Daily Archives: 2008/10/20

Curta derivação a partir do papel da descentralização no sucesso da colonização portuguesa no Brasil

“As capitanias, doadas hereditariamente, ficavam isentas da justiça régia, não podendo os corregedores entrar nos seus limites. Conferia-se aos donatários a autoridade necessária para procederem à distribuição de terras em sesmaria, ao mesmo tempo que se lhes atribuía uma porção de léguas que podiam utilizar livremente, de acordo com os seus interesses pessoais. Era-lhes também dado poder para nomearem ouvidor, cuja alçada, embora muito ampla, não era ilimitada, além de outros oficiais com funções semelhantes aos do reino.”

Se a colonização portuguesa no Brasil frutificou e deixou raízes suficientemente sólidas para resistir aos teimosos esforços gauleses de assentamento no local e, mais tarde, a uma extensa e organizada tentativa de colonização holandesa a norte, tal sucesso deveu-se muito mais à natureza da primeira colonização do que ao auxilio da metrópole ou de Espanha durante a guerra holandesa. E se esta primeira presença foi tão solida e frutuosa tal deveu-se fundamentalmente à aplicação do modelo descentralizado antes testado com tanto sucesso nas ilhas atlânticas: o modelo das “Capitanias”. Marca essencial das primeiras décadas da colonização portuguesa no Brasil, as Capitanias seriam essenciais no estabelecimento destes alicerces de uma presença portuguesa no Atlântico Sul. E a essência desta forma de administração consistia na extrema autonomia que – por decreto real – lhes era concedida. A dificuldade e lentidão das comunicações marítimas, mais os naturais perigos de navegação e o apetite predatório dos piratas e corsários norte-europeus impunham a solução descentralizadora. De facto, sem a grande descentralização nas Capitanias e, depois, no Governo Geral (que chegaram a ser dois), não haveria hoje Brasil.

Fonte:

Nova História da Expansão Portuguesa: O Império Luso-Brasileiro (1500-1620) P.112

Categories: Brasil, História, Portugal | 12 comentários

Quids S14: Que filme é este?

Dificuldade: 4

1. Cada Quid valerá entre 1 a 5 pontos.

2. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no dia seguinte, depois das 24:00 do dia do lançamento do Quid. Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, desde que pedidas por um (qualquer) dos participantes. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.

3. Pode haver vários quids lançados entre as 12:30 e as 14:30, cada dia.

4. Só há quids entre 2ª e 6ª (incluindo feriados). Salvo imprevisto…

5. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

6. É vivamente desencorajado o uso de vários nicknames para o mesmo concorrente, já que desvirtua o espírito do jogo. Lembrem-se que o IP tudo revela…


O último quid foi publicado em duplicado…

Eis a publicação que corrige esse erro.

Peço desculpa à Lili (que re-acertou) e ao Nito (que alertou para a duplicação)

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Hoax (?): Os Sapos à porta de lojas como… “repelente” de ciganos

(Quatro sapos à porta de uma loja dos 300 perto da Av. EUA em Lisboa)

Embora este “mito urbano” (hoax) sobre os efeitos como “repelente de ciganos” do Sapo já circule entre logistas portugueses pelo menos desde meados de 2003, só recentemente é que fui confrontado com a existência do dita, através da intrigante exibição de um par de sapos de cerâmica made in china expostos à entrada de uma “loja dos 300”. Pouco depois, haveria de saber da história de uma loja de roupa que teria montado tal “repelente” à entrada, com suposto sucesso.

Existem relatos de instalação de “sapos” em praticamente todos os cantos do país (Lisboa, Castelo Branco, Beja, Viseu, etc), mas absolutamente nenhuma noutros países do mundo onde também existem comunidades ciganas, e algumas delas bem mais numerosas do que a nossa, como por exemplo na Hungria e na Roménia, o que causa desde logo alguma estranheza… A prática encontra fundamentos teóricos na existência de uma aversão atávica na “religião” dos ciganos pelo sapo, o que os levaria a evitar os locais guardados por tais representações de sapos. Sapos de cerâmica, gravuras e fotografias de sapos, assim como sapos empalhados, tudo tem sido usado para manter longe das lojas ciganos e ciganas.

A disseminação do mito entre os lojistas portugueses é sem dúvida de teor racista, e logo, merece enquanto tal a nossa desaprovação, mas surge do reconhecimento da multiplicação de assaltos e roubos a lojas por parte de alguns membros dessa comunidade, perante a inoperância das autoridades e a inacção dos juízes (ainda muito ocupados na sua “guerra suja” contra o Governo). Nem todos os ciganos e ciganas roubam lojas, mas há alguns que o fazem como modo de vida, impunemente e há décadas e é aqui que brota o mito… Das atividades de algumas de centenas de criminosos impunes que mancham o bom nome e a honra de toda uma comunidade e da inoperância massiva das autoridades. E já agora… Saiba-se que a maioria dos assaltantes de lojas não são ciganos… mas “portugueses” de gema. É o que dizem as estatísticas…

Teoricamente, o “mito urbano” (hoax) assenta na incompreensão tradicional da identidade cigana… Daí a propagação do mito infundado de que existe uma “religião cigana”, logo, distinta da cristão que enforma a matriz cultural da religiosidade portuguesa. Obviamente, não existe tal coisa. Isso contudo, não significa que não existam mitos identitários comuns entre os ciganos. Entre os ciganos de maior idade parece haver uma certa unanimidade de que o sapo seria fonte de azar e discórdia… E parece haver fundamento, na mesma medida em que há pessoas que evitam passar debaixo de escadas ou frente a gatos pretos, também há ciganos que evitam entrar em locais onde estão sapo. Chamar “sapo” entre os ciganos é também um insulto grave e fonte segura de confusões… Mas um e outros mitos estão a cair em desuso, especialmente entre os mais jovens, de ambas comunidades e logo, qualquer “virtude repelente” da saparia perde efeito, com a renovação etária da comunidade cigana em Portugal…

E porque parece haver este receio difuso pelos sapos entre os ciganos? Por importação de receios antigos e infundados comuns entre as comunidades medievais e oitocentistas que ligavam os ciganos (então verdadeiros nómadas) a atividades ligadas à feitiçaria, uma ligação que ainda hoje explica porque são as ciganas tidas como excelente intérpretes de sinas…

Na peça de teatro “The Masque of Queens, Celebrated From the House of Fame” de Ben Jonson, um autor inglês do século XVII, o sapo ocupa um lugar destacado no enredo onde a feitiçaria praticada por ciganos é peça essencial. E de facto, a ligação entre “Sapo” e “Demónio” é comum na sociedade europeia tradicional, havendo inclusivamente algumas línguas do ramo latino onde a mesma palavra é utilizada para ambas as designações. Assim, a ligação estabelecida algures na Idade Média entre ciganos e a prática de feitiçaria, e nesta ao sapo, poderia explicar a ligação entre sapos, como algo de malévolo e ciganos. Uma ligação inventada como forma de discriminação a essa comunidade, mas que por transferências culturais sucessivas haveria de penetrar na própria cultura cigana e estabelecer aqui o seu finca-pé… Ironicamente, os ciganos recordar-se-íam hoje de uma mistificação contra eles urdidas há mais de 500 anos, por aqueles (os “antigos” europeus) que a teriam forjado como forma de discriminação…

Em suma… Não havendo total certeza, parece que existe efetivamente na comunidade cigana atual, um certo receio em relação ao sapo, e às figuras de sapos, um receio que se está a evaporar entre os seus elementos mais jovens, mas que ainda mantêm algum vigôr e que pode de facto, estar por detrás desta multiplicação de sapos às portas das lojas portuguesas…

Fontes:
Jornal do Campo Grande, Lisboa
http://www.sacred-texts.com/pag/gsft/gsft18.htm
http://www.hiddenmysteries.com/xcart/product.php?productid=18442
http://www.reconquista.pt “Os sapos nos estabelecimentos comerciais – uma forma de racismo abjecta porque tolerável e insindicável”
http://www.lucypepper.com
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Masque_of_Queens

Categories: Hoaxes e Mitos Urbanos, Portugal, Sociedade Portuguesa | 12 comentários

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