, a respeito do Acordo Ortográfico: houve uma pessoa que se desvinculou do MIL por causa dessa Petição e houve pelo menos uma pessoa que não aderiu ao MIL por causa dela (pessoa, aliás, bem conhecida: Carlos Pinto Coelho, o ex-apresentador do célebre programa televisivo “Acontece”). O mesmo aconteceu depois com a nossa defesa do “Passaporte Lusófono“: houve uma pessoa que saiu por causa dessa Petição. E, por causa dela, continuamos a ser atacados em vários sítios – nomeadamente, em vários blogues de extrema-direita, que nos acusam de nos vergarmos aos “brasucas”, de querermos o país “cheio de pretos”, etc. (como se nós não tivéssemos sempre defendido um Portugal “lusofonamente mestiço”). Por outro lado, na extrema-esquerda, por causa da nossa expressa defesa dos valores da Língua, da Cultura e da Pátria, também já temos sido acusados de “salazaristas” (acusação que apenas pode ter eco em mentes mais idiotas e/ou sectárias).

Poderia aqui referir as muitas pessoas que, ao invés, aderiram ao MIL por causa dessas Petições, mas esse não é ponto. O ponto é que as três petições emanaram da nossa “Declaração de Princípios e Objectivos” (como é facilmente argumentável; eu próprio o fiz até à exaustão). Poderíamos, porventura, não o ter feito. Poderíamos, eventualmente, tê-las formulado de uma forma menos comprometida – no caso da última, por exemplo, foi sugerido (não importa por quem) que se fizesse uma mera denúncia da “Directiva do Retorno” sem qualquer referência ao “Passaporte Lusófono”. Mas o ponto é que nós não somos uma mera associação de defesa de imigrantes (sem qualquer desprimor para estas), nós somos um movimento que se assume como “internacional lusófono”. Logo, essa referência lusófona – mais concretamente, ao espaço lusófono e à cidadania lusófona – tem que aparecer sempre em todas as nossas posições públicas.

Ao longo deste seu primeiro ano de existência, o MIL já demarcou igualmente o seu lugar no espaço público. Algumas das posições que tomámos tiveram uma significativa repercussão nos media e, em geral, na blogosfera, quer em Portugal, quer em outros países da CPLP. Através desses ecos, cimentou-se a singularidade da nossa visão e da nossa voz: no espaço público, somos, cada vez mais, aquela voz que defende a Lusofonia e, de forma coerente e consequente, o reforço dos laços entre os países da CPLP, em todos os planos – cultural, desde logo, mas também social, económico e político.

Essa é pois, em suma, a nossa “marca” – um ano depois, já solidamente definida. Quem, de boa-fé, atentar nos nossos documentos – na Declaração de Princípios e Objectivos, nas Petições e nos diversos Comunicados que fomos emitindo ao longo do ano –, reconhece já bem essa “marca”. A ela, por causa dela, já aderiu muita gente. Por causa dela, muita outra gente (impossível quantificar) não aderiu. Como diria o outro, é a vida…”

Renato Epifânio

Comissão Coordenadora do MIL

Categories: Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia | 4 comentários

A China envia três navios de guerra para a Somália e algumas derivações daqui decorrentes

(DDG-171 Haikou)

O envio de 3 navios de guerra para os mares da Somália por parte da China é a resposta que esperávamos por parte de uma nação empenhada e interessada nos assuntos da atualidade internacional e era uma omissão para a qual alertámos AQUI, uma omissão que é finalmente satisfeita e que é uma resposta direta a uma autorização do Conselho de Segurança da ONU para que os países da organização conduzam ataques por terra e ar às bases piratas, para além da atividade naval que era já autorizada e realizada antes pela NATO e agora, pela “Operação Atalanta” da União Europeia.

Os navios chineses deverão estar nestas águas durante pelo menos três meses. A pequena frota é composta por dois contratorpedeiros e de um navio de apoio e contempla grupos de forças especiais, para além dos mísseis guiados e dos helicópteros que formam normalmente parte dos dois contratorpedeiros. Cada contratorpedeiro transporta um helicóptero Ka-28-A e são os navios foram identificados como sendo o “DDG-171 Haikou” e o “DDG-169 Wuhan” com o navio de abastecimento Weishanhu no papel de apoio. Os três navios fazem parte da “SSF”, da frota chinesa dos mares do sul e são aliás, os seus dois melhores navios:

Contratorpedeiros:

