Trolls, Cyberbullying e algumas pistas sobre como identificar e reagir contra os ditos

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Quantas vezes já quis saber quem está por detrás de certo comentário deixado no seu Blog? Quantas vezes já recebeu uma mensagem de correio electrónico e quer saber quem de facto a enviou? E quem está por detrás de certo nickname num fórum?

Bastantes, aposto, tendo em conta a disseminação do fenómeno conhecido como Cyberbullying e multiplicação de Trolls registada nos últimos anos em resultado da expansão da blogoesfera e do anonimato que a Internet parece garantir. Ou não… Pelo menos não completamente.

Em primeiro lugar, um utilizador normal ou mesmo um “avançado” não pode determinar exatamente a residência a partir de onde um certo acesso à Internet é realizado. Isso está reservado às forças policiais munidas do devido mandato judicial. Dito isto, embora não seja possível descobrir o número de telefone, a morada exacta ou o nome de alguém que deixa aqui ou ali um dado comentário, é possível conhecer a cidade a partir de onde este navega e em certos casos… descobrir a partir daqui o seu nome exacto ou a sua residência. Ao longo destes cinco anos de blogging tal já aconteceu aqui duas ou três vezes, e em todas foi possível identificar ou a cidade de residência ou o nome do dito comentador, mas tal deveu-se ao simples facto deste ter uma “pegada cibernética” muito grande, isto é, de ser alguém que mantinha sites, blogues, comentários em blogues e fórums desde há longo tempo. Só nestes casos (que apesar de tudo ainda são excepcionais) é que é possível chegar ao troll. Que fique também aqui bem claro que não sou um “especialista em segurança” ou um “hacker“. Tudo aquilo que direi nas linhas seguintes é fruto da aplicação das mais básicas regras de senso comum e está ao alcance de qualquer utilizador de computadores de nível médio.

E que não se pense que estes casos de ciberbulying ou da ação de trolls são coisas menores que não merecem grande atenção. Não é assim. Um troll verdadeiramente motivado pode tornar a nossa vida num Inferno e não são raros os casos de suicídios provocados por ataques deste teor.

Como descobrir quem é o troll?

Contacte a polícia. Se foi violada alguma lei, se foi ameaçado de morte ou fisicamente, se o visaram com algum tipo de ameaças, tem bases para apresentar uma queixa na polícia e deixar o processo andar e (com sorte) assistir ao seu desfecho… A polícia pode pedir a um juiz a identificação desse IP e este, se lhe forem apresentados indícios suficiente pode obrigar o fornecedor de acesso à Internet (ISP) a fornecer o local exato a partir do qual um dado acesso à Internet foi feito a partir de uma data, hora e endereço tcp/ip. Assim, além dos detalhes sobre as ameaças ou crime deve também municiar-se destes elementos, dando a maior exactidão temporal já que como os endereços tcp/ip são rodados regularmente entre vários clientes, o mesmo endereço pode ser atribuído a outro utilizador no mesmo dia. É improvável, porque as leases de IPs duram geralmente entre 3 a 8 dias, mas é possível. Nessa queixa pode ainda acrescentar o nome do ISP ou da empresa ou instituição a partir da qual foi feito o acesso. Essa informação é de teor público (assim como o IP) e pode ser facilmente obtida usando uma ferramenta whois. Existem varias, como os “oficiais” arin.net (Estados Unidos) e o ripe.net (Europa), mas prefiro o geoiptool.com que condensa a informação dos sites oficiais de whois e que mostra também um mapa de localização do IP. É claro que não nos devemos fiar cegamente neste mapa… Se a fotografia de satélite expôr uma dada rua em Aveiro, não será porque o endereço IP estava nessa rua, mas porque essa rua está no centro geográfico dessa cidade…

Se o endereço IP pertencer a uma empresa ou instituição a identificação pode ser impossível… Se essa organização não tiver registo de alocação dos seus IPs internos (via Proxy corporativo, p.ex.) a informação exacta de quem fez um determinado acesso pode ser impossível. Por outro lado, se tiver, isso poderá trazer automaticamente bastantes problemas ao troll… Mesmo se este fôr inocente, já que a maior parte das organizações reagirão com uma negação automática do acesso deste à Internet… Se a organização fôr um cibercafé a identificação torna-se quase impossível… Alguns pedem uma identificação antes de cederem a um cliente um acesso e se a polícia cruzar essa informação com a data, a hora e esse BI podem chegar ate à identificação do troll, mas nem todos o fazem… E se se tratar de um hotspot wireless como aqueles disponibilizados gratuitamente em alguns bares e cafés ou em bibliotecas publicas, então a identificação torna-se mesmo quase impossível, já que nada identifica claramente o computador que usa essa rede… A identificação continua a poder ser feita, via mac address (um numero de série que identifica univocamente) cada placa de rede, mas esse dado só pode ser usado a posteriori, depois de identificado o seu utilizador…

Por vezes, o endereço de IP corresponde a um acesso feito num outro país… Aqui muito pouco há a fazer, já que as policias não têm alcance bastante neste tipo de casos. E é claro que isto não quer dizer que o troll está mesmo neste pais… Os mais sabedores usam mecanismos de proxying, como o  Toolnet.net , que permitem navegar em Portugal, com um IP – por exemplo – da Alemanha, o que anonimiza efectivamente a navegação e dificulta enormemente o trabalho das autoridades.

Por vezes existem duas formas de identificar um troll, com relativo grau de certeza e que ainda não abordamos aqui… Munidos do IP usado pelo dito, podemos inseri-lo numa busca no www.google.com e ver o que da… Por vezes aparecem comentários introduzidos na wikipedia por esse utilizador e se este tiver aqui uma pagina pessoal suficientemente informativa (e isso é comum na wikipedia, com o uso dos nomes verdadeiros, por exemplo) chegamos facilmente ate à identidade do troll. Outro método consiste em procurarmos se o IP de um dado troll anónimo foi usado na mesma época por um comentador conhecido e identificado… Se tiver sido, trata-se provávelmente da mesma pessoa.

Por fim, resta uma última possibilidade e abordagem… Se sabe qual é o ISP usado pelo troll, pode também contactar por mail ou telefone esse ISP e descrever-lhe a situação que considera ser abusiva. Os ISP têm geralmente um mail abuse@ISP para receberem estas queixas. Nem sempre o monitoram e respondem a estes mails, mas por vezes fazem-no e se a situação for suficientemente grave (pedofilia ou acções criminosas) podem reportar eles mesmos o caso as autoridades competentes.

Em conclusão, não podemos saber nem a morada exata (podemos saber a cidade e, por vezes a freguesia), nem o telefone, nem o nome completo de um troll, a menos que este tenha sido muito descuidado e que o tenha deixado algures num site onde o google.com foi capaz de chegar. Mas se a situação fôr realmente grave… Podemos recolher todos os dados possíveis, apresentar uma queixa numa esquadra de polícia e deixar que a Lei siga o seu lento trâmito…

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Categories: Blogging, Blogs, Informática | 6 comentários

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6 thoughts on “Trolls, Cyberbullying e algumas pistas sobre como identificar e reagir contra os ditos

  1. Olá Rui,
    há imenso tempo que cá não vinha. Gostei do novo visual e deste interesssante texto sobre uma temática tão actual.
    Um grande abraço e votos de Boas Festas
    Virei com mais assiduidade, espero

  2. obrigado pela visita! também passo pelas “Linhas” sempre que posso, nas minhas rondas habituais…
    O tema é importante e o artigo necessariamente incompleto, mas serve de “bases”, pelo menos.

  3. Luís Mendes

    Gostei do tema e conteúdo. Apesar de tudo gostaria de saber um pouco mais sobre IP’s dinâmicos. Por exemplo um individuo coloca um post e dá o seu endereço de email. Quando se volta a ligar à net, é-lhe atribuido outro IP, e coloca novo post, existe alguma relação ou forma de relacionar um post com outro? apesar de terem sido feitos com IP’s diferentes?

    Por outro lado, segundo informa o tema, as leases de IPs duram geralmente entre 3 a 8 dias que quer isto dizer? Quer dizer que se fizer investigação sobre o IP após os 8 dias essa investigação será impossível/inconclusiva?

  4. nem sempre ao entrar e sair da net o IP muda… isso depende da vida (lease expiration) que lhe dão os providers…
    E se vier de um acesso empresarial ou de um cibercafé, o IP até pode ser permanente.

    Os ISP (Sapo, ZON, etc) são obrigados a manter uma lista de cada morada de cada IP num dado momento que dão à polícia se esta o pedir.

  5. Odin

    Trolls, criaturas repugnantes, inimigos de Ásgard…

    • E de toda a gente, de resto, ate para eles proprios…
      No quintus, apareceram (e aparecem) uns quantos, sistematicamente banidos e apagados, sem que aparecem sequer visiveis a vos…

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