Da avaliação suíça do Saab Gripen e das hipóteses renovadas do aparelho no Programa F-X2 brasileiro

A Saab ofereceu o seu caça de 4,5 geração Saab Gripen a um “Request for Proposal” suíço emitido em 7 de Janeiro de 2008. Isto significa que o ministério da Defesa suíço vai avaliar o caça sueco no âmbito de um processo de aquisição de novos aparelhos de caça que decorre e que já começou a avaliar o Gripen em finais de Julho num processo que se deverá prolongar até meados do corrente mês de Agosto.

Dois aparelhos bilugares Gripen D estão estacionados na Suíça. O primeiro voa todos os dias sendo pilotado por pilotos suíços, suecos e da Saab, sendo a maioria conduzidos com um piloto suíço no lugar frontal e um sueco no traseiro. O segundo aparelho está quase sempre em terra e é utilizado para avaliar a dificuldade em manter o aparelho, o seu re-equipamento e abastecimento.

O objetivo suíço é substituir a sua frota envelhecida de aparelhos 54 F-5 E/F Tiger e o Gripen é um dos três candidatos a ser avaliados no âmbito do projeto “Neues Kampfflugzeug” (NFK) “Novo Avião de Guerra” sendo os restantes o Eurofighter Typhoon e o Dassault Rafale tendo a Boeing saído do projeto em Maio deste ano com o seu F/A-18E/F Super Hornet, o mesmo modelo que tentam agora in extremis introduzir no FX-2 brasileiro…

Esta avaliação é a mais extensa jamais realizada por um cliente sobre o Gripen e não admira que tenha sido exigida precisamente pela Suíça conhecida mundialmente pelos seus elevados padrões de exigência e pela precisão dos seus… relógios…

O Gripen é também considerado por muitos como o favorito no atual concurso brasileiro por um caça para substituir também caças F-5 como os suíços, além de outros aparelhos. E neste concurso (o FX-2) a vantagem do Gripen resulta do facto de ter apenas um motor, o que simplifica as suas necessidades de manutenção, a disponibilidade sueca para disponibilizar o know-how necessário para construir o caça é também um factor importante. Assim como o facto da Suécia estar a desenvolver uma nova geração de caças Gripen, o Gripen NG, cujo primeiro demonstrador tecnológico, o “Gripen Demo” foi apresentado ao público em 23 de Abril de 2008.

O “Gripen Demo” foi apresentado ao público a 23 de Abril de 2008 e voou pela primeira vez a 27 de Maio. Sendo um “demonstrador”, o aparelho não será nunca construído, mas incorpora diversas soluções tecnológicas que serão parte do “Gripen NG”, tais como o novo motor General Electric GE F414G que está a ser alvo de testes intensos até pelo menos 2010. O F414G é basicamente o mesmo motor F414-GE-400 que equipa os F/A-18 Super Hornet que agora a Boeing tenta vender ao Brasil, mas com várias pequenas melhorias para optimizar o funcionamento em aviões com um único motor.

O novo motor, um novo radar ativo AESA, mais capacidade de carga útil, um aumento da capacidade interna para combustível em 40% e um decorrente aumento em 50% do alcance do caça, são os três pontos principais a destacar no “Gripen Demo” e no decorrente “Gripen NG” que vêm responder precisamente aos quatro mais comuns pontos fracos do caça da Saab. Todas estas alterações tornarão o Gripen um caça capaz de competir com a maioria dos caças adversários até pelo menos 2040.

O “Gripen Demo” e o seu sucessor, o “Gripen NG” usarão também novos sistemas de comunicações e guerra electrónica, assim como um novo sistema de aproximação de mísseis.

A Saab apresentou já o novo modelo “Gripen NG” à Noruega, Índia e Dinamarca, países que nem sequer se encontram entre os clientes do Gripen C e D (Suécia, África do Sul, Hungria, República Checa e Tailândia) e aos quais agora se deve somar o Brasil, já que o Gripen NG surge assim como um dos membros da selecta lista de finalistas a este programa de atualização da FAB.

O Gripen NG foi concebido, mesmo a partir dos primeiros modelos Gripen, como sendo um aparelho robusto e de operação barata. Esses eram dois critérios essenciais para o governo sueco e são também pontos importantes a considerar agora na avaliação do governo brasileiro. Os sistemas de monitorização são internos, o que dispensa complexos e móveis sistemas externos de manutenção, assim como a sua fácil manutenção mesmo fora da sua habitual base de operação e estes critérios mantêm-se no NG. O Gripen em termos de dimensão e peso é um dos mais pequenos aparelhos do seu tipo. Isto contudo não quer dizer que se trate necessariamente de um aparelho inferior. A carga útil é semelhante, assim como as capacidades embarcadas. A única diferença realmente significativa é o raio de alcance, o qual de facto é menor que qualquer um dos seus competidores diretos.

O problema da reduzida capacidade de combustível e do decorrente escasso raio de ação resulta diretamente das necessidades antecipadas pelo governo sueco: defesa aérea de proximidade. Um raio de ação maior é necessário em países de grande extensão, como o Brasil ou em nações cujo conceito estratégico implica a prossecução de ações de ataque a países estrangeiros, como os EUA, França ou o Reino Unido. Para um país que pertence à NATO, onde intervenções em cenários distantes são comuns, um avião com curto raio de ação pode ser uma má decisão, assim como para um país de escala continental e com ambições de surgir mais vezes e melhor na cena internacional (como o caso do Haiti), e esta limitação afastaria o Gripen da decisão brasileira no F-X2. Mas se esse problema foi ultrapassado no NG…

Fontes:

http://www.spacewar.com/reports/Switzerland_Puts_Gripen_To_The_Test_999.html

http://www.gripen.com/en/MediaRelations/News/2008/080702_Saab_offers_Gripen_to_Switzerland.htm

http://www.reuters.com/article/pressRelease/idUS115604+02-Jul-2008+BW20080702

http://en.wikipedia.org/wiki/Swiss_Air_Force

http://www.nowpublic.com/world/bid-air-fighters-brazil-gripen-ahead

http://www.segurancaedefesa.com/EntrevistaBengt.html

http://www.milavia.net/news/2007/saab-selected-ge-f414g-engine-for-new-gripen-variant.html

http://www.gripen.com/en/MediaRelations/News/2007/070702_GEengine.htm

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33 thoughts on “Da avaliação suíça do Saab Gripen e das hipóteses renovadas do aparelho no Programa F-X2 brasileiro

  1. Espero sinceramente q as “ortoridades” Brasucas, ñ comprem o Saab NG ou similar, baixo alcance, mt caro, e sem transferência de tecnológia…e temos o Pak Fa T-50 Rússo/Brasuca/India…temos de repontencilaizar os aviões q temos, dar uma sobre vida a eles de + 05ou 10 anos ; e comprar uns amur 1650…Este Saab e ianks.Temos de sair da dependência destes karas, ñ são confiáveis.

  2. Fred

    Isso significa que serão vendidos alguns F5E de manutenção suiça! Interessante, muito interessante!

  3. eheheh
    alguém anda a mexer nos “salvados” suíços…

  4. nosle

    O gripen é um excelente caça para a Suíça, Portugal, Colômbia, África do Sul, Repubica Checa, Hungria, ou seja, países de pequenas dimensões geográficas, se o Brasil fosse apenas a região sul ou a região sudeste tudo bem mas só a amazônia é 60% do território brasileiro, queria ver um teste desse que a Suíça esta fazendo aqui na amazônia, os militares dizem que os sistemas eletrônicos dão pane constantemente com a alta umidade e o calor da região, os AMX não suportaram, e a grande vantagem do gripen é a sua eletrônica, continuo achando inadequado, só seriam viáveis se adotados numa solução mix, operando apenas na região sul e sudeste como os F-5M.

  5. Fred

    Sim, aposto que pelo menos 11 estão em melhor estado que os jordanianos! 🙂

  6. Vamos comprar esses F-5 dos suiços e os 12 dos árabes; de ser + de 25 no fim ficaram uns 23 em condicições operacional e o reto sendo canibalizados…Agr temos de ter a coragem de nós, nossos engenheiro de aeronautica de repotencializar ..adptar os aviônicos do AMX neles , fazer os mesmos ser operacionais na amazônia lá e o campo de provas..e Firmar um tratado co so Russos , neste pós geórgia, de tranferência de Tecnológia em armas e comprar uns Amur dos Russos e Su-35 Mk, e eskecer os super hornet, maior cavalo de tróia dos ianks. Cuidados c/ esses karas.

  7. Fred

    Carlos, são 54 suiços, já compramos os 11 jordanianos, ficarmos com mais de 100 já acho demais :)!

  8. sim, já seriam F5 a mais!

  9. gaitero

    Nossa fred da onde vc tirou que compraremos os F5 suiços?

    Com relação ao Pak-Fa, carlos, nós não temos nada ainda, e não vamos ter, falando sinceramente, quem tem é a Russia, nem a india está pagando o projeto.

  10. gaitero

    http://www.defesanet.com.br/fx2/gripen.htm

    Defesanet, Entrevista com Bengt Janér
    “O Gripen é a melhor escolha”

    Caiu como uma luva para este post ^^
    Vamos aumentar o caldo.

  11. gaitero

    Bem no fundo estou torçendo para dar Su-35 BM.
    Tomara, indepente do vencedor, que o escolhido sejá o melhor em capacidade e não em lobby.

  12. Eduardo

    Se realmente tivermos que escolher entre os “Boing F-18”, “Dassault Rafale C” e os “Saab Gripen NG”, então os “F-18” teriam que ser eliminados da lista, pois os “Rafale” e os “Gripen” são aéronaves mais rapidas e ligeiramente melhores que que os “F-18”.
    Então teriamos que optar pelos “Rafale” ou “Gripen”.

  13. O Su 35 o melhor caça do mundo, infelizmente está fora;a contrapartida Rússa e o “bizus” dos ianks tiram os mesmo da disputa.E melhor então são os rafales pela contra partidas, as corvetas e os Subs merlim e o Nuclear q vença o melhor desde q seja os francos (Os francos ahahahahahah ).

  14. Ñ se enganem, o gripen ng e mt lerdo c/ essas modificações p/ agradar o cliente, baixo raio de ação e mt lento…ainda q baseados( etá palavra insuspeita..) dez em cada estado ,em 10 estado dos nossos 27 .E ñ tem turbina q o acelere tanto assim ,só ser for acima de mach 2,5..vamos ver.

  15. gaitero

    Muito Lerdo é o F-18 e o rafale, Mach 1.8

  16. Srs. nunca pesnsei q fôsse TORCER pelos aliados dos ianks , os francos, esses karas são alinhados e misturados ..cuidado com eles…são traidores.

  17. Os ianks querem explodir o FX 2 m ao plantar boatos que o f15 silent eagle vai ser o seu caça de frente ..p nós BRASILeiros priorizar os mesmos…Julgo que isso visa o nosso programa de compra de caças…Ñ sei como ainda ~ñ nos ofereceram uns subs , SSks e Nuclear!?

  18. mas o F-15 SE está fora do F-X2… do que sei a proposta americana ainda é o SH. Oficialmente, pelo menos…

  19. Pegasus

    Sou muito suspeito pra falar, afinal, sou viuva do SU-35

  20. SU-35… onde isso já vai! parece que era numa Era passada, o tempo em que o SU-35 era o vencedor certo do F-X2!

  21. Mais que o Su 35 /37 seriam o melhor , ñ temos a menor dúvidas.é uma lástima que ñ ganhe o FX 2 .

  22. eu não tenho essa certeza… muita gente na FAB duvidava da capacidade russa em oferecer uma manutenção decente…

  23. Mais sr.Clavis, fariamos a engenharia reversa p efetuar a minutenção no q é “nosso”, custou o nosso rico dinheirinho…Ñ ví problema algum…

  24. hehehehe…
    o “modelo chinês” de progresso tecnológico…

  25. Ñ necessariamente,se na compra do mesmos , e pela ausência de cumprimento do acordo…aíh então a engenharia reversa…seria ótimo….até pq o caça é bonito bom é insuperável, fantástico.Coisa de causar inveja em qualquer iank,… como eles fazem isso? Seria mt bom p/ a nossa glóriosa FAB.

  26. e tem aqueles motores:
    “Another important difference of the Su-35 from predecessors from the Su-27 family is the use, in its power plant, of new engines with an increased thrust. Those engines, known as 117S, have been developed by NPO Saturn Research and Production Association.

    In terms of engineering, the engines are substantially modified AL-31F production engines employing fifth-generation technologies. They use a new fan, new high and low pressure turbines, and a new digital control system. A provision is made for using a vectored thrust nozzle. The modernization has increased the engine special mode thrust by 16%, up to 14,500 kgf. In the maximum burner-free mode it reaches 8,800 kgf. Compared to today’s AL-31F engines, their capabilities will grow substantially, by 2 to 2.7 times. For instance, the between-repair period will grow from 500 to 1,000 hours (the operating period before the first overhaul is 1,500 hours). The designed period will vary between 1,500 and 4,000 hours.

    The 117S engines will be co-produced by Ufa-based Motor Building Association and Rybinsk-based NPO Saturn Research and Production Association. The first production 117S engines were delivered to KnAAPO in early 2007 for testing on the first experimental Su-35 aircraft. ”
    http://www.sukhoi.org/eng/planes/military/Su-35/

    uma área sensível e vital onde qualquer ganho em know-how pode ser rapidamente transferido para a área civil.

  27. Temos falado aqui exautivamente sobre PAKFA T50 , Rafale e sobre o Fantático Su 35/37..+ pq tbm ñ falar mos sobre o Projeto AF 50 totalmente BRASILleiro? qual a razão de ñ o lavar adiante? Quem poderá resposnder a essa e outras perguntas sobre o mesmo? Valeu.

  28. Exautivamente= exaustivamente.

  29. ainda não há condições para tal fazer, ao que sei…
    falta tecnologia de motores (a arrancar agora, como referiu o Fred, já, por aqui) e no campo do stealth muito há ainda a fazer.
    A abordagem correta seria “galgar passos” estabelecendo parceiras com países que dominem essas tecnologias (a França, p.ex.) ou “roubando” como fazem os chineses com ajuda de Israel (patriot e f-16) ou com “licenças” com a Sukhoi russa.

  30. Só comprariamos o motor….é no futuro, um nosso, puramente nacional….pelo q sei já produzimos turbinas ( foi no CTA..) ..foi até anunciado..Temos de andar c/nossas próprias pernas..

  31. o modelo Gripen, portanto… ou LCA.
    pessoalmente, continuo a defende o modelo AMX (parcerias): é mais eficiente, barato e garante logo um mercado de exportação.

  32. A parceria trás essa vantagem que é de diluir os custo, tornando + barato o produto…é até pode ser..

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