Sobre a reação de Obama à recessão nos EUA

“Os Estados Unidos preparam-se para assistir ao lançamento de algumas das políticas de estimulo económico mais agressivas da sua história, à medida que a futura Administração Obama e a Reserva Federal norte-americana tentam, com investimento público, cortes de impostos e taxas de juro próximas do zero, evitar a entrada num período prolongado de depressão.”
(…)
“o pacote de ajuda à economia de 175 mil milhões de dólares por dois anos proposto durante a campanha eleitoral será largamente ultrapassado. É isto que dizem vários acessores de Obama, que colocam a fasquia do futuro plano acima dos 500 mil milhões de dólares, um valor próximo de 3,5 por cento do PIB norte-americano. Este número acresce aos 700 mil milhões já disponibilizados no plano de ajuda ao sector financeiro.”

Sérgio Aníbal
Publico. 25 de novembro de 2008

Os EUA, devido ao seu intenso descentralismo e a uma energia anímica que após momentos de grave e aparentemente derradeira crise, sempre conseguiram escapar a qualquer ocaso. Esta energia pode revelar-se agora novamente determinante para alavancar uma recuperação a partir de um momento de crise que parece grave, porque decorre num momento em que a industria norte-americana se deslocalizou e o vital setor financeiro se deixou enredar numa fátua economia de casino improdutiva mas fugazmente imensamente rentável. As ultimas duas décadas retiraram doses massivas de capital ao setor produtivo, transferindo-o para especulações e atrevidos voos financeiros cuja falta de sustentação é agora reconhecida mesmo pelos mais obcecados economistas que ainda há meses atrás não vislumbravam qualquer sinal da presente crise.

Obama parece ser o homem certo no momento e lugares certos. Senhor de uma capacidade de liderança e de um instinto oratório raro, soube reunir-se – sem dogmatismos – de um circulo de lugares tenente de capacidades reconhecidas. Sabiamente, e porque a guerra no Iraque está a consolidar-se na forma de uma vitoria, soube manter Gates no cargo, num movimento sem precedentes no Ocidente… Onde se conceberia em Portugal manter em funções um ministro do governo do partido oposto “apenas” porque este se revela competente no cargo? Soube também atrair para a importante cadeira da secretaria de Estado (Negócios Estrangeiros) Hillary Clinton, esquecendo sabiamente uma campanha onde os apoiantes da senadora nem sempre souberam manter o exigido nível de civilitude e decência… Extremamente inteligente, de mente jovem e ágil, Barack Obama tem revelado nesta fase ainda anterior à sua entrada na Sala Oval, capacidades de liderança e a capacidade para delinear um programa de estimulo económico já não tão focado nos egoístas interesses de Wall Street, mas mais inclinado para as famílias e empresas americanas, sem estar demasiado obcecado com déficit ou taxas de juro, como estão os “líderes” (pouco) europeus…

Alguns começam já a dizer que os piores tempos desta recessão que agora se confirma serão os primeiros três meses de 2009… Precisamente aqueles em que se concentrarão as medidas reativas de Obama e o tempo que estas levarão a fazer surtir os seus primeiros efeitos. Com efeito, não tenhamos dúvidas. Se foi nos EUA que surgiu o epicentro desta atual turbulência económica mundial, será dali também que surgirão os primeiros sinais de recuperação. E é nossa convicção que estes virão pela mão das primeiras decisões do presidente Obama. Veremos se o tempo nos dá razão.

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Categories: Economia, Política Internacional | Etiquetas: | 3 comentários

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3 thoughts on “Sobre a reação de Obama à recessão nos EUA

  1. A recessão está sendo enfrentada, por todos os países do planeta. O sr obama, na alemanha na reunião da otan diz que quer um mundo sem armas nucleares, deve ser dos outros países…eles que iniciaram a corrida atômica;. hilário .

  2. sim, ele que dê o exemplo… os ooutros seguirão…

  3. É isso aíh…direto e objetivo.

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