As máfias do carvão e o massacre de gorilas no Congo

No final do mês de Julho, foram encontrados mortos, em pleno parque nacional Virunga, no Congo toda uma família de gorilas… O parque foi o cenário do livro e filme “Congo” de Michael Crichton. Infelizmente, não foi a primeira vez que foram encontrados gorilas mortos no Virunga… Nem será a última, mas nunca antes foi registado um massacre tão evidentemente efectuado apenas para intimidar os guardas do parque e reduzir a sua actividade de defesa destes primatas, um pouco como a Mafia assassinava a família dos seus adversários, para intimidar os membros de uma famiglia rival, na Chicago da década de 30…

Os guardas do parque conhecem bem quem são estes criminosos e quais são os seus propósitos… Mafias locais envolvidas com comercio ilegal de carvão. O objectivo do golpe parece ter sido duplo: intimidar os guardas florestais de forma a que deixem de se aproximar das zonas de floresta que os gorilas habitam e que os guardas vigiam e levar à demissão do gestor do parque Virunga, Paulin Ngobobo, que desde que foi nomeado, em 2006, encetou uma dura luta contra o comercio ilegal de carvão que tanto esta a ameaçar o derradeiro habitat dos gorilas do Alto Virunga.

Com Ngobobo, os guardas florestais começaram a deter fabricantes ilegais de carvão que o fabricavam queimando madeira de arvores abatidas no parque em fornos artesanais. Em resultado, esta atividade diminuiu desde 2006. Mas agora, com este massacre, este diretor do parque foi demitido e transferido para um sector do parque onde não há gorilas e onde não pode interferir com estas mafias do carvão e todas as conquistas dos últimos anos podem esfumar-se (literalmente) em meses…

O consumo de carvão vegetal esta tornar estéreis extensas franjas florestais do parque natural, à medida que o consumo de carvão esta a destruir uma das ultimas manchas florestais virgens do mundo. As populações – em explosão demográfica constante – precisam deste carvão para aquecimento, iluminação e, sobretudo, para cozinharem os seus alimentos. E como toda a madeira fora do parque já se esgotou à muito e não há qualquer tentativa de reabilitação, a madeira do parque tornou-se o recurso seguinte a explorar.

São as árvores que fornecem esta madeira que abrigam metade dos últimos 700 gorilas de montanha do mundo.

Felizmente a situação é muito diferente no vizinho Ruanda, onde os habitantes locais simplesmente não abatem arvores para obtenção de carvão por receio das pesadas punições impostas pelo Governo, que sabe que os gorilas representam um importante património turístico e o principal atractor internacional do pais. Por contraste, o governo congolês – corrupto, incompetente e muito distante – não tem o mesmo tipo de visão conservacionista e comercial (os termos não são necessariamente incompatíveis) e perde assim aquela que poderia ser uma importante fonte de rendimentos. É claro que o problema maior é aqui o de encontrar alternativas viáveis ao carvão vegetal, e de ir moderando o crescimento demográfico na região, quer transferindo os campos de refugiados que se acumulam aqui para outras regiões do Congo, quer disponibilizando meios para reduzir a conflitualidade na região e estabilizando o pais.

Fonte:

http://www.usnews.com/articles/news/world/2008/02/06/the-story-behind-the-killings-of-congos-rare-mountain-gorillas.html

Categories: Ecologia, Economia, Política Internacional | 5 comentários

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5 thoughts on “As máfias do carvão e o massacre de gorilas no Congo

  1. Pingback: Total de Gorilas no Congo é 2x maior | Notícias Bizarras - Os Deuses devem estar Loucos

  2. Esses srs. são uns animais…é burros, comem agora, e vão morrer de fome amanhã. cadê a ONU, p/ intervir nisso?Para o próprio bemestar dles , no futuro, é do resto do planeta.Isso é genôcidio.

  3. É puro genôcidio de uma especíe, estúpidez e ganancia, estão matando o futurio deles, agem como animais …

  4. karma… cá se fazem…

  5. daniel c. ferreira

    esses criminosos que matam esses gorilaz merecem no minimo pena de morte

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