Daily Archives: 2008/09/05

Das dificuldades e atrasos dos “Patrulhões” (NPO) da Marinha

(Os dois NPO "patrulhões" nos Estaleiros de Viana do Castelo in http://www.envc.pt)

Devido ao cada vez mais grave atraso na entrega dos novos “patrulhões” (“Navios de Patrulha Oceânica”) (NPO) pelos estaleiros de Viana do Castelo, a Armada portuguesa será forçada a estender até pelo menos Maio de 2009 a utilização das corvetas que deviam ter sido desativadas já em 2003. Inicialmente, o plano previa entregar os primeiros NPO em 2005, mas dificuldades técnicas sucessivas e resultantes de alterações impostas pela Marinha e pelo Ministério da Defesa já depois do projeto aprovado atrasaram a entrega dos navios. Este atraso está a criar um stress muito sensível no orçamento da Armada, já que estas sete corvetas estão além do seu limite de vida útil e apresentam custos de manutenção que são superiores em 30% ao dos novos NPOs.

As dificuldades iniciais, com os motores construídos em Itália, foram ultrapassadas e os dois primeiros navios estão na água desde 2005, residindo os problemas atuais na instalação de equipamentos no interior dos NPO. A data de Abril de 2008, dada no começo deste ano como sendo a da entrega dos navios passou e estes não chegaram às mãos da Armada.

É claro que a transformação de sete corvetas em oito NPOs vai traduzir-se numa redução muito sensível do número de meios navais militares disponíveis para a Armada… As corvetas – segundo a Marinha – já não são usadas como meios militares convencionais, dada a sua obsolescência (década de 70), mas como meios de vigilância e salvamento, mas em vez de atualizar meios, a decisão política do ministério Portas foi a de reduzir a sua disponibilidade e transmutá-los em meios de vigilância e salvamento, necessários, sem dúvida especialmente tendo em conta a extensão das águas entregues a Portugal, mas que não sendo substituídas por meios modernos vão implicar uma redução dos meios militares à disposição da Armada que não deve ser desprezado num contexto em que países vizinhos como a Espanha se re-equipam com alguns das melhores fragatas Aegis do mundo (ver AQUI) e até o empobrecido e instável Marrocos adquire uma fragata FREMM (ver AQUI).

O atual governo agravou ainda mais este desiquilíbrio ao decidir – sempre por razões orçamentais – reduzir o número de NPOs de 12 (a 20 milhões de euros cada) para 6 na versão de fiscalização e 2 para combate à poluição marítima. Os dois navios que estão atrasados, e em estaleiro são os “NRP Viana do Castelo” e o “NRP Figueira da Foz”. A administração dos estaleiros responsabiliza a Armada pelo atraso na construção dos navios, alegando que o projeto só está concluído em 80%, o que impede que a construção prossiga, e o projeto específico para os navios de combate à poluição (NCP) ainda está mais atrasado porque embora use a mesma propulsão e sistemas elétricos, o plano de pormenor dos NCP ainda não foi entregue pela Marinha… A desconfiança na relação entre os Estaleiros e a Marinha é aliás gritante, até pela exigência desta de que os restantes 6 navios fossem apenas construídos depois dos dois iniciais terem sido entregues à Marinha, algo que justifica com duvidas quanto às qualidades marítimas dos mesmos… A própria declaração do chefe do Estado-Maior da Armada de que preferia “ter um navio bem feito e entregue mais tarde” sugerem que os navios ainda em estaleiro… “não estão bem feitos”.

Infelizmente, toda está “má imprensa” gerada em torno dos NPO pode ter comprometido a hipótese que a um dado momento chegou a ser muito credível e que dava a Argentina como estando interessada nos NPOs dos estaleiros de Viana do Castelo. Teoricamente, os navios seriam adequados ao concurso de 3 navios que este país da América do Sul vai lançar e ao qual a Espanha também já manifestou interesse em concorrer. Enfim, com alguma sorte… não chegam jornais portugueses, nem emissões da RTPi, nem sites de Internet, nem… O próprio Quintus ao país das Pampas e nenhuma destas confusões em torno dos NPOs chegou ao seu conhecimento…

P.S.: E julgavam os brasileiros que deitar à água a sua corveta Barroso tinha sido complicado…

Fontes:
http://dn.sapo.pt/2007/07/08/nacional/patrulhoes_a_navios_estaleiros_viana.html
http://jn.sapo.pt/2006/06/22/nacional/programa_patrulhoes_sofre_corte_e_es.html
http://www.portugal.gov.pt/Portal/Print.aspx?guid={3AC9B3D9-47EE-424D-9F48-BA5E71D53A71} http://dn.sapo.pt/2006/06/29/economia/estaleiros_viana_acusam_marinha.html

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Quids S12-71: Que avião é este?

Dificuldade: 2

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

Categories: Quids S12 | 8 comentários

O programa F-X2 do Brasil (atualização): Rafale, Typhoon, Gripen, Super Hornet ou Sukhoi SU-35?

(Rafale F2 operando num Porta-aviões da US Navy)

O programa F-X2 foi inicializado em Janeiro de 2008, a partir das cinzas do defunto F-X abandonado em 2004 por dificuldades orçamentais. O objetivo é agora o de adquirir 36 aviões de 4ª ou 4,5ª geração capazes de – a prazo – substituirem uma série de aparelhos atualmente em utilização na força aérea brasileira.

O cancelamento do F-X teve custos quase imediatos, já que a desativação dos velhos Mirage III BR em 2005 levou à necessidade da compra urgente de 12 antigos Mirage 2000C franceses de forma a não deixar a FAB sem aviões interceptores. Mas esta solução intermédia não resolve verdadeiramente nada. Existem indicações (ver AQUI) de que 37% dos 719 aviões da FAB estão permanentemente no solo devido ao envelhecimento da frota. E isto num contexto em que várias forças aéreas da região se estão a modernizar, como sucede no Chile e especialmente na Venezuela, onde os novos Sukhoi russos vieram introduzir um factor novo no equilíbrio regional. Este desiquilíbro forçou o governo Lula a aumentar o orçamento de Defesa dos 3,5 biliões de dólares de 2007 para 5,65 biliões, um valor que será agora repartido pelas três armas, cabendo ao F-X2 um segmento importante desta verba. De facto, esta verba que parece impressionante à primeira vista é apenas uma tentativa de recuperar o domínio tecnológico que o país teve durante as décadas de setenta e oitenta quando produzia e desenvolvida localmente MBTs (o saudoso Osório), mísseis e lançadores (como o Astros II) e aviões de combate sofisticados como o Tucano ou o AMX. Todo esse balanço se perdeu quase inteiramente na última década e se o Tucano evoluiu para o Super Tucano, este foi infelizmente apenas um feito isolado…

Não deixa de ser paradoxal, que a FAB tenha nalgumas classes dos mais modernos e eficientes aparelhos do mundo (AMX e Super Tucano no ataque ao solo e aviões AWACs baseados no EMB-145), mas que depois, no que concerne à intercepção e defesa aérea tenha como “ponta de lança” os já vetustos Mirage 2000C ex-franceses… Um desiquílibrio que resulta do cancelamento do F-X1 em 2004. Com efeito, até recentemente (2005) o seu caça primário de defesa aéreo era ainda o Mirage IIIBR que serviram na FAB durante mais de três décadas e atualmente para contrapôr às mais recentes aquisições venezuelanas de aparelhos Sukhoi Su-30MKV e F-16 pelo Chile, o Brasil tem apenas 12 Mirage 2000C ex-franceses.

O aumento em 50% do orçamento de Defesa brasileiro já estava a ser antecipado pelo investimento em diversas áreas da indústria de Defesa… Pela parceria com a África do Sul para desenvolver o míssil de curto alcance e de 5ª geração A-Darter.

Atualmente, a competição pela vitória no F-X2 decorre entre o Rafale da francesa Dassault, o Typhoon da EADS, o JAS-39 Gripen da Saab e o Su-35 da Sukhoi, uma lista à qual se juntou recentemente o F/A-18E/F Block II Super Hornet da Boeing. Os rumores deixados no ar pelo ministro da Defesa brasileiro Nelson Jobin recentemente dão crédito aqueles que (como eu) suspeitam que o vencedor será o Rafale. O PT parece também inclinado a favorecer os franceses da Dassault, já que segundo o jornal “O Estado de São Paulo” José Genoíno teria declarado que “a França sempre foi um parceiro melhor. No que respeita à Rússia, todos conhecem as dificuldades e não sabemos o que vai acontecer daqui a dez anos de forma a que possamos garantir as nossas peças de substituição. Os Estados Unidos, tradicionalmente, não transferem tecnologia… Só temos que procurar o preço mais baixo com a maior transferência de tecnologia possível.” Genoíno colocou aqui de facto, o dedo na ferida… O essencial para defender os interesses do Brasil, reforçar a já muito dinâmica industria aeronáutica brasileira é garantir uma adequada transferência de tecnologia.

A França está também numa posição negocial frágil. As suas tentativas para exportar o Rafale para Marrocos, Holanda, Noruega, Arábia Saudita, Singapura, África do Sul, EAU, etc têm sido todos frustados, perdendo concurso atrás de concurso, pelas mais diversas razões.

O Typhoon poderá apresentar também algumas dificuldades no que concerne ao requisito de transferência de tecnologia, mas o maior obstáculo é, de longe, o elevado custo unitário de cada aparelho: 130 milhões de dólares cada, muito longe dos 2,2 biliões disponíveis para 36 caças (61 milhões é o limite disponível por cada aparelho). O Typhoon garantiria uma grande vantagem no que respeita a superioridade aérea, mas o preço elevado afasta o Typhoon dos favoritos do F-X2…

O JAS-39 Gripen da sueca Saab tem oferecido aos seus clientes boas contrapartidas industriais e o “Gripen NG” antecipado pelo demonstrador “Gripen Demo”. O facto de se tratar de uma excelente solução tecnológica, robusta e acessível tem seduzido muitos no Brasil, especialmente entre os nossos mais frequentes comentadores. Contudo, mesmo o Demo/NG continua a oferecer um avião pouco adequado para países continentais e o recurso ao motor norte-americano F414 expõe o aparelho às autorizações de exportação dos EUA, o que pode condicionar o fabrico local da turbina e até eventuais futuras re-exportações de Gripen fabricados localmente.

O Dassault Rafale é a escolha preferida por muitos, contando aqui o próprio redactor do Quintus, admito… Sem me alongar muito na defesa do Rafale, gostaria de listar o facto de ser o único concorrente capaz de operar em porta-aviões, e que o único NAE brasileiro o ex-Foch São Paulo está em estaleiro, substituindo o eixo, e logo é um navio que estará operacional ainda mais alguns anos… E que os A4 já não são um vector adequado para o século XXI… O facto de o Brasil ser um utilizador satisfeito dos Mirage III e dos 2000 (que hoje são a ponta de lança da FAB) aponta também o Rafale como favorito, assim como a disponibilidade francesa para transferir tecnologia (motivada pelo desespero de não haver ainda exportações do aparelho). De facto, a maior fragilidade do Rafale é a relativa raridade de armas integradas, algo que contudo pode ser ultrapassado com relativa facilidade pela via do estabelecimento de parcerias com outros fabricantes-

A opção russa está corporizada no Sukhoi SU-35. Em termos tecnológicos, é provavelmente a opção mais interessante e os russos, prometem transferir tecnologia, ainda que recentemente tenham surgido ecos de alguma reserva neste domínio… A opção pelo SU-35 tornaria o Brasil como a FA com melhores aviões na região, muito superiores aos F-16 chilenos e até aos SU-30 venezuelanos, dando uma vantagem que, de facto, a FAB nunca teve… O preço é excelente, mas o suporte pós-venda e em peças tem uma péssima reputação, a que a FAV venezuelana tem dado aliás amplo eco.

A opção norte-americana está agora reduzida ao F/A-18E/F Super Hornet, Block II da Boeing. Este é, além do Rafale, o único que pode também operar a partir de um porta-aviões como o São Paulo (teoricamente). Em termos de contrapartidas, a Boeing poderá estabelecer algum tipo de transferência de tecnologia civil para a Embraer, compensando assim o tradicional secretismo dos EUA no que respeita a transferências de know-how militar (uma vantagem que compartilha com a EADS/Airbus do Typhoon, aliás). O preço do Super Hornet é interessante, assim como o seu pacote tecnológico, pelo que a opção tem colhido alguns bons ecos entre muitos interessados pelo F-X2. Mas o avião é tido como inferior em manobrabilidade e o preço continua a ser superior ao do SU-35 e do Gripen, mas muito inferior ao do Typhoon.

Uma adição interessante a esta questão foi introduzida aqui pelos comentadores Gaitero e Nosle: Aparentemente, para responder à generosa oferta russa de participação no seu caça de 5ª geração PAK-FA + SU-35, a França estaria a oferecer ao Brasil um pacote de Rafales F3 + UCAV. Estes UCAV são tidos por muitos como o verdadeiro futuro da aeronáutica militar de combate, como a tal 6ª geração de aparelhos que irá tomar o lugar do F-22 Raptor da USAF, do T-50 russo-indiano e dos aparelhos idênticos em desenvolvimento na China e no Japão. Seria uma opção muito interessante e inédita… Mas a tese de que os UCAV poderão ser efetivamente a dita “6ª geração” de aviões de guerra ainda está por provar no terreno…

Fontes:
http://www.defenseindustrydaily.com/brazil-embarking-upon-f-x2-fighter-program-04179/#more-4179?camp=newsletter&src=did&type=textlink
http://militaryzone.home.sapo.pt/osorio-file.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dassault-Breguet_Mirage_2000
http://www.areamilitar.net/DIRECTORIO/TER.aspx?nn=23&p=15
http://en.wikipedia.org/wiki/Embraer_EMB_312_Tucano
http://www.combataircraft.com/aircraft/famx.aspx
http://defesabr.com/blog/index.php/02/09/2008/brasil-pode-fechar-su-35-com-pak-fa/

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