Sobre a “parceria especial” de Cabo Verde com a União Europeia

A Parceria entre Cabo Verde e a União Europeia foi debatida entre 10 e 11 de Setembro, em Bruxelas, no âmbito de uma palestra sobre a “Parceria Especial União Europeia/Cabo Verde” organizada pelo Euro deputado Ribeiro e Castro e intitulada “Dois olhares, uma visão comum”. A parceria especial tem sido objeto de raro consenso entre governo e oposição cabo verdianos, e entre Cabo Verde e a União Europeia.
Esta “Parceria Especial” que data da última presidência portuguesa da União Europeia pretende ir muito para além da pura convergência económica e das tradicionais relações doador-recepcionário que têm caracterizado as relações entre antigas potencias europeias e colonizados africanos. O modelo está esgotado e o estado atual da maioria dos países africanos que têm beneficiado destas relações “neocoloniais” indica que este modelo de auxílio é ineficiente e que não tem contribuído para o melhoramento da vida da maioria dos africanos. A “parceria especial” deve focar o auxílio europeu nas áreas da boa governança, estabilidade social e política, assim como no desenvolvimento da sociedade do conhecimento e da informática.
O reconhecimento da existência de uma “relação especial” entre a Europa e Cabo Verde, consagrado em 2007, é determinante para aproximar ainda mais Portugal de Cabo Verde, o país lusófono que mais próximo tem estado da diplomacia portuguesa e cuja colaboração na missão naval portuguesa de auxílio à Guiné-Bissau na guerra de 1998 foi tão importante.
Neste sentido, as notícias mais recentes que dão como estando a ser cuidadosamente avaliada pelas autoridades caboverdianas a introdução do Euro como moeda de circulação corrente no arquipélago são mais um passo para a aproximação entre este país lusófono e a União Europeia. Já há dez anos que existe um acordo de convertibilidade entre a então moeda portuguesa, o Escudo (hoje, o Euro) e o escudo caboverdiano (CVE) e o crescimento sólido da economia do país encontrou aqui boa parte da sua sustentação. Em 2004, o atual Presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso anunciou que Cabo Verde iria integrar a “área de influência da União Europeia”, pela via do reforço das suas ligações com Portugal.
Como saberão aqueles que mais nos frequentam, somos fervorosos defensores das virtualidades do estabelecimento de uma “União Lusófona”, uma forma de re-unificação polítca, económica e cultural entre os países que compõem atualmente a CPLP (a que se poderia juntar depois a Galiza). A forma percusora que poderia tomar esta união poderia passar pela religação dos dois países da CPLP que têm níveis de desenvolvimento económico, político e social mais semelhantes entre si, que são Portugal e o Brasil. Mas o bom sucesso de Cabo Verde, a vontade expressa de muita da sua população e até a presença de uma tão grande comunidade caboverdiana migrante em Portugal abrem portas a uma outra possibilidade: a aproximação entre Portugal e Cabo Verde e até talvez o estabelecimento entre Portugal e Cabo Verde do mesmo protótipo de “União Lusófona” que também advogamos para Portugal e para o Brasil.
Publicado também na Nova Águia.
Categories: Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Sociedade Portuguesa | Etiquetas: | 3 comentários

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3 thoughts on “Sobre a “parceria especial” de Cabo Verde com a União Europeia

  1. Pegaso

    É uma oportinidade unica para cabo verde e para portugal tentarem ser os ebrioes desta união lusofuna.Dexarei de ser portugues com muito orgulho para ser lusofuno.

  2. plenamente de acordo.
    sempre acreditei na linha de Pessoa e Agostinho que “Portugal” era apenas um conceito de vida, realizável apenas numa espécie de mundo novo que o Brasil era uma pré-declaração ainda não totalmente concretizada.
    Portugal seria assim, mais uma “ideia” do que um “Estado”, como a Holanda ou a Suíça, uma ideia de Futuro, realizável apenas pela Lusofonia (como 1º passo) e alicerçando esta numa união Portugal-Brasil ou… Portugal-Cabo Verde.. Em tempos acreditei que a primeira poderia ser mais facilmente realizável, mas de facto, a segunda, pelas ligações de gentes, pelo desenvolvimento e boa governança deste arquipélago poderia ser um excelente percursor para esse segundo – mais ambicioso e difícil – passo…

  3. Pegaso

    Oh mar que estás a nossa porta
    e que nos levas-te alem mar
    que hoje como ontem esperas por nos
    será sempre o nosso destino
    mesmo que por vezes nos empurres para terra
    voltarem sempre para o mar
    ao encontro do nosso amor
    aquele a quem nem sempre fomos fiel
    mas que no fim nos perdoa infidelidade
    pois sem perdão e arrependidos
    não se faz uma nação.

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