Do povoamento da capitania de Pernambuco por Duarte Coelho e da originalidade portuguesa no dito…

//www.nobregafoundation.org)

(Cidade de Olinda in http://www.nobregafoundation.org)

A capitania mais bem sucedida de todas, no Brasil do século XVII foi a do Pernambuco, entregue ao capitão donatário Duarte Coelho. De todos os donatários, foi Duarte Coelho quem mais se empenhou no povoamento da sua capitania, no pleno cumprimento do seu desejo de aqui fundar uma “Nova Lusitânia”, nas suas próprias palavras.

Como sucede frequentemente nestes empreendimentos de colonização de terras estrangeiras, Duarte Coelho teve que ultrapassar o obstáculo da… Falta de mulheres. Embora já se instalassem colonos no Brasil desde a primeira década de Quinhentos, tendo os degredados, marinheiros fugidos e aventureiros isolados como “Caramuru” formado a dianteira dessa vaga colonizadora. Mas entre estas primeiras vagas faltavam mulheres, e a mesma tendência acentuar-se-ia na primeira metade do século XVII. Duarte Coelho sabia que não podia estabelecer no Pernambuco núcleos colonizadores estáveis, sem famílias estáveis e na falta de mulheres europeias olhou – como Afonso de Albuquerque em Goa – para as mulheres indígenas. O Donatário criou assim vários mecanismos de incentivo a estes casamentos mistos e cedo se apercebeu que estes casamentos facilitavam as relações da nova colónia com as tribos Índias de cujo comercia dependia. Destes casamentos mistos nasciam mestiços, elementos essenciais na penetração do sertão e do povoamento do interior, já que mantinham relações de parentesco com índios e portugueses, dominavam as línguas locais e o português e tendo raízes locais não estavam tentados a regressar à metrópole ao fim de alguns anos de permanência na colónia.

Fonte:

Nova História da Expansão Portuguesa: “O Império Luso-Brasileiro (1500-1620)” (página 121)

Categories: Brasil, História, Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia, Os Descobrimentos Portugueses, Portugal | 16 comentários

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16 thoughts on “Do povoamento da capitania de Pernambuco por Duarte Coelho e da originalidade portuguesa no dito…

  1. Em Pernambuco foi onde nasceu a matriz de nós BRASILeiros, iguais a eu, mestiços , filhos de todas as raças, caucasiános , Índios e NEGROS, iguais a Eva. Eu representante legítimo de nosso povo, começou lá no nordeste ;na cap. H. de Pernambuco.

  2. Gostei do assunto q o sr trouxe como foco ,é fazer justiça a histórica . Ps: o sr está rápido, ótimo.

  3. obrigado.
    o tema da ocupação holandesa do Brasil, e a forma como esta cessou são dos que sempre mais me interessaram.

  4. Baiano

    O modelo de Colonização operado no Brasil tinha por objetivo a exploração, haja vista o tamanho do país e, principalmente, o fatro de possuir clima distinto dos países da Europa, permitia o cultivo de especiarias e matéria-prima de produtos valorizados no Velho Mundo. Sejam portugueses, franceses, holandeses ou ingleses, a finalidade de ocupar terras além mar era a mesma: LUCRO.

    Portanto, nenhuma destas culturas iria se preocupar em desenvolver uma sociedade justa, euilibrada e de boa formação educaional que permitisse criar um sentimento de identidade nacional na população quer nascesse nesta localidade.

    Em poucas palavras, não, em absoluto, o Brasil não seria muito diferente independente de que país fizesse as vezes de Metrópole.

  5. joel paixão

    eu axo que ai comesava a globalisação

  6. Espedito Siqueira dos Santos

    São José dos Campos 16 de Julho de 2010
    Caro Historiador

    Como disse um Baiano que o modelo de divisão por Capitania tinha objetivo de dividir as terras para exploração, a maneira como foi entregues por D. João III, a Capitania de Pernambuco a Duarte Coelho, Capitão que veio de Portugal para assumir a Capitania de Pernambuco.
    Nessa visão como o Senhor Historiador consegue compreender os demais membros que assumiram pequenas localidades da Capitania, entre eles Capitão Machado Dias, Português que tinha em sua posso 100 escravos mais a sua família. Como era promovidos ao Posto de Capitão para receberem as doações especificamente. Assumirem as pequenas porções de terra para que ocorressem a povoação.
    Não encontro ligação de alguns portugueses no desenvolvimento da Capitania, entre tantos nomes que vai surgindo a cada região.
    Antonio Luiz Francisco, Português, possuidor de grandes quantidades de escravos se estalou em Correntes – PE em 1826, promovido a Capitão, para ele foi entregues uma vasta área de terras no Planalto da Borborema, divisa de Pernambuco e Alagoas. O que me deixa curioso é quem formam os Capitães e como foram terminar Promovidos ao posto de Capitão, foram de alguma milícia ou escolhidos a dedo pelo Império 1º e 2º reinado. Chagaram ao Brasil portugueses que vinham como aventureiros em busca de riquezas, ouro, pedras precisas e madeira.
    Espedito Siqueira dos Santos

  7. as Capitanias foram contudo um modelo de administração do território que não foi muito duradouro e cedo se verificou a necessidade de estabelecer um Governo Geral capaz de centralizar recursos para a defesa do mesmo contra as armadas que franceses enviavam regularmente para o Brasil.

    • Otus scops

      “as Capitanias foram contudo um modelo de administração do território que não foi muito duradouro ”
      não há regra sem excepção: ainda vigora com grande vitalidade na Madeira…
      😀

  8. Esses audazes Lusitanos, criaram um gigante, um povo sui generis, único, td os povos em só lugar com uma só lingua…são admiraveis.

  9. Certo dia dei uma ideia a um amigo brasileiro de que o Brasil deveria reservar um rectângulo precisamente com a área de Portugal virado ao Atlântico Sul localizado no norte do Brasil.
    A esse estado se chamaria Nova Lusitânia, que deveria ser povoado por todos os que estivessem imbuídos do ideal lusófono, teria leis próprias embora pertencendo à Federação Brasileira como seria natural, digamos que seria um experimento de uma nova sociedade e que posteriormente poderia ser aplicado em maior escala pelo mundo.

    • Pedro

      o que é “…o ideal lusófono”???
      concretamente, como se define???

      P.S. – posso escolher outra localização???
      que tal algures entre RJ e SP???
      faz muito sol e pode fazer mal à cabeça…

    • Meio radical… tipo uma Israel, mas em solo brasilico… imagino o que isso nao daria com os atuais residentes nessa região…

    • Enoque

      Eu creio que no norte do Brasil muitos se incomodariam com o clima. Se fosse feito numa região com clima mais ameno, temperatura mais fresca, as probabilidades de sucesso seriam maiores, uma vez que a intenção seria criar um estado no Brasil que seria uma “réplica” de Portugal. Mas muitos cidadãos brasileiros não admitiriam a criação de tal estado.

      • Claro que não: a hipótese seria irrealista. Eu próprio estou veementemente contra ela: é minha firme convicção que cada um tem o dever e o direito de fazer a sua vida no seu próprio país, sem ter nunca que emigrar… mas sabendo as condições de vida nalguns paises (e agora em Portugal, com o desemprego crónico) compreendo que emigração seja cada vez mais a saída única para muitos.

  10. Essa ideia não é nova e já tinha sido lançada pelo Marquês de Pombal, um visionário para o seu tempo, creio que na altura propunha um estado com essas características salvo erro no Rio Grande do Sul, e que funcionaria sempre como uma espécie de refúgio, eu propunha o norte precisamente porque creio que está menos povoado, tem solo rico, tem muita água e claro virado ao mar e estando longe dos grandes estados do Rio de Janeiro e São Paulo, por assim dizer seria uma espécie de zona franca da lusofonia, o problema seria evitar que essa zona franca fosse aproveitada por Brasília para criar nesse estado um estado com regalias e vantagens financeiras, como o Luxemburgo ou Suíça o que não seria nada difícil de criar.
    Um estado em que os cidadãos teriam o tal passaporte lusófono e teriam não uma ou dupla nacionalidade, mas sim todas as nacionalidades da CPLP e podendo também ter livre trânsito em Macau.
    Qualquer cidadão oriundo da CPLP se poderia instalar desde que obedecesse a um triagem rigorosa feita por um comité criado para o efeito por razões óbvias, ou seja apenas os melhores seriam seleccionados, pelo seu valor a todos os níveis.
    Nesse estado se desenvolveria a ciência sem limites, todo o planeamento deste a arquitectura e tecnologias afins, organização social, económica e financeira, educacional seria baseado em princípios de universalidade e claro numa maneira de estar tolerante e desenvolvida, em suma se criaria nesse estado o embrião da verdadeira e nova sociedade do séc. XXI.
    Esse estado funcionaria em termos territoriais e políticos um pouco à semelhança do Vaticano, ou seja um estado dentro de um estado em que apenas estaria dependente do governo federal brasileiro para a sua defesa e claro contribuindo com os seus impostos como qualquer estado brasileiro, mas tendo livre arbítrio nas questões de desenvolvimento basilares que enunciei.
    Certamente seria um sucesso de como deveria ser uma sociedade moderna, os filhos nascidos nesse estado obviamente seriam brasileiros mas teriam orgulho em pertencer à Nova Lusitânia e partiriam para o mundo como novos bandeirantes empunhando a “bandeira lusófona” e levando a nova civilização progressista de facto a todo o mundo.
    Também seria um estado onde a religião seria abordada de uma forma nova, primeiro se libertaria das amarras a qualquer condicionalismo fundamentalista ou filosófico, da inexistência do mal ou do bem, partiria do princípio ou do acaso para provar a origem da ordem universal, poria em causa a teoria de Darwing ou qualquer teoria evolucionista, ou seja qualquer dado adquirido no que à evolução humana diga respeito, criaria uma ciência que trabalhasse fora das três dimensões que conhecemos, uma ciência nova.
    Nesse estado se potenciariam novas formas de energia limpa e seria auto-suficiente em termos energéticos, em suma seria um estado onde tudo se começaria de novo mas com a vantagem de termos aprendido algo com os erros civilizacionais passados.

    • Os planos de usar o Brasil como derradeiro refugio da monarquia portuguesa em caso de ameaça grave do solo patrio sao muito antigos… ao que sei, o primeiro foi gisado pelo proprio António Vieira e sewria usado caso a guerra de independencia contra Espanha estivesse prestes a ser perdida. ..

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