Causas do falhanço do “Brasil Holandês”

(Casa de Mauricio de Nassau em Olinda)

(Casa de Mauricio de Nassau em Olinda)

“…a guerra com estes (holandeses) ocorreu numa fase em que já dificilmente seria reversível o processo pelo qual se ía forjando uma civilização brasileira em que os valores fundamentais dos Portugueses – a língua, os costumes, a religiosidade – e os nexos económicos, políticos ou simplesmente familiares por eles criados tinham um papel estruturante. (…) Quando, no século XVII. Os Holandeses disputaram com a coroa portuguesa e os seus súbditos o domínio sobre o Brasil encontraram, em suma, um conjunto de resistências suficientemente coerentes e solidas para inviabilizar as suas pretensões.”

Não é raro encontrarmos quem, no Brasil moderno, se lamente pelo facto de a colonização holandesa não ter frutificado no Brasil. Julgam estes que se a Holanda tivesse conseguido lançar sobre o Brasil um jugo duradouro e firme, o Brasil seria hoje tão desenvolvido como a Austrália, os Estados Unidos ou o Canada. Desde logo, omitem conscientemente ou inconscientemente o facto desses três exemplos serem todos exemplos da colonização britânica ou francesa e não da holandesa… Omitem também o reconhecimento da evidencia que as antigas colónias holandesas vegetam hoje num maior ou menor torpor económico e que estão longe de serem exemplos de democracia, desenvolvimento humano ou de paz interna, e falamos de países como o Suriname, as Antilhas Holandesas, o Sri Lanka e a Indonésia…

Os advogados da causa perdida de um “Brasil holandês” esquecem – ou preferem esquecer – que se os holandeses não ficaram pé em terras brasílicas, tal não foi porque tivessem sido expulsos delas por tropas portuguesas enviadas diretamente da metrópole lusitana, mas exclusivamente por forças locais, a maioria delas nascidas já no Brasil, e com um muito importante e significativo auxilio de escravos libertos e de aliados índios. Esquecem também que no preciso momento em que na Corte de Lisboa se preparava uma paz “honrosa” com a Holanda em troca do reconhecimento da permanência dos holandeses no prospero Pernambuco, os “brasileiros” pegavam em armas e batiam os holandeses, levando o governo em Lisboa a cancelas essas negociações.

Sejamos claros: se o Brasil não se tornou holandês, tal foi porque não foi essa a vontade explicita dos brasileiros dessa Época. Já no século XVII, Lisboa não tinha a forca militar bastante para vencer frontalmente a Holanda e se foi possível resistir aos holandeses em São Tome, Cabo Verde, Angola e Moçambique, não seria possível acorrer a todos esses locais em apuros e guarnecer simultaneamente o Brasil de forcas suficientes para o defender. Se o Brasil de setecentos não tivesse querido manter-se “português”, não o teria sido, especialmente após 1640, quando Portugal se separou da Espanha e começou uma guerra desigual contra a então superpotência mundial que era a Espanha.

Fonte:

Nova História da Expansão Portuguesa: O Império Luso-Brasileiro (1500-1620) P.112

Categories: Brasil, História | Etiquetas: | 50 comentários

Navegação de artigos

50 thoughts on “Causas do falhanço do “Brasil Holandês”

  1. Revoltado

    Caro Quintus,

    Como fiel patriota nascido nas terras de São Paulo, digo que me envergonho de todos estes pseudo-brasileiros que hoje tomam o partido de Calabar, o traidor.
    Expulsamos a Companhia das Índias Ocidentais Holandesas em nome da nossa liberdade, do nosso direito à soberania. Aderimos à Casa de Bragança voluntariamente e provamos a nossa determinação em vários feitos épicos, incluindo as gloriosas batalhas de Guararapes.
    Me entristeço ainda mais por neste momento o Brasil estar a ser fracturado por forças criadas por poderosas corporações. O pior é que elas contam com muitos apoiantes conscientes e idiotas úteis entre os brasileiros.
    A vigarice intelectual que tomou conta do ensino no Brasil é uma das formas pelas quais os brasileiros se tornaram num povo complexado, pronto a aderir a tudo o que os estrangeiros nos impingem, travestindo isso com tintas de nacionalismo xenófobo.
    Assim, passamos a negar as nossas próprias conquistas e a culpar os nossos antepassados portugueses e luso-brasileiros peos nossos fracassos.
    Esta vigarice atinge tais proporções que hoje é possível observar muitos brasileiros que chegam a perguntar se o Brasil teria sido melhor com os holandeses! Esquecem em primeiro lugar que se o projecto holandês tivesse vingado não existiria o Brasil.
    Em segundo esquecem a própria evolução da Holanda, esquecendo que muito provavelmente o Brasil Holandês teria sido tomado pelo império britânico e o português não teria ultrapassado os limites de Tordesilhas, finando à mercê do poderosos império espanhol. Seria provavelmente um território de Plantations, como as colônias açucareiras do Caribe ou as Guianas, a norte, e a sul um quase enclave português que teria caído diante das pressões advindas das poderosas colónias hispânicas do Prata.
    Entretanto, há quem não pense assim. Especialmente entre os militares: http://www.youtube.com/watch?v=sNfTPLfYXSc

    Um abraço.

  2. Pegaso

    Muito bem revoltado.

  3. Pegaso

    Em portugal tambem temos os iberitas e agora pseud europeus.Eu sou altantista aquele que vé o mar não como uma barreira mas como elo de ligação entre todos povos de lingua portuguesa.

  4. os iberistas são muito poucos… no que concerne a figuras mediáticas, apenas me ocorre o noem de Saramago, já os europeístas… são dominantes, nos media, nas opiniões e em todo o tempo de antena.
    Por mim, sempre fui atlantista, como tu, Pegaso, e mediterraneo, em segundo.
    Atlantista, porque reconheço na Lusofonia o nosso futuro e não numa Europa que nas decisões importantes nos trata como “PIGS” e nos exclui das decisões importantes (o G4 de Sarkozy). Mediterrâneo pelo nosso temperamento e cultura, tão próximo de andaluzes, galegos, italianos do sul, e gregos…

  5. Brazileiro

    O senhor é português?

    Então tentarei explicar o que se passa aqui no Brasil.

    A maioria esmagadora dos brasileiros atuais prefeririam que o Brasil tivesse sido colonizado pelos holandeses pois provavelmente algum tipo de sistema Apartheid seria instalado e a miscigenação racial deixaria de existir.
    Alguns portugueses gostavam de estuprar negras escravas. Outros portugueses faziam orgias com o consentimento das escravas. Muitos portugueses assumiam os filhos que tinham com as escravas. O resultado de toda essa safadeza é de um país com 70% da população mestiça.

    Talvez se os britânicos ou os holandeses tivessem colonizado o Brasil, então leis anti-miscigenação racial seriam criadas e toda a safadeza, barbaridades teriam sido evitadas.
    Entenderam agora?
    Entendem a revolta dos muitos brasileiros com os portugueses?

    Saudações
    Brasil

    • Luís

      És um racista, e um complexado. Mas felizmente, tu és uma ínfima minoria do grande povo brasileiro

  6. anon

    Bem, esta suruba , acontecendo, ou não, sei que este pais é
    uma merda por causa da religião que faz qualquer ser normal
    ficar com medo do invisível e obedecer regras de um tal deus
    carrasco e amoroso?….que depois dá presentinhos como o
    ceu ou o inferno.
    Vejo que as duas religiões que se espalharam pelo mundo, a
    tal de protestante faz o zé povo ser mais empreendedor, e a ou
    tra a tal catolica, faz as toupeiras esperarem pelos proventos
    do todo poderoso, deixando o empreendedorismo de lado, pois
    ganhar dinheiro por aqui (Brasil) é pecado mortal……..
    e esta ideologia faz estrago por aqui até hoje…………….
    E este tal de retzinger é um “ex” da juventude nazista, que
    atirava nos judeus, por amor a hittler!!!!! hoje ele é o “santo”
    papa………………..

  7. Pegaso

    Na africa do sul holandeses os boers ou africaner fizeram o mesmo até á pouco tempo até ao fim do apartadem em pleno seculo xx. Ouve erros Mas mesmo despois da independencia do brazil ouve escravatura e em portugal já tinha sido abolida o erro não foi so portugues mas tambem bazileiro.A mistura de culturas cor de pele ainda hoje se dá e ningue é obrigado a tal

  8. Brazileiro

    anon está totalmente por fora. Todos os pobres que conheço no Brasil são protestantes. Os protestantes são maioria no Brasil.
    Menos da metade dos brasileiros que se declaram católitos, realmente o são.

    Pegaso,o Brasil já é mestiço. Uns tem a pele mais clara, outros mais escura mas já é um país de maioria mestiça. Os brancos colonizadores foram os Portugueses. Nunca houve nenhuma lei proibindo casamento entre negros e brancos no Brasil. Na verdade o governo sempre incentivou (incentivou pois gostavam das negras).
    O Brasil conseguiu independência, no entanto, os poucos brancos que restaram continuaram sendo Portugueses. Um indivíduo que nasce no Brasil mas pertence a uma linhagem 100% portuguesa, é português. O lugar onde se nasce não é nada. O importante é a linhagem.

    Acredito eu que a escravidão por ter durado tanto tempo no Brasil, resultou na conservação de uma elite que se manteve branca. Se a escravidão no Brasil tivesse sido extinta muito cedo, a miscigenação racial teria tido proporções muito maiores.

    Portugal fracassou na colonização do Brasil (BrownSil). O império português mandava toda a escumalha de bandidos, vagabundos e prostitutas para Brasil. Os piores portugueses vieram colonizar cá. Portugueses sem nenhuma moral.
    Chegaram aqui e engravidaram as negras resultando numa nação de mulatos. Um país de pessoas deformadas.

    A conclusão de tudo isso é que Portugal fracassou na colonização do Brasil e agora não tem mais volta.
    O que Portugal deve fazer agora é fechar as fronteiras para os brasileiros e todos os povos degenerados antes que seja o fim. O que está ocorrendo neste momento é a substituição do povo europeu por mulatos. Se os portugueses continuarem dormindo, logo desaparecerão da face da terra.
    Portugal já é um país com muitos mulatos, logo será um novo Haiti. Me dá nojo.
    “Mundo Lusófono” é uma piada! Quero os portugueses bem longe de mim. Odeio portugueses

    • Luís

      és uma racista da pior espécie. Indigno de seres brasileiro !

      • Dave Johanson

        Amigo não ligue pra ele,nós somos brasileiros tenho amigos e amigas portugueses e portuguesas,eu adoro o seu país e a sua cultura até por que sou descendente de português mais… Nordeste Brasileiro na verdade deveria ser feito como cara alí em cima disse: Se os negros depois que a escravidão acabou tivesse matado ou mandado esses negros de volta para africa a população do brasil com certeza poderia ter sido 100% branca com os holandeses,alemães,portugueses/Ingleses hoje talves poderiamos ser uma nação de 1 mundo feito os Estados unidos

    • Odin

      Você que se identifica como “Brazileiro”, não sabe que o Brasil recebeu imigrantes também de outros países europeus? Eu mesmo sou brasileiro descendente de alemães e de suecos. Mas não me acho superior e nem inferior a ninguém por causa da minha ancestralidade. Na verdade, odeio o Nazismo e qualquer doutrina semelhante. O sul do Brasil está cheio de pessoas brancas, inclusive até de olhos azuis e verdes. Então, não é bem verdade que em todo o Brasil, a maioria é mestiça. Depende da região. E também recebeu judeus, imigrantes asiáticos como árabes libaneses, japoneses, e todos cooperaram para o progresso que o Brasil tem. E considerando o tratamento que os descendente de africanos e de índios sempre receberam, é simplesmente covardia alguém criticá-los. Você odeia os portugueses? Eu acho que o seu mal é que você odeia a si mesmo e não é feliz. Que triste sina a sua!

  9. Baiano

    Este “BraZileiro” não parace nada elém de um verdadeiro preconceituoso racial.

    O apartheid social que aflige o Brasil deriva de uma longeva cultura e dominação por governos oportunistas sobre uma população tornada ignorante por ser impedida de obter uma aeducação eficiente.

    Não se trata de teoria da conspiração, mas verdade que tem se alastrado insidiosamente por todo o mundo. Veja, por exemplo, o homem-médio estadunidense, alienado pelo consumismo propagado pela mídia, controlada pelas grandes corporações multinacionais.

    Estas mesmas organizações que propagaram o lado benéfico de uma economia globalizada enquanto cultivam um novo tipo de escravidão nas fábricas do leste asiático.

    É um cicli vicioso, só quem é ignorante ou prefere fechar os olhos conscientemente não encherga.

    Barreiras xenofóbicas e raciais criadas por pessoas insignificantes que não enxergam a fraternidade universal em que vivemos é que permite a fome que assola a Africa ocorrer sob nossos olhos enquanto se preoculpa com o tênis ou a roupa cara, ou mesmo a nova televisão LCD que vai comprar na promoção de Natal, (que de data festiva astrologica, tornou-se em data religiosa e em oportnidade de negócios – mas isso é outra história).

    Veja quem está ao seu lado como irmão, independente de cor ou classe social…

  10. Baiano:
    As suas palavras conferem com a leitura que faço daqui, do outro lado do Atlântico, da personalidade e da alma brasileira.
    Tenho grande fé no destino do Brasil do mundo e nos frutos de uma reaproximação de todos, mas todos mesmo, os povos lusófonos.
    grandes coisas nos estão destinadas e asseguro.-lhe que após este “império anglosaxónico” dos últimos séculos, os chineses que se preparam para tomar nas suas garras todo o mundo não terão rédea solta… uma resistência onde o exemplo pacífico de uma União Lusófona que alguns souberam antever…

  11. Lís Fernando

    Não acredito em milagres. Não acredito em coincidências.
    Mas acredito que a colonização portuguesa ocorrida na América já fazia parte de um plano muito maior (de Deus), trazendo a possibilidade de com muito trabalho, dor e transformação, estabelecer no brasileiro o melhor das várias raças (se é que existem raças).
    Digam o que quiserem, mas do europeu veio a nata do que considero desenvolvimento espiritual (o povo que estava mais à frente na europa) naquele tempo, o portguguês (sábio, inventivo, corajoso e e de coração diferenciado).
    Dou graças a Deus por termos sido colonizados por Portugal, pois se não o fôssemos, não seríamos a grande nação de hoje e do futuro.
    Há muito do português em nós brasileiros, mas também do índio, e do negro.
    Não paramos por aí, já estamos também com muita miscigenação oriental.
    Todavia, o elemento agregador do que somos, veio de Portugal.

  12. Lís Fernando

    Portugal foi abençoado por poder originar a nação que é o verdadeiro coração do mundo: o Brasil
    E o Brasil foi abençoado por ser herdeiro das melhores tradições da Europa imanente no melhor de seus exemplares ao tempo da colonização: o povo português.
    Se Portugal se desse conta da sua verdadeira importância, muito ainda faria pela velha Europa.
    Politicamente, socialmente, e principalmente através dos seus melhores sentimentos, que o diferenciam dos demais povos.

  13. Zé do Brasil

    O Brasil é mestiço, são portugueses, espanhois,italianos alemães japoneses, libaneses,negros africanos e o que restou dos indigenas.
    Faz mais de cem anos que acabou a escravidão, mas os negros e pardos em sua maioria continuam pobres e os brancos em sua maioria descendentes de europeus continuam ricos.

