Monthly Archives: Agosto 2008

Sobre a proposta da semana de trabalho de 4 dias (e 10 horas diárias)

(Isto… mas apenas 4 vezes por semana in http://www.bl.uk)

Os problemas colocados às economias nacionais e familiares pelo aumento imparável e explosivo do preço dos combustíveis, a pressão que o aumento de produção de cereais para biocombustíveis contra o preço dos alimentos, e o próprio problema das emissões de CO2 e do seu impacto para o Aquecimento Global deviam estar a levar a uma reflexão global sobre aquilo que todos e cada um de nós poderia fazer para contribuir para a solução destes problemas.

Neste sentido, reduzir os nossos padrões de consumo não pode deixar de ser um passo incontornável e neste contexto, reduzir o consumo familiar de combustíveis fósseis. Nos Estados Unidos ganha força um movimento espontâneo para mudar a forma como funciona a economia americana… Algumas pequenas empresas estão a mudar a sua semana de trabalho para semanas de quatro dias e para dias de trabalho de dez horas cada. Desta forma, as empresas conseguem reduzir custos de funcionamento, os funcionários passam mais tempo com a família (fins de semana de três dias), patrões e empregados gastam menos dinheiro em combustíveis e tempo em filas de trânsito e o próprio país pode reduzir as importações de petróleo e os níveis de emissões de CO2 e de poluição atmosférica.

Este noção nasceu não agora, mas na década de 70, como resposta ao primeiro Choque Petrolífero. Na altura, a ideia chegou a ser adoptada por algumas empresas norte-americanas, mas hoje, com os preços do barril de crude a baterem até esses recordes de há 40 anos e com a urgência provocada pela emissões de CO2 no Aquecimento Global, a ideia torna a ganhar relevância e deve merecer a todos nós uma maior reflexão… Na Internet há hoje já várias petições que defendem uma semana de trabalho de quatro dias e algumas cidades do Nevada e da California começaram já a fazer os seus primeiros ensaios nesta direcção… A escala de poupança global potencialmente contida nesta proposta é notável: trabalhar 4 dias em vez de 5 implica uma redução de 20% das viagens de e para o trabalho, quer estas sejas feitas em transportes públicos saturados ou em veículos individuais. Há estimativas apontam para que esta medida possa cortar até 65 milhões de GALÕES de gasolina por cada dia… Ou seja, vários milhões de euros e muitos ziliões de dólares ao preço a que o câmbio euro-dólar está hoje…

A medida parece simples e razoável. Alguns poderão argumentar que um dia de trabalho de dez horas pode levar a uma maior taxa de erros – alguns dramáticos e fatais – especialmente quando o trabalhador de aproxima mais do fim desse período proposto de dez horas de trabalho diárias, mas esse problema pode ser controlado pelo estabelecimento de pausas frequentes ao longo dessas horas e evitando trabalhos e tarefas repetitivas… De qualquer forma, os ganhos potenciais desta adopção da semana de trabalho de 4 dias são tremendos: poupanças para as empresas, poupanças para os trabalhadores, aumento do tempo dedicado à família, redução das importações de petróleo e das emissões de poluentes e de CO2… Contudo, adoptar isoladamente uma tal jornada semanal de trabalho pode representar para a empresa adoptante algumas dificuldades. Desde logo, o quadro legal não é suficientemente flexível para o comportar, e além do mais as empresas que são parceiras ou clientes ou até os próprios clientes directos da empresa não estariam em necessária sintonia com esta alteração. Um e outro factor poderiam perturbar o bom curso da empresa que adoptasse o regime de 4 dias de trabalho e potencialmente poderiam produzir até uma quebra da sua actividade económica e do seu rendimento. A medida teria assim que ser aplicada com alguma moderação e contenção… mas se fosse adoptada por um município ou até a nível nacional, a maioria dessas potenciais desvantagens desapareceriam já que todos, nessa área geográfica, cumpririam as mesmas 10 horas, durante os mesmos 4 dias e obterse-iam todos os benefícios da medida, sem pagar por nenhum dos seus prejuízos. É pois, o tipo de medidas ideais para serem adoptadas a nível de uma autarquia, tivessem elas a autonomia bastante para as tomarem, que não têm, neste nosso Estado infelizmente tão centralista…

Fonte:

http://www.msnbc.msn.com/id/24355274/

Categories: Ecologia, Economia | Etiquetas: | 6 comentários

Quids S12-60: A que famoso caso de OVNI pertence esta fotografia?

Dificuldade:2

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

Categories: Quids S12 | 11 comentários

Chuva de cimento em Moscovo…

(http://www.craphound.com)

Recentemente, uma casa situada num subúrbio de Moscovo foi brindada com… Uma chuva de cimento, deixando um amplo buraco no teto, como eloquente testemunho… Este fenómeno, apenas “forteano” na aparência, foi de facto o resultado de uma tentativa de manipulação do clima por parte da força aérea russa.
Tratandoo-se de uma tentativa de evitar a formação de nuvens, algo que a força aerea russa faz normalmente quando vão ocorrer grandes eventos públicos e a chuva não é bem-vinda. E desta vez, o envio de 12 Antonov com iodedo de prata, nitrogénio líquido e pó de… cimento, teve como efeito evitar a chuva (de facto, não choveu), mas este pó de cimento acabou por se solidificar e partir esse telhado, sem deixar felizmente outras consequências mais graves.

O método é também utilizado nos EUA, como forma de forçar a ocorrência de chuva em zonas agrícolas e, em 1996, a USAF propôs utilizar este método num cenário de guerra, embora os Estados Unidos tenham assinado um tratado internacional que os deveria impedir de modificar o clima com fins bélicos. E anos antes, aviões soviéticos tinham pulverizado e provocado chuva em nuvens radioativas que vinham de Chernobyl e que se aproximavam de Moscovo. O método não é portanto nada de estranho ou inusitado… Ainda que para uma certa familia nos arredores de Moscovo… Tenha oferecido uma nova perspectiva do céu estrelado da Rússia…
Fonte:
http://www.environmentalgraffiti.com/sciencetech/mysterious-russian-cement-rain-causes-hole-in-moscow-house/1304

Categories: Ciência e Tecnologia, Sociedade | Etiquetas: | Deixe um comentário

O aumento do preço do petróleo e as dificuldades da Globalização

A subida estonteante dos preços do petróleo está a fazer aumentar exponencialmente os custos dos transportes de mercadorias, não só para as transportadas por via rodoviária, a curtas e médias distâncias, mas também, e sobretudo, para as transportadas por via marítima e aérea a muito longas distâncias… Ora como estas últimas são parte fundamental do sucesso da Globalização, a explosão atual dos preços dos combustíveis está a começar a corroer pela base os fundamentos da própria Globalização mercantil e industrial… Inquestionável há alguns anos, hoje em dia muitas empresas multinacionais estão a re-avaliar as vantagens da deslocalização da fabricação dos seus produtos desde o Oriente de volta para os locais onde se encontram (ainda) os mercados consumidores destes produtos… Estas reavaliações estiveram – por exemplo – na base do regresso da fabricação dos ursinhos de peluche de alta qualidade da Greif da China para a Europa, mais especificamente para… Portugal.

E este impulso para regressar aos locais de origem não está a diminuir, nem a estabilizar… Com o barril de petróleo a 200 dólares, um valor que muitos esperam ser alcançado ainda em 2008, os custos de transportar um contentor por via marítima desde Shangai, na China até Nova Iorque que são hoje de perto de oito mil dólares, irão ascender a 15 mil! E em 2000, há oito anos atrás eram de apenas três mil dólares! A 3 mil dólares o contentor percebe-se bem a energia imparável da Globalização, mas quando este preço se multiplica por cinco até aos 15 mil, o processo mundial da Globalização não pode deixar de sofrer um golpe violento que o ameaça pelas próprias bases e fundamentos mais essenciais.

Isto contudo não significa a prazo o fim da Globalização. Representa o fim quase certo desta Globalização Mundial que tanto sucesso teve na década de 90, com a deslocalização da fabricação de quase todos os produtos de baixa e média tecnologia para o Extremo Oriente, mas a Globalização pode sobreviver e adaptar-se com relativa facilidade se em vez de deslocalizar para a China ou Vietname, deslocalizar para locais muito mais próximos dos mercados consumidores, mas ainda com custos de produção mais baixos. Para os EUA, isso implica deslocalizar para o México e América Central, o que por via da ALCA, já está a acontecer, para a Europa com o Leste Europeu e o Norte de África e para o Japão, com a China e o Vietname.

Fonte:
http://seekingalpha.com/article/82948-rising-oil-and-the-future-of-globalization-implications-for-transport-stocks

Categories: Economia | Etiquetas: | Deixe um comentário

Quids S12-59: Como se chamava esta senhora?

Dificuldade: 3

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

Categories: Quids S12 | 27 comentários

O porta-aviões “Almirante Gorshkov” / “Vikramaditya”

O Almirante Gorshkov foi lançado ao mar em 1978 e é o último porta-aviões de classe Kiev construído na União Soviética, uma classe que seguia uma filosofia única no mundo, de construir um navio híbrido entre um cruzados lança-mísseis e um porta-aviões clássico.

Yak-38

(Aviões VTOL Yak-38 no convés de um navio de classe “Kiev” in http://www.acig.org)

Os porta-aviões “Kiev” estavam equipados com helicópteros de luta anti-submarina Kamov Ka-25 e aviões de descolagem vertical Yakovlev Yak-38. Em termos de características, estes Yak eram inferiores aos Sea Harrier e aliás a qualquer outro aparelhos da sua época e isso pode estar na origem da curiosidade de que estes aparelhos nunca operaram foram dos porta-aviões soviéticos, nem foram construídos em grande número.

Como os aviões embarcados não eram propriamente um dos pontos fortes do navio, é natural que a atenção recaia então sobre os mísseis destes porta-aviões singulares que são os “Kiev”. Cada navio embarcava 12 mísseis anti-navio que tinham como principal objectivo afundar os grandes porta-aviões da Marinha dos EUA.

(Video do “Almirante Kuznetsov”, o único porta-aviões activo na frota russa actual in http://www.naval.com.br)
O porta-aviões tinha um deslocamento total de 50 mil toneladas, sendo por essa razão o maior navio de guerra da marinha soviética, batido apenas pelo porta-aviões “Almirante Kuznetsov“, com as suas 60 mil toneladas. O colapso da União Soviética terminou os planos de modernizar a frota de caças embarcados com a nova variante Yak-141 e, pouco depois, em 1992, o navio era enviado para estaleiro para reparações, tendo aí ficado até hoje.

Desconhece-se o que se passa actualmente com o andamento dos planos de modernização do porta-aviões russo “Almirante Gorshkov”. O navio devia ser modernizado e entregue à marinha indiana recebendo então o nome “Vikramaditya”. Após ter sido completada esta modernização, o porta-aviões deverá assemelhar-se a uma versão à escala do único porta-aviões russo, o “Almirante Kuznetsov”: serão removidos todos os mísseis anti-navio que o tornavam tão original e adicionada uma rampa de lançamento para aviões. Novas contra-medidas e sistemas anti-aéreos serão também instalados.

Na Marinha Indiana, o “Vikramaditya” vai substituir o Viraat (o “Hermes” britânico que participou na Guerra das Malvinas) em 2010.

Fontes:

http://www.spacewar.com/reports/Carrier_Conflicts_Part_Two_999.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Soviet_aircraft_carrier_Admiral_Gorshkov

http://www.bharat-rakshak.com/NAVY/Vikramaditya.html

Categories: DefenseNewsPt, Política Internacional | Etiquetas: , | 3 comentários

Três Perguntas e Três Respostas sobre o Iberismo


(A Península Ibérica in http://enciclopedia.us.es)

Nesta época de globalização galopante e aparentemente imparável, em que as fronteiras nacionais são cada vez mais permeáveis a influências culturais e económicas, fará ainda sentido temer a integração de Portugal em Espanha? Haverá ainda razão para defender uma posição “nacionalista” num mundo e numa Europa em que todos os nacionalismos se diluem cada vez mais numa eurocracia cada vez mais distante e mecanizada? Numa Europa que se quer cada vez mais “Europa das Regiões” devemos temer a integração de Portugal nas “Espanhas” sediadas em Madrid ou uma versão actualizada do “Império de Castela”?

Não existe uma resposta única a este conjunto tríplice de perguntas. E de facto, existe uma resposta dentro da mente de cada um de nós. E esta resposta vai mudando de matiz, consoante o tempo vai percorrendo o seu caminho, as mentalidades se vão lentamente mudando e a própria pressão do ambiente vai variando. Mas nesta mudança constante, existem indícios que o presente já nos deixa entrever e que nos podem esclarecer quanto ao apuramento de algumas respostas a estas três questões:

Fará Ainda Sentido Temer a Integração de Portugal em Espanha?

O mundo de hoje é radicalmente diferente daquele em que viveram os nossos antepassados. Não quer isto dizer que devemos, ou podemos, fazer tábua rasa de tudo aquilo que a História nos ensinou, e o facto de muitas civilizações não terem aprendido com o passado, haveria de as precipitar precocemente na bruma da História. São as civilizações com menos capacidade memorizante, aquelas que menos perduram e aquelas cujo domínio global é mais frágil. Se Roma haveria de ceder aos bárbaros fá-lo-ía não porque as suas hostes eram menos numerosas ou aguerridas do que as legiões romanas, mas porque estas – perdido o seu sentido anímico e dispersas por um Império mais extenso do seria suportável e sustentadas por um edifício financeiro depauperado –

se haviam esquecido das virtudes bucólicas e simples dos velhos romanos recordados por Catão. A História e a memória da História servem assim de fio de Ariadne que levam de geração em geração um Passado que congrega e conflui as gentes para um sentimento de Cultura única e diversa da de outras gentes. Nestes tempos em que as paragens mais distantes do mundo estão apenas à distância de um clique de rato de computador, e em que a aculturação anglo-saxónica é cada vez mais imperativa por via do predomínio das televisões sobre a distribuição de Cultura e Conhecimento em quase todos os lares começam a surgir dúvidas sobre a capacidade de – a prazo – continuarem a sobreviver Culturas distintas, autónomas o bastantes para serem reconhecidas enquanto tal. Portugal, um anão estabelecido à beira de um gigante, a Espanha, tem que saber resistir na sua diferença não só contra estas energias centrípedas da Globalização anglo-saxónica, mas também contra o dinamismo económico e a grandeza geográfica e demográfica de uma Espanha que nunca como hoje esteve tão próxima de Portugal. Dado o carácter descentralizado da monarquia espanhola, estar-se-ão a criar condições para que esta força atractiva seja forte o bastante para levar Portugal a uma crescente subalternização e, enfim, a uma aglutinação até se tornar numa Região de Espanha, com características idênticas às da Euskaria, da Galiza ou da Catalunha? Não vemos sinal de tal. Ainda que economicamente a presença de balcões de bancos e de lojas de retalho espanholas seja evidente nas grandes avenidas das maiores cidades portuguesas, na verdade a presença espanhola em Portugal é relativamente menos importante, por forte que possa ser, do que a força da influência de Espanha nas mentalidades e cultura portuguesa.

Haverá ainda razão para defender uma posição “nacionalista” num mundo e numa Europa em que todos os nacionalismos se diluem cada vez mais numa eurocracia cada vez mais distante e mecanizada?

Esta Europa caminha rapidamente para a plena concretização do mundo sonhado pelos líderes das grandes multinacionais e gisado pelo Grupo de Bilderberg

Numa Europa que se quer cada vez mais “Europa das Regiões” devemos temer a integração de Portugal nas “Espanhas” sediadas em Madrid ou uma versão actualizada do “Império de Castela”?

Conclusão: Portugal, Espanha e o Brasil

Findo que foi o Ciclo do Mar, com o regresso de Luanda e de Lourenço Marques das últimas caravelas, Portugal regressou ao mesmo mundo do Velho do Restelo que defendia as crianças e as mulheres abandonadas pelos seus maridos que partiam. Trocou-se, enfim, o apelo do Mar pelo chamamento da Terra. E nessa Terra, temos Espanha. Sempre muito mais “continental” que o atlantista Portugal e expressão última do apelo da Terra. De facto, esta anti-tese esquizofrénica Terra-Mar não é ignorada pelos próprios contemporâneos do período aúreo dos Descobrimentos.

Portugal e o Brasil estão unidos por muitas semelhanças e destinos comuns. Portugal cumpriu aquele imenso feito que Agostinho da Silva não se cansava de sublinhar que era o de ter sido capaz de resistir ao ímpeto centralista de Castela e de se ter mantido independente numa Espanha que sacrificava uma após outra todas as independências a favor de um centro “imperialista” mais ou menos aglutinador, consoante as épocas e períodos históricos. O Brasil, por sua parte, cumpria outro milagre, idêntico e paralelo ao de Portugal: o de se manter uno e coeso, resistindo à pressão de se dissolver numa constelação de vários países de língua portuguesa e de, simultaneamente saber resistir à mesma aglutinação que Espanha tentou lançar sobre Portugal ao resistir à pressão de alguns dos seus vizinhos sul americanos mais belicistas. Milagres e feitos opostos, ambos nascidos de fonte portuguesa, mas diametralmente opostos: um afirmando a diferença pela espantosa União (o Brasil), o outro afirmando a mesma diferença pela espantosa resiliência numa Península aglutinada em torno de Castela (Portugal).

O Brasil foi também o refúgio de muitos daqueles que viam o seu Portugal esmorecer e reduzir-se a uma dócil periferia e a um canal de transmissão para as doutrinas centralistas e materialistas produzidas nos e para os povos germânicos e que em Portugal haveriam de redundar no “Capitalismo de Estado” de Dom Manuel e nos múltiplos e sucessivamente mais intenso Pogroms anti-semitas. Hoje, que os fluxos migratórios de Portugal para o Brasil estancaram, que África já não é o último refúgio e a última Utopia a refundar algures num planalto elevado, Portugal está forçado a confrontar-se com a inevitabilidade geográfica da presença numa Península onde a “Espanha” mais do que assumir como seu o nome “Hispânia” se assume como o pólo económico que atraí todas as autonomias “espanholas” ao qual é impossível fugir. Agora, mais do que nunca o problema do “Iberismo” é especialmente actual e é por esta razão que o tema depois de uma relativamente longa hibernação tornou a ser agudamente actual.

O problema do Iberismo não é novo em Portugal. Mas só agora, em pleno século XXI o problema é especialmente agudo, e, sobretudo, incontornável. Porque hoje e não antes? Certamente que as liberalizações mercantis da Globalização e a Organização Mundial de Comércio (OMC) são parte importante da questão, assim como a crescente mutação da Comunidade Económica Europeia (CEE) numa Federação não-referendada com sede em Bruxelas. Mas acreditamos que o principal factor reside no súbito “regresso à Europa” ocorrido em 1975, após a Descolonização. Depois do abandono do Marrocos com o abandono da maioria das praças marroquinas com Dom João III, depois do “Desastre do Oriente” com a retirada dos portugueses das praças da Índia no século XVII, depois da independência do Brasil no século XIX e da retirada precipitada do “Ultramar português” em 1975, Portugal reduzido enfim à sua original condição europeia era finalmente forçado a reconhecer que tinha uma fronteira terrestre extensa e exposta a uma das maiores entidades estatais europeias: a Espanha. Se hoje o debate em torno do “Iberismo” ocorre com inusitada energia, tal deve-se sobretudo à evaporação de todas os ramos e extensões de Portugal pelo mundo, um processo lento, mas sistemático que nos deixou, por fim, frente a frente com o vizinho ibérico e finalmente sujeitos a termos que o encarar de frente e a colocar a nós próprios a questão da viabilidade da nossa existência enquanto país soberano e independente.

Os anos vindouros serão os anos do Terceiro Mundo. A China começa a bater os Estados Unidos na produção industrial. A Índia já se transformou numa das maiores potencias mundiais no âmbito das tecnologias de informação e o Brasil é já actualmente a grande agro-potencia do mundo. A Velha Europa e a América do Norte, sua extensão – como bem indicava Agostinho – caminham lenta mas inexorávelmente para o Ocaso e Portugal, se quiser tomar alguma parte no destino futuro das coisas deve reencontrar no Atlântico a sua História do Futuro, no regresso às suas origens, exiladas em Seiscentos no Brasil e aqui frutificadas nos Trópicos. Portugal, se quiser continuar a ser Portugal e manter algum tipo de identidade numa Europa decadente que cedo ou tarde acabará num processo autofágico e destrutivo terá que saber tornar Portugal brasileiro, ou o Brasil português, pouco importa a matiz ou vertente da equação.

O Iberismo, entendido na sua forma “saramaguiana”, enquanto união política entre Portugal e Espanha, pela transformação ou downgrade de Portugal numa região autónoma de Espanha, tem contudo uma grande dificuldade a ultrapassar. Tão grande como a diversidade geográfica do seu território, desde o húmido Minho, até ao mediterrânico Algarve, passando pelo seco Alentejo. Foi esta riqueza que dotou os portugueses da sua rara capacidade para sobreviverem nos climas mais diversos e adversos e que forjou aquela raça tropical que se haveria de tornar – depois de recebidos novos influxos de colonos europeus e de escravos africanos no brasileiro de hoje. É esta diversidade geográfica – rara na Europa – que contrasta com a continentalidade espanhola. É esta inclinação atlântica daquele herdeiro da “Ibéria Húmida” de Estrabão por oposição à “Ibéria Seca” que contrasta com esse aspecto continental de Espanha e são precisamente estas diferenças que fornecem hoje uma das maiores barreiras a qualquer tipo de integração ibérica que possa vir a ser imposta ou tentada a partir de Espanha sobre Portugal.

Este contraste dicotómico entre a Terra e o Mar, representado aqui pelo “Porto” do Graal (> Portugraal > Portugal) do escudo afonsino, recordado com mágoa sentida até em pleno período aúreo dos Descobrimentos quando Sá de Miranda lamenta o abandono da terra em troca dos “pardaus” que abundavam em certas casas de Cabeceiras de Basto é a mesma que resultou da decisão tomada por Dom Fernando primeiro, quando depois de aclamado como rei em Tui, recua e acaba por se reconciliar com o Pedro de Trastámara e, mais tarde, por Dom Afonso V, quando depois de batido na batalha de Toro e a causa da princesa Dona Joana. Por duas vezes os monarcas portugueses abandonaram a Galiza revoltada contra Castela à sua sorte. Esta quebra da confiança entre a perspectiva marítima e a terrestre de Portugal e um certo remorso de um lado, e um ressentimento subterrâneos dos dois lados da raia nortenha estiveram na raíz do sentimento de incompletitude de Portugal e dos portugueses, que se sentem “menores” ou “incompletos”, porque sentem de forma indefinidade e não-verbal a falta da metade do andrógino platónico, separado na época da gestação da nacionalidade, com a separação das duas partes de Portugaliza: Portugal, o aspecto marítimo e atlântico e a Galiza, aspecto terrestre e continental. Sem a terrestre Galiza faltava o esteio para sustentar o edifício que se enchia com as riquezas do Oriente e do Brasil, sem a Galiza, não se investiam nas terras e nas gentes e se bastava a dita em fátuas e inúteis vilanias e faustos. Sem a Galiza perdia-se Portugal. E sem Portugal, perdia-se a Galiza no seio do império de Castelo e num destino cinzento no meio de mais uma região entre várias de uma “Espanha” cada vez mais sujeita a Madrid e a Castela.

Categories: Movimento Internacional Lusófono, Portugal | Etiquetas: | 7 comentários

LANÇAMENTOS DA NOVA ÁGUIA NO BRASIL

23 de Agosto – 16h00: Espaço Cultural É-Realizações (São Paulo).
Rua França Pinto, 498 – Vila Mariana.

28 de Agosto – 19h00: Livraria Ouvidor (Belo Horizonte).
Bairro Savassi.

1 de Setembro – 19h00: Gabinete Português de Leitura do Recife.
Rua do Imperador S/N. Centro.

Revista Nova Águia

Categories: Brasil, Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia | 2 comentários

Comentário a um artigo de Anthony Burch: “Porque são as brasileiras tão quentes?” [editado]

Alguém nos EUA acredita que o Brasil é um país muito especial…

É claro que sendo escrito por um norte-americano exprime aquela infeliz fraqueza de conhecimentos sobre a História do mundo e – neste concreto – sobre Portugal e o Brasil que caracteriza muitos norte-americanos… O texto intitula-se “Porque são as brasileiras tão quentes?” e foi escrito por Anthony Burch (não confundir com o actor). Tem lá as suas inconsistências e uma densa camada de erros históricos e de inconsistências factuais… Mas caramba, não é nenhum ensaio sociológico e vale sobretudo… pela imagens que acompanham o texto…

Eis o texto – traduzido sofrívelmente – e destacando a negrito os erros e imprecisões do autor:

“Escusado será dizer que as mulheres brasileiras contam-se entre as mais quentes do planeta. A questão é: “Porquê?”
O Brasil tem sido historicamente interessante desde o início. Inicialmente um grande exportador de açúcar, o Brasil foi uma das poucas possessões espanholas que resistiu às invasões e durante as ditaduras do século XVIII. Portugal estimava tanto a colónia do Brasil que realmente enviou o seu povo para proteger a sua integridade – o que é bastante incomum na história do colonialismo europeu. É quase como se Portugal soubesse que o Brasil tinha algo de especial, um tesouro na América do Sul que merecia ser protegido e mantido puro.”

Bem… Inicialmente a grande exportação do Brasil não foi o açúcar, mas… O Pau Brasil, não o açúcar, mas esse é um erro menor… bem maior é acreditar que o Brasil era uma possessão espanhola e que logo, Portugal era uma parte da Espanha! Sim, porque se o autor sabia que foram os portugueses que colonizaram o Brasil, mas acredita que este era uma possessão espanhola então, é porque acredita que Portugal era uma parte da “Espanha”… Verdadeiro, sob o Filipes, mas não durante todo e no principal período de desenvolvimento da colónia…

“Por outras palavras, os portugueses devem ter percebido que o lugar era muito propício a gerar mulheres muito belas. Os portugueses fizeram algumas tentativas pouco determinadas de colonizar outras partes da América, do Canadá e de outras áreas na América do Sul. Mas o Brasil era o seu bebé…”

Pois. Uma espécie de premonição… E não, não houve nenhuma tentativa de colonizar o actual território dos Estados Unidos (o que se presume da expressão “América”), embora tenha havido uma presença mais ou menos difusa na península canadiana do Labrador e Duarte Pacheco Pereira pareça ter reconhecido as costas da Flórida.

Segue-se de seguida uma das passagens mais “deliciosas” deste Post:
“Os colonos portugueses tinham uma grande quantidade de relações sexuais (!!!) entre si e os seus escravos africanos, o que produziu um caloroso combinado da força de um trabalhador manual com o corpo bem nutrido de um colono português, o que levou a uma combinação genética que produziu uma genética de “quentura” [isto é… de mulheres quentes] e se não acreditam experimentem o efeito de comer ao mesmo tempo pedaços de caramelo com chocolate negro… Como Portugal se recusou a permitir aos colonos holandeses e franceses que se metesse no seu caminho e que participassem dos frutos nativos, a linhagem genética permaneceu mais ou menos limpa até hoje. Estes são os factos”.

Pois. Espera aí… Se os colonos portugueses eram maioritamente masculinos… Como eram. E isso é um facto. Então como se misturaram eles com os seus “escravos africanos-trabalhadores manuais”, isto é… Homens? Bem, sim, muitas mulheres africanas trabalhavam nas roças de açúcar, mas escrito assim não parece dar a coisa para o outro lado? A figura da mistura do caramelo com o chocolate negro é interessante e muitio lisonjeira para as lusas mulheres!

De seguida, o autor afirma – na defesa da sua teses – que a primeira exportação do Brasil são… Supermodelos.

Anthony Burch continua as suas divagações sobre o tema, referindo de passagem (apenas muito de passagem aquela que julga ser a situação actual da Economia Brasileira):

“O Brasil tem o maior PIB de toda a América Latina, com sectores agrícolas e industriais significativos e uma enorme reserva de trabalho. Faz assim algum sentido que com a economia a ir tão bem, os cidadãos brasileiros estejam menos stressados e tenham mais tempo para cuidar de si. É mais fácil comer direito, praticar exercício físico e utilizar cuidados e produtos de pele do que quando o seu país tinha quadrilhões de dólares de dívida externa.”

Nada a dizer a este respeito…

“É claro, os EUA poderiam nukear para o esquecimento com o nosso stock massiço de superarmas, mas isso implicaria literalmente matar as mais belas mulheres do planeta” [Puxa! O tipo é mesmo chauvinista! Então e os brasileiros, crianças e idosos? Podiam ir todos ao ar ???!!!] Da mesma forma podemos ter um governo mais estável e mais liberdades pessoais [com todas estes “Patriot Act” do Bush e estas escutas em massa nos EUA, eu não estaria assim tão certo, Anthony…], mas inferno; o Brasil tem as mulheres mais quentes! No papel. a nossa vida pode ser um pouco melhor, mas a vida de um brasileiro simplesmente é mais digna simplesmente porque o sexo é melhor! O Brasil sabe que para além de experiências eugénicas enganadoras, não há um verdadeiro caminho para que o resto do mundo possa lutar contra o seu exército de belas mulheres!

“Deus te abençoe Brasil”

Hum?

Fonte:

Double Viking

Categories: Sociedade | 6 comentários

Dez vantagens económicas da aproximação política dos Estados Lusófonos: Portugal e Brasil

Num mundo em que o factor económico está sempre no centro de qualquer actividade, é impossível ignorar os aspectos económicos de uma União Lusófona. Que vantagens e desvantagens resultariam do estabelecimento de uma União Lusófona? Vamos abordar de uma forma muito sucinta e simplificada estas questões:

1. O estabelecimento de uma União Lusófona, englobando Portugal e o Brasil, e outras nações africanas de expressão lusófona aumentaria o volume e a qualidade das trocas comerciais, assim se criariam e reforçariam os laços entre os povos da lusofonia.

2. Portugal e o Brasil têm tudo a ganhar se investirem em mercados onde através da lingua comum e da própria existência de numerosas comunidades migrantes lhes dá vantagens competitivas sobre os demais países. Poupanças em etiquetagem, marketing e publicidade, semelhantes culturais, todas estas vantagens podem ser decisivas e servir de argumento económico para aproximar os países de lusófonos.

3. A formação de uma Comunidade Lusófona, capaz de usar nos fóruns internacionais uma só voz poderá potenciar a resistência dos países seus integrantes contra manobras de dumping social e laboral capazes de arruinar e desindustrializar os países que dela façam parte… Falando em nome de 240 milhões de lusófonos poderemos intervir de forma mais actuante e influente nos fóruns internacionais e impedir que certas potencias menos éticas sejam capazes de destruir a capacidade dos países menos fortes resistirem à invasão massiva e descontrolada dos seus produtos agrícolas e industriais.

4. A integração dos países lusófonos em espaços económicos regionais pode estar a potenciar a sua diluição ou absorção por outras entidades transnacionais e a perda da sua própria identidade… Esse risco é muito palpável em Portugal pela forma quase imperial como a Europa do norte nos impõe os seus ditames, mas também pode ocorrer na África austral, com Moçambique (e em menor grau com Angola) e até no Brasil, com o Mercosul… A integração destes países numa Comunidade Económica Lusófona reforçaria a sua identidade e independência, criando um novo vector de Desenvolvimento, alicerçado nas comunhões culturais e linguísticas que os unem, por oposição às anglofonias e castelhanias que marcam os seus vizinhos regionais…

5. A existência de uma mesma língua – reforçada agora pela mesma grafia – poderá potenciar os intercâmbios científicos e académicos, multiplicando as parcerias universitárias no campo da Investigação Aplicada e da inovação e facilitando a transferência do Conhecimento para o campo prático e empresarial. Neste contexto, uma versão lusófona do bem sucedido “Programa Erasmus” da União Europeia poderia ser uma plataforma excelente para potenciar os contactos e os intercâmbios culturais e económicos entre os países da Lusofonia.

6. Se Portugal se mantivesse integrado na União Europeia e se simultâneamente (o que é pouco provável) estabelecesse alguma forma de união ou confederação política com o Brasil, o peso demográfico acrescido, assim como o decorrente aumento da representativa em instâncias europeias, desde o Parlamento Europeu até à própria Comissão. Desta forma, a união Portugal-Brasil poderia reclamar para si uma maior proporção dos financiamentos europeus e ao tornar-se no país demograficamente mais poderoso da União Europeia afirmar-se como uma verdadeira potencia mundial.

7. A integração entre Portugal e o Brasil facilitaria o desenvolvimento económico do Brasil ao facilitar a entrada dos seus produtos em Portugal, onde os padrões de consumo são mais elevados e permitiria a substituição de muitos produtos que actualmente Portugal importa do Extremo Oriente e do norte da Europa. Permitiria também reduzir os fluxos migratórios de Portugal para o Brasil, ao potenciar ainda mais um desenvolvimento que actualmente já é tão flagrante e para Portugal seria indiferente já que apenas a fonte das suas importações mudaria, já que a base industrial brasileira ainda não foi tão erodida como a nossa e continua globalmente competente nas áreas em que Portugal já não tem oferta própria ou não a pôde ter (combustíveis, alimentos, aeronáutica, defesa e algumas importações de alta e média tecnologia).

8. Portugal é o país da União Europeia em que o comércio externo (Importações e Exportações) mais está concentrado na Europa, e nesta, sobretudo para a Espanha, que canaliza a maioria das nossas importações e exportações. Isso torna a economia portuguesa muito exposta a qualquer flutuação ou crise que possa ocorrer no nosso vizinho. Multiplicar as nossas trocas comerciais com o Brasil iria – além de reforçar os laços com outros povos lusófonos – aumentar a capacidade de resistêbnncia da economia portuguesa a crises induzidas pelo nosso vizinho.

9. Para o Brasil, o incremento das ligações comerciais com Portugal poderia servir como porta de entrada do Brasil nas ricas economias europeias (como profetizava Agostinho na década de 80) e contribuir assim para uma maior internacionalização da sua economia, encontrando mercados sólidos e de alto poder de compra naquela que já é a maior potencia económica do mundo: a União Europeia.

10. O estabelecimento de uma união aduaneira entre Portugal e o Brasil aumentaria as relações comerciais entre o Mercosul e a UE, disponibilizando à Europa os produtos de algumas das maiores potenciais agrícolas do mundo, potenciando o desenvolvimento destes países. O facto de Portugal não ser um país beneficiário da Política Agrícola Comum coloca-o como um bom agente para este tipo de intermediação. Por outro lado, o tipo de produções agrícolas brasileiras (tropicais) dificilmente colocariam uma ameaça aos nosso tipo de produção agrícola, que actualmente recebe subsídios para deixar de produzir e manter essa produção alocadas nos países do norte que são efectivamente os maiores contribuintes líquidos da PAC.

http://www.ciari.org/opiniao/brasil_vertenteatlantica.htm

Publicado também em Nova Águia

ncab2.jpg

Categories: Economia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional | Deixe um comentário

Quids S12-58: Como se chamavam estes dois personagens?

Dificuldade: 3

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

Réplicas Lentas !

Categories: Quids S12 | 10 comentários

Das petições online… Sobre a “Petição contra o pagamento de taxas em levantamentos Multibanco” e outras e de um novo conceito de cidadania

(http://library.uncg.edu)

“A imaginação não tem limites. A boa notícia é que o espaço «online» também não. Pedir não custa e os utilizadores da net não se inibem: se navegar pelo «site» www.PetitionOnline.com (um dos vários portais de petições que existem na Internet) tanto pode subscrever o texto dirigido ao Parlamento grego, que reclama medidas contra a destruição das florestas, como juntar-se ao coro de fãs portugueses dos Radiohead que suplicam a presença da banda britânica no próximo festival de Paredes de Coura. Há dois anos um canadiano lançou uma campanha (entretanto retirada) que solicitava à Nike que fabricasse os ténis usados pelo personagem Marty McFly no filme ‘Regresso ao Futuro 2’. No final da última época de futebol, alguém se lembrou de prometer comprar móveis em Paços de Ferreira se o clube local derrotasse o Porto e, por essa via, o Sporting fosse campeão – chegou a recolher quase 2500 assinaturas; pela mesma altura, houve quem acreditasse que poderia convencer Luís Figo a terminar a carreira no Sporting – mas só mobilizou 68 peticionários.”

“Os portugueses estão a revelar-se, de resto, dos mais criativos. Praticamente todos os dias nasce uma petição «online», E é ir aquele em que não há uma, duas ou mais petições de origem lusa no «top 25» das mais populares do PetitionOnline. A facilidade de ‘espalhar a palavra’ e assim arregimentar adeptos para uma causa defendida é a principal explicação para o ‘fenómeno’, saudado pelos politólogos”

“Em 2000, Rui Martins lançou uma petição contra as comissões sobre levantamentos por multibanco. Começou por divulgá-la a cerca de duas dezenas de contactos. Volvidos oito anos, já angariou mais de 209 mil assinaturas (e continua a conquistar novos apoiantes a uma média de 10 mil por semana). Pretende mantê-Ia «online» “enquanto continuar a crescer”: “Fechá-la agora não traria para a causa nenhum efeito concreto e impediria que ela continuasse a funcionar como uma forma de pressão contra as ditas taxas”, explica. Está convicto de que foi o impacto da petição que sensibilizou a banca para que, até agora pelo menos, tenha mantido os levantamentos no MB livres de taxas. · E sabe que foi a sua iniciativa que deu origem a uma proposta de lei do PCP que será brevemente submetida a votação na AR: “Só este detalhe indica que o mecanismo das petições tem impacto e é eficaz”.

“Nuno Fernandes é o mentor da petição contra o fim do ensino especializado da Música, colocada na net a 1 de Fevereiro. Já ‘coleccionou’ mais de 18.500 assinaturas: “Sem ser desta forma nunca o conseguiríamos .. , afirma, acreditando que “só terão credibilidade as petições em que o número de assinaturas for substancialmente elevado” e que “maior será o seu valor” se a causa chegar a ser defendida por altas individualidades. E este é o ponto em que toca o politólogo André Freire: “É preciso que as petições (que chegam ao poder político) tenham consequências ou o sistema político sai descredibilizado”.

CRISTINA FIGUEIREDO · Expresso, 1 de Março de 2008

Já não é a primeira vez que abordo esta questão das petições e por uma boa razão… a petição online mais votada de sempre foi promovida por mim, lá em 2002 é a “Petição contra o pagamento de taxas em levantamentos Multibanco” tem hoje perto de 240 mil assinaturas (mais 30 mil deste a data de publicação deste artigo no jornal Expresso) e muitas outras existem hoje em circulação como a “Por uma Força Lusófona de Manutenção de Paz” e a polémica “Por uma mais rápida aplicação do Acordo Ortográfico“. Mas estas petições são apenas parte de um universo de petições online sobre as mais diversas causas. Portugal é, aliás, dos países mais activos neste domínio, sobrepujando muitos outros países, supostamente mais “desenvolvidos” e com populações civicamente mais empenhadas.

De facto, a maioria das petições têm a ver com causas que de uma forma ou de outra afectam directamente a vida dos cidadãos e que deveriam ser satisfeitas pela classe política. A erupção e multiplicação deste fenómeno é um sinal claro de que o modelo actual de democracia parlamentar está esgotado. As pessoas não encontram forma de comunicar claramente com os seus representantes eleitos, não se revêm neles e percebem uma separação absoluta e hermética entre a classe política e o restante da sociedade. Estes sentimentos são, aliás, aqueles que estão na directa razão dos elevados níveis de abstenção que se verificam em Portugal, e no Ocidente em geral.

O modelo britânico dos círculos uninominais poderia reaproximar o eleito do eleitor. A atribuição clara e inequívoca do “seu deputado/representante” a cada cidadão responsabilizaria cada um destes por manter contacto e resposta aos seus eleitores e poderia repor esta ligação perdida. Contudo, o modelo – se aplicado cegamente – tem o grave defeito de fazer evaporar a representatividade dos pequenos partidos e minorias, contribuindo para o estabelecimento de sistemas bipartidários como o norte-americano, o que reduz muito a vitalidade e a capacidade regenerativa do sistema. Assim, este modelo uninominal não poderia ser aplicado na sua forma pura, talvez numa Segunda câmara (Senado), com poderes mais alargados do que sucede nos EUA e no Reino Unido (Lordes), mas ainda assim suficientes para re-ligar o eleito com o eleitor.

É que algo está efectivamente mal no nosso sistema parlamentar… A propósito da Petição contra as taxas de levantamento em Multibanco, enviei um mail a cada grupo parlamentar e destes, apenas o líder parlamentar do CDS/PP se dignou a responder (não dando contudo continuidade efectiva à resposta). Se o PCP prepara hoje uma proposta de Lei para impedir estas taxas, fá-lo apenas porque se apercebeu que a petição tinha mais de 200 mil assinaturas, não porque lhe tivesse dado importância quando surgiu… Hoje, em dia, se percorrermos a página de deputados do site da Assembleia da República, veremos que perto de 1/3 dos deputados nem sequer tem correio electrónico. E se enviarmos mails aos que têm (acreditem, já o fiz), estes – por regra – não se dignam a responder, nem sequer com uma mensagem-tipo. Os políticos estão em loop eterno e parecem incapazes de sair deste círculo de auto-adulação alimentado por Media servilistas e frequentemente perpetuadores da continuidade de “famílias” ou “gerações” de políticos que se revezam nos círculos de Poder Ad Aeternum. Urge portanto saber aproveitar esta energia latente que vive na sociedade portuguesa e que clama por novas formas de representatividade, por uma nova classe política, menos seráfica e menos barónica e mais próxima dos seus eleitores, não só na forma, no acto, como até no próprio acto concreto de exercer o poder e fabricar a Lei: aproximando pessoal e geograficamente o eleito do eleitor.

Publicado também em Nova Águia

ncab2.jpg

Categories: Informática, Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia, Política Nacional, Portugal | 50 comentários

COMUNICADO DO MIL: 14.08.08

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO repudia todas as declarações proferidas nestes últimos dias (como, por exemplo, as de Francisco Moita Flores, no noticiário da SIC, do dia 8 de Agosto) que, a propósito do assalto à dependência do BES em Lisboa, ocorrido na última quinta-feira, têm procurado associar a criminalidade à imigração, em particular, à imigração brasileira, o que não tem sustentação nas estatísticas oficiais.

A respeito do fenómeno da imigração, o MIL relembra o teor da petição que lançou recentemente:

PETIÇÃO CONTRA A “DIRECTIVA DO RETORNO” E EM PROL DO “PASSAPORTE LUSÓFONO”

No passado dia 18 de Junho, o Parlamento Europeu aprovou, por larga maioria, a “Directiva do Retorno”, relativa à deportação de imigrantes ilegais, lei que entrará em vigor apenas em 2010, mas que mereceu já o veemente protesto de muitos países, nomeadamente do Brasil e de todos os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOPs), nossos parceiros na CPLP.

O MIL rejeita essa “Directiva”, que permite ou suscita todo o tipo de atropelos aos direitos humanos, ofende o espírito de tolerância e contradiz o universalismo do melhor da cultura portuguesa e lusófona, bem como a própria ideia do “encontro de culturas” que a União Europeia retoricamente celebra. Ao longo da nossa História, muitos portugueses, pelas mais variadas razões, emigraram e foram acolhidos em todos os cantos do mundo – o que aliás continua acontecendo, mesmo que em números mais reduzidos. Por outro lado, somos cada vez mais um país de imigração, acolhendo pessoas das mais diversas proveniências, facto que é a nosso ver positivo.

O MIL compreende e aceita que os fenómenos migratórios tenham que ser regulados, mas essa regulação não pode ser ditada pela União Europeia, onde predominam os interesses de certas nações, sem atender às especificidades de cada país.

Nessa medida, o MIL exorta os deputados da Assembleia da República a repudiarem esta “Directiva” e a proporem uma outra, que respeite os valores fundamentais da ética, os direitos humanos e a realidade concreta de Portugal e do mundo lusófono.

Em prol de uma política de imigração mais de acordo com a nossa realidade, o MIL propõe que se tomem medidas que assegurem uma progressiva autonomia de Portugal no espaço europeu e se aposte, a médio prazo, na criação do “passaporte lusófono”, uma das grandes aspirações de Agostinho da Silva, que venha a permitir a livre-circulação dos cidadãos em todos os estados da comunidade lusófona.

Salientamos que a viabilidade desse passaporte foi já defendida por diversas personalidades com cargos de alta responsabilidade – nomeadamente pelo secretário-executivo da CPLP, o embaixador cabo-verdiano, Luís Fonseca (in Público, Lisboa, 16.07.06)

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora


Para subscrever esta petição: http://www.gopetition.com/online/20337.html

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

Nota de apresentação: O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico recentemente criado, em associação com a NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, projecto que conta já bem mais de meio milhar de adesões, de todos os países lusófonos. A Comissão Coordenadora é presidida pelo Professor Doutor Paulo Borges (Universidade de Lisboa), Presidente da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL). A lista de adesões é pública – como se pode confirmar no nosso blogue (www.novaaguia.blogspot.com), são pessoas das mais diversas orientações culturais, políticas e religiosas, pessoas dos mais diferentes locais do país e de fora dele.

Para mais informações: 967044286


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
ÓRGÃO: NOVA ÁGUIA, REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI (novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)



MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
ÓRGÃO: NOVA ÁGUIA, REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI (novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)

Categories: Brasil, Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | Deixe um comentário

E.F.Schumacher: Tradução autorizada do texto integral de “A Economia Budista”

E. F. SchumacherA ECONOMIA BUDISTA
por E. F. Schumacher e Vreni Schumacher

“Subsistir de forma correcta” é um dos requisitos do Óctuplo Nobre Caminho de Buda. É claro, assim, que deve haver algo assim na Economia Budista. Os países budistas afirmaram muitas vezes que desejavam manter-se fiéis à sua herança. Dizem os birmaneses: “O Novo Burma não deseja ver conflitos entre os valores económicos e o progresso. A riqueza espiritual e o bem estar materiais não são inimigos: eles são aliados naturais.” Ou ainda: “Nós podemos misturar com sucesso os valores religiosos e espirituais da nossa herança com os benefícios da tecnologia moderna.” E ainda: “Nós, birmaneses, temos uma tarefa sagrada de conformar quer os nossos sonhos quer os nossos actos com a nossa fé. É isto que sempre faremos.“

Em suma, estes países assumem invariavelmente que podem modelar os seus planos de desenvolvimento económico de acordo com a economia moderna, e assim apelam aos economistas modernos do ditos “países avançados” para os aconselhar, para formular as políticas que devem ser seguidas e para construir um grande plano para o desenvolvimento, o plano quinquenal ou seja lá como o queiramos chamar. Ninguém parece pensar que a forma budista de viver possa implicar uma Economia Budista, assim como o materialismo moderno levou até à economia moderna.

Os próprios economistas, como a maioria dos especialistas, sofrem geralmente de uma espécie de cegueira metafisica, assumindo que a sua ciência é uma ciência do absoluto e de plena de verdades invariáveis, sem pressuposições. Alguns foram tão longe como declarar que as leis económicas eram tão isentas da “metafísica” ou dos “valores” como a Lei da Gravidade. Não precisamos de, contudo, nos envolvermos na argumentação da metodologia. Pelo contrário, encaremos alguns pontos fundamentais e vejamos como eles se apresentam quando vistos por um economista moderno e por um economista budista.

Existe um acordo universal sobre o facto de que a fonte fundamental da riqueza é o trabalho humano. Actualmente, um economista moderno é levado a acreditar que o “Trabalho” é pouco mais do que um mal necessário. Do ponto de vista do empregador, é simplesmente um custo, que deve ser reduzido até ao mínimo se não puder ser eliminado completamente, pela, digamos, automatização. Do ponto de vista de um trabalhador, é uma “desutilidade” trabalhar sacrificando o lazer de cada um e o seu conforto, e os salários são uma espécie de compensação por este sacrifício. Assim, o ideal do ponto de vista de um empregador é ter resultados sem empregados, e o ideal do ponto de vista dos empregados é ter remuneração sem ter trabalho.

As consequências destas atitudes quer na teoria quer na prática são, claro, de extremo alcance. O ideal quanto ao trabalho é livrar-se dele, e cada método que reduz a “carga de trabalho” é algo bom. O método mais poderoso, na falta da automatização, é a assim chamada “divisão do trabalho” e o seu exemplo clássico é a fabrica de pinos referida por Adam Smith na “Riqueza das Nações”. Não se trata aqui de uma forma comum de especialização, que a Humanidade pratica desde tempos imemoriais, mas uma divisão cada processo completo de produção em partes muito pequenas, de forma a que o produto final possa ser produzido a uma maior velocidade sem que ninguém tenha que contribuir mais que uma parcela insignificante do todo e, na maioria dos casos, contemplando apenas trabalho não especializado.

O ponto de vista Budista encara a função do trabalho como contendo três aspectos: para dar ao Homem a possibilidade de utilizar e desenvolver as suas faculdades; para lhe permitir a ultrapassagem do centramento no Ego juntando-o a outras pessoas desempenhando as mesmas tarefas; e levar até esse Homem os bens e serviços de que ele precisa para a sua existência. De novo, as consequências que daqui podem advir são quase infinitas. Organizar o Trabalho de tal forma que ele se torne sem significado, aborrecido, embrutecedor, ou stressante para o trabalhador devia ser uma espécie de acto criminal; indica uma maior preocupação com Bens do que com Pessoas, uma maléfica falta de compaixão e um grau de apego destrutivo para a alma aos aspectos mais primitivos da existência humana. Igualmente, esforçar-se pelo lazer como uma alternativa a trabalhar deve ser considerado como um grande erro de interpretação de uma das verdades mais básicas da existência humana, nomeadamente a de que o Trabalho e o Lazer são partes complementares do mesmo processo de Vida e não podem ser separadas sem destruir a alegria no trabalho e o prazer do lazer.

Do ponto de vista budista, há então dois tipos de mecanização que devem ser claramente distinguidos: um que aumenta as competências do Homem e aquele que transforma o trabalho do Homem num escravo das máquinas, deixando o Homem numa posição em que este passa a servir as máquinas como escravo. Como podemos distinguir uma da outra? “O próprio artífice“, diz Ananda Coomaraswamy, um homem tão capaz de falar sobre o Ocidente moderno como sobre o antigo Oriente, “pode sempre, se tal lhe fôr permitido, traçar a linha ténue entre a máquina e a ferramenta. O tear de tapete é a ferramenta, um disposititvo para agrupar pilhas de fio até aos dedos do tecelão; mas o tear mecânico é uma máquina, e o significado como destruidor de Culturas reside no facto de que realiza a parte essencial e humana do trabalho. É claro, assim, que a Economia Budista deve ser muito diferente da Economia do materialismo moderno, uma vez que o Budismo vê a essência da civilização não na multiplicação de Bens mas na purificação do carácter humano. O carácter, é ao mesmo tempo, formado primariamente pelo trabalho de um Homem. E o Trabalho, propriamente conduzido em condições de dignidade humana e de Liberdade, abençoa aqueles que o fazem e igualmente os seus produtos. O filósofo e economista indiano J. C. Kumarappa resume o assunto da seguinte maneira: “Se a natureza do Trabalho é devidamente apreciada e aplicada, encontramo-nos na mesma relação para com as faculdades mais elevadas assim como a comida se encontra para o corpo físico. Alimenta e fortalece o Homem mais elevado e impulsiona-o a produzir o melhor de que ele é capaz. Orienta a sua liberdade juntamente com o caminho correcto e disciplina o animal dentro de si para canais progressivos. Fornece uma excelente estrutura para que Homem possa exprimir a sua escala de valores e desenvolver a sua personalidade.“

Se um Homem não tem possibilidades de obter Trabalho está então numa situação desesperada, não somente porque não tem um rendimento mas também porque lhe falta o alimento e o factor vivificante que nada para além do trabalho disciplinado pode fornecer. Um economista moderno pode envolver-se em cálculos altamente sofisticados para concluir se o pleno emprego “compensa” ou se pelo contrário pode ser mais “económico” gerir uma economia com algo menos que o pleno emprego de forma a garantir uma maior mobilidade do Trabalho, uma maior estabilidade dos salários, e assim por diante. O seu critério fundamental de sucesso é simplesmente a quantidade total de bens produzidos durante um dado período de tempo. “Se a urgência marginal de bens é baixa“, afirma o Professor Galbraith no seu “The Aflluent Society”, “então também o deve ser a urgência de empregar o último homem ou o último milhão de homens na força de trabalho.” E ainda: “Se… nós podemos suportar algum desemprego no interesse da estabilidade – uma proposição, incidentalmente, de impecáveis antecedentes conservadores – então podemos suportar dar aqueles que estão desempregados os bens que lhes permitam suportar o seu habitual nível de vida.“

De um ponto de vista budista, a verdade é que considerar os bens tão importantes como as pessoas e o consumo como mais importante que a actividade criativa. Isto significa mudar a ênfase do trabalhador para o produto do seu trabalho, ou seja, do humano para o subhumano, uma rendição às forças do mal. O próprio começo do planeamento na Economia Budista deve ser o planeamento para o Pleno Emprego e o primeiro propósito disto deve ser de facto emprego para toda a gente que precise de um trabalho “exterior”: não será a maximização do trabalho nem a maximização da produção. As mulheres, no seu todo, não precisam um trabalho “exterior”, e o emprego de grande escala de mulheres em escritórios ou fábricas deve ser considerado como um sinal sério de falhanço económico. Em particular, isso leva as mães de jovens crianças a trabalhar em fábricas enquanto que as crianças ficam sózinhas e isso deve ser visto como anti-económico numa economia budista assim como o emprego de um trabalhador qualificado como um soldado aos olhos de um economista moderno.

Enquanto que o materialista está principalmente interessado em Bens, o Budista está principalmente interessado na Libertação. Mas o Budismo é o “Caminho do Meio” e logo não é de forma alguma antagónico ao bem-estar material. Não é a riqueza que impede o caminho para a libertação mas sim o apego à riqueza; não o prazer em usufruir de coisas prazenteiras mas o fascínio por elas. A conclusão principal para uma Economia Budista, assim, é a simplicidade e a não-violência. De um ponto de vista de um economista, a maior maravilha com a forma de vida budista é a implícita racionalidade da sua matriz: o espantosamente pequeno pode conduzir a resultados extraordináriamente satisfatórios.

Para um economista moderno isto é muito difícil de compreender. Ele está habituado a medir o “padrão de vida” pela quantidade de consumo anual, partindo sempre do princípio que um Homem que consome mais é “melhor” que um Homem que consome menos. Um economista budista deve considerar esta abordagem excessivamente irracional: uma vez que o consumo é meramente uma forma de bem-estar humano, e que o objectivo devia ser obter o máximo de satisfação com o mínimo de consumo. Logo, se o propósito da roupa é fornecer uma certa quantidade de conforto em termos de temperatura e uma aparência atraente, a tarefa será a de alcançar este objectivo com o menor esforço possível, ou seja, com a menor destruição anual possível de vestuário e com a ajuda de designers que impliquem o menor consumo possível de tecido. Menos tecido aqui, implica mais tempo e esforço de sobra para a criatividade artística. Seria altamente não-económico, por exemplo, optar por vestuário complicado, como o vestuário ocidental, quando um efeito muito mais belo pode ser alcançado através da composição habilidosa de material por cortar. Seria absurdo criar materiais que se consumissem muito depressa e seria bárbaro fazer algo que parecesse feio, grosseiro ou mau. Isto que foi dito sobre roupas aplica-se igualmente a todas as outras necessidades humanas. A propriedade e o consumo de bens não deve ser visto como um fim em si mesmo, e a Economia Budista deve ser um estudo sistemático de como se podem alcançar determinados fins com os meios mínimos.

A economia moderna, por outro lado, considera o consumo como sendo o único fim e o propósito absoluto de toda a actividade económica, tomando em conta factores de produção – terra, trabalho e capital – como meios. A primeira procura maximizar a satisfação humana através de um padrão óptimo de consumo, enquanto que a segunda procura maximizar o consumo através do padrão óptimo de esforço produtivo. Não é difícil de compreender que o esforço necessário para manter esta forma de vida que procura obter o padrão óptimo de consumo deverá ser muito menor que o esforço necessário para manter um impulso para um padrão máximo de consumo. Não devemos assim ficar assim surpreendidos se a pressão e o esforço para manter esse nível de vida forem muito menores por exemplo, em Burma, do que nos Estados Unidos, apesar do facto da quantidade de maquinaria que permite poupar trabalho usado neste país ser imensamente maior do que a usada no primeiro país. A Simplicidade e a Não-Violência estão obviamente proximamente relacionadas. O padrão óptimo de consumo, produzindo um alto grau de satisfação humana pelos meios de uma relativamente baixa taxa de consumo, permite que as pessoas vivam sem grandes pressões e tensões de forma a que possam cumprir o mandamento primário do ensinamento budista: “Pare de praticar o Mal; tente fazer apenas o Bem.” Como os recursos físicos são limitados em todo o lado, as pessoas que procuram satisfazer as suas necessidades pelo meio de um uso modesto dos recursos serão menos inclinadas a agarrarem as gargantas de outras que aquelas que dependem de altos padrões de consumo. Igualmente, as pessoas que vivem em comunidades locais auto-suficientes são menos inclinadas a envolverem-se em violência em grande escala do que as pessoas cuja existência depende de sistemas mundiais de comércio.

Do ponto de vista da Economia Budista, assim, a produção a partir de recursos locais para suprir necessidades locais é a forma mais racional de vida económica, enquanto que a dependência de importações longínquas e a necessidade consequente de produzir para exportar para povos desconhecidos e distantes é altamente não-económica e justificável somente em casos excepcionais e em pequena escala. Assim como um economista moderno pode admitir que uma taxa elevada de consumo de serviços de transporte entre a residência de um homem e o seu local de trabalho significa um infortúnio e não um alto padrão de vida, assim um budista defenderá que satisfazer as necessidades humanas a partir de locais longínquos em vez de o fazer a partir de locais próximos significa falhanço e não sucesso. O primeiro tende a exibir estatísticas expondo um aumento no número de toneladas/milhas por cabeça transportadas pelo sistema de transportes de um país como prova de progresso económico, enquanto que o segundo – o Economista Budista – dirá que as mesmas estatísticas indicam uma altamente indesejável deterioração do padrão de consumo.

Outra diferença marcante entre um economista moderno e um economista budista vem à superfície na questão do uso dos recursos naturais. Bertrand de Jouvenel, o grande filósofo político francês, caracterizou o “Homem ocidental” em palavras que podem ser tomada como uma boa descrição de um economista moderno: “Ele tende a contar nada como uma despesa, nada além de um esforço humano; ele não parece importar-se muito com a quantidade de matéria mineral desperdiçada e, muito pior, quanta matéria viva é destruída. Ele não parece compreender que toda a vida humana é uma parte dependente de um ecosistema de muitas formas diferentes de vida. Assim como o mundo é gerido a partir de cidades onde os Homens são afastados de qualquer outra forma de vida que não seja humana, o sentimento de pertença a um ecosistema não é aqui vivido. Os resultados de um tratamento duro e imprevidente das coisas de que ultimamente todos dependemos, como as árvores e a água.”

O ensinamento de Buda, por outro lado, garante uma atitude reverente e não-violenta não somente para todos os seres sencientes, mas também, com grande ênfase, a árvores. Cada seguidor de Buda deve plantar uma árvore todos os dois ou três anos e cuidar dela até que esteja firmamente estabelecida, e um economista budista pode demonstrar sem grande dificuldade que a observação universal desta regra iria resultar numa taxa elevada de desenvolvimento económico genuíno indepentemente de qualquer ajuda externa. Muita da decadência económica do sudoeste da Ásia (e de outras partes do mundo) deve-se indubitavelmente a esta vergonhosa e pouco inteligente negligência das árvores.

Um economista moderno não distingue entre materiais renováveis e não-renováveis, já que o seu melhor método é igualar e quantificar tudo pela forma do seu custo monetário. Assim, optando por vários combustíveis alternativos como o carvão, o petróleo, a madeira ou a energia hídrica: a única diferença entre eles reconhecida pelo economista moderno é o custo relativo por unidade equivalente. A mais barata será a preferida, e agir de outra forma será iracional ou “anti-económico”. De um ponto de vista budista, esta visão não é idêntica; a diferença essencial entre combustíveis não-renováveis como o carvão e o petróleo não pode ser vista de forma superficial. Os bens não-renováveis devem ser usados somente se forem indispensáveis, e somente com o maior dos cuidados e com a maior atenção pela conservação. Usá-los de forma impensada ou extravagante é um ato de violência, e enquanto que a não-violência completa não pode ser alcançada nesta terra, continua a ser um dever inelutável do Homem procurar este ideal de não-violência em todos os seus atos.

Assim como um economista moderno não deve considerar uma grande realização se todos os tesouros de arte da Europa fossem vendidos à América a preços muito atrativos, assim o economista budista deve insistir que uma população baseando a sua vida económica em combustíveis não-renováveis é viver parasitariamente, de capital em vez de retorno. Tal forma de vida não tem permanência e logo, pode ser justificada só como um expediente puramente temporário. Como os recursos mundiais de combustíveis não-fósseis – carvão, petróleo e gás natural – estão desigualmente distribuídos pelo globo e indubitavelmente em quantidade, é claro que a sua exploração a uma taxa sempre crescente é um acto de violência contra a natureza e deverá inevitavelmente conduzir à violência entre os Homens.

Este facto somente deve alimentar o pensamento mesmo para aquelas pessoas nos países budistas que não se importam com os valores religiosos e espirituais da sua herança e que desejam ardentemente abraçar o materialismo da economia moderna à mais rápida velocidade possível. Assim, eles descartam a economia budista como nada mais do que um sonho nostálgico, e podem desejar considerar o tipo de desenvolvimento económico delineado pela economia moderna como podendo conduzi-los a lugares onde realmente não querem estar. No final do seu livro corajoso: “The Challenge of Man’s Future” (“O Desafio do Futuro do Homem”), o Professor Harrison Brown do “California Instute of Technology” escreve o seguinte: “Assim nós vemos que, assim como uma sociedade industrial é fundamentalmente instável e sujeita à reversão para uma existência agrária, assim dentro das condições que disponibilizam a liberdade individual são instáveis na sua capacidade para evitar as condições que impõem uma organização rígida e um controlo totalitário. De facto, quando examinamos todas as previsíveis dificuldades que ameaçam a sobrevivência da civilização industrial, é difícil ver como o alcance da estabilidde e a manutenção da liberdade individual podem ser tornadas compatíveis.”

Mesmo se esta posição fôr descartada como uma visão de longo prazo há a questão imediata de saber se a “modernização”, como o é praticada actualmente sem considerar valores religiosos e espirituais, está de facto a produzir resultados agradáveis. Na medida ao que importa às massas, os resultados parecem estar a ser desastrosos – o colapso da sua economia rural, uma onda crescente de desemprego nas cidades e nos campos, e o crescimento de um proletariado urbano sem alimento nem para o seu corpo nem para a sua alma.

À luz quer da experiência imediata e de uma visão a longo prazo o estudo da Economia Budista deve ser recomendado mesmo aqueles que acreditam que o crescimento económico é mais importante que os valores espirituais e religiosos. Porque não é uma questão de escolher entre “crescimento moderno” e “estagnação tradicional”. É uma questão de encontrar o caminho certo para o Desenvolvimento, o Caminho do Meio entre o materialismo ireflectido e a imobilidade tradicionalista, em suma, de encontrar a “Forma correta de viver”.

Notas Bibliográficas:

1. The New Burma (Economic and Social Board, Government of the Union Burma, 1954).
2. Ibid.
3. Ibid
4. Wealth of Nations by Adam Smith.
5. Art and Swadeshi by Ananda K. Coomaraswamy (Ganesh & C Madras).
6. Economy of Permanence by J. C. Kumarappa (Sarva-Seva Sangh Publicati Rajghat, Kashi, 4th edn., 1958).
7. The Affluent Society by John Kenneth Galbraith (Penguin Books Lt 1962).
8. A Philosophy of Indian Economic Development by Richard B. Gre (Navajivan Publishing House, Ahmedabad, India, 1958).
9. The Challenge of Man’s Future by Harrison Brown (The Viking Press, N York, 1954).

Fonte original:
http://www.smallisbeautiful.org/buddhist_economics.html

Categories: Economia, Movimento Internacional Lusófono, Política Nacional, Sociedade | Etiquetas: , | 1 Comentário

Guerra Geórgia-Rússia: O exército georgiano colapsa e recua em todas as frentes

Uma questão me tem assolado nas últimas horas… Se o exército terrestre da Geórgia tem 5 brigadas de infantaria, uma de artilharia, um batalhão de tanques ligeiros, um batalhão de tanques, agrupando num total 28,739 homens, não contando com os perto de 200 mil reservistas mobilizados desde domingo e se estas forças alinham 280 T-72 (vários modelos), 80 BMP-1, 120 BMP-2, 75 BTR-80, para além de numerosa artilharia fixa e um invulgarmente elevado número de pelas de artilharia autopropulsionada (quase 100 unidades), então… como se explica que a Geórgia tenha perdido já o controlo de mais de metade do seu território, esteja dividida em duas pelas colunas russas e que haja já forças adversárias a menos de 50 Km da capital, Tbilissi, sendo calmamente entrevistas pelos jornalistas? Até sábado, a Geórgia tinha reconhecido ter perdido 50 soldados e ter 450 dos seus militares feridos, o que não explica este colapso em todas as frentes…

Há assim sinais claros de que o exército georgiano está simplesmente a desertar em massa e a retirar da frente mesmo sem receber ordens para tal… No mesmo momento em que forças especiais russas Spetnaz e unidades paraquedistas entravam em Tskhinvali, no Sábado, alinhando entre 1500 a 2500 homens, as forças georgianas começavam a abandonar a cidade “unilateralmente”, isto é, sem travarem combates diretos além de duelos de artilharia. Após esta conquista, e nos arredores desta cidade, os russos teriam perdido cerca de 30 blindados (BMPs, sobretudo), segundo fontes georgianas, mas omitindo números de soldados mortos ou feridos de ambos os lados…

A força aérea georgiana não aparece no cenário de guerra, deixando os Su-25 (fabricados na Geórgia no tempo da URSS…) e os Tu-22 russos de mãos livres para bombardear o seu país. O que se explica quando se nota que os interceptores MiG-21 e MiG-25 que anos antes constavam do seu inventário agora desapareceram e que a Geórgia… não tem um único interceptor para colocar no ar, já que os Su-25 são aviões de ataque ao solo! A Geórgia afirma ter abatido 10 aviões russos, mas está claramente a exagerar, já que não está a exibir as suas carcaças ou então está a contabilizar também UAVs, seguindo a tradição do antigo ministro da informação iraquiano… Os russos confirmam apenas a perda de dois aparelhos, afirmando também ter abatido 5 aviões georgianos, (3 Su-25 KM e 2 2 L-29).

Na Abkhazia, as forças independentistas, apoiadas por Su-25 e artilharia russas (e 135 blindados russos, segundo a AP), expulsaram o exército da Geórgia do último fragmento que esta ainda ocupava nas montanhas a leste nesta república separatista e isto apesar do envio de comboios carregados com tropas e blindados georgianos desde o porto de Batumi até à Abkhazia no passado sábado. Na verdade, forças rebeldes abkhazes ergueram até a sua bandeira no rio Inguri, já bem dentro do território georgiano e completamente além da fronteira da sua “república”, exprimindo assim a total derrota das forças georgianas… Por seu lado, as forças russas, ocupam aliás a cidade de Senaki, perto da fronteira abkaze…

Na verdade, a estratégia dos comandos militares georgianos revela uma incapacidade quase absoluta para cumprir a sua missão de defender o país… Depois de terem cometido erros clamorosos ao não terem bloqueados vias de comunicação essenciais entre a Ossétia do norte, russa e a a capital da Ossétia do sul que acabavam de tomar, agora, ou decidem retirar de todas as frentes a caminho de Tbsilisi ou deixam que as forças na frente desertem e recuem em massa para o interior do território deixando espaço livre às colunas militares russas. Oficialmente, a estratégia é retirar para a capital, e os 2000 soldados da brigada de élite que estão a caminho desde o Iraque serão estacionados precisamente na capital.

Os russos estão entretanto a violar as suas próprias promessas e aproximar-se mais e mais da capital georgiana, estando a menos de 60 minutos de Tbilisi (no momento em que escrevo estas linhas) e sem sinal de oposição pela frente. Gori, uma importante cidade georgiana a norte de Tbilisi, foi tomada hoje sem um tiro por perto de 50 blindados e menos de 7000 soldados russos. Zugdidi, na Geórgia ocidental está também conquistada, assim como as cidades de Zugdidi e Kurga, na mesma região. As forças georgianas que retiraram destas cidades apressam-se a caminho de Tbilisi, acenando aos civis que encontram para retirarem com eles, também…

Curiosamente, o único local onde o exército georgiano parece ainda empenhado em se bater é a Ossétia do sul, onde os seus snipers ainda estão muito ativos e onde ontem foram vistos 6 helicópteros de ataque Mi-25 atacando alvos russos.

Em suma. O exército georgiano evaporou-se e as posições que está a ocupar em torno de Tbilisi serão abandonadas logo que as colunas russas estiverem à vista.

Fontes:
http://georgiandaily.com/index.php?option=com_content&task=view&id=5578&Itemid=65
http://en.wikipedia.org/wiki/Military_of_Georgia#Land_Forces
http://www.armytimes.com/news/2008/08/ap_russia_georgia_081208/
http://network.nationalpost.com/np/blogs/fullcomment/archive/2008/08/11/tom-philip-georgia-s-firecracker-president-loses-control-of-his-fuse.aspx http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/europe/article4509692.ece

Categories: DefenseNewsPt, Política Internacional | Etiquetas: , | 15 comentários

Quids S12-57: Em que campo petrolífero offshore foi tirada esta fotografia?

Dificuldade: 3

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

Categories: Quids S12 | 4 comentários

As algas… uma saída dupla para o Aquecimento Global e para a crise dos combustíveis?

A solução para os problemas do Aquecimento Global, da explosão dos preços de petróleo, do aquecimento global e até da crise alimentar pode residir numa única abordagem… A engenharia genética de algas.

Com efeito, algumas espécies de microalgas tem a capacidade de processarem dióxido de carbono, transformando-o em vários tipos de biocombustíveis. Outras, conseguem produzir proteínas e alimentos a custos muito baixos e em grandes quantidades.

Os trabalhos atuais consistem na identificação das espécies mais adequadas a serem alvo de transformação genética de forma a serem construídos bio-reactores em instalações industriais os quais, de facto, seriam tão simples como tubos transparentes (para que se produza a fotosíntese) cheios de algas que seriam colocados nos locais emissores de CO2 recolhendo esse de efeito de estufa e produzindo biocombustível.

Estes bio-reactores eliminariam simultaneamente dois ou mesmo três dos grandes problemas da atualidade: produzindo substitutos para o petróleo, reduzindo as emissões de CO2 e, eventualmente, produzindo até matéria orgânica que depois poderia ser transformada em alimentos.

O campo é tão promissor que se realizam hoje em dia trabalhos em varias instituições de investigação e ate em empresas como a Shell e a Boeing nesta área.

Uma das mais conhecidas entidades que trabalha hoje neste campo é o MIT que construiu um bioreactor que colecta emissores de uma unidade de cogeração idêntica aquelas instaladas em instalações industriais e que recolheu perto de 60 por cento do CO2 e mais de 85 por cento de óxido de nitrogénio. Estas microalgas – que não foram geneticamente modificadas – depois de terminado o seu ciclo de vida, podem ser removidas destes tubos e enterradas no solo, retendo aqui o CO2 que capturaram durante a sua permanência nos bio-reactores. Estas mesmas algas tem o potencial para serem geneticamente modificadas de forma a produzirem um bioóleo ou um protoalimento que pode depois ser adicionado a rações de animais ou servir mesmo de base alimentar para seres humanos.

O MIT estuda também a utilização destas microalgas em grandes lagos de forma a optimizar a produção de biomassa e a extracção de CO2 da atmosfera permitindo ainda a reunião de quantidades suficientes para produzir fertilizantes. Estes biocombustiveis não teriam os efeitos nocivos no meio ambiente e nos preços dos alimentos que têm os biocombustiveis de milho ou cereais, por exemplo, tendo o potencial para produzir mais e melhor bioóleo que qualquer alternativa terrestre, incluindo a muito eficiente cana do açúcar e o ainda mais eficiente óleo de palma cuja cultura é muito comum nos países da Indochina e na Indonésia. Outros investigadores trabalham sobre algas que produzem hidrogénio e procuram formas de aumentar a produção desse gás que muitos vem como o substituto da gasolina nas próximas décadas. De uma forma ou de outra, seja por bioóleo ou seja pela via do hidrogénio, parece claro que o futuro dos combustíveis – para mal dos corruptos Estados do Golfo e dos megamilionários russos que se passeiam em iates de megaluxo – está a residir cada vez nas… Algas.

Fonte:
www.energy-daily.com

Categories: Ciência e Tecnologia, Ecologia, Economia | 2 comentários

Quids S12-56: Que exército opera o veículo blindado desta fotografia?

Dificuldade:2

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

Categories: Quids S12 | 36 comentários

T-95: o novo MBT russo


(O T-95, o novo MBT russo)

A partir de 2009 as forças armadas russas vão começar a receber um novo MBT, o T-95. O T-95 será superior em todos os parâmetros aos tanques actualmente em serviço nas forças armadas russas. Ao contrário dos tanques actualmente em serviço (T-90, T-90S, T-80 e T-80S e outros modelos mais antigos) este será um veículo totalmente novo, não um desenvolvimento directo de modelos anteriores.

Os protótipos do T-95 estão actualmente a ser testados na fábrica russa Uralvagonzavod, conhecendo-se muit pouco sobre as suas características. Supõe-se que terá um canhão de 152,4 mm, numa torre de controlo remoto, uma solução que pretende aumentar a sobrevivência da tripulação já que o compartimento da tripulação está separado do compartimento de munições. A tripulação deverá ser de 3 elementos, todos no próprio casco do veículo. O tanque pesará cerca de 50 toneladas, sendo exteriormente idêntico ao T-90, mas mais baixo e compacto

Anunciado pelo ministério da Defesa russo em 2000, o T-95 não deverá estar pronto em tempo útil, pelo que se espera que entretanto o T-90, seja adoptado como transição para o T-95. Contudo, estas informações são negadas por outras fontes que dão como certa a entrada em produção do T-95 já nos finais de 2008, havendo uma encomenda de 30 unidades do MBT e enviado para o Extremo Oriente para a 4ª divisão de tanques da Guarda, um sinal da importância estratégica que a Rússia dá à sua fronteira com a China…


Fontes:
http://www.tanksim.com/topic8.htm

http://www.spacewar.com/reports/Outside_View_Russias_tank_woes_Part_1_999.htmlhttp://en.wikipedia.org/wiki/T-95

Categories: DefenseNewsPt, Política Internacional | Etiquetas: | 17 comentários

Tucídides: “A guerra é um mal, mas a submissão às ordens de outros Estados é pior…”

“A guerra é um mal, mas a submissão às ordens de outros Estados é pior… A liberdade, se a agarramos com tenacidade, acabará por restaurar as nossas perdas, mas a submissão significará a perda pemanente de tudo aquilo que prezamos… A vós, que vos intitulais homens de paz, digo: Não estais a salvo a menos que tenhais homens de acção do vosso lado.”

Tucídides, “História da Guerra do Peloponeso”

Categories: História, Máximas | 4 comentários

Um anúncio… original (e antigo) ao MS Office XP

Categories: Humor, Informática | Deixe um comentário

O novo lançador chinês “Longa Marcha V” (CZ-5)

A China arrancou formalmente com o desenvolvimento da sua nova geração de lançadores, designada como “Longa Marcha V”. O primeiro lançamento do foguetão deverá ocorrer antes de 2014 e tudo está a correr conforme o calendarizado tendo o novo motor do foguete realizado testes bem sucedidos nas últimas semanas na “China Academy of Launch Vehicle Technology” e a construção da nova fábrica começado.

O “Longa Marcha V” vai depender da propulsão assegurada por quatro motores de oxigénio líquido e querosene de 120 toneladas que completou recentemente uma serie de testes no final deste ano. O conjunto será capaz de colocar em órbitas baixas (LEO) cargas úteis de até 25 toneladas, mais 15 que o “Longa Marcha IV”. O foguetão, com os seus quatro boosters será tão grande (pesando 643 toneladas) e com 5 metros de largura… tão largo que não pode ser transportado por via ferroviária e terá que ser levado até ao local de lançamento, na ilha de Hainan, por via marítima… Este novo foguetão será também capaz de colocar cargas uteis em órbitas altas e geoestacionárias (GEO).

Quando entrar em serviço, o foguetão vai substituir os modelos anteriores (CZ-2, CZ-3, e CZ-4) ainda em serviço, sendo o veiculo lançador da China nos próximos vinte ou trinta anos, transportando as suas cápsulas orbitais Shenzhou, construindo a planeada Estação Orbital e talvez levando ate os astronautas que a China quer colocar na Lua antes dos Estados Unidos.

O desenvolvimento deste foguetão começou em 2001 sob a designação “CZ-5”. O projecto conheceu algumas hesitações nos corredores do poder tendo vegetado até 2007 esperando financiamento, altura em que a decisão de construir a nova fabrica para estes foguetes foi por fim tomada.

Fontes:
http://www.shanghaidaily.com/sp/article/2008/200807/20080703/article_365460.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Long_March_5_rocket_family

Categories: China, Ciência e Tecnologia, SpaceNewsPt | Etiquetas: | Deixe um comentário

Quids S12-55: Em que país estão estes jovens?

Dificuldade: 3

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

Categories: Quids S12 | 23 comentários

Sukhoi Su-34 Fullback: Problemas de um excelente avião…

Um dos processos de substituição mais importantes que a Rússia tem em curso é a substituição (finalmente!) dos bombardeiros Sukhoi Su-24 Fencer pelos modernos Sukhoi Su-34 Fullback. A substituição já decorre neste momento, mas muito lentamente…

O Su-34 é um dos melhores caça-bombardeiros da actualidade. Embora seja mais uma variante do Su-27, trata-se de uma variante recheada com todo o mais recente equipamento que a indústria russa pode oferecer a um avião de combate da sua classe. Concebido como um bombardeiro quase puro, desenvolvido nos finais da década de oitenta e com a designação de T-10V faria o seu primeiro voo em 1990 já como “Su-27IB”.

O Su-34 também foi pensado para substituir os 70 MiG-25RB e os 100 Su-24MR de reconhecimento que operam ainda hoje na força aérea russa. Mas o grosso da substituição vai assentar nos 400 Su-24M que serão substituídos pelos Su-34. No total, a Rússia deverá fabricar perto de 600 aparelhos deste tipo, para estes dois papéis, nos próximos 15 anos. Mas é aqui que começam os problemas… Só há planos para comprar 58 Su-34 até 2015 e menos de 300 até 2022. Isto significa que se os aviões de reconhecimento atuais na frota forem mesmo abatidos ao inventário em 2020, então a Rússia sofrerá uma redução dramática da sua força de bombardeiros e de reconhecimento dos 600 aparelhos actuais, espalhados pelo imenso território da Federação Russa para cerca de… pouco mais de 60, isto é, uma redução de 10 para 1 neste tipo de aparelhos! Para responder a esta lacuna, a força aérea russa tem realizado várias atualizações aos seus Su-24… Até recentemente, havia apenas 2 Su-34 em operação (entregues em Janeiro de 2007), e as estes irão juntar-se mais seis aparelhos em 2008… Mas só em 2010 é que estará formado o primeiro regimento aéreo com 24 aparelhos destes! Nos cinco anos seguintes, mais 46 Su-34 serão adquiridos… um número muito inferior à necessidade teórica de 600 aparelhos…

O caça-bombardeiro foi massacrado logo desde o início do seu desenvolvimento por problemas orçamentais. Isto levou a sucessivos redesenhos do aparelho e uma enorme oscilação de designações oficiais: Su-34, Su-34FN (versão naval), Su-34MF (multifunção), até regressar, finalmente à designação inicial de Su-34.

O Su-34 não foi criado com um aparelho de combate aéreo, tendo sido dada uma atenção muito especial ao longo alcance e à capacidade de reabastecimento em voo, mesmo a partir de outros Su-34 equipados com tanques externos de combustível. Os bombardeiros também estão equipados com dispositivos de guerra eletrónica. A maior parte das estruturas do Su-34 é idêntica à do Su-30, mas o nariz e a fuselagem dianteira foi completamente redesenhada de forma a suportar os dois tripulantes, lado a lado. Os motores, são os mesmos do Su-27, mas com entradas de ar fixas, o que reduz a sua velocidade máxima a apenas 1,8 Mach.

Dados do artigo da Wikipedia sobre o Sukhoi Su-35:

Crew: Two

Length: 23.34 m (72 ft 2 in)

Wingspan: 14.7 m (48 ft 3 in)

Height: 6.09 m (19 ft 5 in)

Loaded weight: 39,000 kg (85,980 lb)

Useful load: 8,000 kg (17,600 lb)

Max takeoff weight: 45,100 kg (99,425 lb)

Powerplant:Lyulka AL-35F turbofans, 137.2 kN (30,845 lbf) with afterburner each

Performance

Maximum speed:

High altitude: Mach 1.8 (1,900 km/h, 1,180 mph)

Low altitude: Mach 1.2 (1,400 km/h, 870 mph) at sea level

Combat radius: 1,100 km (680 mi)

Ferry range: 4,000 km (2,490 mi)

Service ceiling 15,000 m (49,200 ft)

Wing loading: 629 kg/m² (129 lb/ft²)

Thrust/weight: 0.68

Armament

1× 30 mm GSh-30-1 (9A-4071K) cannon, 150 rounds

2× wingtip rails for R-73 (AA-11 ‘Archer’) air-to-air missiles

10× wing and fuselage stations for up to 8,000 kg (17,630 lb) of ordnance, including Kh-29L/T, Kh-25MT/ML, Kh-25MP, Kh-36, Kh-38, Kh-41, Kh-59M, Kh-58, Kh-31P, Kh-35 Ural, Kh-41, Kh-65S, Kh-SD, 2 Moskit, 3 Jachont air-to-ground missiles, KAB-500L/KR or KAB-1500L guided bombs, unguided bombs, B-8 rocket pods with 20 80 mm S-8 rockets, B-13 rocket pods with 5 122 mm S-13 rockets, O-25 rocket pords with 1 340 mm S-25 rocket, fuel tanks, EW- and reconnaissance pods.

Fontes:
http://www.flightglobal.com/articles/2007/01/04/211328/russia-gets-first-new-fighters-for-15-years-as-sukhoi-su-34.html
http://www.spacewar.com/reports/Outside_View_Su-34_strategy_Part_1_999.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Sukhoi_Su-34

Categories: DefenseNewsPt | Etiquetas: , | 9 comentários

Sobre o afundamento de um “navio lança-mísseis” georgiano e do andamento atual da guerra Rússia-Geórgia


(A corveta lança-mísseis “Tbilisi” da marinha georgiana in http://redbannernorthernfleet.blogspot.com)

Ontem os media foram inundados de referências a um afundamento de um “lança-mísseis” georgiano por parte da marinha russa. A notícia intrigou-me porque não é todos os dias que temos relatos de confrontos navais (são mesmo muito raros na história recente) e ainda mais por referirem o afundamento de um navio “lança-mísseis”, coisa que eu não me lembrava de ver no inventário desse país do Cáucaso… A notícia dos nossos media era muito lacónica, mas noutras fontes internacionais dizia-se que o afundamento tinha ocorrido perto da costa da região separatista da Abkhazia e depois de um grupo de navio georgianos ter por duas vezes tentado atacar navios russos, isto segundo um porta-voz do ministério da Defesa russo, claro: “os navios russos abriram fogo e como resultado um dos navios georgianos afundou-se”. Hum. Não vejo aqui referencia a “navio lança-mísseis”…

A marinha georgiana tem dimensões modestas, mesmo para a extensão de costa do país e efetivamente tem como unidades mais notáveis duas “corvetas lança-mísseis”, o Tbilisi e o Dioskuria. O resto dos navios combatentes é composta por pequenos patrulhas, armados com canhões, que não se enquadram nesta tipologia de “lança-mísseis”.

Segundo uma fonte iraniana, as forças russas envolvidas teriam pertencido à 41ª Brigada de Navios Lança-mísseis composta pelos navios:
966 Missile Boat R-44 Matka Mod 1978
955 Missile Boat R-60 Tarantul-III Mod 1985
962 Missile Boat R-71 Tarantul-II Mod 1985
952 Missile Boat R-109 Tarantul-III 1991
953 Missile Boat R-239 Tarantul-III 1991
954 Missile Boat Ivanovetc Tarantul-III 1988

Ou seja, por seis corvetas lança-mísseis de classe Matka e Tarantul II e III. Segundo algumas fontes, o navio georgiano teria atacado os navios russos com foguetes (ou mísseis? estes jornalistas confundem sempre…), falhado e recebido de volta uma salva que a teria afundado. Há a possibilidade de ter sido um encontro de curta distância e de este afundamento ter ocorrido por via de canhões, mas sendo os navios envolvidos lança-mísseis e sabendo que transportam apenas 1 AK-176 76.2mm/59cal DP e dois AK-630M gattl. AA (6 x 30 mm; r: 6’000 rds/m/mount) não me parece que tenham poder de fogo para afundar um navio de médias dimensões a tiro de canhão…

A citação do militar russo refere também um “grupo de navios”, o que quer dizer que além do navio afundado, outros participaram da ação e sairam ilesos… Ou danificados, mas não o suficiente para serem afundados, o que é improvável, dado que se tratam de pequenos navios e que os mísseis das Tarantul são os eficientes (e pesados) 4 x P-15 Termit/SS-N-2 Styx ou 4 x P-270 Moskit/SS-N-22 Sunburn ou 8 x Kh-35 Uran/SS-N-25 Switchblade. Na Rússia consta que o navio afundado teria sudo o Tbilisi, comprado à Ucrânia em 1999, mas a informação não foi ainda confirmada por fontes georgianas. Este navio é um antigo navio soviético (“project 206MR“), armado dois lançadores “Termite” e armado com mísseis SS-N-2C Styx. Ironicamente este navio antes de servir na armada georgiana chamava-se “U-150 Konotop” e servia na… frota russa do Mar Negro (até 1981). A outra corveta lança-mísseis georgiana é a “Dioskuria”, de origem francesa e da classe La Combattante II que a Grécia vendeu à Geórgia em 2004. Este navio está armado com 4 MM38 Exocet e é considerada o navio mais poderoso da pequena armada georgiana, mas não encontrei nenhuma referência ou rumor que a desse como o navio envolvido neste incidente… Por isso, o navio afundado deve mesmo ter sido a “Tbilisi”.

Por outro lado, a guerra está a correr mesmo mal para a Geórgia… A cidade de Gori foi tomada pelas forças russas e estas continuam a avançar bem dentro do território georgiano, aparentemente sem encontrarem oposição significativa. Colunas russas estão prestes a tomar várias cidades da Geórgia ocidental e segundo o próprio presidente deste país do Cáucaso, conseguiram já cortar o país em dois, tudo isto depois de um general russo ter declarado ontem que a Rússia não tencionava penetrar no território georgiano, apenas “libertar” a república separatista da Ossétia do Sul… Aparentemente o colapso da frente georgiana é tão profundo que as forças russas estão a explorar ao máximo a sua vantagem, e as forças blindadas georgianas (os perto de 130 T-72 que dispõe) ou já foram completamente batidos (têm sido vistas várias carcaças destes tanques) ou estão a ser guardados para um eventual avanço contra Tbilisi, a capital georgiana, algo que agora parece ser provável, especialmente depois de ontem, Putin ter declarado que “o problema era o presidente georgiano”… Terão assim, como objectivo depôr o presidente (eleito) da Geórgia, e assim, ocupar todo o país?

Fontes:
http://lenta.ru/news/2008/08/10/destroy1/index.htm http://www.turkishdailynews.com.tr/apdetailspage.php?id=d91c1f3c96da09395e2337e4c0e8620109ea5e9 http://uk.news.yahoo.com/itn/20080810/twl-russians-sink-georgian-boat-41f21e0.html
http://www.breakingnews.ie/world/mhqlmhkfojkf/rss2/ http://hosted.ap.org/dynamic/stories/G/GEORGIA_SOUTH_OSSETIA?SITE=CADIU&SECTION=HOME&TEMPLATE=DEFAULT http://redbannernorthernfleet.blogspot.com/2008/05/russian-mil-blogger-turns-his-gaze-on.html http://edition.cnn.com/2008/WORLD/europe/08/11/georgia.russia/index.html

Categories: DefenseNewsPt, Política Internacional | Etiquetas: , | 14 comentários

Outsourcing para a Índia: Uma nova forma de cabular

Uma nova moda de cabulanço está a generalizar-se entre os estudantes britânicos de Informática… Aparentemente, e segundo o jornal The Guardian, por menos de cinco libras (6 euros) alunos universitários no Reino Unido acedem a “coding sites” alojados na Índia e na Roménia e fazem outsourcing dos seus trabalhos práticos para estudantes de TI e programadores indianos por preços tão baixos como o acima indicado.

Desde 2004, a Universidade de Birmingham detectou mais de mil dos seus estudantes acedendo a estes sites indianos que praticam o sistema de leilão. Basicamente, um estudante coloca os requisitos para o seu trabalho no site de leiloes, e recolhe ofertas, aceitando a mais baixa e credível. Tudo é vendido, desde trabalhos de cadeira, ate teses de doutoramento.

Este movimento de descerebração ocidental não esta evidentemente limitado ao Reino Unido e deve estar disseminado ate em Portugal… Resulta em primeiro lugar de uma sociedade facilitista e de um um sistema de ensino medíocre, pouco exigente e incapaz de encontrar sistemas de verificação eficientes. E encontra nos medíocres níveis de preparação em matemática que se registam um pouco por todo o mundo desenvolvido uma das razoes mais profundas…certamente que será impossível detectar cada caso, especialmente se os acessos forem feitos a partir de computadores pessoais, mas a curto prazo, tudo o que pode ser feito é melhorar os controlos e investir no ensino da matemática a mais longo prazo e esperar que os efeitos destas duas abordagens impeçam a continuação destas praticas, desleais para quem não recorre a elas e profundamente perigosas para a eficiência e qualidade dos profissionais de TI das economias ocidentais, e isto sabendo bem a importância deste sector tem para as economias ocidentais.

Fonte:

http://management.silicon.com/careers/0,39024671,39250909,00.htm

Categories: Ciência e Tecnologia, Economia, Educação, Informática, Política Internacional | Etiquetas: | 3 comentários

Quids S12-54: Como se chama este objecto? (nome exacto)

Dificuldade: 3

Regras:

1. Cada Quid valerá entre 1 a 3 pontos.
2. Cada pista fornecida deduzirá um ponto aos pontos correntes ao Quid, parando esta descida em 1 ponto.
3. Não serão dadas pistas no próprio dia do lançamento do mesmo, mas apenas no período seguinte (12:30-14:30 do dia seguinte, juntamente com o lançamento do Quid seguinte). Contudo, nesse período do dia seguinte podem ser dadas várias pistas, se pedidas.
4. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 50 pontos.

Categories: Quids S12 | 4 comentários

Vídeo: Sobrelotação num comboio suburbano japonês

Enquanto que em Portugal os comboios suburbanos andam cada vez mais vazios e a Carris regista quedas dos números de passageiros transportados ano após ano, no Japão existem funcionários voluntariosos o suficiente para ajudar os passageiros a entrar em comboios sobrelotados. A sobrelotação do vídeo indica também que o sistema público de transportes suburbanos japonês funciona muito mal… demasiados passageiros para comboios a menos, algo particularmente incompreensível num país tão rico como o Japão e capaz de construir alguns dos melhores comboios de alta velocidade do mundo (ver AQUI).

Categories: Economia | Etiquetas: | 10 comentários

Create a free website or blog at WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade