Daily Archives: 2008/12/15

SOBRE A GALIZA E OUTRAS “REGIÕES” IBÉRICAS: 9 BREVES NOTAS…













Para o Clavis, o Luís Cruz Guerreiro e o Miguel Santos (e o Casimiro, se é que ele ainda nos segue…).

1. Gosto muito da Galiza, em particular de Santiago de Compostela. Imaginar-me-ia, mesmo, a viver lá…

2. Insiro a Galiza no espaço lusófono. Mais do que uma simpatia geral para com os portugueses, na Galiza tenho encontrado um grande amor pela nossa língua e cultura, muito maior do que em muitos portugueses. Verifiquei isso em 2006, aquando das Comemorações do Centenário de Agostinho da Silva, verifiquei isso, mais recentemente, aquando do lançamento da NOVA ÁGUIA…

3. A Galiza é muito mais do que uma “região espanhola”. Tal como a Catalunha e o País Basco não são “regiões espanholas”. São nações. Tendo uma língua e cultura própria, são, de facto, nações. Ainda que nações sem Estado.

4. Como já aqui escrevi, acho que o futuro natural dessas nações será a independência. Começando pela Catalunha, passando pelo País Basco…

5. E a Galiza? Quanto a ela, tenho mais dúvidas. Durante muitos anos, Fraga Iribarne, ex-ministro de Franco, cimentou a inclusão em Espanha. Depois, há um nível de vida que poderia ficar em causa com a independência… Mas, talvez, esta venha a acontecer, mais tarde. E se, assim for, a relação com Portugal será sempre muito particular…

6. Com Portugal enquanto nação, e não com apenas uma região em particular. Se em Portugal existem regiões, elas não são comparáveis com as referidas “regiões espanholas”. Desde logo pela dimensão – se olharmos para Península Ibérica e a dividirmos em “regiões” com uma dimensão semelhante, verificamos que Portugal forma uma única…

7. Daí, de resto, as minhas reservas quanto ao regionalismo. A União Europeia incentiva-o para, a meu ver, melhor poder reinar… No actual estado de coisas, a instância “nação” é a melhor barreira de resistência à União Europeia em particular e à Globalização em geral. Isto, como é óbvio, na perspectiva de quem pretende preservar a sua língua e cultura…

8. Já o municipalismo, no quadro na “nação”, parece-me algo de mais fecundo… Até porque os municípios, em livre associação, é que deveriam formar depois as “regiões” – naturais, de geometria variável, não desenhadas, a régua e esquadro, pelo Governo…

9. Tudo isto, como é óbvio, no quadro maior da convergência lusófona – desígnio primacial do MIL…

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2. Parágrafos agostinianos de pensamento político em "Ir à Índia sem abandonar Portugal"

Página 40
“Como essa coisa da Galiza. Como é? Separados ainda pelo rio Minho? Como é isso? Para mim não tem importância nenhuma estar separado ou não estar separado, porque estamos separados de outros lugares por coisas mais importantes do que o rio Minho, pelo Atlântico ou pelo Pacífico. (…) Não vamos agora querer que a Galiza pertença a Portugal ou que Portugal pertença à Galiza; vamos entender que há uma cultura galega como há uma cultura do Minho, como há uma cultura do Algarve, vamos mas é entender as culturas peninsulares.”

Não se trata portanto de uma simplista defesa da reintegração da Galiza num Portugal onde ela afinal nunca pertenceu, nem sequer nos alvores da Fundação da nacionalidade. Agostinho da Silva não defende também a secessão da região portuguesa a norte do rio Douro e a sua adesão à Galiza, antecedendo a sua saída da Espanha e a formação de uma “Portugaliza” nortenha, como advogam alguns “reintegracionistas” do norte de Portugal ou da Galiza. Em vez de um redesenho das simples fronteiras administrativas e políticas de Portugal e de Espanha, Agostinho defende uma separação da Espanha nas suas múltiplas partes, ou “Culturas”, recentrando nas periferias regionais aquilo que o centralismo de Castela quis aglutinar em torno de Madrid.

Se houver um ressurgimento da tradição pré-romana de independência, liberdade e autonomia local, de, enfim uma época em que cada cidade era essencialmente independente, formando coligações e alianças ao sabor das necessidades e conveniências, então encontramos aquele modelo de “federação livre de municípios” que o Professor defende noutra sua obra. Não estamos assim perante uma simples proposta de fragmentação de Espanha, mas perante uma inovadora divisão não somente de Espanha, mas também de Portugal pelas suas regiões, e dentro destas, de uma subdivisão pelos seus municípios. A rede multiforme de entidades semi-independentes quebraria não somente as tendências centralistas de Madrid mas também a atual forma unificada assumida pelo Estado português. Segundo esta visão – extrapolada a partir da de Agostinho – as regiões da Ibéria seriam mais importantes do que as divisões estatais atuais, em Espanha e Portugal. As energias anímicas das regiões peninsulares trariam mais dinamismo e liberdade criadora às novas entidades sub-estatais que nasceriam deste regresso ao Local, recuando a partir desta obsessão doentia pelo Global que os grandes interesses económicos e financeiros nos procuram impor sobre as mais variadas formas, mas recorrendo sempre e sem pudor a um domínio cada vez mais completo de todos os meios de comunicação.

O recuo desde as posições nacionalistas até a posições regionalistas e destas, em sucessão, para o municipalismo aplacaria as tensões que surgiriam naturalmente dos dois lados da fronteira, isto porque não teria mais importância a defesa de fronteiras obsoletas, mas os interesses que ao fim ao cabo são aqueles que interessam sobretudo a todos: os interesses locais. Pelo recentramento na escala administrativa e política mais fundamental, mais próximo dos eleitores e possibilitando um contato direto entre estes e eleitos, este recentramento municipalista da democracia e da autonomia administrativa iria – sem abolir os Estados atuais – possibilitar a pacifica erupção de uma natural re-aproximação de galegos com portugueses, unidos pela língua e cultura, mas separados pelas fronteiras políticas e pelas agruras e erros da História.

Página 41
“A bela colcha de retalhos que é a Península. E vamos insistir nisto: a Galiza tem de ser independente da Península e uma pedra no seu mosaico. Como tem de ser a Catalunha, como tem de ser o Algarve, como têm de ser os Açores ou as Canárias, exatamente isso. E vamos ver se isto não será um bom xarope, um bom tónico, para a Europa tomar e se deixar das besteiras em que anda. Vamos ver como é isso da entrada de Portugal na CEE. Se é um bebé que se vai acolher nas mãos de uma ama ou se é, pelo contrário, alguém, a Península, que vai dizer à Europa como é que ela se tem de humanizar. Como é que, estragada porque andou toda a vida pensando em computador, vai parar essa história e vai voltar atrás para retomar do humano tudo aquilo que perdeu em função da eficiência e do êxito.”

A caminhada encetada pela Europa a partir de Maastricht é clara e aponta para um nítido federalismo onde as necessidades locais são vencidas pelos interesses de “maiorias” nem sempre nítidas e democráticas. Este percurso estritamente utilitarista e economicista está na base desta falta de espírito ou alma europeia que se constata pela Europa fora. As nações que não fazem ainda parte da União Europeia, mas que querem entrar, anseiam não por fazer parte dela, mas pelos seus fundos estruturais. A multiplicidade europeia, que podia ser uma das forças da União Europeia é prova cabal da falta de solidez do edifício europeu: em vez de assumir a necessidade de forjar uma transnacionalidade europeia num continente sempre dilacerado por conflitos nacionalistas, a eurocracia desenraízada de Bruxelas, procurou utilizar os fundos e auxílios estruturais para colmatar essa lacuna anímica e assim “comprar” a adesão a uma coisa europeia que ao fim de cinquenta anos permanece ainda desalmada. Em resultado, encontramo-nos perante um fragilíssimo edifício, mantido num grau mínimo de coesão apenas por um frouxo e financeiro feixe de interesses e não pelo essencial sentimento de comunhão que une os povos no seio das Nações. Enquanto não se puder falar de alma europeia, não haverá “nacionalismo europeu”, e sem este as longas e nunca plenamente resolvidas causas e memorais dos longos conflitos entre os Estados do continente serão sempre mais fortes do que qualquer burocrática e economicista “União Europeia”.

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Da emigração portuguesa para Angola

//horta.0catch.com)

(Porto do Lobito in http://horta.0catch.com)

Quando, há alguns anos passava frente à embaixada angolana, na avenida da República,em Lisboa via longas filas de angolanos negros esperando pela abertura dos serviços da embaixada. Quando, na semana passada repeti o mesmo trajeto, tornei a ver a mesma fila… mas com cor diferente. De facto, esperando admissão no edifício da embaixada estavam quase somente indivíduos de raça branca, portugueses de naturalidade, presume-se. Pessoas  que esperavam um qualquer tipo de autorização administrativa para entrarem nesse país lusófono.

A continuada crise económica portuguesa e as perspetivas do seu agravamento para 2009 irão fazer aumentar esta fila, certamente… De 2006 para 2007, o número de emigrantes portugueses duplicou, com a saída de mais de 26 mil cidadãos do nosso território, numa notável subida de 111% num único ano! A maioria decidiu emigrar para países europeus, sobretudo para Espanha, Suíça e Benelux. Mas não muito à frente de outros destinos, como França, Reino Unido e… Angola! Com efeito, em Angola deverá haver neste momento perto de 60 mil portugueses, um número que aumenta todos os dias e que hoje poderá já ultrapassar os 80 mil portugueses, o que ultrapassa em mais de 50 mil, a quantidade de portugueses que estão no Reino Unido, por exemplo, o que dá uma boa medida da importância deste movimento migratório. Como em 2004 havia apenas 20 mil portugueses em Angola estamos perante uma quadruplicação do número de emigrantes em e isto em apenas quatro anos!

Uma grande parte dos portugueses que emigram para Angola, fazem-no para as regiões de Luanda, Benguela e Lobito. Na primeira, situam-se as sedes das empresas multinacionais onde trabalham muitos quadros, técnicos e formadores portugueses, nas segundas, concentra-se a emigração mais “operária” e “técnica”, devido aos intensos trabalhos de reconversão e modernização que aqui decorrem nestes portos e nas redes ferroviárias.

Atualmente, emigram por ano mais de cem mil portugueses, que se vão somar aos 5,1 milhões de portugueses residindo hoje em dia no exterior do país. Portugal torna a tornar-se assim num país de emigrantes… e com a debandada de imigrantes do Leste europeu – sobretudo ucranianos – dos últimos anos, torna-se menos no país de imigrantes que estava a começar a ser.

Fontes:

http://www.mundoportugues.org/content/1/3294/emigraram-portugal-vinte-sete-mil-pessoas

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Quids S15: Em que navio estavam estes homens?

deeeeeeo

1. Todos os quids valem um ponto.

2. Os Quids são lançados pela manhã. Entre as 6:00 e as 10:00 (Hora de Lisboa)

3. As pistas só serão dadas à hora de almoço (12:30-14:30). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, desde que pedidas por um (qualquer) dos participantes.

4. Só há quids entre 2ª e 6ª (incluindo feriados). Salvo imprevisto…

5. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

6. É vivamente desencorajado o uso de vários nicknames para o mesmo concorrente, já que desvirtua o espírito do jogo. Lembrem-se que o IP tudo revela…

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Do bom exemplo da gestão autárquica do Concelho de Vila Pouca de Aguiar

“O Concelho de Vila Pouca de Aguiar está a apostar na energia eólica, prevendo ter instalados cem aerogeradores até 2012, que vão render cerca de cem mil euros por mês aos cofres da autarquia.” (…) “ate 2012 serão espalhados pelas serras do concelho mais 60 ventoinhas (a somar às 40 já instaladas), que produzirão mais 140 mw. No total, vai ficar com perto de 200 mw instalados.”

Fonte:
Diário de Notícias, 25 de novembro de 2008

Este exemplo devia ser seguido por muitos outros concelhos do pais. Com excepção dos concelhos exclusivamente urbanos, existe um grande potencial para que os municípios recorrendo ao triângulo vento-sol-minihídricas conseguiam instalar empresas municipais auto-suficientes e capazes de produzir uma percentagem muito substancial da energia consumida localmente. Estes três vértices da produção de energia renovável estão abundantemente disponíveis na maioria dos locais do pais, e conseguirão libertar o pais da crónica dependência das importações de combustíveis sólidos ao mesmo tempo que criam emprego e industriais locais.

O nosso paradigma económico é o do professor E.F.Schumacher, onde a prioridade é sempre concedida às economias locais. Um modelo de produção de energia como este adoptado em Vila Pouca de Aguiar é perfeitamente compatível com esta visão e exemplar quando dizemos que acreditamos que o futuro de Portugal está no regresso a um modelo de administração do território onde se substitui o centralismo por uma federação de municípios livres e democráticos.

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