Comentário a “Change II”: um artigo no Blasfémias sobre Barack Obama

//g1.globo.com)

(Barack Obama in http://g1.globo.com)

BLASFÉMIAS: 5 de Nov de 2008

“Se Obama levar a sério o seu programa, ele terá que redistribuir riqueza, aumentar o proteccionismo, reduzir os impostos, aumentar os impostos, reduzir a dependência energética em relação ao exterior, recorrer a sistemas de produção de energia ineficientes, investir em tecnologias com retorno no longo prazo, lançar um programa de obras públicas, reindustrializar o país e reduzir as emissões de CO2. O facto de estas medidas serem incompatíveis entre si não intimidou os apoiantes de Obama no passado, e certamente que muitos deles não se deixarão intimidar no futuro.”

Ao contrario dos neoliberais de serviço no Blasfémias, não acredito que Obama seja fundamentalmente diferente, na ação e nas políticas de qualquer outro presidente norte-americano depois de Roosevelt. Cedo se constatara que o seu eloquente discurso se deixou absorver pelo “sistema”. O primeiro sinal do engolfamento de Barack Obama ocorreu ainda antes da eleição, com a escolha do inefável e gaffento Joe Binden para Vice… Um históricos dos Democratas, mas também e sobretudo um homem do aparelho introduzido na claque interior de Obama para o docilizar e monitorizar.

A escolha de Rohm, a seleção dos primeiros países que contactou depois de conquistar a eleição presidencial e sobretudo a composição do “conselho económico” que formou e consultou logo após as primeiras horas da eleição retiram qualquer esperança aqueles que como os “blasfemos” acreditam que Obama será fundamentalmente diferente de Bush e dos neocons do seu primeiro mandato. Não o será, e provas disso mesmo irão surgir logo nos primeiros dois meses do seu mandato.

Os camaradas blogoesféricos do “Blasfémias” estão portanto equivocados quando julgam reconhecer em Obama um “presidente de ruptura”:

“que redistribuir riqueza, aumentar o proteccionismo, reduzir os impostos, aumentar os impostos, reduzir a dependência energética em relação ao exterior, recorrer a sistemas de produção de energia ineficientes, investir em tecnologias com retorno no longo prazo, lançar um programa de obras públicas, reindustrializar o país e reduzir as emissões de CO2.”

E o tempo dar-nos-á rapidamente razão. Mas este programa obamista, aqui jocosamente gizado pelos blasfemos não tem imersas as contradições que estes neoliberais julgam reconhecer, senão vejamos:

“redistribuir riqueza”

– anulando as vantagens fiscais cedidas durante o primeiro mandato Bush às grandes fortunas e corporações.

“aumentar o proteccionismo”

– cessando com a competição desleal, pela via do dumping laboral e ecológico chinês;

– introduzindo políticas efetivas de reindustrialização da economia norte-americana, imersa desde à décadas numa autofágica política da tercialização e de deslocalização industrial para o Oriente e para a América Central

“reduzir os impostos”

– sobre a Classe Media, eterno reduto do motor económico que é o Consumo e estimulando a Procura numa economia em perigoso marasmo e onde um pessimismo crescente ameaça todos os sectores.

– é possível reduzir os impostos, recuperando parte dessa redução reinstituindo os níveis fiscais que existiam antes de Bush sobre as grandes fortunas e multinacionais e estabelecendo mecanismos que combatam eficazmente as empresas que operam a partir de Paraísos Fiscais.

– é possível reduzir os impostos, começando uma retirada faseada e cuidada do Iraque, reduzindo assim o imenso custo que a presença de forcas norte-americanas tem para o Tesouro dos EUA.

–  é possível reduzir os impostos, acabando com o insano, custoso e ineficiente “escudo anti-míssil” que tanto tem irritado a Rússia.

“aumentar os impostos”

– sobre aqueles que mais têm e que beneficiaram das políticas fiscais acima indicadas

“reduzir a dependência energética em relação ao exterior”

– imitando países com a Alemanha, que através da imposição de um preço fixo multiplicaram a produção de eletricidade por vias renováveis como a energia eólica.

– investindo mais capitais públicos na instalação de centrais energéticas de energias renováveis, especialmente de centrais fotovoltaicas, onde tantos e tão importantes progressos tecnológicos tem sido alcançados nos últimos anos.

“recorrer a sistemas de produção de energia ineficientes, investir em tecnologias com retorno no longo prazo”

– como sempre, os neoliberais do Blasfémias revelam aqui a sua aversão atávica ao longo prazo… A longo prazo “estamos todos mortos”, dizem enquanto advogam a destruição do nosso planeta e do nosso clima na atual geração desprezando o planeta que estamos a negar aos nossos filhos (e aos filhos de alguns blasfemos, presume-se).

“lançar um programa de obras públicas”

– a rede viária e ferroviária dos EUA bem que precisa delas, tal foi o estado calamitoso alçando nos últimos anos de Buxismo…

“reindustrializar o país”

– recuperando toda a produção transferida para o exterior nos últimos anos de globalização desenfreada, que tornou os consumidores americanos tão dependentes das produções da industria chinesa e que transferiu tantos serviços informáticos para a Índia.

“e reduzir as emissões de CO2”

– reduzindo o desperdício energético. De longe o maior responsável pelo consumo de energia em todo o mundo;

– multiplicando as fontes renováveis acima descritas

– aumentando a produção de energia por via nuclear (ponderando devidamente os seus riscos)

– incentivando a mudança dos automóveis para veículos híbridos ou eléctricos pela via fiscal, etc, etc

“O facto de estas medidas serem incompatíveis entre si”

Pelo contrário. Todas estas medidas que os blasfemos atribuem ao programa de Obama são compatíveis. A única coisa que é aqui incompatível é o optimismo dos blasfemos que nada tem a ver com o Obama verdadeiro que veremos em ação a partir do começo de 2009, altura em que devera já ter sido completamente “domado” e absorvido pelo sistema onde entidades pardas e turvas como o CFR e o grupo de Bilderberg são há muito o verdadeiro governo dos EUA.

Categories: Economia, Política Internacional | 4 comentários

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4 thoughts on “Comentário a “Change II”: um artigo no Blasfémias sobre Barack Obama

  1. Fenix

    Vai ainda ser prior para economia mundial quando ele tomar posse quando ele abrir a boca para numeros reais vai haver colaso nas bolsas mundiais.

  2. Fred

    Sempre considerei meias verdades muito mais danosas que mentiras por completo.

  3. Curioso

    Semelhanças incriveis entre Barrack e Hitler

    http://www.whatdoesitmean.com/index1173.htm

  4. Curioso

    Apenas coincidências?

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