Daily Archives: 2008/11/01

Do sucesso (?) do “Choque Tecnológico” nas Escolas Públicas

//www.observatoriodoalgarve.com)

(O computador portátil "Magalhães" in http://www.observatoriodoalgarve.com)

Criticamos o governo PS quando é preciso, e são bastos os exemplos de críticas aqui no Quintus… Mas se há ramo governativo que tem corrido bem é o do desenvolvimento do uso das tecnologias de informação nas escolas portuguesas. Em 2009, um em cada cinco alunos terá na Escola um computador com acesso à internet, haverá um videoprojetor por sala e um quadro interativo por cada três salas. Se estes números se cumprirem (e falta apenas um ano para o comprovar), então as escolas portuguesas serão das mais tecnologicamente avançadas do mundo… Esta tendência será ainda reforçada com o concurso de ligação de todas as escolas a uma rede 48 mbps e a extensão do e-escolas ao 7 e 8 ano de escolaridade, e se assim fôr,,, ficamos realmente impressionados.

Estes números irão colocar Portugal entre os países com escolas publicas com melhores condições tecnológicas do mundo. Muito acima de países mais desenvolvidos como o Japão e os EUA, por exemplo. Como todos os investimentos na Educação, os efeitos destas medidas vão levar pelo menos dez anos a reflectirem-se na sociedade, mas havendo como já há hoje um cluster informático muito considerável entre nos com empresas tão bem sucedidas como a Critical Software, a Anubis Networks, a Deimos, a nDrive e tantas outras, há condições a curto prazo para integrar essas novas vocações e para tornar Portugal numa espécie de Silicon Valley da Europa do Sul. Para tal, contudo, é ainda necessário reforçar a aposta na qualificação e na valorização dos professores (uma área que tem sido gravemente descurada), é também necessário apostar muito mais na criação de uma cultura de excelência, de sã competição e de criatividade que não tem nada se semelhança com as tendências facilistas que se manifestaram nos últimos dois anos e que visam apenas uma subida não sustentada do país nos rankings internacionais (como aquilo que se passou, p.ex. com as novas oportunidades).

Mas estamos certamente no bom caminho… Onde chegaremos se forem corrigidos os citados erros de percurso e se houver menos enfoque no marketing e na comunicação e mais no esforço e realização das medidas anunciadas. De qualquer modo, fica aqui o apelo aos professores e demais interessados e agentes neste processo: a minha leitura está correta? É demasiado optimista ou fruto do marketing governamental? Desafio-os a deixaram as suas posições aqui, na caixa de comentários do Quintus….

Fonte:

Exame Informática, outubro de 2008

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Categories: Ciência e Tecnologia, Política Nacional, Sociedade Portuguesa | 3 comentários

A ORGANIZACÃO DA DIÁSPORA PORTUGUESA…

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A actual situação de vulnerabilidade das bases económicas e culturais da independência nacional, que se manifesta não só ao nível das estruturas económicas internas, mas também ao nível de afirmação do nosso país no contexto internacional e em particular no contexto europeu, exige dos nossos governantes a realização de uma profunda reflexão visando identificar os factores que possam reforçar a posição de Portugal no mundo face aos desafios da mundialização.

Os responsáveis políticos e os investigadores nacionais têm orientado de um modo limitado e redutor, as suas análises e as suas propostas politicas e estratégicas para os factores de competitividade das estruturas económicas internas, e também par os niveis insuficientes da eficácia administrativa dos nossos sectores público e privado.

Esta visão redutora leva os nossos responsáveis a, consciente ou inconscientemente, esquecer um factor estratégico que já é, de facto, e pode revelar-se ainda mais importante no futuro, extremamente importante para a afirmação de Portugal no sistema de poder ao nível mundial: a diáspora portuguesa, constituída por comunidades que se implantaram e desenvolveram num grande número de países de vários continentes, que se aproximam hoje dos 15 milhões, sendo 5 milhões de portugueses directos, e os restantes luso-descendentes com nacionalidade portuguesa, dupla nacionalidade, ou simplesmente uma ascendência portuguesa.

Pelo elevado seu elevado número, e pela sua cada vez maior importância no contexto social, económico, e político, dos países de acolhimento, as comunidades portuguesas constituem sem dúvida um dos maiores vectores da influência e da afirmação de Portugal ao nível mundial.

É incompreensível em termos políticos e mesmo históricos, que os nossos dirigentes não tenham até agora, « devido a uma cegueira política e ideológica que infelizmente tem afectado, até hoje, partidos e intelectuais » tomado consciência, nem concebido estratégias adequadas para dar expressão real á grande força de re-dinamização e de reforço da nação portuguesa que constitue a nossa diáspora.

A nossa diàspora no mundo deve ser orientada e ajudada a organizar-se de maneira inteligente para que ela possa dar uma nova dimensão ao potencial de afirmação e de influência histórica dos portugueses, e ao reforço da portugalidade no mundo; não só politicamente, através da participação dos emigrantes na vida política dos países de acolhimento, mas sobretudo ao nível sócio económico, através do estabelecimento de redes de cooperação empresarial e de solidariedade profissional.

O poder político e as administrações públicas, nomeadamente as diplomáticas, de que o nosso país dispõe, na situação actual, não tem meios, nem um projecto político á altura para realizar a grande tarefa nacional que é a organização da diáspora portuguesa ao nível mundial.

Face a esta insuficiência decorrente da incapacidade actual do estado, da administração, e do nosso sistema político – o caminho mais fácil, o mais evidente, é o do fomento da auto-organização da nossa diáspora, mobilizando a sua capacidade de iniciativa e o seu dinamismo, pois os seus grupos mais activos e mais esclarecidos poderão suprir estas insuficiências públicas formando e dinamizando um projecto político e organizativo expressamente adequado para esse efeito.

Um projecto naturalmente virado para defesa dos interesses dos portugueses e de Portugal no mundo, englobando todos os países de expressão portuguesa, e as regiões onde a língua e a memória portuguesa ainda subsiste, como por ex. Malaca, Goa (veja-se o dinamismo do site Viva Goa), Damão e Diu, Casamança (crioulo português), Indonésia (Flores) Togo e o Benim ( S. João Baptista de Ajudá), sem esquecer a Europa, onde em países como a França e o Luxemburgo onde a comunidade portuguesa tem grande relevo.

Malaca, onde cerca de 3 milhões de pessoas falam, cantam, sentem, vivem, e rezam á maneira portuguesa, esquecidos há muitos anos pela pátria longínqua que lhes deu uma identidade, sem escolas ou apoios culturais que lhes permitam não só a continuação evolutiva da língua, como da sua própria expansão nesse canto da Ásia ; Guiné e Senegal onde a língua portuguesa entrou oficialmente nas universidades; África do Sul, onde começa a despontar a importância nacional da língua portuguesa como forma diferenciada da colonização inglesa com a influência e o apoio de moçambicanos e angolanos, na Africa do Sul o português ocupa já uma posição de relevo nos lugares das línguas oficiais ;

Na Califórnia e nas Costa Oeste e Leste dos Estados Unidos; no Canada, cujo território foi descoberto e baptizado pelos navegadores portugueses os irmãos Corte Real.

Países e espaços que se acrescentam e complementam os Países de Língua Oficial Portuguesa: Brasil, Angola, Moçambique, Guiné – Bissau, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Timor. Todos estes países têm hoje já as suas próprias diásporas espalhadas pelo mundo. Diásporas lusófonas que pertencem pelos laços humanos, históricos e espirituais à portugalidade, à comunidade histórica dos países e dos povos que falam e sentem em português.

Timidamente, demasiado timidamente, o governo central de Lisboa começa a reconhecer o potencial de influencia da nossa diàspora, embora sem ter um projecto político á altura, nem estruturas consequentes de apoio.

Aproveitando os recursos das novas tecnologias de informação e de comunicação, há que promover a criação e a multiplicação de ‘cyber’ espaços e de redes ‘Internet’ de contacto, diálogo e solidariedade entre os grupos que constituem a diáspora portuguesa alargada no mundo.

Existem hoje meios instrumentais e técnicos que permitem com facilidade pôr em comunicação e organizar, auto-organizar, as centenas de milhões de indivíduos que falam português e reivindicam a portugalidade no mundo.

Esperemos que este potencial irrefutável possa ser compreendido pelos nossos responsáveis políticos.

Sequeira Carvalho
Bruxelas

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