052C – DDG 170
052C – DDG 171
052B – DDG 168
052B – DDG 169
051B – DDG 167

Fragatas:
054A – FFG 570
054A – FFG 568
054A – FFG 569

O código 052C corresponde à classe Luyang II, navios construídos localmente em Shangai. Os navios têm o equipamento mais moderno da Armada chinesa como radares de “phased array”, mísseis navais de longa distância YJ-62 e mísseis anti-aéreos HQ-9. De facto, são os primeiros navios chineses com uma significativa capacidade de defesa anti-aérea. Sabe-se que o Haikou foi lançado ao mar em 2005. Ao contrário de outras classes, que eram derivados de navios russos, a classe Luyang II é completamente nativa, em desenho e tecnologia e representa a máxima capacidade tecnológica que os estaleiros de Pequim conseguem oferecer.
Especificações (Wikipedia)

  • Unit cost – Up to 800 million US$ per ship, including 200 million for CIWS, SAM, & VLS, and 400 million for C4I systems.
  • Ships – DDG 170 Lanzhou and DDG 171 Haikou as of 2006
  • Propulsion – 2 Ukraine DN80 gas-turbines and 2 MTU Friedrichshafen 12V 1163TB83 diesels
  • Length – 153 m
  • Beam – 16.5 m
  • Draft – 6 m
  • Displacement – 7,000 t (full load)
  • Speed – 30 knots (56 km/h)
  • Crew – 250 (40 officers)
  • Combat Data System – H/ZBJ-1 Information processing system designed by the 704th Institute (Reported speed: > 100 Mbit/s)
  • Data link: HN-900 (Chinese equivalent of Link 11A/B). To be replaced by NCTDL
  • Communication: SNTI-240 SATCOM
  • Armament

Embora existem várias facilidades navais em países do Índico, longa e cuidadosamente negociados no Paquistão e na Birmânia (sendo os últimos parte do recente apoio de Pequim à ditadura birmanesa) esta será a primeira missão de longo prazo que uma força tão significativa cumpre tão longe das águas territoriais chinesas. A qualidade e a força da pequena frota é notável e uma surpresa, tendo em conta que países como a Alemanha ou a Rússia – que têm frotas mais numerosas e modernas que a chinesa – optaram por enviar apenas navios isolados (um contratorpedeiro e uma fragata, respetivamente). Por isso, esta surpresa está a causar alguns arrepios em chancelarias ocidentais e dos vizinhos chineses no Extremo Oriente.

Como nunca antes a China cooperou com forças navais de países ocidentais, há também o receio de que possam existir problemas de comunicação e até talvez, incidentes desagradáveis quando estas forças se cruzarem nos mares da Somália… Há também receios de que os chineses optem por agir sózinhos e descartem qualquer atividade coordenada, como aquelas que têm sido realizados com tanto sucesso entre os países que têm forças navais na região (Índia, Rússia, Grã Bretanha, Irão, EUA, França, Alemanha e brevemente o Japão e Portugal). Por exemplo, recentemente um contratorpedeiro britânico e uma fragata russa conseguiram deter um grupo de piratas em pleno mar. Os chineses estarão preparados para realizarem este tipo de missões conjuntas? Há também dúvidas quanto à capacidade operacional chinesa em conduzir uma missão tão complexa a tão grande distância… Falta a experiência e as bases mais próximas estão no Paquistão, não sendo certo de que exista aqui o know-how suficiente para realizar reparações mais complexas nos navios. O facto de terem optado por dois navios idênticos, da mesma classe, e precisamente os mais modernos de toda a frota reflete aliás esta correta preocupação por parte do comando naval chinês… É também certo que entre as missões de combate à pirataria, os chineses realizarão também missões de espionagem aos navios ocidentais e, sobretudo, à sua forma de operar em alto mar a tão longas distâncias das suas bases, uma área em que os países ocidentais têm muita experiência e a China, nula…

A presença chinesa no Índico ocidental é também reveladora das ambições chinesas em se tornar numa superpotencia de escala mundial e razão de grande preocupação para todos os países que mantêm disputas territoriais com o gigante asiático: Japão, Coreia do Sul, Vietname e Filipinas. Enfim, todos os países (praticamente) que partilham fronteiras marítimas com a China.


Fontes:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1354215&idCanal=11
http://www.google.com/hostednews/ap/article/ALeqM5gB7YMEDuCwwY9ncDOtPAkEI4-H2wD95A7MB00
http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/africa/article5398856.ece
http://en.wikipedia.org/wiki/Type_052C_destroyer

Categories: China, DefenseNewsPt, Política Internacional | 8 comentários

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