    São antigas heranças históricas, que aos poucos começa a mudar.
    O antigo país de vira-latas superou a crise global, pagou sua dívida com o FMI, deu para emprestar dinheiro a bancos internacionais, lidera o processo de unificação da América do Sul, descobriu e irá explorar com tecnologia própria uma das maiores reservas petrolíferas do mundo em águas profundas e também será sede da Copa do Mundo e das Olímpiadas no Rio.

    Há muito o que fazer para melhorar o Brasil, mas o Brasil parece que encontrou um rumo!
    O Brasil caminha vigorosamente para o futuro orgulhoso de suas raízes no passado!

  14. é verdade. ainda que o Brasil seja um modelo internacional de tolerância racial, há um déficite de distribuição de riqueza que recua ao tempo colonial e da escravatura…
    há mudança, mas lenta e esta separação de rendimentos está na base direta dos problemas de criminalidade que são (a meu ver) o maior problema desse país-continente e que se não forem resolvidos pela base (pela via dupla do Desenvolvimento e da Autoridade) podem comprometer o crescimento do país.
    Está no rumo, é o que parece, mas atenção a estas pedras no seu meio!
    Lula está a fazer o suficiente neste domínio? visto a esta distância, não parece…

  15. Sim está, poderia ser + incisivo, + está fazendo a parte dele e com + sentido social…faço minhas aspalavras dos srs, Lis e Zé do Brasil….e por aíh o caminho ; + chegaremos lá com nossas próprias pernas…estamos tentando.

  16. Marcelo Bruno

    O modelo de “colonização” holandês, a cargo até o fim do século XVIII das companhias (privadas) das índias (ocidental e oriental) tinha objetivos eminentemente comerciais e pouco ou nenhum interesse em povoar os territórios ocupados com europeus transplantados. Baseava-se num pequeno número de funcionários assalariados (civis, militares e religiosos) que viviam em centros urbanos fortificados próximos à costa ( Batávia/Jakarta, Cidade do Cabo, Recife, etc.) enquanto o interior da colônia, com quem os holandeses mantinham relações comerciais, permanecia sob controle político frouxo ou, em alguns casos, até inexistente.

    Os holandeses empregavam a população local como mão de obra nos casos em que ela era abundante (como na Indonésia por exemplo) e/ou, alternativamente, utilizavam trabalhadores importados em regime de escravidão (por exemplo, os africanos usados nas Antilhas, Guiana e Brasil) ou quase-escravidão (por exemplo, os javaneses e indianos introduzidos no Suriname no século XIX).

    Curiosamente, o único exemplo de fa(c)to que se conhece de uma colonização holandesa dita “de povoamento” , com europeus brancos efetivamente se fixando à terra e deslocando a população nativa, seria o caso na África do Sul do africâneres ou “boeren” (anglicizado “boers”; palavra holandesa para “fazendeiros”). Como se sabe porém, os africâneres acabaram se tornando eventualmente a base política e ideológica para o odiado regime de segregação racial (”apartheid”) que, por várias décadas, impôs a ditadura da minoria branca sobre a maioria negra sul-africana. Portanto, está longe de ser um exemplo da “superioridade” do modelo colonial holandês.

    Entrando agora no plano da ficção especulativa, penso que, a exemplo do que aconteceu em outros territórios que ocuparam, os holandeses teriam pouco ou nenhum incentivo em povoar o Brasil com europeus loiros, altos e de olhos azuis como muitas vezes aparecem nas imagens fantasiosas de um hipotético “Brasil holandês” que tivesse sobrevivido além do século XVII.

    O mais provável realmente é que a colonização holandesa no Nordeste brasileiro se assemelhasse mais ao modelo de “plantation” com trabalho escravo das Antilhas, só que, em uma escala geográfica muito maior. Nessa interpretação, o Brasil holandês acabaria sendo, usando um referência atual, uma espécie de Aruba ou Suriname gigantes, com uma população majoritariamente negra ou mestiça.

    Não se pode descartar totalmente, entretanto, que o pequeno núcleo de “cidadãos livres” europeus, não funcionários da Cia das Índias, que viviam no Recife sob Nassau, viesse a se converter na base de uma futura colonização de povoamento europeia minoritária, ao estilo da África do Sul, especialmente após a assimilação progressiva dos luso-brasileiros à cultura neerlandesa e à igreja reformada (calvinista).

    Uma dúvida relevante, porém, é se os holandeses conseguiriam realmente manter o controle do Brasil no longo prazo. Não se pode descartar que o Brasil holandês passasse ao controle britânico no período napoleônico, como aconteceu com a colônia do Cabo (forçando na época os boers a migrarem para o interior da África do Sul, onde estabeleceram por um certo período de tempo repúblicas independentes).

  17. os holandeses nunca tiveram – em lado nenhum – intenção de “colonizar” qualquer coisa… onde quer que estiveram não deixaram marcas culturais, demográficas ou linguísticas. E até no Sri Lanka, de onde expulsam os portugueses, hoje há muitos nomes de origem portuguesa (como o general Fonseka, recente candidato presidencial muito polémico) e nenhum nome holandês.
    usaram o Brasil como entreposto, e sim, como plantação.
    mas era um empreendimento comercial, gerido por comerciantes, não um verdadeiro ato de colonização, de facto.

  18. Marcelo Bruno

    @Clavis Prophetarum: “os holandeses nunca tiveram – em lado nenhum – intenção de “colonizar” qualquer coisa… onde quer que estiveram não deixaram marcas culturais, demográficas ou linguística.”

    Concordo em parte, ressaltando porém que, na África do Sul, existem “marcas culturais, demográficas e linguísticas” reais da presença holandesa, notadamente cerca de 3 milhões de africâneres brancos e igual número de “coloured” (mestiços), totalizando mais de 6 milhões de falantes do “afrikaans” (“holandês sul-africano”) como língua nativa.

    Por outro lado, não penso que a Indonésia ou mesmo o Ceilão sejam exemplos relevantes para a discussão em questão, pois, a exemplo da Índia britânica, eram territórios que, quando ocupados pelos europeus, já eram povoados por uma população nativa numerosa com cultura, religião e estruturas sociais próprias. Não eram áreas propícias portanto a uma colonização de povoamento europeia, fosse ela holandesa, inglesa, francesa ou portuguesa. Aliás, Portugal esteve nos territórios supracitados antes dos holandeses e tampouco deixou qualquer “marca cultural, demográfica ou linguística” por lá (exceto talvez alguns nomes curiosos como os que você citou).

    O Brasil obviamente é um caso bem diferente, pois, excetuando-se os poucos ameríndios que aqui viviam, era uma “terra virgem”, extensa e esparsamente povoada, que, a exemplo dos futuros Estados Unidos, Canadá, Argentina ou Austrália, se prestaria bem a absorver um número grande de europeus transplantados.

  19. é verdade. Os boer, não me tinha lembrado deles. bem visto.
    a grande marca lusa no oriente foi religiosa. Em muitos destes países os nomes portugueses subsistem (de Bombaim, a Malaca, passando pelo Sri Lanka) em famílias cristãs, cujos antepassados foram batizados pelos missionários portugueses. a marca portuguesa no oriente foi muito mais religiosa do que demográfica ou estritamente cultural.
    a única verdadeira colonização que Portugal realmente fez foi o Brasil (além das ilha atlânticas) pela sua pequenez demográfica. E com a exceção de Goa, onde de facto se criou deste cedo uma elite “mulata”.

  20. gabrielpezzini

    É necessário, antes que tudo mais, diferenciar a primeira e a segunda ondas de imperialismo pelas quais o mundo passou.

    Na primeira onda, os territórios colonizados foram primariamente áreas com baixa densidade demográfica e uma população com tecnologia militar muito inferior à europeia, que em pouco ou nada tiveram acesso às armas de fogo ocidentais.

    Na segunda, na África, na Ásia e em alguns casos mesmo a Oceania, tratavam-se geralmente de territórios com povoamento denso e por vezes de civilizações urbanizadas, tornando-se impossível aniquilar todos os nativos, mesmo porque a escravidão já havia sido abolida no mundo, inviabilizando a alternativa do tráfico negreiro.

    O Suriname e as Antilhas encaixam-se mais perfeitamente no primeiro caso, as Índias Orientais Holandesas (atual Indonésia), no segundo.

    No primeiro caso, uma colonização holandesa deixaria sim marcas culturais no local, como foi o caso do Suriname e até das Antilhas Holandesas (só porque são negros não quer dizer que não absorveram nada da cultura metropolitana). Na Indonésia e no Sri Lanka, provavelmente não.

    Claro, há também semelhanças, e nos dois casos as colônias podem ser divididas entre povoamento e exploração. Motivo pelo qual eu diria que o Brasil seria sim diferente, mas não dá para afirmar se melhor ou pior sob o Nassau.

  21. Brasileira Sim

    Concordo com Lis, acredito q atualmente está o Brasil finalmente a ter orgulho de ser “o brasil”, estamos finalmente começando a sair da dormência, do imposto complexo de vira-latas.
    Não acredito em ‘casualidades” e sim em predestinações, nossa nação mestiça (graças a Deus) tbm teve a presença de grandes portugueses q aqui enxergaram “o paraíso’ a chance que o Velho Mundo, lhes negara, lógico q vieram os degredados e discordo piamente dos q dizem ser está a razão pq existam brasileiros corruptos, ora, isto independe de quem colonizou quem, isto é da própria humanidade, rs
    os q defendem o Brasil de Nassau tbm esquecem de quem promovia o terrivel comércio negreiro.
    Em Guararapes nasce a 1ª ideia de se defender o “sonho’, a realidade de fazer uma Nação, pela 1ª vez as 3 raças, se unem e expulsam em desigualdade de condições os holandeses de pernambuco, ali nasce o projeto do pais, nação, mestiço q teve q se auto construir e ainda está neste processo. O antropólogo e professor darcy ribeiro retrata mto bem este complexo processo em q Portugal tem um papel primordial. Foi o elemento luso q costurou este pais continental. “Deus quer, o homem sonha a obra nasce…”

  22. Riquepqd

    Clavis, concordo em gênero, número e grau com as suas palavras no post.

    Mas mesmo em um período tão curto, a colonização holandesa no nordeste também deixou suas marcas culturais e genealógicas.

    O povo pernambucano se orgulha muito desta época, muitos pernambucanos tem Maurício de Nassau como um herói. Há universidades e várias outras coisas com seu nome no Estado de Pernambuco, isso se traduz em diversos sítios eletrônicos de lá, dizem ter sido ele o melhor governante que Pernambuco já teve.

    Foi o primeiro a trazer a este povo a liberdade de culto, e o que havia de mais desenvolvido na Europa no campo das artes, da arquitetura, das ciências e outras áreas.

    Antes da chegada dos holandeses, os 7 mil habitantes de Recife eram obrigados a viver nas piores condições de higiene e conforto, os holandeses planejaram e construíram uma nova cidade, implementaram leis sanitárias e outras medidas para melhoria das condições de vida urbana em Recife, construíram palácios, fortificações, casas, ruas, praças, mercados, canais, jardins e as primeiras pontes da América Latina. A cidade passou ser chamada por eles de Mauritsstaden, ou Cidade Maurícia, que até hoje conserva em seu centro histórico os traços arquitetônicos holandeses.

    Também reproduziram as paisagens, fizeram mapas, catalogaram animais e plantas, e retrataram o homem indígena e africano. A fidelidade e a precisão de todo esse trabalho faz com que até hoje seja considerado um importante acervo da história das ciências.

    Até então, o Novo Mundo jamais fora alvo de observações tão precisas. É essa produção que faz hoje, o período holandês ser tão lembrado em Pernambuco por meio da figura de Nassau.

    Por ter tido forte imigração de escravos africanos durante séculos, os traçõs germânicos dos holandeses não são tão presentes assim na população pernambucana, mas certa vez li que uma Universidade de Pernambuco fez uma pesquisa genética que comprovou que 20% dos pernambucanos brancos são descendentes dos holandeses que aqui estiveram.

    E a Capitânia de Pernambuco abrangia os territórios dos atuais Estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará e a porção ocidental da Bahia, evidente que a intervenção holandesa se deu em maior parte em Pernambuco, mas a presença holandesa em outros Estados também é evidente no biotipo da população de Estados com menor influência africana.

    Ceará e Rio Grande do Norte por exemplo, tiveram muito pouca influência africana, por isso a população branca destes estados tem características físicas muito mais semelhantes com os holandeses do que com os portugueses, é muito comum encontrar principalmente em cidades do interior, uma população branca loira e de olhos zuis ou verdes. Já em Alagoas, que teve forte influência holandesa e africana, é muito, mas muito mais comum encontrar mulatos de olhos azuis ou verdes, do que em qualquer outro Estado do Brasil.

    Outra característica física dos nordestinos que ninguém sabe a procedência, eu acho que veio dos holandeses, no Brasil, fisicamente é possivel distinguir nordestinos dos demais brasileiros apenas olhando o formato da cabeça, inclusive esta falicidade de diferencia-los, é um fator que ajuda a aumentar a discriminaçao que os mesmos sofrem em outras regiões. Em sua grande maioria, os nordestinos tem a cabeça grande, chata e o formato do rosto redondo, característica incomum nos demais brasileiros e nos portugueses, e olhando alguns jogadores holandeses de futebol, e também os imigrantes holandeses que vivem atualmente no Brasil, percebe-se esta mesma característica, e há vários blogs na net fazendo a mesma comparação.

    No Brasil, quando se fala sobre a colonização holandesa, todos discutem sobre um Brasil português ou holandês, mas na verdade, se a colonização holandesa vingasse, acredito que não teríamos um Brasil inteiro holandês, acredito que teríamos dois países, a cultura portuguesa já era muito forte no sudeste brasileiro para que a holandesa conseguisse sufoca-la. Então o Brasil seguiria sem parte do nordeste, e no restante, um outro país de uma língua derivada do holândes, e influênciada pelo português e línguas nativas.

    Obs 1: Eu não gostaria de nascer em um Suriname gigante.

    Obs 2: Esse comentador “Brazileiro” deve ser louco, não?

    • Nao dois, mas varios… Perante o exemplo do Pernambuco outros estados entrariam em percursos centrifugos e o Brasil seguiria o mesmo rumo da America espanhola. O milagre de um Brasil uno seria assim quebrado.

  23. Riquepqd

    É verdade, devido a contextos históricos, poderíamos ter tido as independências de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Maranhão, Pará, Amazonas e Acre, e de tabela, junto com Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba, já que estes faziam parte de Pernambuco.

    O que sobrasse seria Brasil…

    O curioso é que o território brasileiro vem sendo palco de certas “independências”, hoje tramitam no Congresso Nacional vários projetos de lei visando criar novos Estados, tornando independentes algumas regiões de seus atuais Estados. Como os que separaram Tocantins e Mato Grosso do Sul de Goiás e Mato Grosso respectivamente.

    Algumas destas demandas são meramente políticas, com a desculpa de que com criação das novas unidades federativas, melhor utilizados seriam os impostos locais, estes “caciques” na verdade almejam ter mais poder, e “criar” mais cargos políticos. Deste tipo de proposta, temos a quase criação do Maranhão do Sul, que foi aprovada no congresso nacional, e agora vai a referendo.

    Já outras demandas se sustentam em fatos histórico-culturais, como por exemplo a criação do Estado de Tocantins, desde o século XIX haviam movimentos emancipacionistas tocantinenses no norte de Goiás, que culminaram tornando o desejo de seu povo, de se apartar de Goiás, realidade. E também trouxe muito mais desenvolvimento à região.

    Um exemplo como este é o projeto de lei que já foi aprovado no congresso e vai a referendo para criação do Estado de Tapajós, apartando-o do Estado Pará, a sua provável capital, Santarém, historicamente sempre rivalizou em poder com a cidade de Belém, capital do Pará, há mais de 150 anos já houveram os primeiros movimentos de emancipação que nunca cessaram até a atualidade.

    Duas outras propostas surgiram para desmembrar São Paulo em três, a criação de São Paulo do Sul, sendo uma tentativa de desenvolver a região menos desenvolvida de SP, mas erradamente já foi rejeitada pelo congresso, os parlamentares paulistas lutam a todo custo para que estas propostas não vinguem. E a criação de SP do Oeste, que teria Ribeirão Preto como capital.

    Acho que as duas propostas deveriam ser aprovadas, porque dividiria o Estado mais populoso e com maior PIB do Brasil, o tamanho do PIB e da população de SP acaba gerando um grande desequilíbrio em relação aos outros Estados do Brasil, seria uma forma de equilibrar.

    Neste link temos de maneira muito reduzida as atuais propostas, e o mapa de como ficaria o Brasil se todas elas fossem aprovadas:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_unidade_federativa_do_Brasil

    O que você acha CP?

    • Sim, tenho seguido esses movimentos daqui do outro lado do Mar Oceano…
      Ai (como ca) tenho receio disso mesmo: que essas aspiracoes locais sirvam para caciquismos e para separar ainda as populacoes daqueles que elas elegem e as governam: quanto mais camadas existirem entre eleitos e eleitores, pior sera a qualidade da democracia.
      Por isso defendo que a descentralizacao deve ocorrer num nivel ja existente: o municipio e nao o Estado (ou a Regiao, em Portugal)

  24. Riquepqd

    Galera, estou boquiaberto com as revelações do historiador Dr. Eduardo Fonseca Jr.

    Nada do que ele diz é ensinado nas escolas!

    Mas antes de lerem, cuidado com o racismo dele pelos portugueses, abstraiam o que é inutil e absorvam apenas o que é interessante, pouco conhecido.

    Algumas das revelações dele:

    “…Pernambuco considerada a “jugular da cultura popular brasileira, além de apresentar em suas manifestações culturais o violino holandês lá chamado de “rabeca”, tem um número de, pelo menos um milhão de órfãos de olhos verdes, descendentes de cerca de 80.000 holandeses que lá estiveram no século XVII dos quais, milhares lá ficaram para sempre.”

    “…acrescenta que, os quilombos conseguiram resistir de 1620 até 1695 porque os holandeses os deram armas…”

    “…livro é sobre o poder medicinal das plantas que os holandeses aprenderam com os índios e com os negros fugitivos. Desta maneira, Nassau obteve a receita do Dendê (óleo de palmeira). Ele, através do seu capitão-comandante Jon Blaer, comprou esta fórmula em troca de armas para a resistência negra de Zumbi…”

    “…Nassau…mandou médicos e soldados para o Quilombo dos Palmares de Zumbi para que aprendessem tudo sobre a República Negra.”

    “…Se a CIO não tivesse desistido da colônia da Capitania de Pernambuco, a escravidão poderia ter acabado em 1700 e não apenas em 1888…”

    “…Sob seu governo, ele decretou um dia livre por semana para 2 milhões de escravos e proibiu o castigo corporal.”

    “…Nassau também proibiu o trabalho forçado para os indíos. Por essas, ele ficou muito popular, seu regime era tolerante e todos viviam em harmonia: brancos, negros, índios e os derivados, mulatas, mamelucos, cafuzos e mestiços. Havia também a liberdade de religião, inclusive para os judeus que construíram lá a primeira sinagoga das Américas.”

    “…os negros não éram os ignorantes que os portugueses fizeram acreditar. Isso só era usado para justificar a escravidão…declara tal fato também é baseado no jornal náutico holandês onde a cidade de Benin (de onde vieram muitos escravos), na África está descrita por Matheus Cornelizon. A cidade do rei Obá é descrita como altamente desenvolvida.”

    E o curioso é que o sobrenome deste historiador é português…

    http://www.brasileirosnaholanda.com/entrevista/eduardofonseca.htm

    • O Reino do Benim ‘e relativamente bem conhecido e essas informacoes conferem com o que sabia. O do zimbabue (que Dom Sebastiao tentou conquistar) tambem nao estava nada mal…
      Quanto aos holandeses, nao me espanta. Nassau era mesmo ao que parece um individuo excepcional.

      • Riquepqd

        Será que o Odin continua pensando que “…Nassau e seus compatriotas daquela época são sobrevalorizados…”?

  25. Riquepqd

    Para deixar mais imparciais as minhas palavras, vou colocar abaixo o nome de um documentário, “Doce Brasil Holandês”, que apesar de falar do período de maior prosperidade de toda a História do nordeste brasileiro, faz uma análise desapaixonada fazendo comparações com o Suriname e o Aparthaid.

    Outra curiosidade, é que grandes nomes acadêmicos do Brasil e até no exterior, como Gilberto Freyre, Eduardo Fonseca, Kalina Vanderlei e Sabrina Van Der Ley dão algumas explicações por não haver sobrenomes holandeses no nordeste.

    Ao que parece, após quatro anos de serviços prestados, os oficiais e praças que não queriam renovar o vínculo, ganhavam a “baixa”, e nestes casos eram incentivados pela CIO a se tornarem colonos e permanecerem na Nova Holanda para se dedicar as atividades de pequenos proprietários rurais.

    Além disso, muitos dos soldados da CIO, não eram holandeses, e então diante das privações comuns a uma guerra, por falta de um sentimento de lealdade à Holanda quase sempre acabavam desertando, entre estes, principalmente os franceses desertaram, e a deserção também era comum entre os próprios holandeses, já que não serviam à Holanda, mas a uma companhia privada, a CIO. E estes desertores fugiam para o interior do território, longe da guerra, e viviam como pequenos produtores rurais, no geral para o próprio sustento e da família que adquiriam no Brasil.

    E após a expulsão da CIO pelos brasileiros, milhares de soldados mercenários resolveram ficar no novo mundo, na maioria holandeses, mas também haviam alemães, ingleses, franceses, belgas, judeus e poloneses, dos que ficaram, a maioria já havia gerado descendentes e se casado oficialmente ou se juntado com brancas luso-brasileiras, e até com índias e mestiças, e outros já haviam conquistado algum palmo de terra, e passaram a se dedicar as atividades rurais,

    Todos estes casos tiveram em comum uma estratégia de sobrevivência, tiveram os seus nomes e sobrenomes ocultados ou aportuguesados para a forma mais parecida de pronuncia, e em sua maioria já falavam o português, que foi aprendido com os colonos que aqui encontraram.

    E também segundo Gilberto Freire, após o fim da guerra, nos casamentos entre holandeses e luso-brasileiras, se adotava nos filhos apenas o sobrenome da mãe, para evitar que o pai fosse perseguido devido a sua nacionalidade, e segundo ele, a Igreja Católica foi a mais ferrenha perseguidora dos estrangeiros que aqui ficaram, porque em sua maioria eram de orientação protestante, judaica e moura.

    Alguns exemplos dos muitos sobrenomes mudados são:

    Os Vanderlei e os Wanderlei, descendentes dos Van Der Ley, que foram tantos, que este sobrenome ficou muito popular no nordeste e acabou virando opção de primeiro nome.

    Brum é uma versão aportuguesada de Van Bruyn.

    Van Hurter e Van Utrecht, pela pronuncia se transformaram em Dutra.

    Van Wedda virou Beda.

    Van Brae virou apenas Brae, e há muitos outros que sofreram a mesma mudança.

    Uma das versões históricas para os sobrenomes De Holanda e Holanda é que houveram muitos órfãos de pais holandeses que não assumiram seus filhos, e nestes casos surgiu o sobrenome De Holanda, era uma forma de as mulheres incluírem um sobrenome paterno justificando serem mães solteiras porque o pai da criança foi expulso de volta à Holanda. Era a desculpa oficial. 😳

    E além disso, não é mera coincidência que os nordestinos, ao contrário dos demais brasileiros, gostem muito de primeiros nomes começados com Van ou Val, são uma mistura de criatividade, herança cultural da época e aportuguesamento de nomes.

    Já citei aqui que certa vez li que uma universidade privada de Pernambuco fez uma pesquisa genética e constatou que 20% dos pernambucanos descendiam dos holandeses.

    Mas agora soube de uma outra pesquisa, realizada pelo professor Sérgio Danilo Pena, titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.

    Segundo a pesquisa O Retrato Molécular do Povo Brasileiro, nos fornece os dados da presença do Haplótipo H2 comum na Europa Central e também em menor quantidade entre os Portugueses, mas que se apresentam no nordeste e no sul do Brasil em índices mais elevados que em Portugal.

    Sendo que na região sul pode ser explicado pela presença dos imigrantes alemães, e no nordeste pelos 24 anos de presença da CIO.

    Este assunto me interessa especialmente… 😉

    • Estou a ver! 🙂
      E percebo porque… Eu proprio acho o tema fascinante, especialmente a questao dos tracos geneticos de migracoes passadas, coisa que tambem me interessa muito, aqui em Portugal.

      • Riquepqd

        “…Estou a ver!
        E percebo porque…”

        Me orgulho muito de ser brasileiro, de falar português em um continente quase que totalmente hispanófono, me orgulho de meus sobrenomes portugueses (no Brasil ser chique é ter sobrenome de outra origem), me orgulho de meus longínquos ancestrais portugueses, de Portugal e sua História de valentia, ímpar na História mundial, e ao contrário da maioria dos brasileiros, também me orgulho da História portuguesa, já que descendo de portugueses. 😉

        Também sei que tenho alguns ancestrais indígenas, e também me orgulho em saber disso, porque apesar da grande maioria da minha família ser branca, há alguns cabloclos entre eles, já que tive um tataravô materno índigena, da tribo potiguara, mesma tribo guerreira de um herói nacional, Felipe Camarão. 😉

        Mas também tenho quase que absoluta certeza de que também descendo dos holandeses que aqui estiveram, pelos motivos que vou expor abaixo, e me orgulho por isso dos feitos de Nassau e seus compatriotas da época. 😉

        Sou carioca de nascimento, e não curto a cultura nordestina, sou culturalmente ”sudestino”, e também não tenho biotipo nordestino, puxei a meu pai, mais sei que geneticamente sou 75% nordestino, já que minha mãe é do interior do RN, e meu avô paterno é do interior do Ceará. 🙂

        Então vejamos, minha mãe era loira (agora é grisalha), e de olhos claros, assim como meu avô materno e toda a sua família e assim como a maioria dos brancos da região onde ela nasceu, na minha família por parte de meu avô materno, todas as pessoas são loiras, e há uma minoria de cabelos castanho-claros, não há pessoas de cabelos pretos, assim como a grande maioria tem olhos verdes ou caramelos, e há alguns de olhos azuis, os olhos castanhos ou pretos praticamente não existem neste tronco da família. Por isso acredito que deste tronco descendo de holandeses.

        Já por parte de minha avó materna, a família é na maioria branca morena, e há alguns caboclos, inclusive minha falecida avó, é deste tronco que descendo de pelo menos um potiguara, e de portugueses.

        Já meu pai e avô paterno, são brancos de cabelos pretos, herdados da minha bisavó e sua famíla, mãe do meu avô paterno, deste tronco descendo de portugueses.

        Mas muitos filhos do meu avô paterno (meus tios), assim como meu bisavô paterno e sua família, e também a população branca da cidade onde ele nasceu, é formada por pessoas altas, de cabelos claros (loiros ou castanhos claros), e de olhos claros, características pouco comuns entre os portugueses, deste tronco acredito também descender de holandeses.

        E por ultimo, minha avó paterna nasceu em uma cidade no interior do RJ que foi colonizada por portugueses, alemães, italianos, sírios e libaneses, e apesar de minha avó ter olhos claros, e família com mistura de loiros e morenos, seus sobrenomes de solteira são portugueses, então deste tronco também descendo de portugueses.

        Então eu concluo que minha mãe descende de holandeses por parte de pai, e de portugueses e indígenas por parte de mãe.

        E meu pai, descende de holandeses e portugueses por parte de pai, e de portugueses por parte de mãe.

        Sei que um nordestino loiro não é necessariamente descendente de holandeses, porque há uma minoria loira em Portugal, assim como um nordestino moreno não é necessariamente descendente de portugueses, porque há uma minoria morena na Holanda, mas com os indícios que coloquei acima, principalmente pela concentração de biótipos loiros na região de nascimento de minha mãe e meu avô paterno, acredito que seja assim a minha ascendência.

        É isso. 😉

        • Um autentico caldeirao etnico, em suma!
          Eu tambem tenho no sangue o testemunho dos varios povos que passaram por este retangulo finisterrico: o judeu, o escravo norte-africano do escravo mouro dos “negritos do Sado”, para alem de um olho verde (meu avo) que pode ser celtici e de uma pele muito branca que pode indicar tracos suevicos ou visigoticos.
          Na pratica, nao sei. a minha arvore genealogica (que fiz ate ao sec XVIII) diz apenas que os meus antepassados vieram todos do concelho de sao bartolomeu de messines e eram todos e sempre pequenos agricultores ou jornaleiros…

          • Riquepqd

            CP,

            Eu fui somente até algumas poucas gerações atrás, e encontrei portugueses, holandeses e potiguaras, se eu tivesse recursos, contrataria um especiasta, um historiador, geneticista, sei lá, gostaria de ir fundo neste assunto. Me fascina. 🙂

            Se tenho ancestrais europeus, então provavelmente também descendo dos vários povos que estiveram no território que hoje se designa Portugal e Países Baixos, e se descendo de um potiguara, também descendo de algum povo nômade asiático que chegou às Américas pelo Estreito de Bhering.

            E quanto a tua provavel ascendencia:

            “…o judeu, o escravo norte-africano do escravo mouro dos “negritos do Sado”, para alem de um olho verde (meu avo) que pode ser celtici e de uma pele muito branca que pode indicar tracos suevicos ou visigoticos…agricultores ou jornaleiros…”

            Shou de bola. 😕

            Acho o povo que conhece bem seu passado, seus ancestrais, tem mais chances de triunfar no futuro.

            • Riquepqd

              CP, onde se viu 😕 leia-se 🙂

              É que errei na hora de copiar e colar. rsrs. 😉

            • Ah, sim. Se tens portugueses no sangue, podes contar com varios cruzamentos no sangue so por essa via… Na verdade ha hoje uma empresa norte-americana que pagas por visa, e eles enviam um kit de recolha (de saliva) que remetes no correio de novo e eles enviam depois o teu perfil genetico, com possiveis antepassados. O teste ainda ‘e caro (1500 euros, acho eu), mas a tendencia ‘e ir baixando…

        • Dave Johanson

          Eu sou pardo moreno claro cabelo pretos bem lisos olhos castanhos pouco escuro como posso saber minha descendencia,meu geneses se tenho descendencia holandesa ou portuguesa moro em Pernambuco Como posso fazer para saber quantos % tenho Geneses branco no meu sangue,se puder me ajudar agradeço de já

  26. Odin

    Riquepqd :
    Será que o Odin continua pensando que “…Nassau e seus compatriotas daquela época são sobrevalorizados…”?

    Riquepqd,
    Eu não acho a presença holandesa no nordeste do Brasil como algo negativo. Na verdade, considero positivo. A 1ª Sinagoga das Américas em Pernambuco, foi algo fantástico. Quem pode na verdade, avaliar, são os nordestinos. Mas, quando digo “sobrevalorizado” é que tem gente que jura que o Brasil hoje seria um país desenvolvido. Isso não há como garantir, pois as demais ex-colônias holandesas são até mais pobres que o Brasil.
    Não me entenda como “racista”, pois não é uma questão de raças, mas de culturas. O exemplo das 13 colônias inglesas, que começaram como um empreendimento privado protestante, não tinham só ingleses. Havia alemães, holandeses, belgas, suecos, escoceses, irlandeses, galeses, dinamarqueses, noruegueses… os ingleses eram a grande maioria. Os portugueses no século XVI podiam, mesmo que só de católicos romanos, conforme a sua legislação na época, ter povoado o Brasil com mais outros europeus (exceto castelhanos por causa das colônias espanholas vizinhas), como franceses, alemães e austríacos, italianos, poloneses, tchecos/checos, eslovacos, húngaros, croatas, irlandeses, pois naquela época, a maioria da população de todo e qualquer país europeu, era de pobres para miseráveis. Em troca de uma propriedade de terras no Brasil, e concordar em aprender português e se tornarem súditos de Portugal, você acha que eles não teriam aceito? Pedir para aceitarem protestantes e outros de cultos não católicos-romanos era pedir demais para um rei português da época. Mas convidar casais católicos de outros países, em especial daqueles países que não participavam da colonização das Américas, não ia ameaçar a soberania portuguesa sobre o território. Isso concordo que foi falta de visão da realeza de Avis. Naquele período das capitanias hereditárias, dos donatários, era o momento ideal para isso.
    Os holandeses no século XVII normalmente eram acompanhados por alemães, franceses (huguenotes), poloneses e nórdicos, nos seus empreendimentos. Não só no nordeste do Brasil, como no leste dos EUA e na África do Sul também.

    • Riquepqd

      Odin, já comprovei que é praticamente impossivel discordar de um texto seu, mostra seu elevado grau de conhecimento. 🙂

      Mas em hipótese alguma passou por minha cabeça que você era racista, apenas estava tentando te convencer que Nassau e os holandeses que aqui estiveram fizeram um excelente trabalho, e mais uma vez digo que foi muito boa a expulsão deles, para que a História se mantivesse assim, com boas lembranças dos seus feitos, antes que nos tornassemos um Suriname gigante. 😉

      Odin, certa vez li por aqui que você é descendente de suecos, como se deu isto? Nunca tive notícia de imigrantes suecos, foram em muitos ou apenas poucos? Você chegou a conhecer algum ancestral sueco ou apenas tem um sobrenome sueco?

      Pela sua região de origem, no interior de SP próximo a divisa com PR, é provavel que você tambem tenha algum sangue italiano, você tem algum sobrenome italiano ou portugues?

  27. Odin

    Os primeiros contingentes de imigrantes suecos chegaram ao Brasil em 1890.
    http://www.imigrantesbrasil.com/2008/06/brasil-e-sucia-mantm-timas-relaes.html
    http://www.expoijuifenadi.com.br/publicacao-7-news2.fire

    http://www.expoijuifenadi.com.br/publicacao-7-news2.fire
    http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/vejasp/450_anos/textos/imigrantes/escandinavos.html

    Os suecos não vieram em enormes colônias como os italianos, alemães e japoneses. Mas vieram uns gatos pingados para cá também. Um documento genealógico que nem está comigo, está com um tio meu, irmão do meu pai, menciona um casal, cujo homem era alemão, e a esposa dele sueca, lá no século 19. Vieram para São Paulo, depois os filhos migraram para o interior, se casaram com descendentes de outras etnias. Uma geração posterior, uma neta deles (minha linhagem) se casou com um descendente de galegos e portugueses. Quando pedir para ver aquela árvore genealógica, estava procurando judeus sefarditas entre os meus ancestrais. Há sobrenomes tipicamente cristãos-novos na minha linhagem. A descoberta daqueles imigrantes que são meus ancestrais foi acidental. Não tenho fenótipo nórdico, não sou loiro e nem tenho olhos azuis e nem verdes. E não sou nem alto e nem baixinho. Mas tenho ancestrais altos (o meu pai é), loiros de olhos azuis (meus bizavós) sim. E morenos de olhos castanhos também. Então, o meu gosto pela cultura “pagã” escandinava e celta, o meu gosto por suas mitologias, deve ser genético. 😀

  28. Riquepqd

    O atleta pernambucano Ênio Cleiton Lima foi o campeão da Maratona Internacional Maurício de Nassau, realizada ontem em Recife. 🙂

    Entre as mulheres, a campeã foi a também nordestina Marily dos Santos, da Bahia.

    A maratona foi organizada pelo Governo do Estado de Pernambuco. É, como sempre os pernambucanos insistem em não deixar o Brasil holandês cair no esquecimento 😉

    http://www.webrun.com.br/maratona/n/marily-dos-santos-e-enio-lima-vencem-a-maratona-mauricio-de-nassau/12488

  29. Riquepqd

    Alguns brasileiros famosos ou anônimos que devido aos seus fenótipos, aliados à sua região de origem ou de seus pais no nordeste, e em alguns casos devido ao sobrenome, muito provavelmente descendam dos neerlandeses que aqui estiveram:

    Chico Buarque de Holanda, que além dos olhos azuis, incomuns em Portugal, tem sobrenome que sabidamente foi aportuguesado no nordeste em séculos passados do sobrenome holandês Van Holland.

    http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vCod=81185

    Pedro Malta, ator nascido em Recife, capital de Pernambuco, e assim como vários conterrâneos seus, principalmente do interior de PE, possui um biótipo muito mais germanizado do que latino, com cabelos ruivos naturais e olhos azuis, provável herança holandesa da época da Companhia das Índias Ocidentais.

    http://contigo.abril.com.br/famosos/pedro-malta/ator

    Mariana Ximenes, a atriz é naturalmente ruiva de olhos azuis, é filha de uma cearense e de um paulista com ascendência italiana, mas seu biótipo não é comum mesmo na latina Itália, são raros os ruivos na Itália, e é sabido que o Ceará teve forte presença holandesa, e são comuns holandeses ruivos, e o Ceará tem até hoje populações ”germanizadas” no interior .

    O biótipo da atriz não está totalmente presente em seus pais, aqui o que parece é que os genes recessivos de cabelos ruivos e olhos azuis escondidos no sangue de seus pais se encontraram gerando toda essa beleza que conhecemos.

    http://oglobo.globo.com/diariosp/luluzinha/posts/2009/07/06/mariana-ximenes-estrela-campanha-da-risque-202512.asp

    A sargento Luiza Almeida, medalha de prata no hipismo dos Jogos Mundiais Militares é loira natural e de família completamente loira, nascida no Rio Grande do Norte, onde a CIO também atuou.

    http://www.jornalpelicano.com.br/2011/05/5%C2%BA-jogos-mundiais-militares/luiza-almeida/

    O jogador de futebol Juninho pernambucano é outro nordestino de características bem germanizadas.

    http://www.pop.com.br/esportes/noticias/vasco/461936-Juninho_recusa_renovacao_do_Al_Gharafa_e_fica_mais_perto_do_Vasco.html

    Nordestinos germânicos anônimos, encravados em pequenas cidades do interior do nordeste, no caso abaixo, apenas um dos vários exemplos que podemos citar, um pequeno vilarejo de agricultores loiros que tem seus habitantes conhecidos por gangarras, em alusão a uma espécie de periquito amarelo, e parece que a embaixada da Holanda no Brasil está financiando estudos históricos para comprovar a ascendência holandesa dos habitantes deste vilarejo, inclusive parece que há antigas escrituras flamencas na região.

    http://www.pernambuco.com/diario/2004/07/02/viver4_0.html

    http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=593&textCode=4057&date=currentDate

  30. riquepqd

    Meus caros CP e Odin,

    Para provar que não sou um dos que defendem que o Brasil seria melhor com a Holanda, faço abaixo um tributo a cinco heróis brasileiros que libertaram o nordeste dos invasores neerlandeses: 😉

    André Vidal de Negreiros – Brasileiro que mobilizou recursos e pessoas do sertão nordestino para lutar ao lado das tropas luso-brasileiras, um dos melhores soldados de seu tempo, tomou parte com grande bravura em quase todos os combates contra os holandeses.

    Foi nomeado Mestre-de-Campo, notabilizando-se no comando de um dos terços do Exército Patriota nas duas batalhas dos Guararapes. Também comandou o sítio à Recife que resultou na capitulação holandesa em 1654.

    André Vidal de Negreiros foi na opinião do historiador Francisco Adolfo de Varnhagen “…foi o grande artífice da expulsão dos holandeses…”.

    Pelos seus feitos foi nomeado governador e capitão-geral das capitanias do Maranhão, de Pernambuco e o Estado de Angola.

    João Fernandes Vieira – Senhor de engenho nascido em Portugal e segundo historiadores, pelas suas atitudes se “naturalizou” brasileiro, era mulato e chegou ao Brasil com apenas dez anos de idade.

    Na opinião do historiador Charles Ralph Boxer “…foi o principal herói da reconquista de Pernambuco…” e conforme as palavras do historiador brasileiro Oliveira Lima, “João Fernandes Vieira, apesar de ser de cor, governou Angola e Pernambuco”.

    Em 1645 foi o primeiro signatário do pacto então selado no qual figura o vocábulo pátria pela primeira vez utilizado em terras brasileiras.

    Na função de mestre-de-campo, comandou o mais poderoso terço do Exército Patriota nas duas batalhas dos Guararapes (1648 e 1649). Por seus feitos, foi aclamado chefe supremo da revolução e governador da Guerra da Liberdade e da Restauração de Pernambuco.

    Felipe Camarão ou Potiguaçu – Indígena brasileiro da tribo potiguar, à frente dos guerreiros de sua tribo organizou ações de guerrilha que se revelaram essenciais para conter o avanço dos invasores, destacou-se nas batalhas de São lourenço (1636), Porto Calvo (1637) e de Mata Redonda (1638). Nesse último ano participou ainda da defesa de Salvador, atacada pelos melhores soldados de Maurício de Nassau.

    Distinguiu-se comandando a ala direita do exército rebelde na primeira batalha dos Guararapes, pelo que foi agraciado com a mercê de Dom, o hábito de cavaleiro da Ordem de Cristo, o foro de fidalgo com brasão de armas e o título de capitão-mor de todos os índios do Brasil.

    Henrique Dias – Brasileiro filho de escravos, recrutou escravos e ex-escravos afro-brasileiros oriundos dos engenhos assolados pelo conflito e dominados pelos invasores, como mestre-de-campo comandou o Terço de Homens Pretos e Mulatos do Exército Patriota nas duas batalhas dos Guararapes, suas tropas também eram denominadas Henriques ou milícias negras.

    Participou de inúmeros combates, distinguindo-se por bravura nos combates de Igaraçu onde foi ferido duas vezes, participou ainda da reconquista de Goiana e notoriamente em Porto Calvo em 1637, quando teve a mão esquerda estralhaçada por um tiro de arcabuz, sem abandonar o combate decidiu a vitória na ocasião.

    Quando o rei português D. João IV desautoriza os brasileiros a continuar lutando na Insurreição Pernambucana, aceitando perder o nordeste em troca de paz nas demais colônias portuguesas, mesmo desautorizado, Henrique Dias escreve estas palavras patrioticas aos holandeses:

    “…Meus senhores holandeses…Saibam Vossas Mercês que Pernambuco é…minha Pátria, e que já não podemos sofrer tanta ausência dela. Aqui haveremos de perdar as vidas, ou havemos de deitar à Vossas Mercês fora dela. E ainda que o Governador e Sua Majestade nos mandem retirar para a Bahia… havemos de responder-lhes, e dar-lhes as razões que temos para não desistir desta guerra.”.

    Pelos seus serviços prestados também recebeu vários títulos de fidalgo, como a a mercê do Hábito da Ordem de Cristo e a a Comenda de Soure.

    Além destes quatro, há um outro herói esquecido pelos livros de História, mas convém contar aqui um pouco de seus feitos nesta guerra:

    Antonio Dias Cardoso – Foi um dos principais líderes da Insurreição Pernambucana e comandou um pequeno efetivo que venceu a batalha dos Montes das Tabocas contra uma tropa muito maior liderada diretamente por Maurício de Nassau e posteriormente também em menor número venceu em Casa Forte a tropa neerlandesa comandada pelo coronel Van Hans, Comandante-Geral do Exército Holandês no nordeste do Brasil.

    Também participou ativamente nas duas batalhas dos Guararapes quando na primeira foi subcomandante do maior dos quatro terços do Exército Patriota, tendo-lhe sido passada a investida da principal frente de batalha por João Fernandes Vieira, na segunda batalha comandou a chamada Tropa Especial do Exército Patriota, desbaratando toda a ala direita dos holandeses.

    São insuficientes os registros históricos sobre este personagem, mas acredita-se que tenha nascido em Portugal e vindo ainda criança para o Brasil, outros historiadores acreditam que ele tenha nascido na Bahia.

    Nesta campanha começou no posto de soldado, durante a invasão de 1624 a 1625 teve sucesso ao lado de sua companhia em conter o invasor no perímetro de Salvador que estava cercada pelos melhores soldados de Maurício de Nassau.

    Por seus feitos durante a campanha chegou rapidamente ao posto de capitão, onde foi para a reserva, mas devido ao seu reconhecido valor foi novamente convocado para lutar, era conhecedor profundo das técnicas de guerrilha dos indígenas, onde os mesmos utilizavam-se largamente de emboscadas, e em 1645 recrutou, treinou e liderou uma força de 1.200 civis pernambucanos mazombos insurretos, armados com armas de fogo, foices, paus e flechas, numa emboscada em que derrotaram 1.900 militares neerlandeses melhor equipados. Esse sucesso lhe valeu o apelido de mestre das emboscadas.

    Devido a seus feitos foi lhe concedido a honra de Cavaleiro da Ordem de Cristo e o comando do Terço de João Fernandes Vieira, do qual havia sido sub-comandante à época da 1ª batalha dos Guararapes. Em 1656 foi nomeado Mestre-de-Campo, encerrando definitivamente a sua carreira militar. Em 1657, assumiu o governo da Capitania da Paraíba.

    Além disto, devido a ter comandado a Tropa Especial do Exército Patriota e principalmente por ter operado no passado da mesma maneira que fazem atualmente as tropas de forças especiais, combatendo em menor número, sem posição fixa, usando a surpresa como elemento de combate, utilizando-se de emboscadas, recrutando população local, treinando-as em técnicas irregulares como as de guerrilha, dentre outras coisas, foi homenageado como patrono do 1º Batalhão de Forças Especiais do Exército Brasileiro e por isso é reconhecido atualmente como o primeiro operador de forças especiais do Brasil.

    Fonte: Wikipédia.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

%d bloggers like this: