Que computadores e sistemas operativos correm dentro da sonda marciana Phoenix?


(Computador espacial RAD6000 da BAE in http://www.mundobot.com)

Tenho dedicado alguns artigos ao lander Mars Phoenix que a NASA colocou no pólo norte marciano… Sabendo que a dita sonda teve logo nos seus primeiros dias no planeta vermelho uma avaria de software, logo corrigida por uma nova versão enviada para Marte da Terra, mas que levou à perda de várias fotografias da sua memória Flash fiquei naturalmente curioso sobre o tipo de software e de sistema operativo que fazia funcionar a sonda, pelo que realizei uma pequena busca na Internet sobre o dito…

Em primeiro lugar, a avaria consistiu na conservação de fotografias captadas logo nos primeiros momentos após a aterragem da sonda e que foram guardadas numa memória flash. A dita memória ficou cheia e em consequência perderam-se algumas destas imagens. A falha foi detectada quando a Phoenix enviou o mesmo grupo de dados 45 mil vezes seguidas, como se tratasse de um disco riscado. A sonda está configurada para tira fotografias durante o dia marciano, guardá-las em memória flash e depois, de noite, descarregá-lo para uma das duas sondas que a NASA tem em órbita de Marte, limpando a memória no fim desse processo. A falha fazia com que a memória fosse limpa, sem que estes dados fosem enviados. Felizmente, como esta sonda é estática e não se move pelo solo marciano como os rovers Opportunity e Spirit, os dados perdidos não foram importantes e antes do envio de uma nova versão de software os engenheiros da NASA ultrapassaram o problema determinando que a sonda enviava as imagens captadas para órbita assim que eram captadas, não deixando assim encher a memória flash problemática.

E quanto ao coração informático da Phoenix?

Bem, a flexibilidade demonstrada indica que ao contrário das primeiras sondas da era espacial, a sonda utiliza software e sistemas padronizados e concebidos para terem um elevado grau de robustez, redundância e flexibilidade… É que ao fim ao cabo se tivermos um écran azul no solo de Marte ou de Titã, não podemos chamar a assistência, certo? E isso indica desde logo que não se pode confiar em nenhum dos sistemas operativos disponíveis no mercado, mas em coisas mais ou menos “esotéricas”… Mas um RAD6000 “space computer” construído pela empresa britânica BAE Systems. O dito computador, inserido bem no coração da Phoenix corre como sistema operativo o Vx-Works, um sistema escrito em linguagem C da Wind River Systems.

O RAD6000 utiliza tecnologia comercial, mas reforçada com sistemas de protecção contra radiação. Possuem funções que permitem o controlo remoto da memória local, algo que é vital numa missão espacial onde tudo ocorre a grandes distâncias e sem qualquer possibilidade de interferência local no sistema. O sistema, contudo, tem as interfaces de I/O comuns na maioria dos sistemas informáticos caseiros, nomeadamente o barramento de placas PCI, conectores RS232 e RS422 e portas Firewire. O RAD6000 da Phoenix não é o mais sofisticado computador fabricado pela BAE, sendo este o RAD750TM, o que indica desde logo como a contenção de custos foi um dos aspectos mais determinantes desta sonda marciana.

O RAD6000 foi construído em torno de um processador RISC de 32 bits da IBM a 3,3 volts, o mesmo que esta empresa norte-americana utiliza nas suas workstations IBM RISC System/6000 e congrega uma cache interna de 8 Kb. O processador suporta entre -25 a +105 graus centígrados. Além desta cache, o Phoenix acede a 8 Mbytes de SRAM e uma PROM de 128 Kbytes pesando todo o conjunto menos de um quilograma.

Atualmente, haverá cerca de 400 computadores da série RAD no espaço, no mais diversificado número e tipos de satélites e sondas espaciais e constituem assim o cérebro da maioria dos satélites e sondas espaciais lançadas por países ocidentais nas últimas décadas sendo um dos componentes mais importantes e menos falados da exploração do Espaço pelo Homem…

Fontes:
http://www.eis.na.baesystems.com/sse
http://www.windriver.com/
http://is.gd/DkP
http://edition.cnn.com/2008/TECH/space/06/19/phoenixglitch.ap/index.html?eref=rss_space

Anúncios
Categories: Ciência e Tecnologia, Informática, SpaceNewsPt | 1 Comentário

Navegação de artigos

One thought on “Que computadores e sistemas operativos correm dentro da sonda marciana Phoenix?

  1. “O processador suporta entre -25 a +105 graus centígrados”

    Creio que o processador da Phoenix não funcionaria em Marte se se suportasse apenas a amplitude de temperaturas indicadas no texto (-25 a +105), a não ser que haja um sistema de aquecimento no processador. Creio que todo o equipamento informático da sonda funciona à temperatura ambiente em Marte. Como se comprova em
    (http://almaviva.blogspot.com/2008/07/este-quadro-mostra-nos-as-temperaturas.html) as temperaturas no local onde aterrou a Phoenix situam-se entre os os-15 a 82 graus centígrados.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

%d bloggers like this: