Diálogo com “JC” (nome propositamente omitido) a propósito do Movimento Quintano e do “MIL: Movimento Internacional Lusófono”

JC: “Se não fosse a referência ao E.F. Schumacher, bem que me juntava ao Movimento Quintano…”
 
RM: “E contudo, o “Movimento Quintano” hibernou… Já que aderi ao MIL: Movimento Internacional Lusófono (www.movimentolusofono.org) onde ainda me bato pelas (aparentemente!) impopulares ideias de Schumacher, mas onde estas estão mais diluídas noutras tendências…” 
JC: “De nada, é sempre bom saber que há outras pessoas que admiram o Agostinho da Silva. Em relação ao Schumacher, o problema é que (e peço desculpa pela minha mais que provável ignorância), aparentemente defende a ideia do “orgulhosamente sós”, ou seja, cada pessoa/região/país deverá arranjar formas de autosustentar-se evitando trocas ou aproveitando economias de escala vindas do exterior. Nesse aspecto prefiro a interdependência entre países que resulta da globalização (pelo menos reduz-se a hipótese de guerras graças a essa interdependência) mesmo que isso dê origem a pseudo-países como Portugal, que dependem quase totalmente do exterior. Se Portugal é de facto um país obsoleto que perdeu o seu propósito no Mundo, talvez seja preferível tornar-se uma região de Espanha ou o 27º Estado do Brasil.”
 
RM: “há bastante… até formámos uma Associação 😉 http://www.agostinhodasilva.pt e um Movimento que busca nele o fundamental da sua inspiração… alguns de nós (eu não, infelizmente) tiveram mesmo o privilégio de privar com o Professor e de vez em quando ainda ouvimos umas histórias novas… Schumacher de facto, dá primazia às “economias locais” com as suas “land trusts” e “moedas locais” como forma de desenvolver as economias e sociedades humanas e contrasta-as com as “hiper-empresas fusionadas” da atualidade. É um economista de contra-corrente e o seu trabalho sobre a “Economia Budista” é também extremamente revelador neste contexto. Compreendo o conceito de “interdependência”, que foi aliás o grande segredo dos Descobrimentos e da Expansão portuguesa e a maior virtualidade da Alma Portuguesa no mundo. Em objetivo, no MIL, defendemos a fundação de uma união lusófona… em que nem Portugal seria uma república federada do Brasil, nem o Brasil re-colónia de Portugal… Uma União baseada na “federação de municípios livres e independentes” de Agostinho, ou seja, numa forma avançada de “regionalização municipalista”. Radical, hem? ;-)”
 
JC: “Ainda há pouco tempo vi uma entrevista do Agostinho da Silva na RTP Memória. Simplesmente genial.
Tenho no entanto alguma dificuldade em ver os pontos de ligação entre o Agostinho da Silva e o Schumacher. Se um puxa para a interdependência e soberania supranacional, o outro parece puxar para uma independência e soberania local, conceitos no mínimo contraditórios.
Concordo com uma união federativa de municípios lusófonos (ou até para além de lusófonos!), mas isso implica a existência de um orgão federativo supranacional, que guaranta uma constituição comum, uma moeda comum, uma justiça comum…
Se o Schumacher conhecesse pessoas como o Valentim Loureiro,ou o Narciso Miranda (entre muitos outros) compreendia o risco de deixar nas mãos de caciques locais o funcionamento de orgãos de soberania como a Justiça ou a criação de moeda. Certos assuntos ganham em ser tratados a um nível mais “macro”, desde que respeitado o princípio da democracia (coisa que não acontece por exemplo na União Europeia).
Nas minha opinião as hiper-empresas fusionadas não deveriam meter medo ao cidadão comum, porque elas dependem do cidadão comum. Em última análise, num mundo cada vez menos democratico, o único direito que nos resta é de recusar o consumo de determinados bens (por exemplo, gasolina?), já que é a única forma de “prejudicar” os interesses dessas tais hiper-empresas fusionadas e fazê-las adaptar os seus interesses aos dos cidadãos.”
RM: “Publiquei (com autorização da AAS) boa parte das conversas vadias de Agostinho aqui: http://www.youtube.com/user/ClavisProphetarum a união federativa de municípios é uma ideia de Agostinho, intacta. Caciques haverá sempre… a nível local, nacional ou federal. Quando menor a escala, quanto maiores os mecanismos de controlo (Justiça, democracia ativa e participada, etc) menores os danos que poderão provocar… o facto de existirem os caciques citados indica alías que o nosso modelo “municipalista é inadequado.
as empresas “fusionadas”, não geram emprego, pelo contrário, repelem-no, deslocalizam e fazem outsourcing externalizando custos o mais que podem… as PMEs são locais, criam e distribuem riqueza localmente e… são ainda hoje o principal cerna de todas as economias realmente distibutivas do mundo.
e como recusar consumir os seus produtos se combinam preços (cartelização) entre si e se destroem a concorrência das PME então o monopólio de facto que impõe acaba com a sã competição e eleva os preços… por exemplo, recorda-se do tempo em que havia lojas de informática em cada esquina? onde estão elas? faliram todas… e agora o mercado é dominado a 98% pela Vobis,Worten (do mesmo proprietário) e pela FNAC; prejudicando os consumidores e a economia a seu favor, claro…”
Publicado também na Nova Águia
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Categories: Brasil, E. F. Schumacher Society, Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | Deixe um comentário

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