Sobre os efeitos para o clima da redução da carne na dieta humana

Em tempos de Aquecimento Global é importante – vital mesmo – que todos nós reduzamos a quantidade de carbono que emitimos para a atmosfera. A propagação de pequenos atos, como a substituição das lâmpadas das nossas residências por lâmpadas de baixo consumo, o descer escadas a pé e não de elevador, a transição do transporte automóvel para transportes públicos, entre muitos outros pequenos passos pode – no conjunto – ter um impacto muito significativo e poupar a Terra e a vida que sobre ela vai sobrevivendo à catástrofe que será uma subida de temperatura global da ordem dos 5-10 graus centígrados.

E um destes gestos poderá ser… tornarmo-nos vegetarianos. Mudar o regime alimentar totalmente para um regime vegetariano ou reduzir apenas a parcela que as ditas “carnes vermelhas” ocupam nela pode reduzir até metade a nossa “pegada de carbono” pessoal em até metade, isto segundo um estudo do “Institute for Ecological Economy Research (IOeW)” do governo alemão. De facto, o estudo conclui também que uma dieta à base de carne produz num só ano a mesma quantidade de emissões de gases de efeito de estufa que a condução de um carro de dimensões média durante 4758 quilómetros. Em contraste, as emissões produzidas por um vegetariano podem ser comparadas às emissões do mesmo veículo automóvel percorrendo nesses mesmos 12 meses 2427 quilómetros, ou seja… metade.

Esta diferença foi calculada a partir das emissões de gases de efeito de estufa dos animais (metano, uma fonte de gases de efeito de estufa nada desprezável) e não deixou de contar com as emissões criadas pela produção de fertilizantes e do uso industrial das terras agrícolas (bombagem de água, tractores, etc).

Entre todos os alimentos, o mais danoso em efeitos para o meio ambiente é a carne. Um vegetariano tem a “pegada de carbono” inferior em dezassete vezes a de um comedor habitual de carne. De facto, para criar cada quilograma de carne é gasta a mesma energia correspondente a conduzir durante 71 quilómetros um carro médio. Um quilograma de carne de porco continua a ser “pesado”, mas corresponde a apenas 26 quilómetros…

Uma conclusão tem que ser aduzida daqui: a multiplicação do consumo de carne e leite que assistimos no mundo contemporâneo não é sustentável. Não querendo defender a adopção generalizada de uma dieta vegetariana, não podemos deixar de inclinarmo-nos para uma dieta em que a carne tenha algum papel, mas onde os alimentos de origem vegetal, em maior grau, e os de origem no mar tenham uma parcela significativa.

Fontes:
http://news.yahoo.com/s/afp/20080826/ts_afp/lifestylegermanyclimateagriculture
http://www.ioew.de/governance/english/index/head/head.html
http://gnn.tv/headlines/18170/Going_Veggie_Can_Slash_Your_Carbon_Footprint_Study
http://www.impactlab.com/2008/08/27/go-vegan-save-the-earth/
http://technology.iafrica.com/news/science/1109540.htm

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Categories: Agricultura, Ecologia, Sociedade | 12 comentários

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12 thoughts on “Sobre os efeitos para o clima da redução da carne na dieta humana

  1. Maurício

    Ridículo. Compreendo os pequenos atos e a diferença que isto pode causar mas virar vegetariano?! Explodimos 1624 bombas atômicas, enchemos o mundo de carros e todo tipo de poluição e nos dão a sugestão de parar de comer carne…essa é boa.

  2. Bem… Tambem acho que ha muitas outros sitios por onde pegar sem ser logo por este…

    E vejo que ja aderiste ao acordo ortografico…
    Temos pena…

    Abraco

  3. Mauricio e DML:
    não digo parar.
    o que falço e recomendo (à luz deste estudo, também) é tornar a nossa dieta tendencialmente vegetariana. Não eliminar as carnes, nem o peixe. Porque ser vegetariano é muito dificil, e se for mal feito, traz mais prejuízos para a saúde que benefícios… Mas reduzir a presença de carne (especialmente vermelha) nas refeiçõe e mantermo-nos fiéis aquilio que era a dieta original do Homem: criado como um ser recolector. não como um “carnívoro” dedicado.

    DML:
    Sim, claro que aderi… Como ser coerente com as minhas posições de defesa de uma união lusófona, sem defender este acordo que tem como maior propósito aproximar os dois povos?

  4. Nito

    Concordo com o Maurício…
    Antes de recolector … caçador, as comunidades nómadas viviam da caça e pesca, fruta não do cultivo.. de qualquer maneira já passaram milhares de anos, não é essa a questão.

    O problema do aquecimento global, emissões de carbono não é no consumo de carne vermelha…

  5. sim… já reparei que no “barómetro” da popularidade, esta minha posição está muito fria… 🙂

  6. Clavis

    Este acordo devia ser ao contrario, eles a escreverem como nos! Afinal nos e que somos o pais de origem da lingua. Isto claro investindo na ideia do acordo.

    Ingleses e Espanhois nao pensam assim, nao e preciso unificar nada…
    Tenho exactamente a mesmo opiniao do Sa Morais.

    Abraco

  7. Bem, DML, neste ponto concordamos em que discordamos, aparentemente… nenhum mal advém disso aliás.

    sobre este debate, eis a súmula do meu pensamento:
    http://movv.org/tag/acordo-ortografico/

  8. Desculpem a ortografia “brasileira”… mas… direto ao assunto: concordo com o autor.
    Pense quanto um boi precisa comer durante toda sua vida até chegar à morte. É comida para alimentar um ser humano durante anos!! Agora pense em 6 bilhões de seres humanos comendo 100 g de carne por dia. Onde plantar tanta soja e milho e outros cereais extremamente nutritivos e proteicos? Temos aqui no Brasil cerca de 180 milhões de pessoas e quase 200 milhões de bovinos. Imaginem quantos porcos e galinhas?!! Como temos espaço, boa parte desta manada toda pasta no campo, a grande maioria em áreas que foram desflorestadas para plantio ou pasto. E vocês aí na Europa a reclamar da destruição da Amazônia!! É causada em boa parte pela nossa dieta anti-econômica!! Sem falar em nosso cerrado, que é uma savana (onde temos a maior parte de nossa fauna pois que os bichos grandes precisam de espaço pra viver, e não vivem em áreas de floresta muito densa).

  9. obviamente, nada a desculpar… tanto mais que por aqui tento já seguir a nova norma ortográfica, que mais aproxima as normas brasileira e portuguesa…
    essa é uma razão pela qual sou quase exclusivamente vegetariano: porque economicamente a criação de gado é das coisas mais irracionais que existem: consome muitos mais recursos e produz muito menos calorias que um bom (e bem cuidado) regime vegetariano, com uma pegada ecológica muito inferior, mesmo em cultivos intensivos!

  10. Gostaria mt de ñ ser carnívoro, é um absurdo,concordo; só que aprecio um gordo e suculento “bife a cavalo”..a briga entrea a razão e o hábito…estou com fome.Sds.

  11. Caro Clavis,
    sou ovo-lacto-vegetariano desde 1983 (tenho 42 anos) e nunca tive qualquer problema médico ou nutricional. Aliás, tenho uma saúde excelente. A minha receita é diversificar ao máximo a alimentação: nunca preocupei-me em “substituir” a carne, simplesmente como de tudo. Estou convencido de que o homem vai tornar-se vegetariano por razões econômicas.
    Gostei bastante deste portal lusófono. Acho mesmo que devemos usar nossa língua para nos unir.

  12. aí não sei…mas por cá, os bifes já não êm nenhum do sabor da miha infâcia… méritos da criação industrial, certamente…
    de facto, o vegetarianismo absoluto (não a sua opção, Ediney) comporta riscos para a saúde muito significativos, por isso é que regimes mais “moderados” ou quem contemplem alguma carne ou peixe são mais saudáveis
    E de factom sim, a construção de uma “opinião lusófona” é um dos objetivos maiores deste espaço, isso e a divulgação dos temas que mais despertam a minha atenção, muitos… como se vê aqui ao lado na lista de categorias 😉

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