Da morte e do renascimento de Portugal

Portugal não é um estado-nação como a França, a Alemanha ou a Dinarmarca.
Portugal é um conceito de vida em comum, de “vida conversável” no melhor sentido agostiniano.
Em dado momento histórico, essa vida, possível na nossa plena medievalidade, deixou de ser possível no continente europeu, por mercê das influência maquiavélicas (Dom João III) e centralistas. Daí o exôdo do verdadeiro Portugal para o Brasil, daí o abandono da plena “ideia de Portugal” que ainda impulsionou o processo dos Descobrimentos, cedo abastardado em Expansão de um imperialismo funesto e inevitavelmente votado ao fracasso pela pequenez deste anão “procurando abraçar o mundo”.
Daí, também, a necessidade de re-fundar Portugal, ABOLINDO-O e recentrando a portugalidade numa União Lusófona em que Portugal e o Brasil (como propulsores) findam e formam uma nova entidade estatal, intensamente descentralizada nos municípios, transnacional e transcontinental.

Será pela adesão apaixonada a este ideia renovada de “Portugal”, que ela se poderá concretizar no mundo e brotar a União Lusófona, um verdadeiro percursor das “Ilhas dos Amores” que depois irão florescer pelo mundo fora, noutras culturas e gentes.

Será este pensamento anti-patriótico?
Sem dúvida.
Se por Pátria tivermos a leitura nacionalista do termo.
E se não formos tão portugueses como eram os portugueses da época de Dom Dinis.

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Categories: Brasil, Movimento Internacional Lusófono, Os Descobrimentos Portugueses, Política Nacional, Portugal | 21 comentários

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21 thoughts on “Da morte e do renascimento de Portugal

  1. Guedes

    Vivendo na fronteira Oriental do Tratado de Tordesilhas (Macau) há três décadas numa cidade povoada pelas mais diversas gentes fico ainda espantado pelo facto da lusofonia sobreviver. Aqui os falantes de português não serão mais de quatro a cinco mil pessoas. Mas fala-se português, por que o português é língua oficial a par do chinês ( como diz a Lei Básica). Ainda bem que a Inquisição de D. João III que chegou a Goa com todo o impacto da Europa não conseguiu bilhete nas naus da viagem para arribar a este cantinho chinês. Ainda bem e acho que graças aos jesuítas, que ao contrário dos dominicanos, perceberam que o império das ideias é mais forte do que o império dos ritos.
    Creio que há um provérbio que diz qualquer coisa assim: – na terra em que viverás farás como acharares, ou se “Romae fueris Romae vivitae mores”. Aqui quem fala português são pessoas. Apenas pessoas que descendem sabe-se lá de quem e de que continentes. Creio que Camões já dizia nas eras de quinhentos qualquer coisa parecida com isto quando se referia a Lisboa e creio também que Pessoa inferiu a miscigenaçâo de igual modo na Mensagem sem pronunciar o nome de Afonso de Abuquerque e muito menos de Agostinho da Silva que seria seu vindouro.
    Sob pena de tornar este meu comentário mais longo do que o permitido gostaria de dizer que há uns anos, numa viagem à Nova Zelandia fui visitir umas grutas na Ilha do Norte que são propriedade de um “maori” (nativo da Nova Zelândia) que me serviu de guia. Tinha no casaco impresso um nome. Qualquer coisa Moura. Perguntei: Moura?
    Resposta: – Sim o meu avô era português.
    Portugal anda pelo genes do mundo inteiro achei eu então e disso continuo convencido. Quanto ao Quinto Império” não sei bem…

  2. Apesar da escassa comunidade de fala portuguesa em Macau e de a China ser um dos regime mais tirânicos do mundo, a sua politica local não tem sido – parece-me – opositora da sobrevivência do português em Macau, delegando inclusivamente na região a capacidade de representação oficial junto da CPLP.
    Mas aguardo a sua posição – certamente muito mais bem informada – sobre a minha opinião…
    Guedes, comentários muitos mais longo e menos interessantes do que o seu já foram aprovados por aqui… Sou muito tolerante com os comentários, e só veto aqueles que passam os limites do racismo ou do insulto rasteiro, não aqueles que ainda que sendo longos, são esclarecedores ou informados, como o seu…
    E na Nova Zelândia nem houve sequer presença colonial… um dos nossos muitos e industriosos migrantes, certamente…

  3. Fred

    Clavis, parabéns pela ousadia, ótimo post.

    illi enim succedit nox,
    sapientiam autem non vincit malitia.
    LIBER SAPIENTIAE 7:30

  4. não vence… mas mói e há de ir lançando as sementes para a tal “ilha dos amores” de Camões…
    Esse é o meu sonho e o maior objetivo do MIL
    http://www.movimentolusofono.org/

  5. Fred

    mas melhor, creio eu, é combater o bom combate, e no terminar da carreira saber que guardou a fé!

    Não sei porque, estou tão biblico hoje! 🙂

  6. sem dúvida… por isso resisto na defesa deste futuro para Portugal e para o mundo lusófono… Se Vieira não o renegou no cárcere e sob ameaça inquisitorial, porque haveria eu de ceder, perante circunstâncias bem mais amigáveis?
    Ass: Job

  7. Revoltado

    Caro Clavis,

    A pergunta que fazes só pode ser feita ao aceitarmos acomo legítima a noção de nação que nos impuseram a partir de 1821. Acredito que basta o estudo da história para desmascarar esse conceito como sendo resultado da pressão externa e da perfídia interna.
    O Brasil foi levado à independência graças à acção das cortes. O resultado foi o que se viu.
    O país perdeu o acesso ao Prata e a possibilidade de chegar ao Pacífico(ver a questão de Chiquitos), inaugurando um período de 25 anos de guerras civis.
    Por outro lado, Portugal também entrou numa fase de conturbação política e estagnação económica que o impediu de defender os seus interesses na África e na Índia.
    Tivesse a unidade em bases federais vencido os debates das cortes de Lisboa, provavelmente seriamos hoje a mais poderosa nação do mundo.

  8. bem referido, Revoltado e ainda mais oportunamente feito…
    mas esse federalismo pode ainda ser recuperado.
    a distância do coração não é tão grande como a da geografia e estou convicto que mesmo sem qualquer ação pedagógica a maioria dos brasileiros e portugueses estariam dispostos a regressar a uma federação ou “reino duplo”, que depois conglomerasse a restante lusofonia
    o re-centramento de Portugal numa Europa onde ele afinal nunca pertenceu verdadeiramente é maior e mais antiga causa para a “decadência dos povos peninsulares”, forjados na e para a aventura de ligar o mundo aos mundos… e não para vegetar num canto frio e escuro da europa do norte contando libras ou carneiros pastando.

  9. Guedes

    Meu caro Clavis
    Depois de mais de 30 anos na China não tenho dúvidas:-
    1- a China não é imperialista
    2 – A China está longe de ser “um dos regimes mais tiranicos do Mundo”.
    3 – A China admite até algum grau de democracia no continente. Mas principalmente admite uma coisa extraordinária que é:- um país dois sistemas, ou seja admite que Macau, Hong Kong e Taiwan se governem autonomamente. Que tenham partidos políticos e façam manifestações etc. e tal…
    3 – A China percebeu que que a globalização é no século XXI inevitavel e que fazer parte dela é consequentemente uma questão de ser, ou de perecer.
    4- A China prepara-se para ir à Lua com os seus “taikonautas” no próximo ano, ou daqui a dois anos.
    5 – A China vai ser dentro de uma década, ou década e meia um superpotência, mas não uma nação imperialista (como disse atrás) desencadeadora de qualquer guerra fria.
    Estou convicto de que este milénio vai ser o milénio da China e todos nós nos teremos de nos adaptar a essa nova relidade.
    Creia meu caro que não estou a fazer propaganda, mas apenas a antecipar um realidade que já está a subsistir. O Brasil está a aproveita-la bem em termos económicos com a Embraer e outras empresas. Portugal menos e é pena

  10. Guedes

    Meu caro
    Coo era possível chegar ao Pacífico se os castelhanos ocupavam toda a zona geográfica que fica entre o Brasil, a Argentina e o Chile? Acho que neste caso é mais caso de ocupação efectiva do que utopias. Se o Brasil fizesse um corredor pelo Sul da Argentina tudo bem, mas a verdade é que o não fez. Não sei por quê, ou por que não, mas a verdade é que não aconteceu. Se o Uruguai tivesse cedido ao Brasil talvez houvesse alguma hipótese, mas a verdade histórica é esta mesmo. O Brasil tem que se resumir ao Atllântico.

  11. gaitero

    Só umas dúvidas, porque eles tem imperador se não são imperalistas?????
    Porque a China é o país que mais mata por pena de morte no mundo, mais até que os EUA?????

  12. Guedes

    Mas que imperador? Isso já não existe desde 1911. É certo que depois da revolução houve alguns líderes como Mao Tse Tung que pretenderam eternizar-se no poder, mas tudo isso foi ultrapassado por Deng Xiaoping. Deng Xiao Ping instituíu uma forma política nova. Retirou-se de todos os cargos e fez com que a liderança política da China fosse ronovada de quatro em quatro anos (os líderes actuais não podem permanecer no poder mais do que 8 anos). Isto é um passo importantíssimo (em minha opinião), em termos de demoracia. O actual presidente vai ser inevitavelmente substituído quando chegar ao fim do mandato, ao contrário por exemplo do ditador norte coreano Kim Jonj IL que se calhar vai deixr o poder a um dos seus numerosos filhos.
    Quanto à pena de morte é caso mais complicado. Eu discordo em absoluto da pena de morte. Mas a China ainda tem que percorrer um grande caminho até absorver inteiramente o que são os direitos humanos e quais as resonsabilidades do estado na condenação dos criminosos. Estou convencido que nos próximos anos o poder judicial chinês chegará um consenço próximo do europeu e verificará que a pena de morte ainda que exemplar não produz resultados prácticos no que toca à dissuação do crime. Creio que os campos de reeducação do tempo dos sovietes farão mais efeito do que fuzilar a esmo.

  13. gaitero

    OK, pensei que eles eram comunistas dde sociedade e captalistas de mercado, creio que estou meio desatualizado em relação a China ^^.
    Mesmo assim obrigado

  14. veremos, Guedes.
    concordo que parece haver uma lenta caminhada no sentido de uma maior democratização e respeito pelos direitos humanos na China, mas os padrões ainda estão muito longe dos ocidentais. Há muito a fazer, e a corrupção endémica e a política externa fortemente amoral, com apoios declarados aos regimes sudanês e zimbabueno não ajudam a “limpar” a imagem chinesa… assim como a continuada ocupação e colonização do Tibete…

  15. Revoltado

    Caro Guedes,

    Ao proclamar a independência, o Brasil incluía o Uruguai como província(procure por Cisplatina). Ou seja, o acesso marítimo ao Mato Grosso e à Bolívia(Na altura era o Alto Peru) estava aberto.
    Para além disso, após a batalha de Ayacucho(1825), o governador espanhol de Chiquitos(Corresponde às actuais zonas do altiplano boliviano) pediu adesão ao Império do Brasil, o que não foi aceite por D. Pedro I por estar o Brasil envolvido em guerras separatistas no nordeste e na Província Cisplatina, o que só aconteceu graças à fragmentação do Reino Unido resultante da acção das cortes.
    Agora, não esqueça que por essa altura os EUA ainda não tinham nem chegado ao Texas, quanto mais à Califórnia, e estes territórios eram mexicanos.
    Já o imperador D. Pedro possuía sangue Bourbon e teria bom acolhimento por parte das elites sul-americanas, desejosas de evitar a anarquia resultante da independência de Espanha.

  16. Revoltado:
    uma boa lição de História, num aspecto da história recente da América latina que eu desconhecia… Obrigado.

  17. Revoltado

    Caro Clavis,

    Agradeço pela observação simpática, mas o que sei é muito pouco. Entretanto, se os Rothschild me dessem acesso aos documentos da “famiglia”…

  18. “The Rothschild banks bought everything up, from mining corporations to national debts. For instance, New Court has been controlling Brazil’s debts since 1824.”
    http://www.breakthematrix.com/World/Who-Really-are-The-Rothschilds

    Dois anos depois da independência!

  19. Revoltado

    Site interessante, Clavis.
    Preciso de tempo para ler com atenção.
    Só lhe passo mais uma informação, pois tem a ver com o tema do “aquecimento global”.
    Um dos Rothschild, David, foi o organizador do Live Earth, e é a voz mais activa da família na promoção da ideia do imposto global sobre o carbono, um dos passos para o governo mundial(Inclusice diz ter escrito o “The Live Earth Global Warming Survival Handbook”.
    Há um entrevista dele com o Alex Jones que demonstra bem o pequeno vigarista que ele é. Procure por isso pois há uma calinada que o demonstra de forma olímpica.

    Um abraço.

  20. jovision

    Só daqui a mil anos será entendido e valorizado aquilo que Portugal deu ao mundo! Não, não foi industrialização, capitalização de materialismo exarcebado (alguem deu?), nem sequer deu fabulosas batalhas históricas travadas pela enormidade do ego, em troca da independencia de terras tão longinquas como o Brasil, eternizadas a fogo e pipocas nos ecrans de Hollywood. Apenas descobriu anónimamente, foi onde ninguem tinha ido e partilhou com novos Humanos o prazer de os conhecer! Agora naquela época as pessoas realmente acreditavam que só o Deus Cristão poderia salvar e todo o mundo, sem excepção acreditava que Homens deveriam trabalhar para Homens. Mas os Portugueses foram os primeiros e talvez ainda os unicos que acreditavam que a superioridade não era vantagem, nem era exclusiva de ninguem e nem de nenhum povo!

  21. sem dúvida.
    por isso discordo tanto dos modelos economicistas que procuram (em vão) explicar a gesta dos Descobrimentos com factores económicos, políticos ou militares (como os de António Sérgio, p.ex.)
    Pensar na história de Portugal e desprezar o papel das mentalidades, cultura ou religião é esquecer deliberadamente o papel central destes aspectos.
    O mesmo, contudo, não se deve dizer da história dos países do norte… como a Holanda, a Alemanha, o RU, etc, onde o economicismo assumiu sempre um papel muito mais central…

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