Daily Archives: 2008/08/09

A Guerra entre a Rússia e a Geórgia: algumas variações sobre o tema

A resposta russa à retomada de controlo por parte da Geórgia do seu território na Ossétia do Sul é a primeira intervenção no estrangeiro do exército russo após a humilhante retirada do Afeganistão, em 1989. Esta atrevida reacção à operação do exército georgiano no seu próprio território só é possível no atual contexto internacional de reforço da Rússia pela via das exportações de petróleo e gás e devido à presente situação dos EUA no mundo, agastados com uma guerra no Iraque que lhe consome todos os recursos e governados pelo presidente mais impopular de sempre.

A Geórgia tem no seu território duas províncias rebeldes que gozam desde a guerra de 1992 de uma independência de facto: a Ossétia do Sul e a Abkhazia. Ambas, são regiões habitadas predominantemente por russos. Segundo a Lei Internacional, esses territórios são parte integrante da Geórgia, ainda que a maioria da sua população deseje a independência e seja etnica, cultural e linguísticamente distinta da restante população da Geórgia. Como… sucedia com o Kosovo, que a maioria das nações europeias se apressaram a reconhecer e que logrou ver a sua independência da Sérvia reconhecida sobretudo pela pressão dos EUA. Agora, a Rússia invoca o mesmo princípio para defender a independência (ou futura anexação na Rússia) destes dois territórios “russófilos” e torna-se flagrante que todos aqueles que criticiaram a independência do narco-estado Kosovar, pelo perigoso precedente que este impunha tinham razão… a caixa de Pandora está aberta e agora a Rússia usa os mesmos argumentos a seu favor.

A guerra em si mesma, tem o desfecho assegurado. Embora o exército georgiano não seja tão fraco como têm feito querer algumas notícias, não tem meios para suster uma guerra de elevada intensidade contra um exército como o russo durante muito tempo. Logo, as operações militares vão começar a abrandar nos próximos dias e fa-lo-ão apenas quando os russos declararem que os seus objectivos estão alcançados. E isso consistirá na expulsão da Ossétia do Sul de todas as forças georgianas que nela penetraram.

As forças georgianas têm impressionado os seus aliados no Iraque, pelo seu profissionalismo e elevado grau de prontidão. Estes dois mil homens que aqui estão destacados, são proventura dos mais bem preparados do exército georgiano, mas não são a excepção. Recordemo-nos que este país trava uma guerra de baixa intensidade com a Rússia e os separatistas do norte desde a sua separação da União Soviética e que as suas forças estão geralmente bem preparadas e treinadas. As imagens recentes de soldados sendo transportados em pickups e autocarros públicos são normais num contexto de guerra total, em que importa levar para a frente a maior quantidade possível de forças. Mas estas imagens – que passam sem cessar nas TVs – também são acompanhadas por colunas de tanques T-72, dos quais a Geórgia tem mais de 200 unidades, bem que os 140 que a Rússia terá feito entrar pela Ossétia do norte… E se temos visto muito as viaturas de reconhecimento de fabricação turca Otokar Cobra, a Geórgia não deixa de poder alinhar também com 200 BMP-1 e 2, assim como mais de 70 BTR-80. Nesta guerra, a decisão do vencedor será ditada – com em todas as outras – pela capacidade de concentrar meios e de os abastecer… No primeiro aspecto, a Geórgia tem a vantagem de estar mais próxima das suas bases, e o mesmo vale para os abastecimentos… Mas não tem a força aérea capaz de controlar os seus céus e de assim impedir os ataques aéreos que a Rússia já está a conduzir contra estradas, pontes e portos numa estratégia de “guerra global” que não víamos desde a Guerra do Kosovo, da NATO contra a Sérvia… É que além de um numeroso grupo de 35 aviões de ataque ao solo Su-25 (fabricados localmente na época soviética), apenas pode contar com os obsoletos 18 MiG-21 e com excelentes mas talvez inoperacionais 12 MiG-25… Um alinhamento incapaz de enfrentar com sucesso os conhecidos Su-27 da Força Aérea Russa.

Esta guerra é uma afronta russa na face da NATO. Em Abril, a NATO prometeu que deixaria que a Geórgia aderisse – provocando a ira russa, que assim se sente cada vez mais cercada – e esta guerra tem aqui também uma forte motivação… As forças da geogira combatem no Afeganistão e no Iraque ao lado das forças dos EUA, e este apoio (raro) carece de contrapartidas… mas atualmente, os EUA estão em declínio e Bush pouco pode prometer aos seus aliados caucasianos do que vãs e ocas palavras que a Rússia sabe que nunca poderão passar disso mesmo.

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As máfias do carvão e o massacre de gorilas no Congo

No final do mês de Julho, foram encontrados mortos, em pleno parque nacional Virunga, no Congo toda uma família de gorilas… O parque foi o cenário do livro e filme “Congo” de Michael Crichton. Infelizmente, não foi a primeira vez que foram encontrados gorilas mortos no Virunga… Nem será a última, mas nunca antes foi registado um massacre tão evidentemente efectuado apenas para intimidar os guardas do parque e reduzir a sua actividade de defesa destes primatas, um pouco como a Mafia assassinava a família dos seus adversários, para intimidar os membros de uma famiglia rival, na Chicago da década de 30…

Os guardas do parque conhecem bem quem são estes criminosos e quais são os seus propósitos… Mafias locais envolvidas com comercio ilegal de carvão. O objectivo do golpe parece ter sido duplo: intimidar os guardas florestais de forma a que deixem de se aproximar das zonas de floresta que os gorilas habitam e que os guardas vigiam e levar à demissão do gestor do parque Virunga, Paulin Ngobobo, que desde que foi nomeado, em 2006, encetou uma dura luta contra o comercio ilegal de carvão que tanto esta a ameaçar o derradeiro habitat dos gorilas do Alto Virunga.

Com Ngobobo, os guardas florestais começaram a deter fabricantes ilegais de carvão que o fabricavam queimando madeira de arvores abatidas no parque em fornos artesanais. Em resultado, esta atividade diminuiu desde 2006. Mas agora, com este massacre, este diretor do parque foi demitido e transferido para um sector do parque onde não há gorilas e onde não pode interferir com estas mafias do carvão e todas as conquistas dos últimos anos podem esfumar-se (literalmente) em meses…

O consumo de carvão vegetal esta tornar estéreis extensas franjas florestais do parque natural, à medida que o consumo de carvão esta a destruir uma das ultimas manchas florestais virgens do mundo. As populações – em explosão demográfica constante – precisam deste carvão para aquecimento, iluminação e, sobretudo, para cozinharem os seus alimentos. E como toda a madeira fora do parque já se esgotou à muito e não há qualquer tentativa de reabilitação, a madeira do parque tornou-se o recurso seguinte a explorar.

São as árvores que fornecem esta madeira que abrigam metade dos últimos 700 gorilas de montanha do mundo.

Felizmente a situação é muito diferente no vizinho Ruanda, onde os habitantes locais simplesmente não abatem arvores para obtenção de carvão por receio das pesadas punições impostas pelo Governo, que sabe que os gorilas representam um importante património turístico e o principal atractor internacional do pais. Por contraste, o governo congolês – corrupto, incompetente e muito distante – não tem o mesmo tipo de visão conservacionista e comercial (os termos não são necessariamente incompatíveis) e perde assim aquela que poderia ser uma importante fonte de rendimentos. É claro que o problema maior é aqui o de encontrar alternativas viáveis ao carvão vegetal, e de ir moderando o crescimento demográfico na região, quer transferindo os campos de refugiados que se acumulam aqui para outras regiões do Congo, quer disponibilizando meios para reduzir a conflitualidade na região e estabilizando o pais.

Fonte:

http://www.usnews.com/articles/news/world/2008/02/06/the-story-behind-the-killings-of-congos-rare-mountain-gorillas.html

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Porque é que os Hummers deviam ser…

(http://wallpapers.free-review.net)

Clique AQUI para saber porque é que os SUV Hummer deviam ser banidos para a…

Estratosfera.

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