A missão lunar indiana Chandrayaan-1 chega à Lua e torna a Índia o terceiro país a colocar um engenho no solo lunar

A 14 de novembro de 2008, a União Indiana conseguiu colocar uma bandeira do seu país na superfície da Lua. A bandeira estava pintada na “Moon Impact Probe” (MIP) que colidiu com o solo lunar no pólo sul do nosso satélite. O MIP é uma das 11 cargas úteis da sonda lunar indiana Chandrayaan-1 e o momento em que colidiu com a Lua foi um momento histórico, tornando essas 20:31 horas de 15 de Novembro o dia em que um terceiro país – além da ex-URSS e os EUA – coloca um equipamento científico no nosso satélite natural.

O MIP pesa apenas 34 kg e incorpora três instrumentos: um sistema de captura de imagens de video, um altímetro por radar e um espectómetro de massa. O sistema devia captar imagens da Lua à medida que se ía aproximando da sua superfície, medindo a taxa de descida e recolhendo dados sobre a ténue (mas real) atmosfera lunar. Como esta:

O MIP após ter sido largado pela Chandrayaan-1 viajou durante 25 minutos até ao solo lunar, período durante o qual ligou os seus foguetes várias vezes de forma a assegurar uma separação bem sucedida da nave-mãe. Depois, tornou a usar os mesmos foguetes para retardar a sua descida, enviando sempre dados por rádio para a Chandrayaan-1. Esta gravou estes dados na sua memória e reenviou-os depois para Terra. Infelizmente, o MIP calou-se no momento do impacto, o que estava previsto, mas que determinou o fim da curta vida da primeira presença indiana na Lua…

Atualmente, todos os instrumentos da sonda lunar indiana estão operacionais e a funcionar sem problemas.

A Chandrayaan-1 foi lançada em 22 de Outubro pelo lançador pesado indiano PSLV-C11 e colocada inicialmente numa órbita elíptica que depois foi alterada através do impulso do motor de combustível líquido Newton 440 durante perto de 3 minutos, até alcançar a órbita lunar a 8 de novembro. Posteriormente, novas correções de atitude, levariam a sonda até uma órbita de apenas 100 km, onde deverá permancer até ao fim da sua vida útil, em 2012.

Além do MIP, a sonda tem vários instrumentos com finalidades diversasm, cinco construídos na Índia e seis construídos nos EUA, Grã-Bretanha e Alemanha. Entre estes destaca-se o Mini-SAR que vai procurar detectar água gelada em zonas de sombra permanente no solo lunar, o OBC695B, construído pela empresa britânica BAE Systems e que sendo um computador especialmente construído para resistir às duras condições ambientes do Espaço profundo age como o cérebro da sonda e que já fora usado com grande sucesso pelo GIOVE-A, o percursor da rede Galileo, o sistema GPS europeu. A sonda é alimentada por um único painel solar com capacidade para 700 Watts.

O sucesso desta missão, e a sua maior amplitude que a prévia missão chinesa Chang’e (onde inclusivamente se chegou a questionar a origem das fotografias) prova que a Índia merece plenamente o estatuto de grande potencia espacial… falta agora colocar em órbita um astronauta indiano por meios próprios… A missão Chandrayaan-1 deve ter custado perto de 91 milhões de dólares, e a sua sucessora, a Chandrayaan-2 deve ficar em pouco mais de 97 milhões. Estes valores, que podem ser elevados comparados com os altos níveis de pobreza ainda registados na União Indiana, são notavelmente inferiores aos de um lançamento de um Shuttle “reutilizável”, da NASA, que deve andar pelos… 450 milhões de dólares! É claro que se compararmos este custo ao do programa nuclear militar indiano, com os seus impressionantes 15 biliões de dólares, o preço da exploração lunar rapidamente se dissolve… especialmente tendo em conta a vantagem propagandística obtida por mais este lançamento do fiável e barato lançador pesado indiano, PSLV-C11, o lançador pesado mais económico da atualidade e um seríssimo concorrente no mercado mundial de lançamento de satélites, os 91 milhões acabam muito diluídos…

Fontes:

http://spacefellowship.com/News/?p=7362

http://www.moondaily.com/reports/Indian_Tricolour_Reaches_Lunar_Surface_999.html
http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/7718015.stm

Categories: Ciência e Tecnologia, SpaceNewsPt | Etiquetas: , | 6 comentários

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6 thoughts on “A missão lunar indiana Chandrayaan-1 chega à Lua e torna a Índia o terceiro país a colocar um engenho no solo lunar

  1. Agr só falta nós brasucas efetuar nosso Vls com um satélite geoestaciobário…o resto ed + fácil depois disto…quem viver verá …Apesar de toda violência contida , pela ignorância de “castas”, os DALITY’S ,o terrorrismo, eles estão de parabéns.

  2. bem verdade. a omissão do Brasil neste domínio é gritante.
    o Espaço, pelas riquezas do espaço exterior, pela importancia da tecnologia que requer e até pelo grau de desenvolvimento que a sua exploração demonstra devia ser uma prioridade para todas as nações em desenvolvimento.
    uma lacuna que brevemente poderá ser colmatada… mas já com grande desvantagem em curso, como demonstram os recentes feitos espaciais dos outros BRIC e até do Irão…

  3. Falou, é isso aíh.

  4. nesse contexto, a parceria com a Ucrânia seria uma forma de recuperar esse atraso…
    http://www.dji.com.br/decretos/2006-005894/2006-005894.htm

  5. gaitero

    Interessante este titulo, a missão lunar chega a lua…

    Poxa ainda bem poir se chegassem em marte ^^

  6. ok! 😉
    bem que havia algo neste título que não me estava a soar bem!

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