Daily Archives: 2008/12/23

Sobre Agostinho da Silva…

.
Ricardo Cabaça
UM HOMEM COMPROMETIDO COM OS VALORES HUMANOS

Os grandes amores de Agostinho da Silva foram a Liberdade e Portugal, sentiu amor pela língua que é falada por 230 milhões de pessoas, foi português no sentido mais profundo.
Não podemos dissociar as duas paixões de Agostinho da Silva, na medida em que sempre procurou o valor mais alto da Humanidade no seu país e no mundo. A sua arma mais perigosa terá sido o intelecto, aquele órgão invisível que assusta as pessoas e o poder.
Agostinho da Silva apreciava as conversas e as trocas de ideias, mas em 1935 não foi na conversa quando o convidaram a assinar a Lei Cabral. Acabou demitido do ensino oficial por se recusar a admitir se pertencia ou se tinha pertencido a algum organismo secreto ou subversivo. Não ficou sem palavras perante a ofensa, pelo contrário, o seu silêncio provou que não podiam impor-lhe ideias, pois a oposição estava implícita.
A desilusão de não poder ensinar em Portugal e conjuntura política levaram-no para Espanha, país que não sendo o seu, podia ao menos estar mais próximo quando o regime caísse. Porém, a vitória dos socialistas nas eleições espanholas irritou algumas pessoas, em particular Francisco Franco, ou como o próprio preferia, o generalíssimo. A urticária da derrota levou os falangistas a pegar nas armas e a declarar guerra à democracia. Agostinho da Silva, avesso a guerras e agressões, decide regressar a Portugal.
Como a luta intelectual pela liberdade não se esgota, a vontade das pessoas funciona como munição inesgotável, o professor continua a defender as suas ideias e acima de tudo, o direito a que todos tenham e possam defender as próprias ideias. A perseguição que lhe foi movida não cessou e em 1943 foi preso pela PVDE, no Aljube. O motivo desta vez não passava por leis ou por graves ofensas ao Estado-Novo, simplesmente a Igreja não gostou dos seus textos “O Cristianismo” e “Doutrina Cristã”. O combate foi acesso, mas no fim, o Cardeal Cerejeira, então Patriarca de Lisboa e figura mais medieval da Igreja portuguesa, bem como o Padre Raul Machado levaram a melhor, ficando o professor preso e toda a sua biblioteca confiscada e inventariada.
Depois da estadia no Aljube, Agostinho da Silva parte para o Brasil, não como conquistador de terras, mas como alguém interessado no povo brasileiro, na história que une os dois países, a cultura. No entanto, a língua assumia um papel preponderante, a escolha pelo Brasil não terá sido ao acaso, quando podia ter optado por qualquer país no mundo, escolheu aquele que lhe permitia manter a ilusão de um certo Portugal. Não fora a primeira vez que um português decidira partir para o Brasil, fugindo de um poder opressor, em 1808 D. João VI, juntamente com uma comitiva de dez mil almas, fugiu às invasões napoleónicas e planeou transferir o poder para o Rio de Janeiro, deixando Lisboa à mercê dos franceses. Agostinho da Silva sempre acalentou o desejo de regressar a Portugal e fê-lo em 1969, já com Salazar fora do poder, vítima de uma hematoma craniano. Para trás deixou uma ditadura militar, cada vez mais dura e sangrenta, liderada por Castelo Branco, Costa e Silva, e por último, Emílio Médici. Agostinho da Silva terá acreditado na tal primavera marcelista, mas só em 1974 veria restituído o seu cargo de professor, bem como o direito a uma reforma pelos serviços prestados no ensino português.
Sempre em fuga, mas com Portugal e a liberdade no pensamento, o corpo tão distante da sua pátria e a cabeça dentro das fronteiras lusas. É este Agostinho da Silva que aprecio, um homem comprometido com os valores humanos, um homem sempre consciente do seu papel no mundo.

Categories: Agostinho da Silva | Deixe um comentário

10. Parágrafos agostinianos de pensamento político em "Ir à Índia sem abandonar Portugal"

Página 124

“Quando o bravio Afonso IV herda seu Reino, é ele, fundamentalmente, um agregado de municípios republicanos e liberais” (…) “Havia decerto educação oficial e seriada, no cimo da qual estavam os estudos universitários, ainda incertos de rede e rumo; mas o que realmente criava cidadãos e homens de arte era a escola da experiência em serra, campo ou mar e o aprendizado dos misteres.”

Será a este modelo de organização do território que devemos regressar. A um Portugal que no reinado de Dom Afonso V soube lançar as fundações para o processo de Descobrimentos e Expansão dos séculos seguintes. Foi da riqueza e do dinamismo municipalista que brotou o essencial da energia anímica que alimentaria o extraordinário vigor criativo e a dinâmica global da portugalidade no mundo. O pendor centralista e autoritário do ultracatólico Dom João III e, mais recentemente o pavor pelo “Outro” exposto na tacanha mentalidade de Salazar e mais recente no inculto e “contabilístico” cérebro de Cavaco Silva tentariam tudo para castrar este espirito libertário, republicano e liberal do municipalismo português… Mas a energia está ainda bem viva entre nós, ainda latente e pronta a ressurgir logo que os eurocratas de Bruxelas a libertem e os seus cães-de-fila que viajam as quintas-feiras no voos da TAP em Executiva os deixem de servir e passem a servir o Portugal que os elegeu e que lhe enche as gamelas douradas.

A restante parcela deste segmento de texto refere-se a um dos focos mais intensos da ação pedagógica do Professor, especialmente desenvolvida no Brasil, em Santa Catarina. A admiração e a defesa de um ensino “operativo” eminentemente prático, sobrepujando um ensino meramente académico, elitista e centrado sobre si mesmo, infelizmente tão comum nas academias universitárias. Em suma, Agostinho da Silva defende a prioridade de um ensino prático sobre um ensino abstrato. Advoga um ensino profissionalizante – na nossa interpretação – sobre um ensino teórico e académico, impossível de aplicar ou de fazer diretamente refletir na vida real… Não defende obviamente uma supressão do estudo das matérias mais especulativas e abstratas (ainda que identifique no português uma incapacidade inata para “filosofar”), mas estas matérias devem ser mais o foco de uma “vida conversável”, de momentos de pensamento e especulação argumentativos presentes na vida de cada um e não espartilhado em programas de ensino denso e indigestos. Efetivamente, os atuais “programas de ensino”, nada mais fazem do que repelir futuros cientistas e criadores das matérias que em crianças lhes são apresentadas como “obrigatórias” e logo, negativas… Porque nada que não seja livre e fruto puro do interesse e da vontade individual pode alguma vez ser percepcionado pelo indivíduo como algo de positivo.

Categories: Agostinho da Silva | Deixe um comentário

O “Projeto Guiana”: O plano nazi para estabelecer uma colónia no Amazonas

Segundo o livro “Das Guayana-Projekt” (“O Projeto Guiana”) da lavra do investigador Jens Glüsing (que vive no Brasil) a Alemanha Nazi teve entre 1935 e 1937 um plano para fundar uma colónia na Amazónia, mais especificamente no Suriname e na Guiana Francesa. O projeto nasceu de várias expedições “científicas” enviadas pela Alemanha e o objetivo supremo era o de fundar uma “área nazi” na América do Sul.

O plano passava por desembarcar forças na Amazónia brasileira, não sendo claro se contavam com o apoio do governo brasileiro da altura, ou se o ataque ao Brasil estava também nos seus planos. O maior mentor do projeto fora Otto Schulz-Kampfhenkel, que numa carta a Heinrich Himmler apresenta a ideia, que a acolheu de bom grado, já que tal base permitiria “reduzir a influência dos EUA na região”. O projeto, contudo, haveria de abortar sem chegar a produzir qualquer efeito concreto. Por um lado, porque em 1940, o governo pró-nazi de Vichy era quem controlava a Guiana Francesa e só a perderia para a “França Livre” em 1943 (ver AQUI), numa altura em que a Alemanha já tinha demasiadas forças comprometidas com campanhas mais importantes na Rússia e no Norte de África.

Estes antigos projetos alemães tornaram-se novamente atuais com a descoberta de um cemitério de antigos nazis no Brasil. A descoberta relaciona-se com algumas fotografias da época das expedições de 1930:

Nazi graveyard

(Fotografia de cruz funerária com índios, captada algures nas margens do rio Amazonas. A inscrição diz “Joseph Greiner morreu aqui em 2.1.1936. Uma morte por febre, ao serviço do serviço de investigação alemão”)

Nazi graveyard

(A mesma cruz funerária na atualidade)

As fotografias foram tiradas no rio Jayri, um afluente do Amazonas pelo investigador alemão Jens Gluessing e referem-se a um local a que os habitantes locais conhecem como “o cemitério nazi”. Este cemitério está precisamente no interior da região que os nazis queriam colonizar na América do Sul e talvez tenha sido escolhido precisamente como o primeiro de muitos estabelecimentos. O ” Joseph Greiner” da inscrição era um dos três cientistas enviados pelas SS como vanguarda de um futuro estabelecimento colonial. Estes três peritos deviam explorar a bacia do Amazonas, sobretudo as regiões entre a Guiana Francesa e o território brasileiro, assim como o interior das Guianas holandesa e britânicas em busca de locais adequados ao estabelecimento de colonos alemães.

Nazi graveyard

(Fotografia da expedição alemã no Amazonas)

A expedição alemã produziu um extenso relatório que foi entregue a Himmler por Schulz Kampfhenkel, um oficial da SS que comandou a expedição de 1935, constatando neste várias páginas sobre os locais mais adequados ao desembarque dos soldados alemães no território brasileiro da Amazónia assim como a interessante frase, bem reveladora das verdadeiras intenções “científicas” alemãs: “As duas maiores, mais escassamente povoadas mas ricas em recursos. aréas do mundo encontram-se na Sibéria e na América do Sul. Só elas poderiam oferecer grandes possibilidades para a emigração e estabelecimento de povosnórdicos “. O relatório acrescentava ainda que a existência de quase um milhão de emigrantes alemães no Brasil poderia ser usada como um sustentáculo a esta colonização. Felizmente, o curso da guerra, a partir de 1943 afastaria a Alemanha destes cenários… Caso contrário, hoje, bem que poderia haver uma colónia alemã encravada em pleno território brasileiro…

Fontes:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1347673

http://www.dailymail.co.uk/news/worldnews/article-1080071/The-Boys-Brazil-Nazi-graveyard-discovered-deep-Amazon-rainforest.html

http://www.sidneyrezende.com/noticia/21507+nazistas+na+floresta+amazonica

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7a_de_Vichy

Categories: Brasil, História | Etiquetas: , | 39 comentários

Quids S15: Que navio era este?

sdsd2222

1. Todos os quids valem um ponto.

2. Os Quids são lançados pela manhã. Entre as 6:00 e as 10:00 (Hora de Lisboa)

3. As pistas só serão dadas à hora de almoço (12:30-14:30). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, desde que pedidas por um (qualquer) dos participantes.

4. Só há quids entre 2ª e 6ª (incluindo feriados). Salvo imprevisto…

5. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

6. É vivamente desencorajado o uso de vários nicknames para o mesmo concorrente, já que desvirtua o espírito do jogo. Lembrem-se que o IP tudo revela…

Categories: Quids S15 | 9 comentários

Na Malásia, os islamitas querem proibir… o Yôga

O “National Fatwa Council”, a entidade que na Malásia tem a autoridade para determinar a forma segundo a qual os muçulmanos podem conduzir a sua fé emitiu uma “fatwa” segundo a qual a prática do Yôga não seria apenas um grupo de exercícios físicos, mas uma prática que continha diversos elementos religiosos de origem Hindu e que, logo… devia ser evitada por qualquer muçulmano.

Segundo Abdul Shukor Husin, do Conselho, os muçulmanos que praticam Yôga não compreende que o seu fim último é a união com um deus que não é muçulmano: “Na nossa opinião, o yôga, que teve origem no hinduísmo, combina exercício físico, elementos religiosos, cânticos e adoração para o propósito de alcançar a paz interior e ultimamente alcançar a unidade com deus. Isso é inapropriado. Pode destruir a fé de um muçulmano.”

A Malásia é um país predominantemente muçulmano, com mais de dois terços dos 27 milhões de malaios e a fatwa insere-se no quadro de um país onde os impulsos racistas têm crescido sem parar nos últimos anos… Especialmente contra os perto de oito por cento de malaios de origem indiana e… Hindu. É pena, porque a Malásia era dos países de maioria muçulmana mais tolerantes e multiétnicos do mundo. E agora, como em tantos outro locais no mundo, assistimos também aqui a uma deriva radicalizante.

Fontes:
http://www.foxnews.com/story/0,2933,456367,00.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Islam_in_Malaysia

Categories: Política Internacional, Sociedade | Deixe um comentário

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade