Monthly Archives: Dezembro 2008

Angola vai ter um satélite: o “Angosat”

Angola vai lançar em Janeiro de 2009 um satélite de comunicações. O satélite “Angosat” será o primeiro de uma rede comunicações designada de Infrasat. O objetivo é de permitir o uso de telefones móveis e internet em zonas remotas do país e é uma vertente de um plano governamental para estender a utilização da Internet em Angola. O satélite vai usar o sistema “TrunkSat” para disponibilizar serviços de telecomunicações às operadoras CDMA e GSM angolanas, expandindo a sua área de cobertura. O satélite vai também disponibilizar canais de televisão e de rádio em língua portuguesa ao território angolano, tendo como objetivo potenciar a aparição de canais de televisão locais.

O acordo para a construção deste primeiro satélite angolano foi assinado entre o Ministro dos Correios de Angola e o consórcio russo Rosoboronexport por um valor que rondará os 327 milhões de dólares.


Fontes:

http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=91435&Seccao=geral
http://news.xinhuanet.com/english/2008-12/30/content_10577984.htm
http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=20833
http://www.russia-ic.com/news/show/6947/

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Dia da Consciência Negra, todo o ano

“… A segregação racial permanece viva no quotidiano e na memória dos afro-descendentes. Em 1888 é abolida oficialmente a escravatura, contudo o preconceito e o afastamento premeditado manteve-se. As políticas sociais e culturais tardaram a integrar os filhos da mais bárbara exploração perpetrada na Idade Moderna. A escravatura interna, vigente no continente africano, não serve de desculpa para as atrocidades cometidas com o mercado negreiro. O projecto de branqueamento sociocultural do Brasil não fez mais do que perpetuar a exclusão e o racismo. Hoje, em pleno século XXI o Brasil começa a colocar a mão na consciência histórica e multiplica as acções afirmativas. Todavia, na base social o preconceito e a intolerância (tolerância também é uma palavra feia) mantêm-se. (pág.7 – “Dia da Consciência Negra, todo o ano“)
# excerto de artigo publicado na revista Sem Correntes. Download gratuito da revista.
[JFD]
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A Rússia terá mesmo vendido S-300s ao Irão?


(Sistema S-300 in http://www.enemyforces.net)

Mas afinal a Rússia vendeu ou não, os sofisticados sistemas de defesa aérea S-300 ao Irão? No passado dia 26, um representante da diplomacia russa negou a notícia, que tinha origem nas declarações de um deputado iraniano segundo o qual a Rússia teria começado a entregar mísseis S-300 e os seus respectivos lançadores à República Islâmica. Os russos chegaram mesmo a acusar os media de “falta de notícias” e de estarem a inventar para “vender papel”. É certo que outras fontes russas também indicam que esta venda ocorreu mesmo… Por exemplo, o deputado russo Esmaeil Kosari, que é nada mais nada menos que membro da comissão parlamentar de segurança nacional e política externa afirmou à agência noticiosa iraniana que a Rússia tinha começado a enviar componentes dos S-300PMU-1 para o Irão… Outra fonte, desta feita um artifo da RIA Novosti alegava que a Rússia estaria a vender cinco batalhões de sistemas S-300, ou seja entre 20 a 60 sistemas lançadores, tendo cada um três tubos.

Os mísseis 48N6E2 dos S-300 PMU-2 têm um alcance entre os 150 km e os 200 km e são considerados dos sistemas anti-aéreos mais eficientes do mundo, com a capacidade de atacar seis alvos por sistema, lançando 12 misseis. Ou seja, um batalhão com 4 sistemas lançadores pode enfrentar 24 aviões ao mesmo tempo.

Obviamente, os EUA estão muito preocupados com estas alegações, já que se forem bem utilizados, os S-300 poderão abater os aviões israelitas ou norte-americanos que realizem raids sobre instalações nucleares iranianas… Atualmente, o Irão já opera 29 sistemas Tor-M1 de médio alcance, que já preocupam sobremaneira.

Fonte:
http://english.farsnews.com/newstext.php?nn=8710060954

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Resposta a Renato Epifânio em "SOBRE O PENSAMENTO POLÍTICO DE AGOSTINHO DA SILVA"

“SOBRE O PENSAMENTO POLÍTICO DE AGOSTINHO DA SILVA
Para o Clavis, em jeito de comentário geral à última série de textos que ele aqui publicou. E em homenagem ao seu grande empenhamento neste projecto.”

Obrigado, Renato, mas o meu maior empenhamento será sempre uma fração daquele que lanças sobre os projetos da Nova Águia e do MIL.

“1. Que Agostinho da Silva teve um pensamento político, isso é inegável. Esse pensamento político decorre, muito simplesmente, da sua visão de Portugal, da Comunidade Lusófona e do Mundo. Ora, como sabemos, Agostinho da Silva foi um homem coerente e consequente – logo, não poderia ficar apenas no plano “cultural” e “espiritual”. Para mais, porque ele foi tanto um homem de pensamento quanto um homem de acção. E o melhor contra-exemplo para quem acha que há alguma incompatibilidade entre esses dois planos…”

Sejamos claros: existem várias interpretações e visões para aquilo que o MIL é ou pode ser. Para mim, é uma forma de procurar realizar a visão política de Agostinho que sumariamente comentei nestes dez artigos. Agostinho agiu, em Portugal e, sobretudo no Brasil. Não teve uma interpretação do Pensamento como sendo algo que esterilmente se move apenas nos domínios do intelecto ou das abstracções, trabalhando no terreno no Brasil, entre as populações locais e aconselhando políticos e até o presidente do Brasil.

“2. Tendo tido um pensamento político, esse pensamento não se encaixa nos mais vulgares quadros mentais – que tudo dividem entre “esquerda” e “direita”. E, por isso, de facto, Agostinho foi olhado com profunda desconfiança e suspeição quer pela “direita” quer pela “esquerda”. Porque, em última instância, estava para além de uma e de outra. Porque, desde logo, conseguia ser simultaneamente de esquerda – sobretudo, no plano social – e de direita – sobretudo, no plano cultural…”

Por isso não vejo o movimento consubstanciado no MIL como um movimento ou “protopartido” de Direita ou de Esquerda. Se é o pensamento de Agostinho da Silva que lhe serve de propulsor essencial e este não pode ser facilmente encapsulado nesta clássica mas anacrónica estratificação política então não podemos encaixar o MIL em qualquer um destes locais virtuais do espectro político. Talvez resulte daqui alguma da ira que pela blogoesfera mais ligada à Extrema Direita se sente em relação ao MIL e à Nova Águia: a frustração por não terem aqui…

“3. Desde logo por isso, o seu comprometimento com o jogo político nunca foi muito efectivo. Mas também não exageremos – no Brasil, Agostinho da Silva foi assessor do Presidente Jânio Quadros, tendo antes apoiado um concorrente deste. Em Portugal, é certo que nunca apoiou expressamente nenhum candidato e/ ou partido. Mas o próprio explicou porquê: tinha regressado a Portugal depois de 25 anos fora; não se queria indispor com ninguém (há uma “Conversa Vadia” em que ele diz isso claramente). E por isso também chegou a recusar uma candidatura própria à Presidência da República…”

O Professor era um arquitecto, no sentido de que sempre se preocupou mais com estabelecer alicerces, lançar ideias e conceitos novos ou adormecidos, do que em correr a alistar-se a qualquer partido ou em alinhar em qualquer disputa por qualquer cargo de poder. Verdadeiro filósofo, sempre optou por terçar no plano das ideias e não dos diretos – e tantas vezes sujos ou promíscuos – combate estritamente políticos. Preferiu plantar a colher e se hoje podemos encarar o seu pensamento político como uma alternativa ao obsoleto, decadente e cada vez menos representativo sistema partidário português, tal deve-se também ao facto de o Professor ter sabido manter-se distante de um simples alinhamento político.

“4. E quanto ao MIL? O MIL tem uma visão de Portugal, da Comunidade Lusófona e do Mundo. Logo, tem uma perspectiva política. Em que medida será coerente e consequente com ela, isso, depois, ver-se-á. Acho que não nos devemos precipitar a esse respeito. O MIL, enquanto tal, não tem sequer um ano de vida…”

É impossível pensar Portugal e a comunidade lusófona sem a pensar politicamente. Não advogo contudo que o MIL se deva transmutar imediatamente num puro movimento ou partido político. Para isso seria necessário refundar o próprio movimento, fazer sufragar a mudança de orientação entre todos os atuais membros do MIL e, sobretudo, seria preciso ganhar uma “massa crítica” de intervenção social, cultural e cívica que ao fim de apenas um ano de existência ainda não lográmos obter. O MIL tem tomado (e tomará) varias posições políticas e/ou cívicas e nesse sentido JÁ é até um movimento político… E não poderá deixar-se encastrar no mero enclave da defesa da “cultura lusófona” ou de outros temas académicos e intelectuais. Para ser efetivo, para ser capaz de interferir nos destinos do mundo e cumprir ainda que parcialmente os sonhos de Vieira, Pessoa e Agostinho, tem que ser atuante. E esse espaço de ação tem que ser político, hoje e amanhã. Em formas diferentes de acordo com as circunstâncias e condicionantes de cada momento. Neste momento sob a forma de “movimento cultural e cívico”, amanhã sob a forma que for mais adequada, seja ela qual for…

“5. Algo, contudo, posso desde já antecipar, com toda a certeza (porque te conheço, e porque, conhecendo-te, sei que és uma pessoa coerente e consequente). Se algum dia chegarmos a esse patamar mais declaradamente político, tu serás um daqueles que estarás a bordo…”

A coerência de pensamento não deve ter o valor de um Dogma, mas mudar de opinião quanto a questões fundamentais não é de facto a minha política… Mudo naquilo que deriva delas e sempre que os factos apontam para o erro da posição inicial, mas neste contexto da defesa da Lusofonia, da União lusófona, da primazia das Economias Locais e das moedas locais, do Municipalismo, das economias comunalistas e “gratuitas”, assim como na abolição do “Estado Central”, da Partidocracia e da saída de Portugal da União Europeia não vejo como hei de mudar, sem mudar algo de essencial em mim… Estou nesses combates e estarei sempre, ao lado do MIL, onde essas posições forem consistentes com as do Movimento e à frente ou ao lado dele quando não o forem. Nesse sentido, estarei sempre “a bordo”, ainda que possa navegar no navio do lado ou no galeão da frente…

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Quids S15: Como se chama esta mulher e que filme é este?

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1. Todos os quids valem um ponto.

2. Os Quids são lançados pela manhã. Entre as 6:00 e as 10:00 (Hora de Lisboa)

3. As pistas só serão dadas à hora de almoço (12:30-14:30). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, desde que pedidas por um (qualquer) dos participantes.

4. Só há quids entre 2ª e 6ª (incluindo feriados). Salvo imprevisto…

5. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

6. É vivamente desencorajado o uso de vários nicknames para o mesmo concorrente, já que desvirtua o espírito do jogo. Lembrem-se que o IP tudo revela…

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A Rússia vende sistemas anti-aéreos “S-125 Pechora-2M” a sete países


(Lançamento de teste de um míssil anti-aéreo S-125 in http://www.inteldaily.com)

A Rússia vendeu sistemas anti-aéreos “S-125 Pechora-2M” a sete países, como a Síria, a Líbia, a Venezuela, ao Egipto, à Birmânia, Vietname e Turquemenistão. O valor total da venda de 200 destes mísseis (dos quais 70 para o Egipto), segundo o jornal russo Vedomosti rondou os 250 milhões de dólares. O sistema antiaéreo não será dos mais modernos à disposição da industria armamentista russa já que o “Pechora” é de facto uma versão atualizada dos sistemas SA-3A Goa que foram criados na década de sessenta e usados com tanta profusão em conflitos como as diversas guerras israelo-árabes e na guerra do Vietname.

O sistema antiaéreo não será dos mais sofisticados da atualidade, mas continua a ser eficaz contra aparelhos a reação voando a baixas altitudes e que não estejam equipados com as tecnologias de ECM ou que sejam tão furtivos como os aviões de 4,5ª geração (Typhoon, Rafale, SuperHornet, etc). O sistema, também conhecido como S-125 “Neva” já na década de 60, quando foi desenvolvido, não era dos sistemas soviéticos que garantiam intercepções a maiores altitudes nem a mais longas distância, contudo, porque se trata de um míssil de dois estádios, sempre foi muito manobrável, sendo capaz de iludir muitas das manobras de diversão que os pilotos de caça que estão ao alcance podem conceber. O míssil é comandado por rádio e alcança velocidades de Mach 3,5. Em suma, é uma boa arma para ser usada em disparos de saturação, misturados com o lançamento de outros mísseis ou para ser usado contra inimigos que não disponham dos aparelhos de caça mais recentes do mundo… O seu preço baixo implica também que pode estar ao alcance de países que queiram ter uma arma de Defesa Aérea, mas que não possam (ou não queiram) adquirir os sistemas mais eficientes e muito mais caros S-300. Dentro da devida excpectativa pode ser ainda um bom sistema de armas e encarado com o devido respeito por qualquer adversário que o tenha que enfrentar.

Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/S-125
http://www.inteldaily.com/news/178/ARTICLE/9092/2008-12-26.html

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O INPE está a realizar testes sobre os dois novos satélites CBERS 3 e 4


(Concepção artística do CBERS-2 in http://www.inpe.br)

O “Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais” (INPE) brasileiro iniciou uma bateria de testes ao modelo mecânico dos satélites CBERS 3 e CBERS 4, O CBERS 3 deverá ser lançado em 2010 e o CBERS 4 em 2013. Os dois modelos mecânicos estão a ser testados no “Laboratório de Integração e Testes” (LIT) do Instituto em São José dos Campos e têm como objetivo simular as vibrações e o som que os satélites têm que suportar no momento do lançamento. O desenvolvimento da parte mecânica dos satélites é da responsabilidade do Brasil, via INPE, que subcontratou essa tarefa para o consórcio CFF (Cenic e Fibraforte).

Os satélites CBERS 3 e 4 são uma variante a partir doos CBERS 1, 2 e 2B, tendo sido o CBERS 1 lançado em 1999 e operado até agosto de 2003. O CBERS 2 foi lançado em 2003 e esteve ativo até outubro de 2008. O CBERS 2B lançado em Setembro de 2007. Os CBERS 3 e 4 irão incorporar 4 camaras (“Câmera PanMux – PANMUX, Câmera Multi Espectral – MUXCAM, Imageador por Varredura de Média Resolução – IRSCAM, e Câmera Imageadora de Amplo Campo de Visada – WFICAM” do site do INPE). Os dois novos satélites vão ser colocados nas mesmas órbitas dos seus antecessores.

A sigla “CBERS” significa “China-Brazil Earth Resources Satellite”. O programa resulta de um acordo estabelecido com a China em 1988 para o desenvolvimento de uma série de satélites de observação da Terra e têm como objetivo a recolha de dados segundo certas especificações estabelecidas pelos governos chinês e brasileiro, havendo a possibilidade de comercialização das imagens recolhidas a outras nações ou entidades internacionais. Contudo, o INPE optou por ceder essas imagens a custo zero, o que tornou a instituição no maior distribuidor de imagens de satélite do planeta, tendo entregue já perto de 450 mil imagens gratuitas aos países da América do Sul que se encontram ao alcance das antenas dos satélites e, desde finais de 2007, aos paises africanos que as possam recolher tendo como objetivo a monitorização de desastres naturais, desflorestação, assim como gestão agrícola e saúde pública. No Brasil estas imagens são usadas para controlar a desflorestação na Amazónia e informação de gestão agrícola.

Os CBERS 3 e 4 resultam de um acordo de 2002 onde se estipulou que os dois países dividiram os custos de desenvolvimento em 50% (os três satélites anteriores foram divididos na proporção China 70% / Brasil 30%)

Fontes:
http://news.xinhuanet.com/english/2008-12/22/content_10542136.htm
http://www.socialmedian.com/story/2163797/brazil-begins-mechanical-tests-on-next-cbers-satellites
http://www.cbers.inpe.br/

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A Pedra no Charco: o Povo

“E o povo?”, dir-se-á. O pensador ou o historiador que empregue esta palavra sem ironia desqualifica-se. O “povo”, sabe-se demasiado bem a que se destina: padecer os acontecimentos e as fantasias dos governantes, prestando-se a desígnios que o abatem e anulam. Toda a experiência política, por mais “avançada” que seja, desenrola-se às suas custas, dirige-se contra ele: ele traz os estigmas da escravatura por decreto divino ou diabólico. Inútil apiedar-se dele: a sua causa é sem recurso. Nações e impérios formam-se pela sua complacência com as iniquidades de que é objecto. Não há chefe de estado ou conquistador que não o despreze; mas ele aceita este desprezo e dele vive. Cessasse de ser frouxo ou vítima, faltasse aos seus destinos, a sociedade desvanecer-se-ia e, com ela, toda a história. Não sejamos demasiado optimistas: nada nele permite considerar uma tão bela eventualidade. Tal qual é, representa um convite ao despotismo. Suporta as suas provações, por vezes solicita-as, e não se revolta contra elas senão para correr em direcção a novas, mais atrozes que as antigas. Sendo a revolução o seu único luxo, para ela se precipita, não tanto para daí retirar alguns benefícios ou melhorar a sua sorte, antes para adquirir também o direito de ser insolente, vantagem que o consola das suas habituais desgraças, mas que perde assim que são abolidos os privilégios da desordem. Não havendo nenhum regime que assegure a sua salvação, acomoda-se a todos e a nenhum. E, desde o Dilúvio até ao Juízo, tudo aquilo a que pode pretender é a executar honestamente a sua missão de vencido”

– E. M. Cioran, “Histoire et Utopie”, in Oeuvres, Paris, Gallimard, 1995, pp.1010-1011.

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Sobre o acordo franco-brasileiro para a construção de 4 submarinos, dos quais um nuclear e… questões sobre o modelo original a ser usado

(Concepção artística do submarino "Scorpene" da DCN francesa in http://www.naval-technology.com)

O acordo recentemente assinado entre o Brasil e a França para a construção de quatro submarinos diesel, e que inclui o compromisso francês no sentido de auxiliar a nação lusófona a construir um submarino nuclear é um dos anúncios do ano, não somente no Brasil, como em França. Embora relatos iniciais referissem que os brasileiros não estavam interessados em incluir um sistema AIP nestes submarinos, existem agora alguns indícios de que com sorte, poderá não ser assim… Já que parecem haver indicações que não será construído nenhuma variante local de nenhum submarino existente, mas um navio completamente novo. Existe também alguma incerteza quanto ao valor exato associado a este acordo, mas podemos chegar a um valor de 6 biliões de euros se subtrairmos os 1,9 biliões da alínea dos helicópteros da Eurocopter/Helibras, o que fará assentar assim nessa cifra o custo destes 5 submarinos.

Os submarinos eram segundo relatos iniciais e anteriores a este acordo da classe “Scorpene“, mas o texto oficial dos estaleiros franceses DCN afirma agora:

“DCNS will act as prime contractor for four conventional-propulsion submarines to be built by the Joint Venture that will be set up by DCNS and Brazilian partner Odebrecht. The submarines will be designed in cooperation with Brazilian teams under DCNS design authority to meet the Brazilian Navy’s specific needs: They will be ideally suited to the protection and defence of the country’s 8,500 km coast. The first submarine is scheduled to enter active service in 2015.” Ou seja… Não são Scorpene, mas um novo submarino, desenvolvido de forma a cumprir as necessidades específicas do Brasil. Isto não teria que ser necessariamente assim, já que por exemplo, a Índia aceitou submarinos “Scorpene” clássicos, sem alterações de monta…

O acordo tem talvez ainda mais relevância no aspeto em que incluir a assistência da DCN na construção do novo submarino nuclear de ataque (SNA) brasileiro… Ignora-se contudo se este desenho será um derivado do Scorpene (o que pode ser interessante para encurtar prazos de desenvolvimento e custos de construção) ou se, pelo contrário, será uma evolução a partir da classe nuclear francesa Amethyste. A notícia da AP indica que poderá ser uma derivação a partir do Scorpene (“The Scorpene is a conventional diesel-powered attack vessel that Brazilian officials say will help them develop a nuclear-propelled submarine“). De qualquer forma, o Brasil não precisa de apoio na construção do reator, tecnologia que já domina, contudo quanto ao casco, é outra coisa… O casco do Amethyste já foi transformado pela DCN noutra classe de submarinos, a Turquoise, que usa a tecnologia AIP Mesma e portanto, a sua seleção como plataforma de base para o SNA seria vantajosa para o Brasil, já que o vital aspecto do treinamento poderia ser feito a bordo de navios franceses idênticos por marinheiros brasileiros. Transformar um Scorpene num SNA seria neste aspeto pelo menos bem mais problemático, porque nenhum Scorpene/Marlin do mundo tem hoje propulsão nuclear…

Todos os cinco submarinos serão construídos localmente pela empresa brasileira Odebrecht sob a supervisão e seguindo os planos da DCN, cabendo à empresa francesa desenvolver nas suas instalações na Europa alguns não especificados “key advanced-technology equipment“, reforçando a indicação de que não se trata de um “Scorpene” puro e se dúvidas ainda restassem, o texto oficial da DCN acrescenta ainda que “The designs for the Brazilian Navy will combine advanced technologies with innovations developed for other programmes, particularly with regard to hydrodynamics, acoustic discretion, automation and combat systems”, numa referência que se pode referir à combinação deste projeto de características do Turquoise com as do Scorpene.

Do pacote total negociado neste acordo entre o presidente francês e Lula da Silva que alcança os 8,6 biliões de euros, 6 biliões serão pagos a empresas francesas, nomeadamente à DCN que receberá os 6 biliões acima indicados. O restante, 2,6 biliões irá para empresas brasileiras, numa proporção a repartir entre a Helibras e a Odebrecht.
Fontes:
http://www.premier-ministre.gouv.fr/chantiers/politique_etrangere_866/voyage_officiel_nicolas_sarkozy_62119.html
http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601086&sid=a40I1rLdhRko
http://www.defenseindustrydaily.com/Brazil-France-in-Deal-for-SSKs-SSN-05217/?utm_campaign=newsletter&utm_source=did&utm_medium=textlink#more-5217
http://www.dcnsgroup.com/press/page.php?lang=en&page=1&item=123124c79d3c81b8020efd1c6590a05c
http://www.google.com/hostednews/ap/article/ALeqM5iyRDMnULjgeHr9hf9i81V9vTKh_QD958ITSG0
http://uk.reuters.com/article/governmentFilingsNews/idUKN2354358020081223?sp=true

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Quids S15: Como se chama esta cruz (nome exato e desta em concreto)?

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1. Todos os quids valem um ponto.

2. Os Quids são lançados pela manhã. Entre as 6:00 e as 10:00 (Hora de Lisboa)

3. As pistas só serão dadas à hora de almoço (12:30-14:30). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, desde que pedidas por um (qualquer) dos participantes.

4. Só há quids entre 2ª e 6ª (incluindo feriados). Salvo imprevisto…

5. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

6. É vivamente desencorajado o uso de vários nicknames para o mesmo concorrente, já que desvirtua o espírito do jogo. Lembrem-se que o IP tudo revela…

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A sonda “Mars Express” encontra novas provas da existência de água líquida no passado marciano

//www.utahskies.org)

(A sonda marciana "Mars Express" in http://www.utahskies.org)

O “OMEGA imaging spectrometer” instalado na sonda marciana europeia “Mars Express” expôs a existência de sulfatos e óxidos ferrosos no planeta vermelho. As concentrações destes compostos químicos que se formam apenas na presença de água líquida foram localizadas na cratera “Aram Chaos” que se localiza a 280 km dos “Valles Marineris”.

Esta descoberta vem confirmar as idênticas às feitas pelo rover marciano Opportunity diretamente no solo em Meridiani Planum e demonstram que a existência de água em várias regiões de Marte e sobretudo quanto comum ela era num passado geologicamente mais ou menos próximo de nós.

Fonte:
http://www.marsdaily.com/reports/Ferric_Oxides_And_Sulfates_In_Equatorial_Regions_Of_Mars_999.html

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O SpaceShipTwo continua a fazer testes com sucesso…

O SpaceShipTwo, está cada vez mais próximo da realidade… A sua nave-mãe, designada WhiteKnightTwo já realizou, em dezembro, o seu primeiro voo. A nave-mãe é propulsionada por quatro motores a jato da Pratt and Whitney, e nos testes de dezembro, todos foram testados, enquanto que nos testes anteriores apenas tinham sido usados dois.

Nenhum problema foi detetado nestes ensaios e mais ensaios serão realizados em 2009 com o par WhiteKnightTwo / SpaceShipTwo. Estes testes continuarão até que a Virgin Galactic esteja pronta a começar a colocar em órbitas baixas os turistas espaciais que já lhe compraram os bilhetes.

Os feitos da companhia do milionário Richard Branson devem ser acompanhados por todos aqueles que se interessam pela exploração espacial. Desde logo a sua abordagem original e criativa, consegue colocar cargas em orbitas baixas por uma fração dos custos oferecidos pelos sistemas convencionais, demonstrando que muitas vezes os privados conseguem cumprir melhor aquilo que os Estados fazem pior e mais caro. Se o factor critico, que é a Segurança for aqui assegurado, não faltará muito tempo para que a Virgin se junte à SpaceX no lucrativo mercado comercial de lançamento de satélites… Apostamos.

Fontes:
http://www.dvorak.org/blog/2008/12/22/maiden-flight-of-burt-rutans-whiteknighttwo-at-mojave/
http://www.tgdaily.com/content/view/40679/113/

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Um inédito de Agostinho da Silva…

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ÁGUIAS[1]

Ide, portugueses, ide! Afrontai as tempestades, os ventos sibilantes.
Segue-vos num olhar de ansiedade e de ternura a Alma Portuguesa; assim Ela outrora olhava os seus nautas destemidos que cortando o mar descobriram a Índia e o Brasil.
Tombastes, águias lusitanas!
É o Adamastor do ar, fremente de raiva e de desespero que vos corta a passagem.
Mas as caravelas do Gama não temeram os rugidos do gigante que se torcia em paroxismos de furor, não recearam as suas profecias horrendas, porque sabiam que a Cruz de Cristo que lhe esmaltava as velas e lutava com temporais no tope dos mastros os protegia.
Heróis, avante!, que Nun’Álvares ergue-se do seu tumulto e vai orar por vós na magnificência rendilhada da Batalha; avante! que D. Henrique no cimo dos rochedos de Sagres olha-vos, como dantes, para procurar nas curvas do horizonte as asas brancas da nau de Gil Eanes.
Duarte Pacheco e Afonso de Albuquerque, Bartolomeu Dias e Gonçalo Velho vêm vibrar em vós a Alma de Portugal, a Alma que palpitou em Cochim, em Ormuz, no Cabo da Boa Esperança.
Camões apara a pena, a velha pena das iluminuras dos «Lusíadas» -, o livro de Horas da Pátria Portuguesa; e em letras de ouro escreve a «Epopeia do Ar».
Das campinas verdes do Minho aos campos quentes do Algarve, das serranias da Beira aos fios de água da Veneza lusitana um frémito de patriotismo percorre o povo português e eleva-se aos ares azuis, os ares que agora sulcais, a voz de Portugal.
– Salve, Heróis! Obrigado, gigantes!

1922

2 Junho 1922 [datação manuscrita]
[1] “Águias”, O Comércio do Porto, Porto, Ano LXVIII, n.º 129, 2 de Junho de 1922, p. 1 (Victor Alberto, pseudónimo de Agostinho da Silva).

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Lima de Freitas: "Portugal como reino independente é filho espiritual de S. Bernardo, confundindo-se a primeira parte da nossa História com a da Ordem

“Portugal como reino independente é filho espiritual de S. Bernardo, confundindo-se a primeira parte da nossa História com a da Ordem do Templo.
A segunda parte, que começa com D. Dinis, é a História do mito do Quinto Império, enquanto a História dos Descobrimentos é, em boa medida, a história da Demanda do Preste João; nos tempos recentes, a História da nossa Restauração é a História do reavivar do mito sebástico e do mito do Quinto Império, como o prova a obra do Padre António Vieira na “História do Futuro”.
Lima de Freitas; “Porto do Graal”; Ésquilo

Portugal confundir-se-ia assim com os propósitos que levaram Bernardo de Claraval a criar a Ordem do Templo. E assim, os destinos, caminhos e objetivos de Portugal e da Ordem do Templo confundir-se-iam. Portugal seria uma criação para a Ordem do Templo, um “reino templário”, um conceito bem compatível com a defesa insistente feita em Portugal contra o mandato papal que exigia a extinção da Ordem. O projeto templário confundia-se com o projeto português e o grande motor da portugalidade que foi o processo dos Descobrimentos e da Expansão portuguesa. O mito do “Quinto Império” que hoje ainda sobrevive com tanta energia na cultura lusófona é uma persistência desse perdido projeto templário, que se tentou concretizar em Portugal e na sua Expansão e que ainda verá a luz do dia, é essa a nossa convicção, assim como um dos temas do MIL: Movimento Internacional Lusófono: Um novo tipo de organização social e política universalista, fraterna e verdadeira humana.

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Da queda da produção industrial japonesa e do que ela significa para a economia mundial

A queda de 8,1 por cento na produção industrial japonesa é simplesmente a maior descida alguma vez registada no país do Sol Nascente. Este fenómeno reflete uma regressão brutal nas exportações em mais de 26 por cento e nos níveis de consumo do mundo Ocidental, principal importador dos bens tecnológicos e dos veículos automóveis fabricados neste país do Extremo Oriente.

A queda da produção industrial é mais intensa do que previam os economistas e o governo nipónico e sucede na linha da queda já registada em 2007, ainda bem antes da eclosão da presente crise financeira, a qual fora já da ordem dos 16,2 por cento.

O maior factor responsável por esta retração das exportações japonesas e da recessão do Japão, é a própria recessão nos EUA. Estes são o maior importador dos produtos japoneses e como os norte-americanos têm feito depender os seus elevados padrões de consumo de níveis crescentes de endividamento, não dos rendimentos salariais (estagnados ou em retrocesso há várias décadas) e estes reduziram-se dramaticamente com a crise financeira o consumo está a cair nos EUA abruptamente. O fenómeno do sobreendividamento não é contudo exclusivo dos EUA, mas verifica-se em graus diferentes em praticamente todo o mundo e está a arrastar o mundo para uma depressão comparável apenas à de 1929. Se as coisas forem minimamente semelhantes, teremos deflação, uma recessão que só daqui a dois anos alcançará o seu pico e que durara dez anos… Sendo apenas terminada com
… Uma guerra mundial.

Será que os senhores do CFR e do grupo de Bilderberg preparam bombardeamentos da NATO ao Irão, uma guerra entre o Paquistão e Índia e o reacender da guerra na Somália e no Afeganistão como prepararam (acreditam alguns teóricos da Conspiração) a segunda Grande Guerra para cessar com a “Grande Depressão” da década de trinta?

Fonte:
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1354172&idCanal=57

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Da adopção do português na Argentina e da expansão da Lusofonia no mundo

“A língua portuguesa passou a constar obrigatoriamente no leque de disciplinas opcionais das escolas secundárias na Argentina. O plano será implementado por todo o país até 2016, mas a prioridade serão as regiões fronteiriças com o Brasil, nas quais a língua vai ser integrada nos currículos educativos a partir do ensino primário”

Vera Monteiro
Público, 23 de dezembro de 2008

Se dúvidas houvesse, eis mais uma demonstração do truísmo de que a língua portuguesa não é mais propriedade de Portugal. Não é também propriedade do Brasil, nem de outro país lusófono. É hoje algo que pertence a todos os que a falam. Na América do sul, o peso económico, demográfico e político do Brasil é inquestionável. Este verdadeiro país-continente apresenta hoje vários sinais de que poderá atravessar a presente crise financeira (prestes a transformar-se em depressão global) sem interromper o seu desenvolvimento económico e social. Será este peso dominante neste subcontinente que está a tornar o Brasil um pólo atrativo para a lusofonia na América do sul. Não é Portugal, é o Brasil.

Perante a constatação da crescente importância do Brasil na promoção e defesa da Lusofonia num mundo cada vez mais globalizado e anglófono, Portugal e os demais países lusófonos devem decidir se se mantém arreigados a lógicas neocoloniais anacrónicas ou se, pelo contrário, optam por refundar a perdida pátria lusófona e esquecemos a artificial barreira de fronteiras políticas, prezando mais as proximidades culturais, linguisticas e emocionais do que as distâncias geográficas e as esquadrias dos diplomatas e reconhecendo que qualquer expansão da lusofonia é a expansão de todos os lusófonos e o reconhecimento do óbvio papel de liderança que o Brasil tem no seu seio, assim como a irrelevância das fronteiras políticas quando a língua e a cultura que as atravessam são uma só e mesma… Pátria lusófona.

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Quids S15: Que fragata é esta?

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1. Todos os quids valem um ponto.

2. Os Quids são lançados pela manhã. Entre as 6:00 e as 10:00 (Hora de Lisboa)

3. As pistas só serão dadas à hora de almoço (12:30-14:30). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, desde que pedidas por um (qualquer) dos participantes.

4. Só há quids entre 2ª e 6ª (incluindo feriados). Salvo imprevisto…

5. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

6. É vivamente desencorajado o uso de vários nicknames para o mesmo concorrente, já que desvirtua o espírito do jogo. Lembrem-se que o IP tudo revela…

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Vantagens da integração (União política) Portugal-Brasil

Como qualquer conceito novo e aparentemente “revolucionário”, a ideia de uma união política e económica entre Portugal e o Brasil encontra necessariamente na maioria dos espíritos que a confrontam pela primeira vez uma natural aversão. Apesar de o Brasil ser o país que pela cultura, pela língua e até pelo modo particular de viver a vida mais próximo se encontra de Portugal (com excepção talvez da Galiza), a ideia de uma União Portugal-Brasil ainda não congregou a massa crítica suficiente para ascender à agenda mediática e tornar-se uma proposta viável a curto ou médio prazo.

E entre aqueles – raros – que já estão familiarizados com o conceito nem todos concordam na visão daquilo que seria efetivamente uma União Portugal-Brasil. Alguns brasileiros encaram-na apenas como uma extensão ate à Europa da sua federação, “anexando” Portugal como mais um Estado. Alguns portugueses, encaram por seu lado, a União como uma forma de reeditar um “império colonial” anacrónico e saudosista no pior sentido do termo. Na verdade uma qualquer forma de “União Portugal-Brasil” nunca poderia ser viável ou estável se assumisse alguma destas duas formas. Nem os portugueses aceitariam qualquer forma moderna de imperialismo brasileiro, nem os brasileiros aceitariam qualquer regresso a um império de que souberam sair no século XIX.

Dito isto, parece claro que qualquer forma viável, perene e dinâmica de “União Lusófona” nunca poderá assumir nenhuma forma “imperialista”, nem brasileira, nem portuguesa. Simplesmente, os tempos não estão já conformes a essas formas de imposição da vontade de terceiros nem nenhuma das partes tem a forca económica ou militar para impor à outra a sua vontade. Logo, uma União Portugal-Brasil teria necessariamente que assumir sempre uma nova forma de organização política e económica, compatível com o desejo de autonomia expresso por varias vezes e de forma bem cabal ao longo dos tempos pós portugueses e brasileiros, preservar o sentimento de independência nacional de cada povo.

Logo, uma “União Portugal-Brasil” teria que ser não um fim em si, mas um patamar inicial para uma estrutura de maior fôlego e âmbito, um protótipo para um “União Lusófona” de que Portugal e Brasil seriam apenas os percursores, dando o exemplo que, depois seria seguido pelos demais povos lusófonos, erguendo os pilares de uma estrutura pluri-continental que desde Timor aos Açores fosse um verdadeiro farol das novas formas de organização, de dialogo e coexistência de que são capazes os povos lusófonos.

As estruturas estatais atuais não conseguirão organizar um tal tipo de União. O modelo federal – que pressupõe sempre a entrega de uma parcela muito significativa da Soberania a uma entidade central – não conseguira lidar eficazmente com as diferenças geográficas, económicas e sociais dos dois países. E sobretudo, uma federação aplicada no seu modelo clássico não iria aplacar os interesses daqueles que temem um “imperialismo brasileiro” que esmagaria pela forca do numero dos 180 milhões de brasileiros os 10 milhões de portugueses nem dos demais que – do outro lado do Oceano – recusam o regresso da Corte de Lisboa. Precisamos assim de rebuscar as cinzas da Historia em busca de um modelo de organização capaz de criar uma União adequada aos interesses dos dois povos, capaz de servir de esteio e polarizador da adesão dos restantes países lusófonos a esta União.

O mais básico rebuscamento no passado português, coloca a descoberto a solução para o problema antecipado no final do parágrafo anterior: o modelo municipalista português da Alta Idade Media. Agostinho referia-se a este período da monarquia como a “Idade de Ouro” do reinado de Dom Dinis, em que o essencial da administração do Estado assentava nos municípios, geridos democraticamente por conselhos de cidadãos livres, que respondiam apenas perante o Rei e que formavam com as suas milícias municipais o núcleo do exercito real. Esta forma de administração e ordenamento do território seria depois destruída pelos impulsos centralistas importados da Europa fruto da influencia do pensamento de Maquiavel entre nos e da acao de reis como Dom João III e Dom Manuel. Mas na sua essência absolutamente descentralizada, formando uma efetiva “federação de municípios livres” (nas palavras de Agostinho) este modelo de organização poderia ser reeditado e aplicado na constituição de uma “união Portugal-Brasil” resolvendo grande parte dos escolhos que antevimos para esta forma prototipal de uma “União Lusófona”, que assumiria assim a forma de uma Confederação em que os Estados membros manteriam o essencial das suas competencias e soberania, delegando apenas funções como a Defesa, os Negócios Estrangeiros e outras áreas que exigiriam uma forma de administração supra-estatal para que pudessem ser executadas com eficiência. Na base desta Confederação não estariam os Estados brasileiro ou português, ou qualquer outro Estado lusófono que se quisesse juntar a este projeto, mas os municípios de cada um destes Estados. Os Estados atuais (a República Portuguesa e a Federação Brasileira) continuariam a existir, mas apenas como tessitura jazendo na base das federações de municípios portuguesa e brasileira, perdendo a maioria dos seus poderes para os municípios e delegando a maioria dos restantes para as estruturas da União, cuja capital deveria ser rotativa, muito à maneira da União Europeia mas sem as pretensões centralistas e federalistas expressas por diversas vezes por uma eurocracia muito beneficiada no processo de transformação da “União Europeia” numa “Federação Europeia” altamente centralizada numa eurocracia não-eleita e ferida de ilegitimidade ate ao mais profundo tutano.

Muitos pensarão que não existe razoabilidade em deixar uma União Europeia que tantos fundos estruturais enviou para Portugal, que tanto contribuiu para a modernização do tecido legislativo e administrativo nacional e ate para uma radical mudança em tantos aspectos da economia e da sociedade portuguesas. Mas estes tempos em que os frutos materiais de uma União que nunca soube ou pôde conquistar o coração dos portugueses eram decisivos para um sentimento nacional dominante (ainda que nunca referendado) pro-europeu. Mas esses tempos estão a chegar ao fim. Portugal é já o maior contribuinte liquido per capita para os cofres da União Europeia, e ainda que receba esse dinheiro totalmente de volta e ainda algum mais de retorno. Mas dado o imparável movimento de crescimento da União Europeia, com uma expansão crescente para Leste, aproximando-se cada vez mais da Rússia, e anexando eventualmente a enorme Ucrânia e a problemática Turquia, como crer que este retorno de fundos vai persistir neste cenário? Portugal, num cenário em que os Fundos Estruturais da EU estarão quase totalmente alocados à reconstrução do Leste, não será mais um receptor destes fundos, apenas um contribuinte liquido, e nesse cenário o sempre ténue apoio popular a um processo de adesão europeia que – recordemo-nos – numa foi referendado, acabara cedo ou tarde por se esfumar… Portugal não cessa de divergir com os padrões económicos e de vida europeus, e este movimento divergente decorre já desde meados da década de noventa, como esperar então que os portugueses consintam assim que passem a contribuintes líquidos para uma expansão a Leste que, afinal, serve primariamente os interesses comerciais e estratégicos alemães e franceses? Neste contexto, a saída da EU torna-se plausível e a credibilidade de opções alternativas sobre exponencialmente. E se Portugal sair da União Europeia que alternativas restam? A opção solipsista, “orgulhosamente sós”, que tantos benefícios provou (não) ter nos últimos anos do Antigo Regime salazarista e pos-salazarista? Ora toda a Historia portuguesa caminha contrariamente a essa opção estratégica isolacionista. Portugal nunca foi uma Suíça ou uma Suécia que conseguiram viver isoladas e descontextualizadas durante séculos. Portugal sempre foi um pais da integração, do estabelecimento de povos com outros povos e culturas, um quase puro “território-ponte” na mais pura acepção do termo. Incapaz de viver em concha, fechado sobre si mesmo, a energia anímica da portugalidade vai compelir-nos a buscar novas opções a uma Europa envelhecida e obcecada com um alargamento a Leste de dimensões gargantuanticas. E que opção mais natural poderia emergir do que o sempre latente, de Camões, a Vieira, passando por Pessoa e Agostinho mito do “Quinto Império”? Como qualquer mito, este é um protoplasma, um arquétipo que não pode ser aplicado ou interpretado de forma literal, carecendo sempre de actualização para que possa assumir uma forma real, material e atual. Nos tempos modernos, em que os países procuram encontrar blocos económicos e políticos que possam potenciar o seu desenvolvimento e garantir a sua Segurança regional, a emergência de um bloco lusófono, natural e previsível evolução a partir de uma CPLP anémica e desprovida de ambição, é mais do natural, sendo ate inevitável.

E se a caminhada para uma “União Lusófona” é inevitável no contexto de uma eventual saída da União Europeia, então a caminhada para uma maior aproximação entre Portugal e o Brasil também o é. Com efeito, nenhuma forma de “União Lusófona” poderá surgir espontaneamente e de forma simultânea unindo todos os países de expressão oficial Lusófona. Tal movimento tem que ser prototipado por dois países, exemplificando e demonstrando a viabilidade e expressando a plena ambição de tão proposta. E todo o movimento que propele para uma “União Lusófona” tem que começar pela união transatlântica de Portugal e o Brasil, os dois países que maior proximidade de padrões culturais, económicos e de desenvolvimento de toda a Lusofonia. Qualquer outra opção para começar o projeto seria ferida logo à nascença pelos receios de um neocolonialismo português renascido. Somente pela via de uma união paritária entre um grande pais (demográfica, económica e geograficamente falando: o Brasil) e um pais médio (Portugal) se poderia formar o esteio de uma União Lusófona robusta o bastante para poder crescer ate englobar todos os países de expressão Lusófona. Nenhum dos dois países fundadores teria forca económica, militar ou demográfica para simplesmente anexar o outro, e assim se suprimiriam os naturais receios imperialistas que sempre surgiriam na mente dos mais cépticos. Qualquer outra forma de União – talvez mais realista e concretizável no curto prazo, como uma União Portugal-Cabo Verde, traria como canga o peso da memória colonial e do racismo. Cargas negativas que não existem na relação Portugal-Brasil e que justificam a nossa opção por este primeiro passo para a fundação da União Lusófona.

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Os “homens honorários” da Albânia

(Paskhe, um dos últimos “homens honorários” albaneses in http://www.bbc.co.uk)
Na Albânia, nas comunidades rurais do interior, ainda é possível encontrar mulheres que são… “homens honorários”. Tradicionalmente, as famílias albanesas eram conduzidas por uma figura masculina, ora quando esta por alguma razão, por morte, emigração ou por puro acaso estava inexistente, algumas famílias albanesas recorriam ao artifício de transformar uma das raparigas da família e forçava-a a viver como um rapaz, assumindo assim efetivamente a liderança do clã familiar, mas sob vestes e assumindo uma “personalidade” masculina. Esta prática foi severamente combatida durante o regime comunista de Enver Hoxha a prática quase desapareceu, mas chegaram aos dias de hoje, especialmente no norte rural albanês ainda alguns “homens honorários” ou “virgens juramentadas”, já que as mulheres que assumiam este papel eram também forçadas a nunca se casarem, nem a terem relações com homens, já que tal… teria sido encarado por esta conservadora sociedade como um acto de… homosexualismo! Felizmente a prática está hoje abandonada, e subsiste ainda em casos muito isolados e não renovados nas últimas décadas, numa das práticas mais sexistas que alguma vez encontrei e que felizmente irá desaparecer brevemente nas brumas da História…
Fonte:
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Sobre a sonda chinesa para Marte Yinghuo-1 e dos planos de longo prazo para o Planeta Vermelho

A China vai enviar em Outubro de 2009 uma sonda para Marte. A sonda vai ser colocada no Espaço por um foguetão ucraniano Zenit 3SL, o qual transportará além da sonda chinesa Yinghuo-1, a sonda russa Phobos-Grunt. A sonda chinesa irá percorrer a distância entre a Terra e Marte ligada à sonda russa por um cabo elétrico, dependendo dos seus sistemas de alimentação. Quando em Setembro de 2010, onze meses depois, quando a sonda se separar, entrará em órbita equatorial, permanecendo assim durante pelo menos um ano, embora teoricamente possa funcionar durante dois anos completos. Nesta fase, vai recolher a sua alimentação de energia de um painel solar.

A sonda será a primeira missão planetária chinesa, embora seja uma sonda relativamente pequena, de facto, tão pequena que vai percorrer a viagem até marte às costas da sonda russa, o que aposto… vai reduzir um tanto o impacto propangandístico do feito… Com efeito, trata-se de uma sonda com apenas 75 cm de comprimento, 75 de largura e 60 de altura, pesando menos de 110 kg. A sonda é gerida pela equipa liderada pelo cientista Chen Changya. Atualmente, a sonda está pronta e está a ser alvo de aturados testes para determinar se está em condições de ser enviada para o Espaço.

O principal objetivo da Yinghuo-1 é o de estudar o ambiente marciano através do uso de fotografias captadas a partir das suas duas câmaras e sensores capazes de detectar e medir a magnetosfera do planeta. A equipa responsável pela sonda estima que as primeiras fotografias estarão disponíveis em Setembro de 2010. A sonda é a primeira realização concreta do projeto “863 Planetary Exploration” chinês que começou no início da década de noventa do século passado (sim!… o século vinte…) e tem como âmbito o estudo do Planeta Vermelho.

A China e a Índia parecem estar a seguir planos idênticos… Depois de enviar missões orbitais para a Lua, com planos seguintes para enviar rover lunares, a fase seguinte em ambas as novas potencias espaciais parece ser a de enviarem missões orbitais para Marte. Contudo, como na Lua, o plano marciano da China parece muito mais amadurecido. Compreende quatro fases, sendo que a primeira termina em 2009 e tem como objetivo prepara esta missão que entra agora na sua recta final. A segunda fase, começa em 2009, consiste na exploração e gestão da sonda  Yinghuo-1, já em Marte, recolhendo dados para uma próxima missão marciana, desta feita com um lander no solo do planeta. A fase 3 e 4 ainda não têm datas planeadas, mas sabe-se que na 3ª, a China tentará colocar um rover em Marte e que na 4ª há o plano ambicioso de estabelecer estações terrestres semipermanentes, desenvolver veículos de transporte de pessoal entre Marte e a Terra e começar a construir estruturas em Marte que possam depois vir a acolher astronautas chineses durante longos períodos de permanência. De novo, na boa velha lista dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), continuamos a notar neste cenário espacial a ausência do país lusófono…

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Na Austrália, desconfiam das intenções da firma chinesa Huawei…

As agências de segurança australianas estão preocupadas com a presença da empresa chinesa Huawei num concurso para a construção de uma rede nacional de Banda Larga. A preocupação reside nas ligações desta empresa ao próprio governo chinês e -logo – ao exército de Pequim. Obviamente, a Huawei nega tais ligações, afirmando ser uma empresa “100% privada”.

Apesar destas negações, o relatório australiano revela uma preocupação bem fundamentada. Ou seja, as afirmações da Huawei não merecem total confiança, especialmente tratando-se de uma empresa onde tantos dos seus quadros provêem de altas patentes do exército chinês. Estas ligações, reforçadas pelo facto da China ser uma ditadura onde todas as empresas são mais ou menos vigiadas e controladas.

Recordemo-nos que ainda recentemente se soube que vários endereços tcp/ip chineses conseguiram penetrar nos servidores das campanhas McCain e Obama procurando recolher ficheiros contendo os planos que ambos os candidatos tinham em relação à política externa… Se a conhecida e hiperativa divisão de “guerra cibernética” do Exercito chinês foi no passado capaz de conduzir este e outros ataques semelhantes, então o que impedirá as autoridades chineses de introduzirem “código cinzento” no hardware no equipamento que vendem a países e governos estrangeiros, como receiam neste caso os australianos?

Fonte:
http://news.zdnet.com/2424-1009_22-256340.html

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Lima de Freitas: "somos mais civilizados do que os outros povos na medida em que respeitamos o estrangeiro, o outro, abrimos-lhe os braços…

“De facto, e apesar de tudo, somos mais civilizados do que os outros povos na medida em que respeitamos o estrangeiro, o outro, abrimos-lhe os braços, envolvendo-o na nossa hospitalidade ímpar.
Donde, Portugal não tem razão para se envergonhar perante as restantes nações da Europa. Pelo contrário, temos muito para ensinar-lhes, para dar-lhes.
Isso é um pouco o Império do Espírito Santo.”
“Porto do Graal”, Lima de Freitas, Ésquilo.

Esta especial característica da portugalidade, presente também nas matrizes culturais de outras nações lusófonas é aquela generosidade que nos marca e que torna os portugueses especialmente solidários e da qual a grandeza da mobilização por Timor foi especial exemplo. Esta hospitalidade a que alude Lima de Freitas, que por vezes pode ser injustamente confundida com subserviência é, afinal, marca da diferença de temperamento e de mentalidade entre o português e o germânico. Se o último prioritiza critérios de eficiência e de geometria, o português prefere a convivialidade, a confraria e a humanidade. É a fraternidade humana e a universalidade que marcam toda a História de Portugal e que esteve por detrás do impulso do movimento dos Descobrimentos e Expansão. Neste contexto, a sanha canina da Inquisição e os desvios da Escravatura correspondem a uma doença mental de que sofreu a portugalidade e que resultou da infeção pelos princípios mercantilistas e desumanos importados a partir do norte da Europa.

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Poema que nos chegou…

AGOSTINHO DA SILVA

Eu, Agostinho, a quem dizem sábio,
Devagar ao fim da minha vida chegado,
De conluio entre o cadáver e o menino,
Por herança vos deixo a pomba e a espada.
Cada um somos o monge e o cavaleiro –
Os mansos fazem a guerra; o fogo, a paz.
O erro acerta, a verdade é ilusão.

Com pátios e palmares, ilhas e terraços
Abram o meu sudário toalha em mesa posta.
Esperem-me na última alba, por vir,
Toda luz estendida de filigrana de asas,
Azul pura como no mundo dos azulejos.
Vosso, servidor, nunca servo, livre.

Jesus Carlos

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Outro mail que nos chegou…

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No domínio das estratégias económicas para consolidar o espaço lusófono, permito-me aconselhar a leitura e o estudo dos trabalhos do grupo de economistas, políticos e altos funcionários que aconselham actualmente o Presidente Sarkozy e o governo francês, e que lançaram o movimento «Patriotismo e Inteligência Económica». Os chefes de fila desse movimento são : o deputado UMP Bernard Carayon, o Prof. Eric Delbecque, o Prof. Olivier Pastré, F. Jakobiak e outros. Já publicaram um grande número de livros e artigos sobre o assunto e as suas opiniões são extremamente escutadas pelo governo francês, que, nas suas decisões concretas e na realidade das decisões administrativas, não aplica o credo liberal europeísta, ao contrário do que pensam os nossos ingénuos e provincianos responsáveis políticos de todos os quadrantes.

Podem obter uma primeira informação sobre estes trabalhos por internet e mesmo na Wikipedia.

Com os cumprimentos
Sequeira Carvalho

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Hoax: O foguetão brasileiro VLS-1 foi lançado em segredo em 23 de outubro de 2008

(O verdadeiro VLS-1 lançado em Outubro)

(O verdadeiro "VLS-1" lançado em Outubro)

O nosso comentador “Revoltado” chamou-nos a atenção para aquela que seria verdadeiramente uma grande notícia: o primeiro lançamento (em segredo) do novo VLS-1 em 23 de Outubro de 2008.

A “notícia” pode ser encontrada em várias fontes, sendo uma das mais extensas:

http://defesabr.com/blog/index.php/26/12/2008/brasil-lancou-em-segredo-novo-vls-1-em-outubro-de-2008
http://port.pravda.ru/cplp/brasil/23-12-2008/25666-foguetevls-0
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=510FDS012

de onde decorreriam vários “ecos”, em fóruns de discussão:

http://www.alide.com.br/wforum/viewtopic.php?f=3&t=1922

Contudo, o cerne da notícia é constante nas diversas fontes, o que faz suspeitar da existência de uma fonte comum e primária.

Não sendo certo, a fonte primária parece ser o jornal russo, com edição portuguesa Pravda.ru. Isto só por si é mau, já que este jornal é conhecido por não verificar as suas fontes e ter critérios editoriais muito duvidosos… Aliás, já falámos aqui dele por várias vezes por essas mesmas razões (VER P.EX AQUI).

Esta parece ser a notícia verdadeira, a fonte remota da primeira:

“Culminando com as festividades alusivas ao Dia do Aviador, comemorado no dia 23 de outubro, data magna da Força Aérea Brasileira, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno lançou com sucesso o foguete Orion, exatamente às 04h 04min 08seg do dia 27 de outubro, alcançando todos os objetivos da Opereção Parelhas, após quatro tentativas de lançamento, impedidas pelas condições dos ventos.
Apesar da região onde está localizado o CLBI reunir diversos fatores, inclusive meteorológico, favoráveis estrategicamente para lançamento de foguetes. Contrariamente, os valores nominais do vento, nos últimos dias, não foram propícios para garantir a segurança no lançamento do foguete Orion, que por razões técnicas, deve ser inferior a 7,3m/s, ou 26 km/h.
O foguete Improved Orion, que mede 5,7m, é um foguete de treinamento, mono-estágio, não-guiado, estabilizado por empenas e lançado a partir de trilho. Consiste de um propulsor de 419 kg, propelente sólido (combustível sólido) e atinge uma velocidade de 4.700 km/h (quatro vezes a velocidade do som). Possui espaço para embarcar experimentos científicos ou tecnológicos, da ordem de 80 kg. Nesta ocasião, o foguete Orion foi ocupado com equipamentos e instrumentos alemães, voltados para a trajetografia durante a realização do vôo.
O motor-foguete propicia uma fase de decolagem de 5 segundos, e outra tipo cruzeiro, com 21 segundos, totalizando 26 segundos de fase propulsada, o que permiti chegar uma altura entre 95 e 105 km, caindo em alto mar a, aproximadamente, 70 km da costa
A Operação, denominada de PARELHAS, em homenagem a uma das cidades do Rio grande do Norte, alcançou o seu objetivo principal, ou seja o treinar as equipes técnicas do CLBI e da Unidade Móvel de Lançamento de Foguetes do Centro Espacial Alemão, nas atividades de preparação, lançamento e rastreio de engenhos aeroespaciais.
Várias Organizações Militares do Comando da Aeronáutica participaram da Operação, entre elas o Centro de Lançamento de Alcântara e o Instituto de Aeronáutica e Espaço, além do Apoio da Agência Espacial Brasileira.
Com o sucesso do lançamento do foguete Orion, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno cumpre mais uma etapa do desenvolvimento da tecnologia nacional para a independência do Brasil na área de tecnologia aeroespacial.”

http://www.cta.br/noticias27.htm

Que se encontra no CTA, um sítio absolutamente insuspeito e que refere que nesse dia foi lançado um foguetão, sim… Mas não um VLS-1, um “Improved Orion“. Assim se explica o diferente local de lançamento e o “secretismo” do lançamento. Algures alguem leu esta notícia e com boa ou má fé… Fez a ligação.

A notícia original do Pravda:

“Excessivamente preocupados com a crise financeira, os órgãos de informação brasileiros não informaram o sucesso do lançamento do míssil espacial VLS-1, feito com sucesso no dia 20 de outubro de 2008, partindo da base de São José dos Campos, e não de Alcântara, como era costume.


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A última experiência foi desastrosa. Com problemas de pré-ignição, o lançamento fracassou dando causa a incêndio que destruiu grande parte da base maranhense, além de matar 21 pessoas. Grande lástima, sem dúvida. O sucesso é auspicioso. Vai permitir o lançamento de satélite geoestacionário, proporcionando ao país facilidade nas comunicações, principalmente.


O lançamento foi assistido pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim e pelo Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juni Saito. Não se entende a causa da notícia não ter sido divulgada na imprensa. Pode acreditar-se que para muitos países não interessava o Brasil ser capaz de colocar satélites em órbita, o que significa também o seu notável desenvolvimento bélico, pois mísseis de muito longo alcance não são bem vistos pelas nações que não os possui. Mesmo as poderosas potências, que além do vetor têm a ogiva nuclear, não ficam muito satisfeitas quando um fato desta natureza é atingido.

É sabido pela comunidade mundial que o Brasil não desenvolve corrida armamentícia, e não possui artefatos nucleares agressivos, mas pode construir em pouco tempo, já que a tecnologia permite com folga que eles sejam construídos em pouco tempo.

Talvez tenha sido esta a razão do fato não ter sido divulgado com alardes. Vizinho nossos podem interpretar o sucesso como uma ameaça, quando na realidade o fato não é este. Quem acompanha o lançamento dos “Sacis”, sempre com fracasso, sabe disto.

Foi um feito respeitável, sem dúvida. São muito poucos países capazes de operações de tamanha envergadura, e é uma consolidação dos velhos so nhos dos cientistas brasileiros, que estão de parabéns.

O Brasil, apesar dos pesares do mundo e dele mesmo, caminha fácil para um futuro de brilho. Todo este trabalho vem sendo desenvolvido com auxilio da tecnologia russa, de acordo com um protocolo firmado entre Brasil e Rússia. Segundo este acordo, os russos auxiliam na transferência de tecnologia de ponta, e o governo brasileiro compromete-se a emprestar a base de Alcântara, para o lançamento de mísseis russos. A base está próxima a linha do equador, o que facilita os lançamentos e diminui os gastos.

Jorge Cortás Sader Filho

Tendo sido este Jorge Sader Filho, o responsável primeiro pela “confusão”.


Fontes:

http://defesabr.com/blog/index.php/26/12/2008/brasil-lancou-em-segredo-novo-vls-1-em-outubro-de-2008
http://port.pravda.ru/cplp/brasil/23-12-2008/25666-foguetevls-0
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=510FDS012
http://en.wikipedia.org/wiki/Improved_Orion
http://www.cta.br/noticias27.htm

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O Japão investe num projeto do “Elevador Espacial”

Já por várias ocasiões referimos aquele que julgamos poder ser um dos mais promissores projetos de sempre: o “Elevador Espacial”. O conceito em si é o de colocar cargas e pessoas no Espaço não recorrendo aos grandes, caros e “sujos” foguetões, mas usando um cabo extremamente longo e resistente que une o solo a um satélite em órbita geoestacionária. A ideia foi apresentada pela primeira vez pelo escritor Arthur C. Clarke.

Os desafios tecnológicos envolvidos são tremendos. Os cabos têm que ser mais fortes e leves do que alguma coisa jamais concebida pelo Homem. Os próprios elevadores – que percorrem os cabos para cima e para baixo os cabos – têm que ser desenvolvidos de raiz. Estes elevadores poderiam transportar pessoas, satélites, carga para estações espaciais, etc. Tudo o que atualmente custa pelo menos cem vezes mais colocar em órbita utilizando foguetões.

Em vários países decorrem projetos de investigação semelhantes. Mas entre todos, é o Japão que está mais avançado. O custo total é avaliado não exceder os 5,5 biliões de euros e envolve o trabalho de várias disciplinas, desde a química até à física e à engenharia, todas áreas onde o domínio nipónico é bem conhecido, pelo que se esperam importantes desenvolvimentos, que depois poderão facilmente ser propagados até outras aplicações das descobertas feitas do decurso deste projeto.

O projeto japonês está a ser liderado pela “Japan Space Elevator Association”, dirigida por pelo professor Yoshio Aoki da “Nihon University”.

No projeto de desenvolver um “Elevador Espacial”, o maior obstáculo são, naturalmente, os cabos… Desde logo, pela sua extensão, já que o cabo que transporta o elevador desde o solo até ao satélite tem que ser acompanhado por uma extensão de cabo idêntica, com o contrapeso. Depois, o cabo tem que ser extraordinariamente leve, de facto, mais leve que qualquer outra coisa concebida pelo Homem, e forte… imensamente forte para suportar as gigantescas tensões (vento, pressões da deslocação orbital do satélite, peso a transportar e claro… o seu próprio peso). Estas necessidades apontam para um caminho: nanotubos de carbono. Precisamente o tipo de tecnologia onde hoje a indústria têxtil japonesa é líder destacado e onde têm surgido diversas aplicações como a utilização de células de combustível com nanotubos de carbono para alimentar… telefones móveis e oferecer-lhes 20 horas de uso ativo. Os dados conhecidos estimam que será necessário um cabo que terá que ser 4 vezes mais forte do que qualquer fibra de nanotubos de carbono atual, ou seja, 180 mais forte do que o aço… É certo que têm sido realizados enormes progressos neste campo.

Outro problema será o de propulsar os elevadores pelo cabo… O professor Aoki sugere o uso das propriedades de condução de eletricidade dos nanotubos, pelo que a alimentação elétrica poderá ser fornecida ao elevador através de um segundo cabo.

A segurança é um aspecto que merece aqui atenção… As consequências de uma ruptura e da queda sobre a Terra de alguns cabos com centenas de quilómetros de extensão seriam tudo menos desprezíveis e tem que ser montado um sistema de segurança adequado para anular essa ameaça. Outra questão seria a necessidade de manter a tensão dos cabos, talvez recorrendo a foguetes convencionais instalados no satélite e disparados regularmente. Apesar das enormes dificuldades, as vantagens são tremendas… O Espaço ficaria aberto para usos hoje impensáveis e seria possível, por exemplo, colocar painéis solar em orbita, por custos baixos e enviar a energia assim captada, para Terra sob a forma de microondas.

Fontes:
http://www.timesonline.co.uk/tol/news/uk/science/article4799369.ece
http://www.photon.t.u-tokyo.ac.jp/~maruyama/nanotube.html
http://nanotube.msu.edu/
http://www.highbeam.com/doc/1G1-80206583.html
http://jsea.jp/en
http://en.wikipedia.org/wiki/Space_elevator

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O primeiro ano do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

“Como é sabido, o MIL é o movimento cultural e cívico prefigurado no Manifesto da NOVA ÁGUIA – o seu nome foi objecto de uma votação pública nas últimas semanas de 2007. O MIL, já assim baptizado, nasceu pois no princípio de 2008, exactamente no primeiro dia de Janeiro.

O ideário do MIL encontra-se definido na sua “Declaração de Princípios e Objectivos” (no essencial, igualmente prefigurados no Manifesto da NOVA ÁGUIA). Caso o tenham feito de forma responsável, todas as pessoas que aderiram ao MIL fizeram-no porque se reconhecem, em geral, nessa “Declaração”.

Até ao momento, aderiram já ao MIL cerca de oito centenas de pessoas, de todo o espaço lusófono – a proporção é: 3 quintos de portugueses, um quinto de brasileiros, o outro quinto de outros países (incluindo de todos os outros países da CPLP). A esse respeito, saliento, nesse último quinto, um número significativo de adesões oriundas da Galiza (ver coluna esquerda do nosso blogue, onde aparecem os diversos órgãos da NOVA ÁGUIA e do MIL).

Decerto, há várias formas de olhar para este números: é sempre possível ver o copo meio cheio ou meio vazio. Façamos, a esse respeito, mais um pouco de História.

Logo aquando da primeira leitura oficial do Manifesto da NOVA ÁGUIA, a 10 de Outubro de 2007, no Porto, durante um Congresso de Filosofia, foi visível que, precisamente por ser um Manifesto forte, ele não era aceite por todos (e estávamos, por assim dizer, perante uma assistência “amigável”). Já se sabe: quem marca uma posição, gera oposição.

Depois, enviámos convites a muita gente e houve várias recusas. Lembro-me, por exemplo, de pelo menos uma pessoa ter recusado o convite, muito amavelmente, dizendo-nos que não se revia na linguagem “proto-identitária” do Manifesto. Nada de extraordinário: há muita gente que, legitimamente, é avessa a expressões como “sentido histórico da cultura portuguesa”, “nossa vocação”, “destinação colectiva”, etc. Por isso, por exemplo, sempre olharam com desconfiança Agostinho da Silva, Pessoa, Pascoaes (o próprio Eduardo Lourenço, apesar da sua linguagem mais “suave”). Por isso, também, naturalmente, não se reconheceram no nosso Manifesto, pelo menos a ponto de aderirem a este projecto. Sempre encarei isso com naturalidade – para conseguirmos a adesão dessas pessoas, teríamos que descaracterizar de tal modo o Manifesto que este se tornaria outra coisa. E isso, pelo menos para mim, nunca foi opção.

As nossas petições também geraram bastante oposição. Se a primeira, “Por uma Força Lusófona de Manutenção do Paz” não levou ninguém a sair (mas terá, admito-o, levado alguma gente a não entrar), isso aconteceu com a segunda, a respeito do Acordo Ortográfico: houve uma pessoa que se desvinculou do MIL por causa dessa Petição e houve pelo menos uma pessoa que não aderiu ao MIL por causa dela (pessoa, aliás, bem conhecida: Carlos Pinto Coelho, o ex-apresentador do célebre programa televisivo “Acontece”). O mesmo aconteceu depois com a nossa defesa do “Passaporte Lusófono“: houve uma pessoa que saiu por causa dessa Petição. E, por causa dela, continuamos a ser atacados em vários sítios – nomeadamente, em vários blogues de extrema-direita, que nos acusam de nos vergarmos aos “brasucas”, de querermos o país “cheio de pretos”, etc. (como se nós não tivéssemos sempre defendido um Portugal “lusofonamente mestiço”). Por outro lado, na extrema-esquerda, por causa da nossa expressa defesa dos valores da Língua, da Cultura e da Pátria, também já temos sido acusados de “salazaristas” (acusação que apenas pode ter eco em mentes mais idiotas e/ou sectárias).

Poderia aqui referir as muitas pessoas que, ao invés, aderiram ao MIL por causa dessas Petições, mas esse não é ponto. O ponto é que as três petições emanaram da nossa “Declaração de Princípios e Objectivos” (como é facilmente argumentável; eu próprio o fiz até à exaustão). Poderíamos, porventura, não o ter feito. Poderíamos, eventualmente, tê-las formulado de uma forma menos comprometida – no caso da última, por exemplo, foi sugerido (não importa por quem) que se fizesse uma mera denúncia da “Directiva do Retorno” sem qualquer referência ao “Passaporte Lusófono”. Mas o ponto é que nós não somos uma mera associação de defesa de imigrantes (sem qualquer desprimor para estas), nós somos um movimento que se assume como “internacional lusófono”. Logo, essa referência lusófona – mais concretamente, ao espaço lusófono e à cidadania lusófona – tem que aparecer sempre em todas as nossas posições públicas.

Ao longo deste seu primeiro ano de existência, o MIL já demarcou igualmente o seu lugar no espaço público. Algumas das posições que tomámos tiveram uma significativa repercussão nos media e, em geral, na blogosfera, quer em Portugal, quer em outros países da CPLP. Através desses ecos, cimentou-se a singularidade da nossa visão e da nossa voz: no espaço público, somos, cada vez mais, aquela voz que defende a Lusofonia e, de forma coerente e consequente, o reforço dos laços entre os países da CPLP, em todos os planos – cultural, desde logo, mas também social, económico e político.

Essa é pois, em suma, a nossa “marca” – um ano depois, já solidamente definida. Quem, de boa-fé, atentar nos nossos documentos – na Declaração de Princípios e Objectivos, nas Petições e nos diversos Comunicados que fomos emitindo ao longo do ano –, reconhece já bem essa “marca”. A ela, por causa dela, já aderiu muita gente. Por causa dela, muita outra gente (impossível quantificar) não aderiu. Como diria o outro, é a vida…”

Renato Epifânio

Comissão Coordenadora do MIL

Categories: Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia | 4 comentários

A China envia três navios de guerra para a Somália e algumas derivações daqui decorrentes

(DDG-171 Haikou)

O envio de 3 navios de guerra para os mares da Somália por parte da China é a resposta que esperávamos por parte de uma nação empenhada e interessada nos assuntos da atualidade internacional e era uma omissão para a qual alertámos AQUI, uma omissão que é finalmente satisfeita e que é uma resposta direta a uma autorização do Conselho de Segurança da ONU para que os países da organização conduzam ataques por terra e ar às bases piratas, para além da atividade naval que era já autorizada e realizada antes pela NATO e agora, pela “Operação Atalanta” da União Europeia.

Os navios chineses deverão estar nestas águas durante pelo menos três meses. A pequena frota é composta por dois contratorpedeiros e de um navio de apoio e contempla grupos de forças especiais, para além dos mísseis guiados e dos helicópteros que formam normalmente parte dos dois contratorpedeiros. Cada contratorpedeiro transporta um helicóptero Ka-28-A e são os navios foram identificados como sendo o “DDG-171 Haikou” e o “DDG-169 Wuhan” com o navio de abastecimento Weishanhu no papel de apoio. Os três navios fazem parte da “SSF”, da frota chinesa dos mares do sul e são aliás, os seus dois melhores navios:

Contratorpedeiros:

052C – DDG 170
052C – DDG 171
052B – DDG 168
052B – DDG 169
051B – DDG 167

Fragatas:
054A – FFG 570
054A – FFG 568
054A – FFG 569

O código 052C corresponde à classe Luyang II, navios construídos localmente em Shangai. Os navios têm o equipamento mais moderno da Armada chinesa como radares de “phased array”, mísseis navais de longa distância YJ-62 e mísseis anti-aéreos HQ-9. De facto, são os primeiros navios chineses com uma significativa capacidade de defesa anti-aérea. Sabe-se que o Haikou foi lançado ao mar em 2005. Ao contrário de outras classes, que eram derivados de navios russos, a classe Luyang II é completamente nativa, em desenho e tecnologia e representa a máxima capacidade tecnológica que os estaleiros de Pequim conseguem oferecer.
Especificações (Wikipedia)

  • Unit cost – Up to 800 million US$ per ship, including 200 million for CIWS, SAM, & VLS, and 400 million for C4I systems.
  • Ships – DDG 170 Lanzhou and DDG 171 Haikou as of 2006
  • Propulsion – 2 Ukraine DN80 gas-turbines and 2 MTU Friedrichshafen 12V 1163TB83 diesels
  • Length – 153 m
  • Beam – 16.5 m
  • Draft – 6 m
  • Displacement – 7,000 t (full load)
  • Speed – 30 knots (56 km/h)
  • Crew – 250 (40 officers)
  • Combat Data System – H/ZBJ-1 Information processing system designed by the 704th Institute (Reported speed: > 100 Mbit/s)
  • Data link: HN-900 (Chinese equivalent of Link 11A/B). To be replaced by NCTDL
  • Communication: SNTI-240 SATCOM
  • Armament

Embora existem várias facilidades navais em países do Índico, longa e cuidadosamente negociados no Paquistão e na Birmânia (sendo os últimos parte do recente apoio de Pequim à ditadura birmanesa) esta será a primeira missão de longo prazo que uma força tão significativa cumpre tão longe das águas territoriais chinesas. A qualidade e a força da pequena frota é notável e uma surpresa, tendo em conta que países como a Alemanha ou a Rússia – que têm frotas mais numerosas e modernas que a chinesa – optaram por enviar apenas navios isolados (um contratorpedeiro e uma fragata, respetivamente). Por isso, esta surpresa está a causar alguns arrepios em chancelarias ocidentais e dos vizinhos chineses no Extremo Oriente.

Como nunca antes a China cooperou com forças navais de países ocidentais, há também o receio de que possam existir problemas de comunicação e até talvez, incidentes desagradáveis quando estas forças se cruzarem nos mares da Somália… Há também receios de que os chineses optem por agir sózinhos e descartem qualquer atividade coordenada, como aquelas que têm sido realizados com tanto sucesso entre os países que têm forças navais na região (Índia, Rússia, Grã Bretanha, Irão, EUA, França, Alemanha e brevemente o Japão e Portugal). Por exemplo, recentemente um contratorpedeiro britânico e uma fragata russa conseguiram deter um grupo de piratas em pleno mar. Os chineses estarão preparados para realizarem este tipo de missões conjuntas? Há também dúvidas quanto à capacidade operacional chinesa em conduzir uma missão tão complexa a tão grande distância… Falta a experiência e as bases mais próximas estão no Paquistão, não sendo certo de que exista aqui o know-how suficiente para realizar reparações mais complexas nos navios. O facto de terem optado por dois navios idênticos, da mesma classe, e precisamente os mais modernos de toda a frota reflete aliás esta correta preocupação por parte do comando naval chinês… É também certo que entre as missões de combate à pirataria, os chineses realizarão também missões de espionagem aos navios ocidentais e, sobretudo, à sua forma de operar em alto mar a tão longas distâncias das suas bases, uma área em que os países ocidentais têm muita experiência e a China, nula…

A presença chinesa no Índico ocidental é também reveladora das ambições chinesas em se tornar numa superpotencia de escala mundial e razão de grande preocupação para todos os países que mantêm disputas territoriais com o gigante asiático: Japão, Coreia do Sul, Vietname e Filipinas. Enfim, todos os países (praticamente) que partilham fronteiras marítimas com a China.


Fontes:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1354215&idCanal=11
http://www.google.com/hostednews/ap/article/ALeqM5gB7YMEDuCwwY9ncDOtPAkEI4-H2wD95A7MB00
http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/africa/article5398856.ece
http://en.wikipedia.org/wiki/Type_052C_destroyer

Categories: China, DefenseNewsPt, Política Internacional | 8 comentários

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